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16.09.2021 20:39:00

Briefing realizado pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, Moscovo, 16 de setembro de 2021

    Serguei Lavrov mantém encontros “à margem” da Reunião do Conselho de Chefes de Estado da OCX


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, acaba de realizar uma reunião com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi. Um comentário detalhado está disponível no website do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

    Está também agendada uma reunião com o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi. A reunião centrar-se-á na situação no Afeganistão e numa maior coordenação de esforços, nomeadamente no âmbito da Troika alargada (Rússia, EUA, China e Paquistão), com vista à estabilidade e segurança tanto no Afeganistão como na região em geral. Os dois Ministros pretendem também analisar o estado atual da parceria bilateral e identificar medidas para reforça-la, especialmente nas áreas comercial, económica e antiterrorista. Além disso, serão abordadas algumas questões atuais   da cooperação entre o Paquistão e a Rússia no âmbito da OCX.

    Está prevista uma reunião quadrilateral dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, China, Irão e Paquistão, durante a qual serão abordadas algumas questões da agenda internacional e a situação atual no Afeganistão. As partes pretendem promover a solução da questão afegã por meio de criação de condições para um diálogo intra-afegão e um processo de paz inclusivo.

    Só um detalhe a acrescentar. Que eu saiba, a reunião contará com a presença do assessor do Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano (é melhor verificarem isso com o lado iraniano). Maiores informações serão fornecidas após estas conversações.


    Serguei Lavrov realiza reunião com chefes das missões diplomáticas dos países da América Latina e das Caraíbas acreditados em Moscovo


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, realiza, no dia 21 de setembro, uma reunião com os chefes das missões diplomáticas dos países da América Latina e das Caraíbas acreditados em Moscovo.

    Atribuímos grande importância a esta reunião destinada a uma análise multidisciplinar do estado atual das relações entre a Rússia e a América Latina e à identificação de áreas promissoras para o seu desenvolvimento no futuro.

    A interação russo-latino-americana baseia-se na coincidência ou proximidade das posições sobre muitas questões-chave da atualidade. Antes de mais, trata-se da fidelidade aos princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas. Consideramos a América Latina e as Caraíbas como um dos centros em rápida emergência de uma ordem mundial multipolar.

    A cooperação da Rússia com a região latino-americana recebe um impulso positivo através de uma cooperação ativa na luta contra a infeção pelo coronavírus.

    Durante a reunião, pretendemos também trocar opiniões sobre questões candentes da agenda internacional e regional.


    Serguei Lavrov fará discurso na 76ª sessão da AGNU


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, fará, no dia 25 de setembro, um discurso durante uma discussão política geral na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que iniciou os seus trabalhos a 14 de setembro.

    Espera-se que Serguei Lavrov, que chefia a delegação russa, participe presencialmente na sessão e realize, “à margem da mesma”, uma série de reuniões bilaterais com homólogos estrangeiros. A sua agenda está em vias de elaboração e será divulgada oportunamente. 

    Durante a 76ª sessão da AGNU, a Rússia apoia tradicionalmente o reforço do papel de coordenação central da Organização nos assuntos mundiais. Consideramos as tentativas de minar o prestígio e legitimidade das Nações Unidas como extremamente perigosas e capazes de abalar o sistema policêntrico de relações internacionais.

    Maiores informações sobre a posição da Rússia na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU podem ser obtidas no sítio oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.


    Serguei Lavrov reúne-se com homólogo vietnamita 


    O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, recebe, no dia 27 de setembro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Socialista do Vietname, Bui Thanh Sơn, durante a sua primeira visita oficial à Rússia como Ministro dos Negócios Estrangeiros.

    Na reunião, serão abordadas questões prementes da cooperação bilateral, com destaque para a concretização dos acordos de alto e mais alto nível, o cronograma dos próximos contactos, bem como aspetos-chave da interação no seio de organizações e fóruns regionais e internacionais.

    O Vietname é um amigo e parceiro de longa data da Rússia. As relações da Rússia com este país são de natureza especial e estão entre as prioridades da política externa russa na Ásia-Pacífico. O ano 2020 marcou o 70º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, este ano marca o 20º aniversário da assinatura da Declaração sobre Parceria Estratégica, e o ano de 2022 assinalará o 10º aniversário da Declaração Conjunta sobre Parceria Estratégica Global. Atribuímos particular importância à manutenção de um diálogo político regular com a liderança da República Socialista do Vietname com vista a aprofundar ainda mais a cooperação bilateral.


    Ponto da situação no Afeganistão


    A situação no Afeganistão está a ser atualmente discutida ao mais alto nível em Duchambe. Gostaria que prestassem atenção à intervenção do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, sobre este assunto. Gostaria de partilhar alguns comentários do Ministério dos Negócios Estrangeiros a este respeito feitos até ao momento.

    Continuamos a acompanhar de perto a situação no Afeganistão. Esperamos pelo restabelecimento, o mais rapidamente possível, da vida pacífica normal no país. Neste momento, a conclusão de um acordo político interno e o estabelecimento de estruturas governamentais que satisfaçam os interesses de todas as forças étnicas e políticas do Afeganistão são especialmente relevantes.  Tomámos nota da intenção declarada dos talibãs de realizar eleições gerais no país.

    É encorajador ver que estão a ser realizados trabalhos para a reabertura do aeroporto internacional de Cabul. Os talibãs pedem aos funcionários governamentais, particularmente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Justiça, para que regressem ao trabalho e assegurem o funcionamento normal das instituições do Estado. Está a ser considerada a reabertura das universidades afegãs. 


    Sobre a posição relativa aos resultados da reunião ministerial do “G7” sobre o Afeganistão


    Um número importante de mediadores e organizações internacionais estão atualmente a tratar da situação no Afeganistão. A comunidade internacional está a dispensar especial atenção a esta região, discutindo-se os problemas causados pela mudança dramática da situação no Afeganistão nos mais diversos formatos. 

    A Rússia não participou no formato promovido pelo G7. Foi isto que causou perguntas. Para nós, o mecanismo da Troika alargada (Rússia, Estados Unidos, China e Paquistão) continua relevante, no futuro planeamos trabalhar no formato Moscovo que inclui 11 países da região (incluindo todos os vizinhos do Afeganistão).

    Partimos da tese de que a responsabilidade pela situação no Afeganistão cabe aos EUA e aos países da coligação internacional que têm estado presentes no país nos últimos 20 anos. É por isso que devem assumir a maior parte dos gastos com a reconstrução do Afeganistão no pós-conflito.


    Sobre a organização do processo eleitoral para Duma de Estado nas missões diplomáticas russas no estrangeiro


    As missões diplomáticas e postos consulares russos estão a finalizar os preparativos para a realização de eleições para a Duma de Estado da Assembleia Federal da Federação da Rússia (marcadas para realizar-se entre os dias 17 e 19 de setembro de 2021) entre os cidadãos russos que vivem no estrangeiro permanente ou temporariamente. Em 144 países, foram estabelecidas 348 secções de voto e mesas eleitorais. Com a pandemia do coronavírus, as missões russas no estrangeiro estão a tomar todas as medidas necessárias para evitar a contaminação dos eleitores e dos membros das mesas eleitorais e cumprir as regras sanitárias estabelecidas pela legislação do país anfitrião. 

