Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

1781-09-09-2021

09.09.2021 20:43:00

Briefing realizado pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, Moscovo, 09 de setembro de 2021

    Adiada a visita à Rússia do Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional da República do Ruanda


    As conversações previstas para o dia 10 de setembro entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional da República do Ruanda, Vincent Biruta, no âmbito da sua visita de trabalho a Moscovo, foram adiadas por acordo das partes. 


    Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, recebe homólogo do Qatar


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, recebe, no dia 11 de setembro, o Vice-Presidente do Conselho de Ministros e Ministro dos Negócios Estrangeiros do Estado do Qatar, Mohammed Al Thani, que fará uma curta visita de trabalho a Moscovo.

    Durante as conversações, os Ministros discutirão detalhadamente questões prementes da promoção das relações entre a Rússia e o Qatar, trocarão opiniões sobre a situação dentro e em torno do Afeganistão e " acertarão agulhas" sobre questões internacionais e regionais de interesse mútuo, com enfoque na resolução política e diplomática dos conflitos persistentes e situações de crise no Médio Oriente e no Norte de África.


    Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, recebe Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de São Marino


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, recebe, no dia 13 de setembro, o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Económica Internacional e Telecomunicações da República de São Marino, Luca Beccari, que estará em visita oficial a Moscovo entre 12 e 15 de setembro.

    Na reunião, as partes trocarão opiniões sobre o estado atual e as perspetivas da cooperação russo-sanmarina em formatos bilateral e multilateral, bem como discutirão questões concretas da agenda internacional.


    Serguei Lavrov participará em reunião conjunta do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros, do Conselho de Ministros da Defesa e do Comité de Secretários dos Conselhos de Segurança da OTSC


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, participará na reunião conjunta do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros, do Conselho de Ministros da Defesa e do Comité de Secretários dos Conselhos de Segurança da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC). A reunião realizar-se-á em Duchambe a 15 de setembro e antecede a sessão do Conselho de Segurança Coletiva da OTSC que se inicia no dia 16 de setembro.

    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Tajiquistão, Sirojiddin, presidirá à parte dedicada ao balanço das atividades Organização durante o período intersessional. Serão trocadas opiniões sobre a situação político-militar nas regiões abrangidas pelo OTSC, com destaque para a situação no Afeganistão. A reunião deverá aprovar os documentos a serem submetidos ao exame do Conselho de Segurança Coletiva da OTSC, incluindo a Declaração do Conselho de Segurança Coletiva da OTSC.

    Os participantes irão considerar um grande pacote de resoluções relacionadas com a cooperação política externa, militar e antiterrorista no âmbito da Organização.

    Informar-vos-emos prontamente sobre eventos adicionais e eventuais alterações na agenda do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov.


    Com relação ao gasoduto Nord Stream 2


    Há dias, foi soldado o último tubo do segundo ramal do gasoduto Nord Stream 2. Resta juntar os trechos, dos quais um vem da costa alemã e o outro, das águas territoriais da Dinamarca, e realizar trabalhos de comissionamento. Representantes da Gazprom confirmaram que os primeiros fornecimentos de gás ao mercado europeu via NSP2 poderiam ser efetuados até ao final deste ano.

    Por outras palavras, a construção de uma das maiores instalações de infraestruturas energéticas do mundo está prestes a ser concluída. Passou a ficar claro para todos, incluindo os oponentes do NSP2, que se opuseram ativamente à construção deste gasoduto, que este processo não pode ser feito parar. É tempo de se deixar de obstaculizar este importante projeto. É tempo de se chegar a acordo sobre parâmetros sensatos e mutuamente vantajosos da exploração do referido gasoduto. 

    A data do início das entregas comerciais depende da posição do regulador alemão. Esperamos que, em breve, milhões de consumidores europeus possam receber gás russo pela rota mais curta, mais económica e mais amiga do ambiente. A pegada de carbono do transporte de gás via NSP2 é mais de cinco vezes menor do que através de rotas alternativas. Todos os materiais referentes a este assunto já foram disponibilizados. Estrategicamente, o NSP2 irá reforçar a segurança energética da Europa durante as próximas décadas. O gasoduto foi construído com a utilização das tecnologias mais recentes e cumpre todas as normas internacionalmente reconhecidas.

    Deixámos claro, durante muitos anos, respondendo a perguntas, respondendo a críticas e a falsificações, que o NSP2 era um projeto puramente económico e que a Rússia não tinha planos de utilizá-lo para qualquer outro fim. Esperamos sinceramente que o Nord Stream-2 deixe de ser objeto das especulações políticas, falsificações, campanhas mediáticas e pretexto para medidas restritivas ilegais e seja retirado da agenda de confrontação.

    Dada a participação das principais empresas energéticas europeias no cofinanciamento do projeto e de centenas de empreiteiros europeus no processo de construção, o NSP2, tal como o seu antecessor NSP1, é, de facto, um exemplo positivo de parceria mutuamente vantajosa entre a Rússia e a Europa, parceria essa, a qual estamos dispostos a desenvolver com base nos princípios do respeito pelos interesses e da vantagem mútua.

    Gostaria de desejar que os europeus, os habitantes de diferentes países e cidades da Europa nos ouvissem realmente, porque foram tantas vezes vítimas dos seus meios de comunicação social que distorciam factos e davam munição às campanhas de informação desencadeadas pelas estruturas lobistas que, nesta fase, esperamos, ouvirão, compreenderão e perceberão que obterão benefícios reais com este projeto internacional conjunto.

    Quanto às tentativas de condicionar o início do funcionamento normal do NSP2 a outros temas, continuamos, em primeiro lugar, a vê-las como exemplos da politização ilegítima da cooperação energética, o que contradiz fundamentalmente os princípios do mercado. Em segundo lugar, como o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou na sua reunião com a Chanceler alemã, Angela Merkel, estamos prontos para continuar o trânsito de gás através da Ucrânia. Todavia, esta questão é puramente comercial e depende de muitos fatores, incluindo o volume de futuras aquisições europeias e a competitividade das rotas alternativas.


    Anunciados novos nomes do governo provisório do Afeganistão


    Na noite de 7 de setembro, foram anunciadas novas nomeações para o governo provisório do Afeganistão. O chefe do novo gabinete e os seus membros têm um mandato interino, o que leva a crer que o processo de formação do governo e dos escalões de poder no país ainda não está concluído. Não podemos excluir que haja outras estruturas de poder que garantam que os novos órgãos de poder serão inclusivos. Vamos acompanhar de perto este processo. 

    A Rússia defende coerentemente que sejam tidos em devida conta os interesses de todas as forças etnopolíticas do Afeganistão na construção de um novo Estado. Entendemos que esta é a única possibilidade de alcançar uma paz e concórdia sustentáveis na sociedade afegã e garantir a reconstrução pacífica do país.


