Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

500-18-03-2020

18.03.2020 18:21:00

Ministro Lavrov profere palavras iniciais durante a declaração conjunta com o seu homólogo húngaro Moscovo, 18 de Março de 2020

    Senhoras e Senhores, 

    Tivemos conversas muito boas. Discutimos um vasto leque de questões da nossa agenda bilateral, sobretudo aquelas referentes à implementação dos acordos alcançados no dia 30 de outubro de 2019, após as negociações entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro húngaro, Viktor Orban, durante a visita de Vladimir Putin a Budapeste.

    Reafirmámo-nos interessados em desenvolver por todos os meios a cooperação comercial, económica, de investimento, cultural e humanitária entre os nossos dois países e delineámos passos concretos para os avanços em todas estas áreas.

    Discutimos detalhadamente a cooperação bilateral na área de monumentos militares, o que consideramos particularmente importante à luz das próximas comemorações do 75º aniversário da Vitória na Segunda Guerra Mundial. A Rússia tem defendido consistentemente, como o Presidente Vladimir Putin tem dito repetidamente, a necessidade de preservar a memória histórica e fazer frente às tentativas de falsificação da história e dos resultados jurídicos internacionais da Segunda Guerra Mundial.

    Trocámos opiniões sobre as medidas tomadas pelos nossos dois países para combater a pandemia do coronavírus.

    Falámos sobre as relações entre a Federação da Rússia e a UE. Somos da opinião de que estas relações não estão na sua melhor forma. Há muitas razões para promovermos projetos mutuamente vantajosos em diversas áreas. No contexto dos assuntos europeus, as relações entre a Rússia e a NATO são muito importantes. Defendemos sempre a necessidade de construí-las segundo o princípio da segurança igual e indivisível, como isso tem sido repetidamente afirmado no âmbito da OSCE. A situação decorrente da extensão das infraestruturas militares da NATO ao Leste e as tentativas da Aliança do Atlântico Norte de encarar o trabalho conjunto como jogo de soma nula vão contra este objetivo declarado ao mais alto nível no âmbito da OSCE. Elogiamos a posição da Hungria sobre a situação na zona euro-atlântica. O governo de Budapeste é sempre a favor de um diálogo e contra um confronto artificial. Acho que esta é a única posição sensata. 

    A Rússia e a Hungria têm posições próximas sobre a resolução de crises no Médio Oriente e no Norte de África, inclusive o processo de paz na Síria e a crise líbia. Combinámos hoje em intensificar os nossos esforços para a concretização da iniciativa conjunta, discutida durante a visita do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em outubro do ano passado. Refiro-me à assistência às comunidades cristãs do Médio Oriente.

    Quanto à Ucrânia, somos fiéis aos Acordos de Minsk aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU, às decisões tomadas no âmbito do Grupo de Contato e do Quarteto da Normandia. Os nossos dois países estão interessados em fazer com que os direitos das minorias étnicas da Ucrânia, inclusive na área de ensino e idioma, sejam respeitados, como é exigido pelas obrigações internacionais e a Constituição da Ucrânia. 

    De modo geral, considero a presente visita do meu colega e amigo como muito oportuna. Estou satisfeito com a maneira como discutimos a situação nas relações bilaterais e no cenário internacional.