    Em alguns países, as missões russas organizaram a votação antecipada e o transporte de urnas e boletins de voto nas regiões de residência compacta de cidadãos russos. Segundo os dados disponíveis até ao dia 15 de setembro, 26.339 russos votaram antecipadamente em 42 países. A Câmara Cívica da Federação da Rússia, partidos políticos, candidatos a deputado federal e organizações internacionais enviaram os seus delegados a secções de voto no estrangeiro.

    A principal tarefa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia é garantir a expressão livre e segura da vontade dos cidadãos russos no estrangeiro. Convidamos todos os nossos compatriotas no estrangeiro a exercerem o seu direito constitucional.

    Maiores informações sobre as secções de voto nas missões russas no estrangeiro podem ser consultadas nos websites e nas contas das redes sociais das nossas missões diplomáticas. 

    A respetiva mensagem do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, foi publicada hoje.


    Sobre a ingerência de empresas americanas nas eleições legislativas da Rússia 


    No dia 10 de setembro, o Embaixador dos EUA em Moscovo, John Sullivan, foi convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, onde o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, disse que o lado russo tem provas irrefutáveis de violação da legislação russa pelas plataformas de Internet americanas no contexto da preparação e realização das eleições legislativas. A este respeito, o lado russo declarou que a interferência nos assuntos internos do nosso país é absolutamente inadmissível. 

    A nossa embaixada em Washington levou esta informação ao conhecimento do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional.

    Atribuímos importância fundamental a este tópico, o que foi dito, em particular, pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, em declarações à imprensa em Duchambe a 15 de setembro. Além disso, o Presidente da Comissão Provisória para a Proteção da Soberania Nacional e a Prevenção de Interferências nos Assuntos Internos da Federação da Rússia do Conselho da Federação, Andrei Klimov, fez uma declaração semelhante numa reunião da Comissão em que foi abordada a questão dos indícios da interferência das empresas de Internet dos Estados Unidos, em particular da Apple e do Google, nas eleições parlamentares russas.

    Partimos da tese de que as autoridades dos EUA tomarão imediatamente medidas exaustivas para satisfazer as nossas exigências. A paciência do lado russo, que até agora se tem abstido de erguer barreiras às empresas dos EUA na Rússia, não é infinita.


    Sobre as recomendações do Parlamento Europeu sobre a direção das relações políticas entre a UE e a Rússia


    Ontem, dia 15 de setembro, o Parlamento Europeu aprovou, por uma maioria esmagadora de votos, um documento muito volumoso e desinformante sobre a Rússia intitulado "Das Recomendações ao Conselho da União Europeia, à Comissão Europeia e ao Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança" sobre a Direção das Relações Políticas entre a União Europeia e a Rússia”. O texto tem o gênero bem conhecido e segue o mesmo caminho surrado, apresentando um novo conjunto de acusações falsas, clichés ideológicos e conspiratórios sobre o nosso país, destinado a agravar ainda mais as já difíceis relações entre a Rússia e a UE e a influenciar os processos internos no nosso país. Todavia, o documento tem uma novidade: os autores do "relatório" chegaram ao ponto de dizer que a UE deve estar preparada para não reconhecer os resultados das eleições legislativas na Rússia e levantar a questão da possível suspensão da participação russa nas estruturas parlamentares internacionais, em particular na APCE, se as eleições forem realizadas em violação dos princípios democráticos e das normas do direito internacional. É evidente que o Parlamento Europeu pretende tirar quaisquer conclusões sobre este assunto com base nos relatórios das organizações que ou se recusaram, sob falsos pretextos, a participar na monitorização das eleições legislativas russas ou não têm nada a ver com este processo.


    Ponto da situação na Ucrânia


    A situação na Ucrânia está a causar uma preocupação crescente. As violações do cessar-fogo pelas forças armadas ucranianas na linha de contacto em Donbass tornaram-se ocorrências diárias, o seu número está a aumentar em crescendo. De acordo com a Missão Especial de Monitorização da OSCE, o número de trocas de tiros no início do ano foi em média de cerca de 3.000 por mês, e no início do corrente mês de setembro excedeu 7.000. O exército ucraniano bombardeia a região, usando as mais diversas peças de artilharia, incluindo as de grande calibre proibidas pelos acordos de Minsk, e veículos aéreos não tripulados. Nas últimas três semanas, nove civis, entre os quais mulheres e crianças, foram feridos pelos bombardeamentos. Onze instalações de infraestruturas civis, incluindo estabelecimentos de ensino e saúde, foram danificadas. E isto quando o ano letivo teve início.

    A situação em termos de segurança estava na ordem do dia de uma reunião do subgrupo especializado do Grupo de Contacto realizada a 14 de setembro. No entanto, os representantes de Kiev evitaram discutir esta questão. Além disso, recusam-se a verificar as violações cometidas pelas forças armadas ucranianas, de acordo com as medidas adicionais para reforçar o regime de cessar-fogo aprovadas a 22 de julho de 2020 por todos os participantes no Grupo de Contacto, incluindo a Ucrânia. Devido à posição pouco construtiva dos negociadores ucranianos, a reunião, de 15 de setembro, do próprio Grupo de Contacto também terminou em vão.

    É de salientar que o aumento da tensão em Donbass tem como pano de fundo a retórica agressiva de personalidades oficiais de Kiev que passou das medidas sensatas. Não imaginam o que temos ouvido nos últimos dias. O Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Aleksei Danilov, disse recentemente que o exército ucraniano poderia tomar a República Popular de Donetsk e a República Popular de Lugansk, caso receba a respetiva ordem do Comandante Supremo das Forças Armadas. O Presidente Vladimir Zelensky foi mais longe e admitiu a possibilidade de uma guerra em grande escala com a Rússia.

    Declarações como estas devem ser coibidas por aqueles que, no Ocidente, "supervisionam" a Ucrânia e se preocupam incessantemente com o destino deste país, apelando ao restabelecimento da vida pacífica. Na prática, porém, vemos que eles continuam a fornecer à Ucrânia armas e equipamento militar, a enviar instrutores para treinar os soldados ucranianos em operações de combate (inclusive em ambientes urbanos) e a realizar exercícios militares conjuntos. 

    Este ano, a Ucrânia e a NATO realizaram seis exercícios conjuntos, entre os quais o maior exercício dos últimos vinte e cinco anos, o “Defender Europe 2021”. A 14 de setembro, em Odessa, iniciaram-se os exercícios de postos de comando conjuntos da Ucrânia e dos países da NATO “Coherent Resilience” (Resiliência Coerente) que envolvem cerca de 150 representantes oficiais ucranianos e peritos internacionais. No outono, a Ucrânia planeia realizar uma nova série de exercícios em grande escala: o “United Effort 2021” (entre os dias 22 e 30 de setembro) e o “Rapid Trident – 2021” (entre 20 de setembro e 1 de outubro).