    Sobre a reunião de alto nível sobre a situação humanitária no Afeganistão


    O Afeganistão tem estado tradicionalmente entre os beneficiários da ajuda humanitária russa, inclusive aquela enviada através da ONU.

    Desde 2018, prestámos ajuda no montante de 9 milhões de dólares no âmbito do Programa Alimentar Mundial (PAM). Trata-se de alimentos de importância vital que foram distribuídos pelo pessoal da ONU entre as camadas populacionais mais vulneráveis. Além disso, o nosso país desempenhou um papel importante no desenvolvimento da capacidade logística das agências humanitárias da ONU no Afeganistão, doando um total de mais de 70 veículos à frota de veículos do PAM como contribuição em espécie (40 veículos KAMAZ em 2011 e 31 veículos KAMAZ em 2015).

    Compreendemos que a atual situação político-militar difícil, juntamente com o impacto negativo da pandemia COVID-19, resultou em dificuldades adicionais para a economia, saúde e segurança alimentar da população.

    Consideramos necessário recordar que a Rússia fez com que a Resolução 2593 do Conselho de Segurança da ONU sobre a República Islâmica do Afeganistão, adotada a 30 de agosto, contivesse o apelo a todos os doadores e organizações humanitárias internacionais no sentido de prestarem ajuda ao Afeganistão e aos principais países recetores de refugiados. 

    Para a nossa tristeza, ao contrário das propostas russas, os co-autores americanos, britânicos e franceses do documento recusaram-se terminantemente a incluir na Resolução referências à obrigação de cumprir estritamente os princípios orientadores da Organização Mundial para a prestação de ajuda humanitária estipulados na Resolução 46/182 da Assembleia Geral das Nações Unidas, bem como as teses sobre o impacto prejudicial da prática de "congelamento" dos ativos financeiros nacionais na situação económica e humanitária do Afeganistão.

    A parte russa pretende participar na reunião de alto nível sobre a situação humanitária no Afeganistão, a realizar a 13 de setembro em Genebra a nível de Representante Permanente junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra.


    Sobre a declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão sobre os "ataques hacker" contra as estruturas parlamentares alemãs


    Prestámos atenção a uma nova parcela de invencionices anti-russas divulgadas a 6 de setembro pela vice-porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Andrea Sasse, durante uma conferência de imprensa. A responsável afirmou que o nosso país estaria a orquestrar as atividades de um grupo hacker "Ghostwriter" contra deputados federais e estaduais da Alemanha. 

    A história de que a Rússia tem ligação com ataques hacker contra legisladores alemães não é nada nova. O lado alemão já veiculou temas semelhantes em 2015 e em 2017. A Internet guarda tudo. Basta procurarem todas estas informações nos motores de busca para verem que, após a campanha eleitoral parlamentar de 2017, o então Ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, teve de admitir que a Rússia não havia influenciado de nenhum modo o processo eleitoral no país. Todavia, Berlim parece não ter a menor intenção de aprender estas lições e erros.

    Apesar dos nossos repetidos pedidos enviados pelos canais diplomáticos, os nossos parceiros alemães não nos deram nenhuma prova da implicação da Rússia nos ataques hacker. Gostaria de salientar que utilizámos para isso os canais diplomáticos existentes. As propostas russas de entabular uma investigação conjunta foram ignoradas. Ao mesmo tempo, a Alemanha usou este motivo para estimular a União Europeia a aprovar dois conjuntos de sanções anti-russas.

    Estamos certos de a história do grupo "Ghostwriter" também teve uma motivação política e teve como pano de fundo semelhantes acusações sem fundamento lançadas contra a Rússia pelos EUA. Parece que estamos a assistir a um outro enredo propagandístico da luta política interna na Alemanha face às próximas eleições parlamentares marcadas para o dia 26 de setembro de 2021.

    Quando se trata de acusar a Rússia, Berlim atua como um mau aluno a tentar imitar um professor estrangeiro, "copiando-o" na esperança de obter uma boa nota e ganhar pontos políticos.

    Tais declarações não têm nada a ver com o combate efetivo às ameaças no ambiente da informação nem com o reforço da cooperação internacional no domínio da segurança da informação.

    A Rússia contrapõe a esta retórica e as acusações infundadas que fazem parte da campanha uma política coerente de construção de relações profissionais iguais com todos os Estados, tanto em formato bilateral como em fóruns regionais e globais.

    Há dias, (3 de setembro de 2021), realizámos consultas sobre a segurança da informação internacional numa atmosfera de construtividade à margem do Grupo de Trabalho Rússia-Alemanha de Alto Nível sobre questões da política de segurança e concordámos em torná-las sistemáticas. O comunicado publicado após as consultas está disponível no website do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. 

    Por isso, consideramos a declaração que se seguiu como desejo de alguns políticos alemães de mostrar ao seu principal aliado, para o qual este lobby está orientado, que mantêm alegadamente os russos à distância e não permitirão uma brecha na solidariedade transatlântica e de pôr, pela enésima vez, em circulação a já surrada tese da "ameaça vinda do Leste", na véspera das eleições parlamentares na Alemanha. Gostaríamos de dizer aos nossos parceiros alemães que seria correto retomarem a prática civilizada de propaganda eleitoral sem quaisquer insinuações e acusações infundadas contra países estrangeiros. Se estiverem a denunciar, a acusar e a fazer reclamações, tenham a gentileza de apresentar pelo menos alguns dos factos. Este é um aspeto muito interessante, porque, como já percebemos, Berlim não gosta de lidar com factos. 


    Sobre o financiamento dos projetos de Aleksei Navalny através de missões diplomáticas estrangeiras na Rússia


    Por vezes, representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão fazem declarações em conjunto com os seus aliados americanos. A Embaixada dos EUA na Rússia também reagiu à notícia de que os projetos de Aleksei Navalny foram financiados através de funcionários contratados pelas missões diplomáticas alemã e americana em Moscovo. A notícia citou vários outros países da NATO, mas prestámos atenção às informações sobre as Embaixadas dos EUA e da Alemanha. 

    O lado alemão não se constrange em atribuir a estruturas oficias da Rússia as alegadas tentativas de "construir acusações de financiamento direto" do blogueiro. Não estamos a construir nada, estamos apenas a apontar os factos revelados. Fazemo-lo respondendo a perguntas dos meios de comunicação social que nos contactaram. E os factos são os seguintes: as embaixadas estrangeiras em Moscovo contrataram cidadãos russos (cada embaixada teve os seus métodos de o fazer), pagaram-lhes dinheiro para que estes o transferissem para as respetivas estruturas. Estes são apenas factos. Confirmámo-los. 

