Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

410-03-03-2020

03.03.2020 18:55:00

Serguei Lavrov comenta a iniciativa de reunir os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU Helsínquia, 3 de Março de 2020.

    Jornalista: O Presidente russo, Vladimir Putin, propôs convocar uma reunião dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Há alguns progressos neste sentido, há datas e lugares marcados? Qual a probabilidade de a questão do desarmamento nuclear ser abordada pelos cinco participantes?

    Serguei Lavrov: Como é do seu conhecimento, esta iniciativa foi avançada pelo Presidente russo a 23 de janeiro deste ano, durante o seu discurso no fórum comemorativo do Holocausto em Jerusalém e foi apoiada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo Presidente chinês, Xi Jinping. Recentemente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, também se manifestou favorável a esta proposta. 

    A agenda, na forma como a vemos e como informamos os nossos parceiros, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, é realizar a responsabilidade especial destes cinco países pela manutenção da paz e segurança internacionais, responsabilidade esta que está consagrada na Carta das Nações Unidas. Esta agenda é muito mais ampla do que questões relacionadas com o desarmamento e o controlo de armas e inclui conflitos regionais, novos desafios e ameaças como terrorismo internacional, tráfico de drogas e de pessoas, outras formas de crime organizado, problemas da migração, novas tecnologias que podem escapar ao controlo e completar a lista de ameaças mortais à humanidade. Tudo isto requer reflexão ao mais alto nível.

    O Presidente russo, Vladimir Putin, tem salientado repetidamente que o G-5 não é um clube exclusivo que pode resolver por todos os problemas da humanidade ou impor as suas visões. O G-5 são países que podem desempenhar um papel de líder para mobilizar toda a comunidade internacional para um trabalho coletivo, para a união, e não para confrontos. É nisso que reside provavelmente o aspecto mais importante.

    Claro que as questões da estabilidade estratégica requerem passos urgentes, imediatos e extraordinários. Mas, em um sentido mais amplo, trata-se da sobrevivência da humanidade. Pela primeira vez em muitos anos, os especialistas começam a referir a possibilidade de uma guerra nuclear, o que é inaceitável. Como se sabe, na época soviética, o Presidente da URSS, Mikhail Gorbatchev, e o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, declararam que uma guerra nuclear não poderia ser vencida e, portanto, nunca deveria ser feita. Propusemos aos nossos colegas norte-americanos que reafirmássemos esta tese nas novas circunstâncias. Passados mais de um ano e meio, da parte americana não há nenhuma resposta. Creio que esta questão também deve ser discutida pelos líderes do G-5.

    A data e o local da reunião estão a ser acordados. Espero que, em um futuro muito próximo, possamos chegar a um acordo e anuncia-lo publicamente.