    O objetivo de Kiev é desviar a atenção pública das falhas na política interna e dos problemas socioeconómicos do país. Tem-se a impressão de que o governo ucraniano está a tentar mergulhar os seus cidadãos numa "realidade paralela" onde todos os erros políticos e económicos da sua liderança, a inação e a corrupção dos responsáveis governamentais, bem como o surto de chauvinismo e de nacionalismo, podem ser explicados pela mítica ameaça russa. Os exercícios conjuntos com a NATO devem, no seu entender, acalmar os seus cidadãos e garantir-lhes que tudo estará bem com eles. 

    Exortamos o regime de Kiev a pôr fim a sua longa operação militar em Donbass contra a sua própria população e a abordar seriamente as questões da reconciliação nacional, para que todos os cidadãos da Ucrânia possam viver com dignidade, independentemente da sua nacionalidade, da língua que falam ou das suas opiniões políticas.


    Conselho de Segurança da ONU considera prorrogar mandato da Missão de Apoio da ONU na Líbia


    O Conselho de Segurança da ONU reunido a 15 de setembro aprovou por unanimidade uma prorrogação técnica da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (MANUL) até a 30 de setembro deste ano.

    Neste contexto, prestámos atenção à notícia, veiculada por alguns meios de comunicação social, de que a Rússia teria bloqueado os trabalhos da MANUL. O lançamento desta notícia falsa foi orquestrado pelos países ocidentais, cuja posição não construtiva impediu os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas de chegarem à decisão esperada sobre os parâmetros do funcionamento a longo prazo da Missão. 

    A Federação da Rússia tem constantemente enfatizado o importante papel das Nações Unidas e da MANUL na promoção do processo de paz na Líbia. Estamos determinados a continuar a procurar uma solução mutuamente aceitável para as questões pendentes relativas ao futuro funcionamento da Missão. A resolução aprovada visa permitir a todas as partes chegarem a um acordo sobre o funcionamento da MANUL na difícil fase seguinte do processo político na Líbia. Esperamos que este seja o objetivo comum de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU.

    A Federação da Rússia continuará a prestar toda a assistência possível ao povo amigo da Líbia na superação da grave crise política interna, cujas causas estão diretamente ligadas à destruição do Estado líbio em consequência da agressão da NATO em 2011.


    Austrália tem planos de construir submarinos de propulsão nuclear


    Prestámos atenção aos planos anunciados da Austrália de construir submarinos movidos pela energia nuclear no âmbito da "parceria de segurança avançada" entre os EUA, o Reino Unido e a Austrália estabelecida na véspera. 

    Entendemos que a Austrália, como país não dotado de armas nucleares e Estado Parte de boa fé do Tratado de Não-Proliferação, cumprirá os seus compromissos estipulados neste instrumento, no Acordo de Salvaguardas com a AIEA e no Protocolo Anexo. Esperamos que o governo australiano tomará providências necessárias para estabelecer uma devida cooperação com a Agência para evitar quaisquer riscos abrangidos pelo regime de não-proliferação.


    Sobre os novos materiais no caso Navalny


    Recebemos algumas perguntas do correspondente da revista “Der Freitag” sobre a investigação do jornalista John Helmer que entrevistou o médico alemão Philipp Jacoby que havia acompanhado Alexei Navalny na sua viagem de Omsk a Berlim a 22 de agosto de 2020.  

    Gostaria de citar estas perguntas:

    1. O que é que acha do facto de a tripulação da aeronave especial Bombardier CL-600-2B16 ter recebido a ordem de voar à Rússia já a 19 de agosto de 2020, ou seja, horas antes de Alexei Navalny ter sido alegadamente envenenado?

    2. O que é que acha do facto de, a pedido de Yulia Navalny e Maria Pevchikh, Philipp Jacoby ter levado na sua bagagem pessoal as garrafas (retiradas do quarto de Alexei Navalny) para o avião, apesar de um dos pilotos se ter declarado desagradado com isso?

    3. Que papel desempenham estas garrafas na alegação de que Alexei Navalny teria sido envenenado?

    4. O que é que acha da declaração de Philipp Jacoby de que Maria Pevchikh foi a primeira a falar sobre o “Novichok” a 21 de agosto em Omsk, enquanto o governo alemão só mencionou o “Novichok” a 2 de setembro de 2020?

    5. Que papel desempenham as garrafas retiradas da sala de Alexei Navalny na investigação? Têm algum valor como prova de envenenamento?

    6. Quantas pessoas estavam a bordo no avião especial Bombardier CL-600-2B16 que chegou a Omsk a 21 de agosto de 2021? Eram cinco ou seis pessoas?

    7. Se eram seis, então a sexta pessoa era aquela mencionada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros no seu artigo "Sobre o aniversário do caso Navalny'".

    8. A senhora pode confirmar que o homem com óculos de sol que aparece na foto é a sexta pessoa que estava a bordo do avião especial Bombardier CL-600-2B16?

    Infelizmente, neste momento, não podemos afirmar fundamentadamente que as declarações do médico alemão Philipp Jacoby que acompanhou Alexei Navalny durante a sua retirada por motivos de saúde da cidade de Omsk, a 22 de agosto de 2020, citadas na investigação são confiáveis, uma vez que só as conhecemos pelas palavras de John Helmer e do seu coautor Liane Theuerkauf. 

    No entanto, as afirmações de Philipp Jacoby citadas no artigo ecoam as nossas dúvidas sobre numerosas obscuridades da história do “envenenamento” do blogueiro, que, em retrospetiva está a adquirir cada vez mais as características de uma ação planeada e destinada a difamar o nosso país e a inventar novas razões para futuras sanções.

    Como sabem, o lado russo tentou repetidamente chamar a atenção para as inconsistências cronológicas no chamado caso Navalny e para o papel ainda pouco claro nele desempenhado pela russa Maria Pevchikh que reside no Reino Unido. Neste contexto, vale a pena recordar que as oito cartas a pedir o fornecimento de provas materiais e esclarecimentos de algumas circunstâncias do “envenenamento” de Alexei Navalny enviadas à Alemanha pela Procuradoria-Geral russa nos anos 2020 e 2021 permaneceram sem qualquer resposta clara. Nos contactos diplomáticos bilaterais e interministeriais o lado alemão declara abertamente a sua indisponibilidade para continuar o diálogo sobre este assunto, tentando mostrar-nos, por todos os meios, que não tem mais interesse por este assunto e gostaria de o esquecer. Dizem que Berlim "não vê sentido nisso" e que a decisão do lado alemão de não entregar à Rússia os biomateriais de Alexei Navalny que provam que este foi envenenado com o Novichok, como afirmaram, nem a fórmula da substância alegadamente encontrada no seu corpo por peritos militares alemães, não será reconsiderada.

    Além disso, as autoridades alemãs recusam-se a entregar-nos outras provas materiais do alegado “atentado” contra a vida do blogueiro (entre as quais as garrafas de água mineral alegadamente retiradas de Omsk que contêm vestígios do "veneno") e escondem detalhes da participação de Maria Pevchikh nos acontecimentos que acompanharam a transferência de emergência de Alexei Navalny para Berlim. Resumindo, um segredo obscuro. O mais fantástico é que este segredo é sobre os investigadores, sobre aqueles que, durante anos, "desvendam” casos complicados, inventam "falsificações" em 3D, falam de cosias inexistentes, misturando-as com a verdade e passando-as como verdade de última instância. Porque é que estes "investigadores" não conseguiram chegar ao fundo do que está diretamente relacionado com eles próprios? Onde estão as fórmulas?