    Boa prática. Quando nos acusam a nós, não citam factos concretos e começam a inventar e aplicar sanções contra nós, mas quando nós citamos factos, não apresentamos nenhumas acusações, citamos apenas factos, sucumbem logo à histeria. Como na rubrica #it's other. Os nossos colegas americanos, por sua vez, não só afirmam que os dados mencionados são "categoricamente falsos", como também nos acusam de "tentativas de intimidação de cidadãos nacionais por apoiarem a oposição política". Isto é ridículo. Olhem, colegas do Departamento de Estado, é bom terem uma espécie de lista de declarações para ver que as suas novas declarações não vão contra a vossa posição anterior. É estranho ouvi-lo dos "faróis da democracia" além-oceano, que nas melhores tradições da "caça às bruxas" da época da Guerra Fria desencadearam, de facto, no passado mês de janeiro, e não há dez anos, uma verdadeira repressão contra os apoiantes da oposição no seu   próprio país. Lembram-se como muitos deles foram despedidos dos seus empregos, como foram publicadas listas com os seus nomes, como lhes foram torcidos os braços para trás, como eles foram metidos em cadeias. Não imaginam de quantas coisas eles foram acusados.  E quantos anos seguidos os meios de comunicação social americanos, as estruturas oficiais mostraram alegados esquemas de atuação de pessoas originárias da ex-União Soviética, examinando-as átomo por átomo para ver quem e como elas apoiavam, a quem financiavam e em quem votavam. Publicaram fotografias, nomes, uma cadeia interminável de raciocínios sem fundamento. 

    Porque prestámos atenção a este assunto? Porque os nossos diplomatas foram expulsos de tantos países sob o falso pretexto de interferirem nos processos eleitorais e apoiarem partidos da oposição, movimentos, etc. Hoje falaremos de outro artigo tendencioso publicado na imprensa ocidental e dedicado a este assunto. Aos nossos diplomatas acusados de ingerência nunca foram, em princípio, apresentados nenhuns factos. Caso contrário, isso teria vindo à luz. É exatamente por esta razão que apelamos aos nossos parceiros ocidentais. Como é que isso acontece? Porque é que utilizam dois pesos e duas medidas? 


    Ponto da situação na República da Guiné


    Continuamos a acompanhar de perto a situação na República da Guiné, onde a 5 de setembro deste ano, um grupo de militares liderado pelo Coronel Mamady Doumbouya, ex-comandante de batalhão das forças especiais, tomou o poder, prendeu o Presidente Alpha Condé, dissolveu o governo e revogou a Constituição.

    Moscovo manifesta preocupação com a violenta mudança de poder na Guiné. Exigimos a libertação do Presidente Alpha Condé e a sua imunidade. 

    Acreditamos ser extremamente importante não permitir que as tensões aumentem e tomar as medidas necessárias para que a situação no país regresse à normalidade constitucional. 

    Acreditamos que não há alternativa para resolver a situação a não ser o regresso à legalidade e o entabulamento, o mais rapidamente possível, de um diálogo nacional. 

    Segundo a Embaixada da Rússia em Conacri, a situação na Guiné é, de modo geral, calma, as instituições estatais continuam a funcionar normalmente, registando-se a transferência de poderes em órgãos de poder locais. Foi formado um "Comité Nacional de Unidade e Desenvolvimento" para assegurar uma transição pacífica de poder. A 6 de setembro, os líderes golpistas reuniram-se em Conacri com ex-membros do governo e dirigentes de instituições estatais, durante a qual Mamady Doumbouya disse que um governo de unidade nacional seria criado num futuro próximo. Também garantiu que as empresas mineiras estrangeiras poderiam continuar as suas operações e que as fronteiras marítimas da Guiné permaneceriam abertas para a exportação de produtos mineiros. Naquele mesmo dia, foi anunciada a retomada dos voos comerciais e humanitários.

    De acordo com a nossa missão diplomática em Conacri, a situação em torno da Embaixada russa permanece calma, não havendo registo de incidentes que envolvessem cidadãos russos ou pessoal das empresas russas que operam no país. Estamos sempre em contacto com os nossos compatriotas, tomando todas as medidas necessárias para garantir a sua segurança. Continuamos a recomendar que os cidadãos nacionais se abstenham de viajar à República da Guiné até que a situação volte completamente ao normal. 


    Sobre as iniciativas programadas das representações russas nos EUA em homenagem às vítimas do atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001


    Para homenagear as vítimas do atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001, a Embaixada da Rússia nos Estados Unidos, em conjunto com a ONG Schiller Institute, planeia realizar, no dia 12 de setembro, uma cerimónia junto do Monumento "Combate ao Terrorismo Internacional", também conhecido como "Lágrima de Dor" localizada em Bayonne (Nova Jersey) no lado oposto a Manhattan do rio Hudson. Criada pelo escultor russo e Presidente da Academia de Artes da Rússia, Zurab Tsereteli, e inaugurada a 11 de setembro de 2006, a escultura foi doada ao povo americano pela Federação da Rússia.

    Este ano, no ato será lida uma mensagem de Zurab Tsereteli. O Cônsul-Geral da Rússia em Nova Iorque, Serguei Ovsiannikov, fará um discurso, devendo representantes da polícia, dos bombeiros e de famílias enlutadas fazer breves intervenções. O grupo vocal do Schiller Institute interpretará os hinos nacionais da seja, as Rússia e dos EUA.


    Sobre o 25º aniversário da fundação do Conselho Ártico


    Este ano, o início da segunda presidência russa do Conselho Ártico coincidiu com o 25º aniversário da organização. A história do Conselho Ártico pode ser considerada, em muitos aspetos, como história do sucesso. Criado no início dos anos 90 em Rovaniemi, na Finlândia, a partir da cooperação ambiental regional e formalmente fundado em Ottawa em 1996, o Conselho tornou-se um fórum influente de diálogo intergovernamental dos Estados do Ártico sobre questões do desenvolvimento sustentável da Região Transpolar. É importante notar que, há um quarto de século que os seis "Membros Permanentes" do Conselho Ártico, ou seja, as organizações que representam os interesses dos povos indígenas do Ártico, são parte integrante deste diálogo.

    Várias iniciativas e projetos estão a ser implementados para celebrar o aniversário do Conselho durante este ano, desde a produção de um documentário sobre a história e realizações do Conselho Ártico até à organização de mesas redondas e seminários sobre o futuro da Região Ártica nos Estados membros e observadores do Conselho. Estão também previstos eventos informativos nas redes sociais do Conselho e dos seus membros. Maiores informações podem ser obtidas no sítio web oficial do Conselho Ártico. Esta organização é um importantíssimo e emblemático exemplo da interação entre Estados e organizações não governamentais no âmbito de uma estrutura internacional.