    Por exemplo, a resposta do Governo da Alemanha (de 15 de fevereiro de 2021) à interpelação parlamentar da fração "Alternativa para a Alemanha" sobre o "Caso Navalny" (de 21 de dezembro de 2020) silenciava o facto de Maria Pevchikh ter estado presente a bordo do avião que havia transportado Alexei Navalny de Omsk para Berlim a 22 de agosto de 2020 (embora ela própria o tenha dito numa entrevista ao serviço russo da BBC a 18 de setembro de 2020) e disse  que o Governo alemão não tinha informações sobre a sua visita à clínica Charité onde Alexei Navalny se encontrava. Citando a necessidade de manter segredos de Estado, o Governo alemão recusou-se a responder à questão de quem, quando e a quem (que agência) as garrafas de água mineral foram entregues para exame, e se Maria Pevchikh tinha sido interrogada pelas autoridades competentes da Alemanha. Tudo isto era para manter segredos de Estado. 

    Segundo Philipp Jacoby, a tripulação do avião médico recebeu, já a 19 de agosto de 2020 (ou seja, antes do incidente com Alexei Navalny) a informação de que iria partir para Omsk. Assim aparece sob uma nova luz o "incidente" ocorrido durante a 97ª sessão do Conselho Executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), em julho deste ano. Durante a apresentação do projeto de relatório da OPAQ sobre a implementação da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas em 2020, verificou-se que o parágrafo 1.41 afirmava que já no dia 20 de agosto de 2020 o Secretariado Técnico da OPAQ havia enviado, a pedido da República Federal da Alemanha, uma equipa para prestar assistência técnica devido à suspeita de envenenamento de Alexei Navalny, naturalmente, com um agente de guerra químico. Em termos práticos, isto significa que o lado alemão já estava preocupado com o destino do “envenenado” no dia em que este só começava a apresentar os primeiros sinais de incómodos de saúde. 

    Naturalmente, tanto a OPAQ como o lado alemão apressaram-se a explicar as "revelações", registadas em papel, referentes à data de 20 de agosto de 2020 por um erro técnico alegadamente cometido por negligência durante a elaboração do relatório. Dizem que o facto de o pedido de ajuda técnica, ao abrigo da cláusula 38 (e) do artigo VIII da CPAQ, ter sido enviado ao Diretor-Geral do Secretariado Técnico da OPAQ por Berlim a 4 de setembro de 2020, foi repetidamente confirmado por fontes oficiais e é absolutamente indubitável. Todavia, o projeto de relatório diz o contrário. Consideramos (dissemos isso várias vezes) que quaisquer factos novos no caso sobre o envenenamento de Alexei Navalny (inclusive as afirmações de Philipp Jacoby, caso sejam confirmadas) devem ser estudados escrupulosamente. Há que esclarecer as origens desta provocação antirrussa orquestrada, que já causou danos consideráveis à natureza construtiva da nossa cooperação bilateral com a Alemanha. Continuaremos a lutar para saber a verdade por todos os meios ao nosso alcance, por todos os métodos à nossa disposição. Todavia, as respostas a muitas das perguntas só podem ser obtidas junto do lado alemão. Estamos à espera destas respostas. Garanto que voltarão a dizer que estão "impossibilitados”, alegando segredos de Estado e certas obrigações e que o próprio Alexei Navalny os proíbe de falar, e assim por diante. Todavia, foram eles que começaram esta história. Talvez seja tempo de dizer a verdade sobre o que lá aconteceu.


            Sobre a situação em torno do cidadão russo detido em Praga


    O caso de detenção do cidadão russo Alexander Franchetti no aeroporto de Praga, a 12 de setembro, apresenta novos e novos detalhes. Verificou-se que a detenção foi efetuada a pedido do Procurador-Geral da Ucrânia que havia enviado uma carta diretamente ao Ministério da Justiça checo. Este episódio é outro motivo de preocupação, dado o niilismo legal que acompanha hoje a loucura política na Ucrânia. 

    Segundo informações recebidas, a 14 de setembro, o russo foi preso por decisão do tribunal da cidade de Praga. A Embaixada russa em Praga está em estreito contacto com Alexander Franchetti, o seu advogado checo e os seus familiares. Esperamos que o lado checo liberte o nacional russo, o mais rapidamente possível, e nos esclarece os motivos da sua detenção. Instamos o lado checo a tomar uma decisão ponderada e não politizada e a não fazer as vontades às autoridades ucranianas.

    Esperamos que Praga se abstenha de criar novos fatores irritantes na nossa já complexa agenda bilateral, que se tornou extremamente tensa devido às ações de Praga. As declarações de alguns representantes oficiais checos de que o que está a acontecer não tem nada a ver com as nossas relações bilaterais não podem ser vistas, a não ser como hipocrisia.


    Novo ato de vandalismo contra um memorial de guerra soviético na Letónia


    Registamos o aumento de atos de vandalismo contra memoriais e sepulturas de guerra soviéticas na Letónia.

    Um novo ato de vandalismo ocorreu recentemente contra a pedra memorial, colocada na margem do Lago Kish, em Riga. Pessoas desconhecidas vandalizaram e desmontaram uma placa em russo e letão que dizia que a partir deste local, a 12 de outubro de 1944, as tropas soviéticas haviam iniciado a libertação da República Socialista Soviética da Letônia dos invasores nazis. Quem poderia ser levado à loucura e à barbárie ao ler esta inscrição? Provavelmente, aqueles que gostariam que as tropas nazis não saíssem deste lugar.

    Em relação ao que aconteceu, a nossa Embaixada em Riga enviou imediatamente uma nota ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da República da Letónia exigindo que fossem tomadas medidas necessárias para investigar este ato de vandalismo, eliminar as suas consequências e levar os responsáveis à justiça em conformidade com as obrigações jurídicas internacionais da Letónia.

    Esperamos que as incursões cínicas dos extremistas que atentam contra a memória sagrada daqueles que deram as suas vidas na luta contra o nazi-fascismo sejam devidamente avaliadas pelas autoridades letãs.


    Por ocasião dos 200 anos da independência da América Central


    O dia 15 de setembro marca o bicentenário da independência dos países da América Central: Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

    As felicitações do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, e do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, foram entregues aos seus homólogos centro-americanos. Os nossos líderes desejaram a eles e aos povos dos seus países paz e unidade, bem-estar e prosperidade. Juntamo-nos às suas felicitações. 

    O nosso diálogo político e interação com a região estão a intensificar-se. Informamos-vos regularmente sobre isso, apresentando factos concretos. As nossas relações apoiam-se na convergência e na proximidade de posições em relação aos principais problemas internacionais. Isto se baseia na fidelidade à Carta das Nações Unidas, respeito pela soberania dos Estados e não ingerência nos seus assuntos internos. O reforço das relações bilaterais e multilaterais tem por base uma cooperação igual e mutuamente vantajosa no combate aos desafios comuns da atualidade, incluindo o combate à pandemia da COVID-19, ao tráfico de droga e ao crime organizado. O respeito mútuo pela diversidade de culturas e tradições é igualmente parte inalienável dos nossos esforços, nomeadamente aqueles destinados a estreitar os nossos laços humanitários e na área de ensino. 