    Começa a 48a sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU

     

    De 13 de setembro a 8 de outubro, terá lugar em Genebra a 48 sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

    Espera-se discutir um amplo leque de questões importantes no âmbito de promoção e proteção dos direitos humanos, inclusive a luta contra o racismo e contra a escravidão contemporânea, a situação dos povos indígenas e autóctones, aspetos humanísticos da atividade de empresas privadas de segurança e militares, os problemas de desaparecimentos por força e detenções ilegais, mercenários, o direito de acesso à água e à higiene, garantia dos direitos dos idosos.

    Será um dos temas centrais desta sessão o impacto negativo que as medidas restritivas têm sobre os direitos humanos – uma discussão especial será dedicada a ele. Também vai haver diálogo com o relator especial do Conselho, que desenvolverá uma análise detalhada do conceito, dos tipos e qualificações de tais sanções ilegais, colocando um enfoque especial sobre as suas consequências extraterritoriais.

    Tradicionalmente, serão considerados alguns países em especial, inclusive a situação com os direitos humanos no Iémen, na Líbia, em Mianmar, na Síria e na Ucrânia.

    Nesta sessão do Conselho, a delegação russa continuará a sua política consequente de diálogo construtivo e de respeito mútuo, de superação de confrontos e promoção da agenda de unificação sobre assuntos relevantes no âmbito dos direitos humanos.

     

    Quanto à matéria sobre Catalunha publicada no The New York Times

     

    Nem sei explicar de que se trata. Dum lado, é o assunto catalão, do outro, é o assunto de como o The New York Times, com a sua história, com as suas tradições, voltou a ser, seja refém do próprio não profissionalismo, seja arma nas mãos de estruturas de lóbi. Vejam só.

    Há uns dias, apareceu no site do Ministério dos Negócios Estrangeiros, na seção “Publicações que divulgam informações falsas sobre a Rússia”, a matéria que desmente a publicação do NYT sob o título de “Um casal de espiões do Kremlin, uma missão secreta em Moscovo e desordens na Catalunha”. Se o título não fosse tão longo, até valia para um filme de James Bond, mas as pessoas que trabalham lá têm talento e inventam títulos criativos. Chamar-se-ia de “novela ruim”. Dificilmente pode ser chamado de “artigo”, já que é uma fake desde o início até o fim.

    Trata-se da “notícia sensacional” sobre os alegados contactos dos funcionários catalães com a Rússia, divulgada por todos (quem sabe apertar o botão “copiar”). Gostaria de saber se as fontes em que o NYT apoiou-se são verdadeiras, especialmente levando em conta que os próprios catalães desmentem as alegações apresentadas na matéria. Os autores referem-se a um certo “relatório secreto da inteligência europeia”, que contém evidente desinformação. Assim pode-se criar de tudo: “relatório secreto da inteligência marciana”. Falam de reuniões de Josep Lluís Alay, conselheiro do antigo chefe do governo da Catalunha, Carles Puigdemont, com o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Oleg Syromolotov (reuniões que nunca houve, não há e não podem ser, nem na Rússia, nem em parte alguma do mundo). Acho que Oleg Syromolotov viu o nome de Josep Lluís Alay no artigo pela primeira vez, ficou muito surpreendido e indignado. Compreendo-o bem. O artigo alega também uma reunião com o chefe da Agência Federal para Assuntos da CEI, Compatriotas Residentes no Estrangeiro e da Cooperação Humanitária Internacional (Rossotrudnichestvo), Evgueni Primakov (ele já comentou estas “informações deturpadas” no seu canal no Telegram).

    Vou contar por se alguém não conhecer a história. Evgueni Primakov encontrou-se uma vez com o senhor Alay (mas fez isso não sendo chefe da Rossotrudnichestvo, senão na qualidade de jornalista). É que foi nomeado para esta estrutura muito mais tarde. Naquela altura, ele encontrava-se com ele como jornalista, sendo o inspirador, dirigente e âncora do programa “Panorama Internacional” no canal Rossiya. Eles discutiam a possibilidade de Carles Puigdemont conceder uma entrevista a Evgueni Primakov enquanto autor e dirigente do programa. Puigdemont concedeu, com efeito, uma entrevista em Bruxelas, mas sem a participação de Primakov. Foi mostrada quase um mês depois, já terminadas as eleições espanholas, então isso tampouco pode relacionar-se à intervenção na situação na Catalunha. Mostraram a versão reduzida (sem os apelos políticos) para evitar acusações de tentativa de intervir-se nos assuntos internos da Espanha.

    Infelizmente, não é a primeira vez quando media espanhóis (desta vez, precedidos por uma publicação norte-americana) voltam a divulgar provocações alegando “intervenção” da Rússia nos assuntos internos da Espanha em função dos acontecimentos catalães. Os autores de tais publicações não demonstram demasiada criatividade. Os “comentários” obsoletos sobre a tal “pegada russa” nos processos separatistas da Catalunha ganham novos pormenores fantasmagóricos. A base é a mesma, os pormenores são novos. Parece um mau romance policial.

    O MNE da Rússia já manifestou muitas vezes a sua postura essencial e clara: a situação na Catalunha é um assunto estritamente interno da Espanha e os eventos em torno dos assuntos catalães devem acontecer conforme a legislação espanhola vigente. Todos estes comentários e declarações publicavam-se no nosso site. Falávamos muitas vezes que as nossas relações com a Espanha se baseiam no respeito incondicional da soberania e da integridade territorial desse país. Os parceiros espanhóis o sabem.

    Quanto à desinformação mencionada do NYT, também a ela reagimos, desmentindo aquela matéria. Mas é difícil, até impossível, desmentir o absurdo. E nisso, são realmente fortes. Publicam coisas difíceis de desmentir. Pode-se desmentir um facto equivocado, uma citação incorreta, uma data. Já o absurdo é impossível de desmentir. Parece que nisso são mestres os dois jornalistas. Conhecem-se os seus nomes. Já fazem parte da história mundial das fakes: Michael Schwirtz e José Bautista. Numa semana, tornaram-se produtores de fakes de renome mundial.

    Agora, voltemos às tradições do The New York Times. Vejamos a re-edição dum livro velho publicado no ano passado pela Cosimo Clássicas – falo do estudo “A Text of the News”, publicado inicialmente em 1920 como suplemento ao The New República. Este trabalho, fruto do labor dos jornalistas Walter República and Charles Metz, estuda a cobertura que o jornal The New York Times tinha feito da Revolução de Outubro na Rússia. Os autores independentes descobriram muitas falhas e deturpações nas reportagens. Eles declaram claramente: “As notícias sobre a Rússia não são aquilo que se vê, senão aquilo que quer-se ver”. Assim, Lippmann e Merz contam que desde o fim de 1917 até o fim de 1919, the New York Times afirmou 91 vezes que o governo soviético tinha caído ou ia cair em breve. 91 vezes o NYT inventou uma história que não houve sobre um aspeto. Passaram cem anos, e uma tradição boa não se abandona. Mas há padrões jornalísticos, aprende-se com erros, sejam os próprios ou alheios. É preciso mudar-se. Já está na hora.