    Apesar das dificuldades objetivas devido à pandemia na organização de contactos bilaterais, este ano a Rússia foi visitada pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros das Honduras (em abril), Guatemala (em junho) e Nicarágua (em julho). Em setembro, a Costa Rica acolhe uma exposição de obras do famoso fotógrafo russo Serguei Kovalchuk. Estamos a preparar-nos para a realização de consultas interministeriais a nível de Vice-Ministros dos Negócios Estrangeiros com El Salvador (em outubro), com o qual celebraremos no próximo mês de junho 30 anos de relações diplomáticas.

    Continuaremos a interagir com os nossos parceiros centro-americanos, tanto no formato bilateral como em formatos multilaterais, nomeadamente no âmbito do Sistema de Integração Centro-Americana (SICA), com base na decisão do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros desta associação de conceder à Rússia o estatuto de observador. Pretendemos trabalhar ativamente com o Parlamento Centro-Americano para apoiar o desenvolvimento da integração e laços em áreas como a ciência, tecnologia, espaço e segurança da informação.

    As nossas relações com os países da região da América Central e as suas associações têm grandes perspetivas. 


    Centro de História da Diplomacia Russa completa 20 anos 


    Em setembro de 2001, no 5º andar do edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia na Praça Smolenskaya, em Moscovo, foi inaugurado o Centro de História da Diplomacia Russa que apresenta uma coleção única de objetos e documentos relacionados com a rica história do serviço diplomático russo.

    No final do século passado, os veteranos e jovens funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo tiveram a ideia de criar um museu profissional. A ideia foi apoiada pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Evgueni Primakov, que assinou um despacho especial. O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, Yuri Khilchevsky, ficou muito entusiasmado com a ideia e tomou a seu cargo levá-la à prática. Foi ajudado pelo pessoal do Departamento de Documentos Históricos e por funcionários de outras subdivisões do Ministério, entre os quais Olga Volkova, Anna Zaleyeva, Nikolai Kochkin, Nadezhda Morozova, Petr Stegniy, Alexei Fedotov e outros. Foi constituído um grupo de trabalho para criar uma exposição do Museu.

    Hoje em dia, o museu é conhecido muito para além das paredes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Os seus funcionários estão a fazer um grande trabalho científico e de esclarecimento, educativo e científico. Em 20 anos, a exposição foi visitada por um grande número de grupos organizados de novos funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros, estudantes da Academia Diplomática, da Universidade MGIMO e da Universidade Estatal de Moscovo, alunos do Colégio do Ministério dos Negócios Estrangeiros e de outros estabelecimentos de ensino. O Centro recebe muitas visitas de jovens diplomatas, membros do corpo diplomático acreditado em Moscovo e delegações estrangeiras. 

    O Centro é palco de apresentações, reuniões com destacados diplomatas russos e de filmagem de documentários sobre o serviço diplomático russo. 

    Juntamente com a Sala da Glória Militar e Laboral e o Museu Educacional das Comunicações Diplomáticas, o Centro realiza um grande trabalho de educação patriótica. 

    Em 2015, o Centro dividiu o segundo lugar com o Museu do Ministério da Administração Interna num concurso entre os estabelecimentos museológicos especializados de Moscovo, deixando passar na frente o Museu da Cosmonáutica. Nos últimos anos, o Centro tem estado entre os três principais museus especializados de Moscovo. 

    Por ocasião do 20º aniversário do Museu, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, enviou uma mensagem de felicitações ao pessoal do Centro.

    Para além do trabalho aprovado pelo regulamento, o Centro conta com a ajuda de voluntários. Muitas pessoas doam os seus objetos relacionados com a história do serviço diplomático, documentos obtidos em leilões ou em livrarias alfarrabistas. É um verdadeiro trabalho altruísta feito de todo o coração. Por isso, permitam-me felicitar mais uma vez todos aqueles que participaram na criação do museu.


    Exposição itinerante "Não está sujeito ao esquecimento” percorre a Europa 


    Uma exposição de documentos históricos itinerante intitulada “Não está sujeito ao esquecimento”, sob o patrocínio da Sociedade Histórica Russa, está a percorrer vários países europeus. A mostra relata os crimes dos nazis e dos seus cúmplices contra a população civil da URSS durante a Segunda Guerra Mundial.

    O projeto é especialmente necessário numa altura em que se tenta reescrever a história e apagar da memória da geração atual as façanhas dos soldados soviéticos, que libertaram o mundo do nazismo e deram vida aos povos de vários países e continentes. Visa recordar ao público internacional, especialmente ao público jovem, os imensuráveis sacrifícios feitos pelos povos da União Soviética para salvar o mundo da "peste castanha" do século XX.

    A exposição percorrerá 22 países europeus. As primeiras mostras já foram organizadas nas Casas de Ciência e Cultura russas em Berlim e Paris.


    Pergunta: Como a senhora comentaria a conferência internacional “Oposição armada anticomunista na Europa Central e do Leste em 1944-1953”, que aconteceu recentemente em Vilnius?

    Porta-voz Maria Zakharova: A julgar pela cobertura mediática, aquele evento visava comemorar o centenário natalício de Juozas Lukša-Daumantas, um dos caciques mais glorificados na Lituânia de bandas que agiam nos anos da Segunda Guerra Mundial e depois dela. Logicamente, a conferência tinha como tema central a dita “luta pela liberdade” da “irmandade da floresta” lituana contra a autoridade soviética, bem como o seu “exemplo” para o crescimento da autoconsciência de outros povos.

    O senhor conhece a nossa posição essencial e sabe como avaliamos tais ações. Trata-se de algo que já se tornou rotineiro para Vilnius, que revisa a sua história no intuito de apresentar como heróis os membros de agrupamentos nacionalistas clandestinos – que na sua maioria colaboravam com os fascistas, levando a cabo o extermínio em massa da população civil. Essa política só pode ser vista como um escárnio da memória de numerosas vítimas do terror dos bandidos na Lituânia. Ao mesmo tempo, silenciam-se centenas de exemplos realmente heroicos de lituanos que participavam na libertação do seu povo dos invasores fascistas. Vergonha e desonra.

    Pergunta: Como o MNE da Rússia avalia a vitória do Partido Trabalhista nas eleições na Noruega, partido que se manifesta a favor de cooperação estreita com a Rússia?

    Porta-voz Maria Zakharova: O processo eleitoral num Estado soberano é assunto dos cidadãos desse país. Por isso, se o povo da Noruega decidiu assim, é o seu direito soberano. A Federação da Rússia sempre se pronunciou e continua a manifestar-se pelo desenvolvimento das relações multilaterais, construtivas e mutuamente vantajosas com a Noruega.

    A nossa história tem muitos anos de boa-vizinhança, temos experiência de êxito na solução de assuntos comuns para os nossos países, de cooperação eficaz entre regiões e na fronteira, e também de trabalho produtivo no âmbito de formatos bilaterais e internacionais, inclusive a ONU, o Conselho Ártico, o Conselho Euro-Ártico do Mar de Barents (CEAB) e as comissões bilaterais russo-norueguesas especializadas. Tencionamos continuar a manter assim as nossas relações com Oslo, independentemente da conjuntura política na Noruega.

    Sem dúvida, já observámos muitas vezes que a “toxicidade” exagerada nos últimos anos no Ocidente a respeito do nosso país, a imposição forçada da russofobia e a “demonização” da política russa afetaram infelizmente as relações com a Noruega. Nos contactos que mantemos com a parte norueguesa, sublinhamos a destrutividade de tais abordagens. Apelamos a Oslo a construir as relações com base no respeito mútuo, no respeito dos interesses, na prontidão de elaborar a agenda positiva com ações, e não com palavras, enfim, tudo o que é próprio dos países que constroem as relações com base no direito internacional, de acordo com a letra e o espírito da Carta da ONU.

    Sabemos que o Partido Trabalhista que venceu as eleições na Noruega já tinha afirmado que são necessários esforços para melhorar o clima da nossa cooperação bilateral. Vamos ver que coligação será formada em resultado das eleições para governar o país e que premissas serão proclamadas a respeito da atitude relativa à Rússia. Pois não temos que ver aquilo que se dirá, mas também o modo de o fazer realidade. Então, a política que adotarmos dependerá disso.

    Pergunta: O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, declarou de um jeito bem categórico que a Áustria não acolheria nenhum refugiado afegão. Outros países da Europa tampouco manifestam grande vontade de acolhê-los. A Rússia acolherá refugiados afegãos? Se for assim, em que quantidade e segundo que critérios? Se não acolher, por quê?

    Porta-voz Maria Zakharova: Já que a senhora começou pela Áustria e até mencionou a decisão do chanceler da Áustria, Sebastian Kurz, quero sublinhar que se trata do direito soberano de um Estado independente de elaborar a sua política interna e externa. É a decisão que eles tomaram.

    Quanto ao auxílio aos refugiados afegãos, guiamo-nos pelas obrigações e normas existentes. Em virtude da situação migratória em torno do Afeganistão, preocupa a possibilidade de terroristas e extremistas penetrarem o território dos países vizinhos do Afeganistão, especialmente a Ásia Central, protegidos por palavras de ordem humanitárias e apelos de ajudar os refugiados. A senhora conhece a nossa postura. Falámos disso muitas vezes. Aliás, esta preocupação está refletida na Declaração da OTSC sobre a situação no Afeganistão, adotada em Dushanbe a 15 de setembro.

    Acreditamos que a comunidade internacional e os tradicionais doadores ocidentais do Afeganistão, responsáveis pelo resultado dos vinte anos da sua presença no país, devem prestar ajuda eficiente à população desse Estado visando reduzir ou eliminar por completo os fluxos de migrantes. Diferentemente de muitos países, conhecemos bem a história desta região, bem como a história do Afeganistão. A nossa atitude perante o que está a acontecer baseia-se nestes conhecimentos. Apelamos muitas vezes aos EUA e a toda a coligação ocidental a voltarem a respeitar o direito internacional, a agirem em conformidade com o mandato do Conselho de Segurança da ONU. Destacámos muitas vezes que seria bom apresentar um relatório para comprovar o mandato, as premissas outorgadas pelo Conselho de Segurança para coordenar as atividades e organizá-las de acordo com o direito internacional. Isso não foi feito. Vemos estes resultados. Mas a responsabilidade está do lado de quem estava lá a mandar durante vinte anos.

    Pergunta: Se compreendo bem, a Rússia ainda não está a considerar acolher refugiados do Afeganistão?

    Porta-voz Maria Zakharova: Quem deve assumir esta obrigação são os países que ensinavam o Afeganistão a viver, faziam promessas dirigidas ao povo desse país e lhes mostravam o caminho. Devem cumprir todas as obrigações assumidas no decurso destes vinte anos.

    Nós não aconselhávamos e não ensinávamos nada ao Afeganistão. Só ajudávamos. No briefing anterior, eu contei da nossa contribuição humanitária que fizemos através de organizações internacionais para ajudar esse país. Trabalhávamos com as autoridades afegãs no intuito de manter a segurança, de ensinar às entidades oficiais do Afeganistão de lidar com a ameaça terrorista, etc. Não deixávamos de dizer que as ações empreendidas pelos parceiros ocidentais nesse país podem acarretar consequências sérias.

    Há mais um momento importante. Pode-se ficar a modelar muito o futuro do Afeganistão, como o fazem nos gabinetes de Washington, ou deslocar os cidadãos de um Estado soberano de uma região para outra, de continente para continente, ou inventar histórias sobre desenvolvimento da democracia (é fácil se você não tem uma fronteira comum, é o caso dos EUA e do Afeganistão), mas nada vai dar certo se não existe um real processo político afegão interno, com a participação de todas as forças políticas do Afeganistão que representam várias categorias de cidadãos, várias etnias, grupos religiosos etc. Isso, e não alguma outra coisa, garantirá a vida pacífica e estável tanto no Afeganistão, como na região.

    E hoje, os experimentos dos EUA fizeram com que a questão já não dissesse respeito só ao Afeganistão e à região, mas principalmente fosse do continente europeu e também do Médio Oriente e do Norte da África. De acordo com os dados divulgados, 40 mil afegãos foram encaminhados para Doha, sendo que 20 mil deles foram de lá redirecionados (li isso nos media) para outros países. Quanto à União Europeia, cada um já “recebeu”: uns - umas centenas e outros - alguns milhares. O Reino Unido, que não é um país membro da UE, mas faz parte da “família” do Atlântico Norte, obrigou-se a acolher 20 mil cidadãos do Afeganistão a longo prazo. Já a curto prazo, dispôs-se a acolher cinco mil. Terão eles um mecanismo testado um controlo e a verificação das pessoas que chegam ao seu país? Ou existe uma metodologia de “separação” das pessoas ligadas ao extremismo das pessoas que representam a ciência, a cultura etc.? As ondas de migrantes anteriores mostraram-nos que não há tal tecnologia. O número de atentados terroristas cometidos nos países da UE também faz-nos compreender que a tecnologia não é segura. Será que os nossos parceiros ocidentais compreendem o que estão a fazer? É interessante que foram os EUA que estabeleceram as regras. Vou lembrar: não colocam os cidadãos do Afeganistão no seu território, nem no território dos países vizinhos, mas no território dos países europeus e também do Médio Oriente e do Norte da África. É interessante tal esquema, não é verdade?

    Pergunta: Se Alexander Franchetti, detido na República Checa, for deportado para Kiev e entregue aos cuidados do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), um precedente bastante perigoso será criado. Os cidadãos da Rússia já não terão garantias que não vão sequestrados estando de férias ou em viagens de trabalho na União Europeia, se forem relacionados ou suspeitos de ser relacionados com os acontecimentos de 2014. A Rússia está pronta para medidas simétricas ou, por exemplo, para introduzir sanções contra a República Checa, se ela extraditar o cidadão russo? A senhora acredita que a retaliação deve ter um efeito preventivo para não deixar os países europeus cumprir tais “desejos” da Ucrânia?