    Quero indicar que aguardamos uma desmentida do NYT. Vamos aguardar atentamente esta desmentida. Não vamos deixar este assunto.

    É de se surpreender. Cem anos passaram, e os princípios não se mudaram. Alguns jornais não mudam os seus padrões jornalísticos. Bravo, The New York Times! Esperamos que tirem lições.

     

    Reino Unido atualiza gestão do ciberespaço

     

    Vimos que no início de setembro, entraram em vigor no Reino Unido novas regras mais rigorosas para plataformas online, inclusive as maiores redes sociais. O documento que leva o título de “Código de comportamento em função de faixas etárias” foi submetido às autoridades como um instrumento de profilaxia e combate a vários modelos indesejados de interação de operadores de rede com os usuários menores de idade. Agora, fica proibido localizar a situação geográfica de crianças, usar publicidade personalizada e outros conteúdos individualizados, “sugerir prolongamento do uso da Internet”. Não obstante o título do documento, “Código de comportamento”, que não supõe consequências jurídicas graves, quem o vilar, terá que pagar multas de até 4% do lucro da empresa. Se for algum gigante da Internet, os montantes podem vir a ser colossais.

    Esta iniciativa que parece boa à primeira vista, lançou uma onda de discussões nos círculos do governo britânico, especialmente no bloco militar, tendo por objeto o eventual aumento do rigor das exigências às empresas IT. Claro, pelo exclusivo motivo de proteger as crianças. Entre as ideias propostas, são a proibição da criptografia de ponta-a-ponta, o acesso dos serviços especiais aos dados, a implementação da prática de confirmação de identidade para registar-se e usar redes sociais. Vale notar que as mesmas propostas já tiveram outras justificações, principalmente ligadas ao controlo da migração e à luta contra o terrorismo.

    Acreditamos que o essencial nesta situação não são as atualizações na adotadas pela legislação britânica. Elas cabem na tendência global, relacionada ao desejo dos Estados de marcar o âmbito do permitido dos gigantes da Internet. Lembremos as novidades legislativas recentes na Austrália, na Alemanha, na França, na China, nos EUA – inclusive ao nível de estados, – que vão no mesmo sentido. A cada vez são mais frequentes as notícias sobre multas aos operadores – como o montante recorde de 225 milhões de euros que a reguladora irlandesa obrigou a Facebook a pagar por não informar suficientemente os usuários sobre a colheita e uso dos seus dados pessoais.

    Salta aos olhos a ligeireza com que os funcionários do Reino Unido e as estruturas não governamentais que os imitam negam este direito a outros. Lembramo-nos da histeria a diferentes níveis (estruturas governamentais, ONGs, fóruns mediáticos) que os nossos parceiros britânicos montaram ao saber de vários projetos de lei e leis elaborados na Federação da Rússia. Têm que escolher: ou não gostam de tais teses e princípios, que consideram impossíveis, ou consideram-nos normais, então têm que parar de criticar o nosso país sem fim. É preciso ser consequentes. Não é possível considerar dignos somente a si mesmos, considerando os outros indignos, relacionando qualquer passo no sentido de ordem e de relações civilizadas com os monopolistas da Internet a “ataques contra a liberdade de palavra”. Não cansam de falar-nos isso. É da mesma série dos “duplos padrões” ou “vocês não compreendem, é outra coisa”.

    Parece que na situação atual de falta de controle virtualmente total e de liberdade infinita das plataformas online, só é possível resolver este problema por meio de regimes nacionais e regionais de controlo (então vamos lembrar aos nossos parceiros que cada Estado tem o direito de elaborar as suas próprias leis e regras) ou por meio de abordagens universais, reconhecidas por todas as partes interessadas à codificação das regras nesta área. Nós gostaríamos do segundo caminho. Apelámos a isso muitas vezes. Por iniciativa dos nossos legisladores do Conselho da Federação, propostas foram publicadas e divulgadas em plataformas internacionais. Gostaríamos que os colegas britânicos vejam a inconsequência da sua abordagem.

    Nesta etapa, apelamos a eles a abster-se de comentários inoportunos das medidas de outros países que eles próprios implementam a grande escala no seu país.

     

    Novo prédio escolar aberto em Tskhinvali com patrocínio da Rússia

     

    A 6 de setembro, teve lugar em Tskhinvali a cerimónia solene de inauguração do novo prédio da escola média n.º 3, que veio substituir o prédio danificado no decurso da agressão da Geórgia em agosto de 2008. O prédio foi construído com o apoio financeiro da Federação da Rússia.

    Participaram na cerimónia os funcionários da Ossétia do Sul, encabeçados pelo Presidente, Anatoly Bibilov, o Embaixador da Rússia na Ossétia do Sul, Marat Kulakhmetov, antigos alunos da escola que agora ocupam cargos políticos no país, representantes do corpo diplomático, da sociedade e dos media. Na sua mensagem, o chefe de Estado da Ossétia do Sul agradeceu a ajuda em grande escala da Federação da Rússia, inclusive visando modernizar a infraestrutura social.

    A inauguração da escola é uma contribuição importante no desenvolvimento da Ossétia do Sul enquanto um Estado social de progresso. A Federação da Rússia continuará a prestar o seu apoio ao desenvolvimento económico da república irmã.

     

    Rússia doa carros de ambulância ao Tajiquistão

     

    A 7 de setembro, aconteceu em Dushanbe a cerimónia solene de doação ao Tajiquistão de dez carros de ambulância construídos na Rússia.

    Participaram no evento o Embaixador da Rússia no Tajiquistão, Igor Lyakin-Frolov, a Vice-Chefe da Chancelaria do Presidente da Rússia, Olga Lyakina, Matlubakhon Sattoriyon e outros funcionários.

    Não é a primeira vez que a Rússia ajuda o Tajiquistão a reforçar o seu sistema nacional de saúde pública. A nossa cooperação nesta área é dinâmica, inclusive no âmbito do combate conjunto contra o coronavírus. Quase 2.700 meninas e meninos tajiques estão a cursar Medicina na Rússia. Isso também é uma grande contribuição da Rússia no sistema de saúde pública do Tajiquistão.

    A doação de carros munidos de equipamentos médicos contemporâneos, inclusive ventiladores pulmonares portáteis, desfibriladores externos com monitores, eletrocardiógrafos, inaladores de oxigénio e muitos outros, é uma prova de que a Rússia tem em grande apreço estas relações estratégicas. É simbólico que a cerimónia tenha acontecido na véspera de eventos internacionais importantes para os nossos países e da visita do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, ao amigo Tajiquistão.

    A Rússia é um dos parceiros essenciais no reforço do sistema de saúde pública e do bem-estar sanitário do Tajiquistão. No decurso dos últimos anos, o Tajiquistão recebeu quatro clínicas móveis na carroçaria de KAMAZ para os primeiros socorros e diagnóstico de VIH, hepatites virais e outras infeções, um laboratório móvel de diagnóstico rápido na carroçaria de GAZ, dois autocarros médicos para dar acesso aos cuidados médicos em regiões de difícil acesso da república.

    No âmbito da luta conjunta contra o coronavírus, a Rússia doou ao Tajiquistão sistemas de testes com os respetivos reagentes, além de 50 mil doses da vacina Sputnik-V. Desde o início da pandemia, o Serviço Federal de Vigilância na Área de Proteção dos Direitos do Consumidor e do Bem-Estar Humano (Rospotrebnadzor) enviou à república seis delegações de especialistas para ajudarem a combater esta doença.

    Além disso, a Organização Internacional da Saúde (OMS) conta com a ajuda da Rússia ao realizar no Tajiquistão projetos visando reduzir a mortalidade materna e infantil e detetar riscos de doenças não infeciosas.

     

    São Tomé e Príncipe elegeu Presidente

     

    A 5 de setembro, decorreu o segundo turno das eleições presidenciais na República Democrática de São Tomé e Príncipe. De acordo com os dados da Comissão Nacional Eleitoral, o candidato do partido Ação Democrática Independente (ADI), Carlos Manuel Vila Nova. Observadores internacionais, inclusive enviados pela Comunidade Económica dos Estados da África Central, observaram que as votações aconteceram num ambiente tranquilo e de paz.

    Moscovo saúda as eleições presidenciais na República Democrática de São Tome e Príncipe e espera que a sociedade santomense siga o caminho de progresso estável social e económico.

     

    Ponto da situação em torno da jornalista da BBC

     

    Apesar das nossas numerosas e abrangentes explicações a respeito da razão de não prolongarmos o visto de jornalista e de retirarmos o credenciamento da correspondente da corporação britânica BBC, Sarah Rainsford, sendo isso uma resposta às repressões dos media russos por Londres – que estão a ponto de ser um escárnio descarado e humilhação, ela continua a emitir declarações públicas que põem em questão a sua probidade profissional, bem como a honestidade humana. Gostaria de sublinhar que nós recebemos pedidos dos media pedindo destacar que os jornalistas russos se sentem humilhados pelas declarações que Sarah Rainsford fez a respeito de certos media russos.

    Numa recente entrevista a um dos media russos, a britânica – cujo nome quase tornou-se um apelativo – mostra ser mestre em unir contos lastimosos sobre as suas emoções por causa da saída do país com especulações baseadas em “sentimentos”, referências a “fontes anónimas” e mentiras descaradas. Continua a fingir que não compreende a gênese do problema, considerando-se vítima de “ofensiva contra a liberdade de palavra” na Rússia, culpando os seus colegas russos sem justificação. Acho que a jornalista deveria começar a pensar que ela ofende diretamente os jornalistas russos (nem falo dos órgãos do poder). Fala coisas que não existem na realidade e questiona o trabalho dos seus colegas. Ao comentar os media russos e os seus representantes, ela não solicitou comentário seu, explicação ou entrevista, contaram-nos os jornalistas. Pois é jornalista da BBC.

    Quero voltar a responder a estas declarações falsas que ela se permitiu. A sua saída é o resultado direto e imediato da recusa sistemática e não justificada das autoridades britânicas à discriminação dos jornalistas russos pelo visto, que tem continuado por muitos anos. Com os jornalistas russos, Londres pratica a recusa e manipulações com os vistos. O canal de TV BBC sabe bem disso. Nós já dissemos isso a eles muitas vezes, prestávamos a atenção deles a este problema. Também dizíamos a Londres oficial que teríamos que adotar medidas de resposta não simétricas. Não vamos fazer tudo o que fizeram aos nossos jornalistas. Isso seria no limite de humilhação e ofensa.

    Sarah Rainsford mente ao afirmar que o problema dos jornalistas russos no território britânico tem a ver com algo mais do que a falta de desejo de Londres de ver jornalistas da agência TASS. Se for assim, que produza provas. A britânica induz conscientemente o equívoco na opinião pública alegando que tais incidentes não eram numerosos: as tentativas da TASS de substituir o seu correspondente com colegas não tiveram êxito, pois os documentos respetivos não eram considerados. Note-se que vários jornalistas da TASS viram os seus documentos recusados. Sendo assim, Sarah Rainsford faz, conscientemente ou não, declarações caluniosas, ao sugerir que o correspondente russo “não cumpre” alguns “padrões do modelo britânico”. É interessante quais são estes padrões e estes “modelos” que impedem jornalistas de receber vistos. Nós já dizíamos que os britânicos negam vistos aos diplomatas russos que obtêm convites britânicos para participar em fóruns dedicados à liberdade de palavra. E também que a parte britânica não deixa os jornalistas russos credenciados assistirem a eventos dedicados à liberdade de palavra, à proteção dos jornalistas. Sarah Rainsford não se limita a comentar aquilo que os seus colegas viram no Reino Unido sem sombra de objetividade, ela também se opõe a eles nos seus comentários, alegando ser uma jornalista melhor do que os jornalistas russos, sem apresentar nenhum facto para confirmar isso. Uma nova piada do “humor britânico”. Ela só diz que é “jornalista correta porque é pública, é mostrada na TV”. Já no caso dos correspondentes russos, trata-se de “anónimos” “protegidos” pelo Estado. Não sei porque a britânica acha que são anónimos, é mais uma mentira sua. Os seus nomes são conhecidos pela parte britânica e pela empresa BBC. A sociedade sabe os seus nomes.

    Agora, quanto à proteção do Estado. Quero explicar e responder a este comentário de Sarah Rainsford. Dois ministros britânicos já se ocuparam da proteção da jornalista que se diz “independente” e “pública”: a Ministra para os Vizinhança Europeia e as Américas do Foreign Office, Wendy Morton, e o próprio Secretário para Assuntos Externos do Reino Unido, Dominic Raab. Com que olhos Sarah Rainsford vê isso? Se ela considera que a proteção estatal serve para distinguir entre jornalista de qualidade e não, democrático e não democrático, em que categoria estará agora? Boa pergunta. Responda por favor, já que é tão pública.

    Ao questionar a nossa prontidão claramente declarada de revisar o seu caso em função dos passos do Reino Unido, Sarah Rainsford demonstra desrespeito aos órgãos do poder russo. Ao gesto de boa-vontade da nossa parte, visando pôr fim à prática viciosa de “olho por olho, dente por dente” e dar a Londres a possibilidade de manter a sua dignidade, outorgando o visto ao correspondente russo. Então nós também estaremos prontos para outorgar o visto à correspondente da BBC.