    Porta-voz Maria Zakharova: Nós demos passos práticos, diplomáticos que eu mencionei. Modelar a situação é algo que não considero necessário, pelo menos não em público. São os nossos analistas que tratam disso, inclusive para cumprir o princípio de não prejudicar.

    Solicitamos da parte checa uma nota oficial explicando os motivos e as circunstâncias da detenção. Esperamos obter uma explicação compreensível, materiais respetivos, para sabermos de que concretamente acusam o cidadão do nosso país. Há certo receio de as partes ucraniana e checa politizarem o caso, apesar de asseverarem a imparcialidade total dos tribunais. Não descartamos esta opção, realmente. Tais exemplos têm havido muitos recentemente. Quero dizer de novo que se houver atos hostis em relação aos nossos cidadãos, haverá consequências. Compreende-se, suponho. Quais? Vamos partir do cenário concreto. Agora, fazemos tudo para prestar um apoio necessário ao nosso cidadão.

    Pergunta: O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse recentemente que o seu país ficou desiludido com o Ocidente, que se deve apoiar-se exclusivamente em si mesmo, tornando-se num “Estado militar flexível, como Israel”. Antes, a UE e os EUA já têm sido criticados pelo Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky. Será que a senhora espera que a Ucrânia poderia mudar a sua estratégia relativa à Rússia? Não teme alguma provocação? E como serão estruturadas as relações com Kiev perante a nova realidade?

    Porta-voz Maria Zakharova: Ninguém ainda ofendeu Israel desse jeito, chamando-o de Estado militar flexível e comparando-o com a Ucrânia. Acho que Dmytro Kuleba foi rápido demais ao fazer esta declaração.

    Os funcionários da Ucrânia estão a avançar muitas declarações contraditórias. Para dizer a verdade, surge uma pergunta: será que merecem ser comentadas e consideradas? Será que controlam o que falam, o que fazem e como agem? Como comentar as declarações de Dmytro Kuleba – como a perceção de que o Ocidente não tem relações de parceiro com a Ucrânia? Nós temos falado muito que a Ucrânia está simplesmente a ser usada para cumprir os objetivos do Ocidente coletivo, inclusive dos EUA. Que é um instrumento de pressão sobre o nosso país – pelo menos, uma tentativa de pressionar, de inventar um pretexto para novas sanções.

    Resulta que Kiev não nos ouve se nós falamos. Já se for algum país do Báltico a falar, a informação é percebida. Estranha essa lógica. É evidente e não são precisas as nossas declarações, nem as declarações de representantes dos países ocidentais, que a Ucrânia se tornou há muito num polígono de provocações antirrussas, numa zona de experiências económicas e energéticas duvidosas. Se afinal eles perceberam isso, é bom saber a verdade, seja através das nossas declarações ou das da UE. Isso é bom. Mas não temos a certeza que perceberam isso. Amanhã, podem aparecer outras declarações.

    Acreditamos que ainda não é tarde para parar a “eliminação” da Ucrânia por ela própria, do seu setor industrial e agropecuário, para não deixar que ela se transforme num “botão” nas mãos dos parceiros e curadores ocidentais. Pensem nas pessoas que viveram lá desde sempre, trabalhando para o bem-estar do seu país. Os interesses deles devem ser respeitados. Acho que há tempo ainda. Há uma chance de perceber e de mudar a sua tática. Mas para isso, ações concretas devem ser feitas: parar o fomento do nacionalismo, da discriminação da população russófona e da transformação do país num polígono da NATO. O desejo e a vontade política são precisos para que isso aconteça. O primeiro passo rumo à perceção foi feito, mas ações práticas devem seguir.

    Vejamos o que será declarado e feito a seguir. O essencial é compreender quais são os interesses nacionais da Ucrânia. Até este momento, serviam o Ocidente. Agora, parecem ter percebido este facto. Mas ainda têm que elaborar a atitude e a visão dos seus interesses nacionais próprios: com quem cooperar e de que maneira, com quem manter o comércio, que áreas de cooperação desenvolver para promover os interesses da sua própria população.

    Está a ficar difícil comentar as declarações dos funcionários ucranianos, não somente pelo absurdo, mas devido à contradição das suas declarações.

    Pergunta: A 6 de setembro, o Azerbaijão e a Turquia iniciaram exercícios conjuntos na região de Lachin, no Artsakh (Nagorno-Karabakh). Os exercícios usam tiros de combate. Vou lembrar que o item 3 da Declaração Trilateral de 9 de novembro de 2020 prevê a instalação do contingente pacificador da Federação da Rússia ao longo do Corredor de Lachin. O item 6 estipula o controlo do contingente pacificador da Federação da Rússia sobre o Corredor de Lachin, e a República do Azerbaijão passa a garantir a movimentação segura pelo Corredor de Lachin de pessoas, veículos e mercadorias, em ambas as direções. Com que olhos Moscovo vê estes exercícios provocativos?

    A 6 de setembro, duas vezes – nas partes da tarde e da noite – a parte azeri atacou posições e municípios pacíficos arménios de Karmir Shuka e O tiroteio danificou a casa dum dos moradores da comuna de Taghavard em que residem seis pessoas. Como a senhora avalia esta violação do cessar-fogo?

    A parte azeri controla os documentos dos condutores iranianos e das mercadorias que eles transportam num pequeno trecho da rodovia perto do povoado de Vorotan, cobrando-lhes o pedágio. Como a senhora avalia as ações da parte azeri?

    Em setembro, a Turquia e o Azerbaijão realizaram exercícios conjuntos de destacamentos ofensivos e defensivos subaquáticos. Teerã oficial já declarou que a participação dos militares turcos é ilegal, já que viola a Convenção sobre o Estatuto do Mar Cáspio. Uma das cláusulas fundamentais da Convenção estipula a “não presença, no Mar Cáspio, de forças armadas que não pertencem a uma das Partes”. Qual é a postura russa a respeito da participação dos militares turcos em exercícios no Mar Cáspio?

    Porta-voz Maria Zakharova: O canal de TV Shant também enviou uma pergunta relativa ao posto instalado na rodovia Goris-Kapan. Vou responder em conjunto.

    Quanto aos exercícios conjuntos do Azerbaijão e da Turquia, transmitimos a atitude russa à Baku oficial. Tendo ela sido percebida com compreensão pelos parceiros azeris, considero possível abster-me de comentários públicos. Mantemos o contacto com os parceiros azeris.

    Quanto aos tiroteios alvejando povoados em Nagorno-Karabakh, não tenho informações. Estão na região os pacificadores russos, ao longo da linha de contacto entre as partes e do Corredor de Lachin. Sugiro solicitar explicações a este respeito ao Ministério da Defesa da Federação da Rússia.