    Vou notar que esta solução desta situação prolongada e surgida exclusivamente por culpa da parte britânica ficará mesmo apesar destas declarações inoportunas e mentirosas da correspondente britânica.

    Após a outorga dos vistos aos correspondentes russos, Sarah Rainsford poderá solicitar vistos no consulado russo. Não são precisas mais fantasias. Por cada fantasia de um correspondente britânico, vamos apresentar factos. Pode ser duro. Mas não fomos nós que os a esta “rota”.

    Pergunta: Na semana passada, foi publicado o comunicado do órgão executivo da BBC a respeito duma matéria divulgada em novembro do ano passado que tratava do suposto uso de armas químicas na cidade síria de Douma em 2018. Aquela matéria da BBC alegou que um antigo inspetor da OPAQ, conhecido pelo pseudónimo de Alex, foi motivado a questionar em público as conclusões da investigação do incidente por um pagamento de $100 mil da WikiLeaks. Ele acreditava que o ataque tinha sido montado. Ele colaborava exclusivamente com jornalistas que apoiavam Damasco e Moscovo.

    Após a investigação, a BBC reconheceu que isso não era correto, que tal apresentação do inspetor não correspondia aos padrões de programas deste tipo publicados no seu site.

    Como isso caracteriza a narração dos media a respeito do conflito na Síria, a sua atitude para com opiniões distintas das deles?

    Porta-voz Maria Zakharova: Aquela matéria, preparada por Cloe inspetor, foi divulgada em novembro do ano passado na Rádio 4 da BBC. O programa tratava do notório incidente com o suposto uso de armas químicas na cidade sória de Douma a 7 de abril de 2018. O teor e a tendência do programa era pouco diferente de outras matérias do mainstream ocidental. Por mais uma vez, tentava-se usar todos os métodos (mesmo os inaceitáveis) para distrair a atenção internacional do ataque dos mísseis dos EUA, da França e do Reino Unido contra instalações governamentais da Síria a 14 de abril de 2018, justificado pelo alegado ataque químico das forças sírias.

    O caso de Douma permanece um claro exemplo de provocações infinitas montadas pela oposição armada síria e a ONG pseudo-humanitária “Capacetes Brancos” com o patrocínio dos serviços especiais ocidentais, usando substâncias tóxicas para demonizar o governo legítimo da Síria. Para lembrar, por trás dos “Capacetes Brancos” também estão “criadores” britânicos, e por trás da corporação britânica está o governo do Reino Unido. A chefia do Secretariado Técnico da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) também não ficou do lado, tendo contribuído para a deturpação dos acontecimentos. Evidenciam isso os numerosos factos de falsificação do relatório final da OPAQ da investigação dessa provocação química, da qual ficou responsabilizado Damasco, apesar da versão inicial do documento, elaborada por antigos funcionários da OPAQ com base nos dados objetivos. Eles merecem respeito e atenção especial, inclusive por parte dos media, já que eles não tiveram medo depois de afirmar que o relatório foi falsificado para satisfazer a demanda política dos países agressores que levaram a cabo o ataque de mísseis.

    Não é de se surpreender que Peter Hitchens, muito difícil de ser suspeitado de opiniões pró-russas ou pró-sírias, acompanhou atentamente a postura oficial em casos de acusação das autoridades da Síria de uso de armas químicas, fazendo perguntas muito incómodas para o seu próprio governo e tirando conclusões devidas. Que eram frequentemente diferentes do que as autoridades do Reino Unido e de outros países ocidentais tentavam apresentar. É assim bem compreensível a indignação de Peter Hitchens, proibido pela jornalista não profissional de ter uma opinião própria a respeito da situação em Douma. Jornalista essa que alegou motivos lucrativos a um dos dois ex-funcionários do Secretariado Técnico da OPAQ, conhecido pelo pseudónimo de Alex, que alegadamente queria defender a veracidade científica da primeira versão do relatório sobre a provocação química em Douma. A ele também foi negada a reputação profissional e a dignidade humana.

    O êxito ulterior do protesto de Peter Hitchens, movido pela seção especial da corporação mediática BBC inspira certo otimismo, mas eu não tenho certeza que vai haver progresso sério. Uma coisa é calúnia barata contra um jornalista de renome e contra um funcionário científico com reputação perfeita: é fácil de desmenti-la no tribunal. Já outra coisa é se o Estado, neste caso o Reino Unido, não está interessado em investigar de maneira objetiva o que aconteceu em Douma, continuando a deturpar os acontecimentos por meio dos media controlados, tentando evitar, junto com os seus aliados da NATO, a responsabilidade pela agressão perpetrada em violação da Carta da ONU e das normas universais do direito internacional.

    Nós já falámos hoje da campanha de falsificações por encargo. Eu citei o The NOW York Times, falei antes disso de outros exemplos (hackers russos etc.). Citamos exemplos a cada dia. Eis mais um deles.

    Qual é a aposta? Mesmo se esta mentira, que chega a ser mostrada na televisão, for desmentida depois, se for provado que era um fake, vai passar bastante tempo, será formada uma imagem, o público terá um modelo de perceção. Quem virá as desmentidas? Quem saberá das falhas na preparação da matéria ou na cobertura dum acontecimento? Quase nunca e ninguém fala disso em público.

    Lembram quantas vezes nós apelámos à CNN, que tinha divulgado uma matéria por encargo, usar factos nos seus programas? Isso foi feito, mas num formato e passado tanto tempo que isso já não tinha relevância.

    Pergunta: Na sua postagem, a senhora falou da publicação no site inagenty.ru do Comité da Proteção dos Interesses Nacionais?

    Porta-voz Maria Zakharova: Sabe, ao publicar as matérias, reagimos às perguntas dos media que se dirigiam a nós. Os jornalistas pediram para comprovar que cidadãos russos trabalham em embaixadas estrangeiras, patrocinando estruturas respetivas. Na verdade, não consideramos possível falar os nomes, porque são dados pessoais.

    Pergunta: Como a senhora verificou a lista?

    Porta-voz Maria Zakharova: É uma pergunta bem estranha para ser feita a um funcionário do órgão do poder federal da área de defesa.

    Pergunta: É verdade que os empregados russos das embaixadas estrangeiras trabalham através da entidade Inpredkadry da Administração do Corpo Diplomático?

    Porta-voz Maria Zakharova: Quanto à Embaixada dos EUA, eles não buscam empregados através da Administração Principal do Corpo Diplomático (GlavUpDK) desde os anos 1980s. Estas informações são de acesso público. Há matérias interessantes, poderia consultá-las. Quanto a outras embaixadas, cidadãos, funcionários, pode ser diferente. É preciso perguntar em cada caso concreto, como a pessoa trabalha, qual é o contrato. Estas informações devem ser comprovadas nas missões diplomáticas.

    Pergunta: Vimos na lista pessoas que nunca trabalhavam em embaixadas estrangeiras, mas por exemplo, obtinham bolsas para estudo da língua, cursos online ou traduções de livros. A senhora separou estas pessoas durante a checagem?

    Porta-voz Maria Zakharova: Já respondi a estas perguntas ao sublinhar que não discutimos dados pessoais.

    Pergunta: A senhora chama a situação de “esquema”. Por que considera isso um esquema? A base vazada dos partidários de Aleksei Navalny menciona um grande número de representantes de entidades públicas russas etc.

    Porta-voz Maria Zakharova: Eu uso a palavra “esquema” conforme a definição no dicionário [da língua russa] de Dmitry Ushakov. Diz ele: “Esquema – relação, descrição ou explicação de algo de maneira essencial, generalizada”. Há esquema de romance, esquema de relatório. Uso a palavra “esquema” neste contexto. Preste atenção ao facto de que os nossos materiais dizem: “Que os nossos ativistas civis e jornalistas pesquisem se os governos estrangeiros inventaram tal forma de transferência de dinheiro especialmente para Navalny ou se for uma maravilhosa coincidência dos sentimentos dos empregadores e dos empregados. Na verdade, interessa-me outra coisa”. Por favor, preste atenção a isso também.

    Pergunta: A senhora compara esta situação à reação ocidental às ações dos diplomatas russos. Mas neste caso, não se trata de diplomatas estrangeiros, senão dos russos: pessoal técnico, professores de centros linguísticos. A senhora não acha que é incorreto comparar um diplomata a um professor comum?

    Porta-voz Maria Zakharova: Exatamente. Por isso também não se comparam as competências laborais. É preciso comparar as fontes de renda. Elas são as mesmas: o governo dum Estado estrangeiro patrocina através da sua embaixada num país soberano, pagando o salário, transferindo dinheiro.

    Se houver mais perguntas, pergunte. Teremos o prazer de responder.

    Pergunta: Planeiam-se reuniões em breve com as novas autoridades do Afeganistão? A que nível podem ser?

    Porta-voz Maria Zakharova: Atualmente, estão mantidos contactos de trabalho com os representantes do Movimento Talibã através da Embaixada da Rússia em Cabul. Não se planeiam outras reuniões. A nossa Embaixada em Cabul emite regularmente comentários e publica as informações sobre os contactos que acontecem.

    Pergunta: Recentemente, passaram 300 dias desde a entrada em vigor da Declaração Trilateral dos líderes da Rússia, do Azerbaijão e da Arménia. As partes acusam-se de vez em quando de violar o acordo, fazendo diferentes alegações. Como o MNE da Rússia avalia o estado de cumprimento deste documento?

    Porta-voz Maria Zakharova: Contamos regularmente sobre as atividades do contingente pacificador russo, que garante o regime de cessar-fogo ao longo da linha de contacto das partes e do Corredor de Lachin. Violações substanciais não são registadas na zona de responsabilidade dos pacificadores russos. Baku e Yerevan confirmam isso. Compartilhamos as avaliações da situação na fronteira azeri-arménia, onde incidentes armados tiveram lugar nos meses passados. Informamos sobre o trabalho visando desbloquear a economia e os transportes na região, levado a cabo pelo Grupo de Trabalho Trilateral, copresidido pelos Vice-Primeiros-Ministros da Rússia, do Azerbaijão e da Arménia.

    Comunicamos à sociedade e aos media as informações sobre todos os esforços de mediação que visam melhorar as relações entre Baku e Yerevan, sejam bilaterais e trilaterais, bem como empreendidos no âmbito de formatos multilaterais.

    Acho que não devemos fazer conclusões baseando-se em números bonitos. Prepararemos uma matéria grande a 9 de novembro, um ano depois da adoção da Declaração, então compartilharemos as avaliações complexas.

    Pergunta: Yerevan oficial começou a alegar que a situação jurídica de Nagorno-Karabakh é crucial para a assinatura de um acordo de paz com o Azerbaijão. O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, já sublinharam muitas vezes que esta situação era um assunto do futuro e que não valia a pena “movimentá-lo” agora. Como o MNE da Rússia comenta esta declaração, ou, para melhor dizer, esta condição de Yerevan?

    Porta-voz Maria Zakharova: Acompanhamos atentamente as discussões no Azerbaijão e na Arménia a respeito do acordo de paz entre estes países e da solução do problema da situação jurídica de Nagorno-Karabakh.

    As divergências políticas essenciais das partes mantêm-se, infelizmente. Precisamente por isso consideramos que a prioridade nesta etapa é cumprir rigorosamente todas as cláusulas das declarações trilaterais adotadas ao nível superior a 9 de novembro de 2020 e a 11 de janeiro de 2021. Trata-se, antes de tudo, do respeito do cessar-fogo, da solução de várias questões humanitárias, do desbloqueio da economia e dos transportes na região.

    Esperamos que estes passos ajudem a criar as condições para a normalização das relações azeri-arménias e a alcançar a solução política definitiva.

    Pergunta: A Rússia ajuda os jovens compatriotas residentes no estrangeiro e aos jovens estrangeiros a estudarem nas universidades russas? Como é este apoio? Falo das bolsas, do auxílio com o visto, de subsídios de residência, transportes, serviços médicos, cursos de língua russa ou outros programas de auxílio. Há tendências de aumento ou de redução de ingresso às universidades durante a pandemia?

    Porta-voz Maria Zakharova: Nos últimos anos, o número dos estrangeiros e compatriotas interessados em estudar na Rússia cresceu, e não diminuiu. Se em 2011 o número total de estudantes pagos e não pagos era 150 mil, em 2021 já são cerca de 300 mil.

    De acordo com a Portaria n.º 2150 do Governo da Federação da Rússia, de 18 de dezembro de 2020, a quota de estrangeiros e pessoas sem cidadania (inclusive compatriotas residentes no estrangeiro) nos estabelecimentos educacionais russos pagos do orçamento federal chegou até 18 mil lugares no ano letivo 2021/2022, ou seja, três mil mais do que nos anos anteriores. Estes estudantes não pagam pelos seus estudos nas universidades russas.

    Além disso, uma quota de 23 mil lugares é prevista para o ano letivo 2022/2023, que crescerá até 30 mil a partir de 2023. No decurso dos estudos, os estudantes estrangeiros poderão morar em residências de estudantes, receberão bolsa mensal, como os estudantes russos. E os estudantes que chegam de países longínquos, poderão assistir a cursos preparativos de língua russa.

    Cada universidade tem uma página na Internet. Lá, há seções inteiras que descrevem as condições de ingresso de cidadãos estrangeiros neste concreto estabelecimento educativo.