    Estamos a acompanhar atentamente a situação em trechos concretos da fronteira entre a Arménia e o Azerbaijão. A situação, inclusive perto do povoado de Vorotan, volta a ressaltar a necessidade de lançar, o mais breve possível, o processo de delimitação da fronteira arménio-azeri com a sua demarcação posterior. As propostas russas a este respeito foram transmitidas a Baku e Yerevan. Estamos a aguardar a resposta para corrigir o curso. Ao mesmo tempo, continuaremos os esforços conjuntos com o Azerbaijão e a Arménia visando desbloquear as relações económicas e os transportes na região visando cumprir os acordos trilaterais ao nível superior de 9 de novembro de 2020 e de 11 de janeiro de 2021.

    Pergunta: A Rússia tem outros contactos com o novo governo do Talibã, além do diálogo a nível do Embaixador em Cabul? E de que tratam as negociações?

    Porta-voz Maria Zakharova: Embaixada em Cabul é o nosso ponto de apoio na cooperação com os representantes do Movimento Talibã. São a nossa Embaixada e o Embaixador quem mantêm os contactos de trabalho, e são muito ativos nisso. Além disso, existem sempre os canais de comunicação com as autoridades talibãs a nível do Enviado Especial do Presidente da Federação da Rússia no Afeganistão, Zamir Kabulov.

    Aproveitamos todas as possibilidades existentes, antes de tudo, para garantir a segurança aos empregados dos estabelecimentos estrangeiros e de outros cidadãos da Rússia que estão no Afeganistão, e também dos cidadãos estrangeiros, particularmente dos países da CEI e da OTSC, inclusive ajudando-os a resolver os seus problemas.

    Estes contactos têm por objetivo global incitar os parceiros a levar a cabo o processo da reconciliação nacional e da formação eventual do governo inclusivo no Afeganistão. Acreditamos que devemos concentrar todos os nossos esforços nisso. A nosso ver, tal abordagem permitirá, numa perspetiva de longo prazo, chegar ao objetivo principal: um Afeganistão pacífico, estável – e, por consequência, uma região segura.

    Pergunta: O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que havia dados sérios sobre a intervenção dos EUA nos assuntos internos da Rússia, comunicados ao Embaixador dos EUA em Moscovo. Trata-se de que dados?

    Porta-voz Maria Zakharova: Nós já falámos disso. A comissão por mim mencionada dedicou a sessão de hoje a este assunto. O membro do Comité para os Assuntos Internacionais do Conselho da Federação, Andrei Klimov, fez uma declaração a este respeito. Representantes da nossa entidade também estiveram presentes. A declaração contém muitos itens e matéria de facto. Trata-se de atividades realizadas a partir de plataformas da Internet norte-americanas, ligadas à intervenção nos nossos processos eleitorais.

    Para buscar detalhes, pode consultar as declarações feitas pelo Serviço Federal de Vigilância na Área da Comunicação, Tecnologias Informáticas e Comunicações em Massa (Roskomnadzor) e órgãos russos de defesa da ordem pública. Eles emitiam factos, dados concretos: o sistema da “votação inteligente”, o bloqueio e como ultrapassá-lo. Tudo isso é feito desde o estrangeiro. Os EUA têm um papel dominante. Não são somente as plataformas, portadoras dos programas que devem ser bloqueados conforme decisão dos órgãos russos de proteção da ordem pública e de órgãos do poder executivo, mas também as tentativas de ultrapassar estes bloqueios e outras manipulações.

    É importante ressaltar (espero que o senhor transmita isso ao seu público) que nós, como o senhor provavelmente viu, não organizávamos o nosso trabalho (falo do poder executivo, dos partidos) na premissa de pseudo-dados infundados, alegando que houve intervenção. Quando o facto foi comprovado, os materiais foram transmitidos (não como meras declarações e afirmações, mas na qualidade de dados concretos) à parte norte-americana.

    Ficámos surpreendidos ao ler o comunicado de imprensa da Embaixada norte-americana, que omitiu por completo a razão da convocação do Embaixador norte-americano. Fizeram de conta que somente discutiam a agenda bilateral. Isso também pode ser visto, abrangentemente, como agenda bilateral, mas o assunto foi indicado claramente. Os materiais entregues à parte norte-americana contêm dados, factos, números.

    Nós temos todos os canais necessários para que os EUA possam cooperar connosco sobre estes assuntos.

    Pergunta: No decurso da recente visita do Presidente da Síria, Bashar Assad, a Moscovo para manter negociações com o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, foram anunciadas reuniões dos grupos de trabalho especializados de ambas as partes. Houve consultas entre Ministérios do Exterior? De que se tratou? Há acordos concretos?

    Porta-voz Maria Zakharova: Não tenho informações adicionais. Tratava-se da reunião das autoridades supremas. Não houve negociações a nível de Ministérios do Exterior “às margens” desta reunião, os nossos ministros não se reuniram.

    Pergunta: Após os escândalos relacionados com o monumento a Ivan Konev, após as piadas por causa das explosões na República Checa em paióis de armamentos proibidos pela comunidade internacional, após isso tudo, a nossa gente tem apelado nas redes sociais, e com toda a razão, a não comprar mercadorias checas (cerveja, carros etc.), renunciar a viagens à República Checa. Há dados sobre a diminuição do comércio mútuo com aquele país, sobre a redução de destinos turísticos à República Checa?

    Nas redes sociais, as pessoas sugerem medidas mais rigorosas, e é compreensível. Perguntam: o que adianta inscrever a República Checa na “lista negra” se não há medidas a tomar? Seria útil cancelar os voos e aumentar a comunicação aérea com a Hungria, abrir a Eslováquia? Ou será que é hora de introduzir sanções de retaliação, aumentando a taxa de importação para mercadorias checas? Ou recomendar oficialmente aos cidadãos russos a renunciar a viajar à República Checa? Pois cada um pode ser detido.

    O MNE da Rússia planeia publicar uma lista de cidadãos da Federação da Rússia procurados internacionalmente?

    Porta-voz Maria Zakharova: A diminuição do comércio mútuo russo-checo teve lugar em 2019-2020, mas as causas foram objetivas: a queda do preço dos hidrocarbonetos russos e as restrições sanitárias em virtude da pandemia do novo coronavírus. Na primeira metade de 2021, as trocas comerciais entre a Rússia e a República Checa cresceram 52%, se comparadas com o mesmo período de 2020, superando o total de 4 mil milhões de dólares. Então, não há diminuição das relações comerciais e económicas. São números e indicadores importantes. Mostram que a “crise” provocada pela parte checa nas relações bilaterais é artificial. As pessoas, as empresas, os homens de negócios querem desenvolver o comércio, as relações económicas. Existe na lá um lobby (falávamos disso muitas vezes, citando factos concretos, comentando os seus passos) que quer minimizar estes contactos, deturpar a imagem do nosso país na visão da sua sociedade, o potencial que poderia ser de interesse dos cidadãos da República Checa. Mas os números falam por si próprios: estamos interessados um no outro. Somos parceiros mutuamente vantajosos. O essencial é que esses lobistas, criados na República Checa infelizmente pelos curadores ocidentais, não interfiram.

    Agora, quanto ao turismo. Falando da situação mundial em geral, foi vítima não dos políticos, mas da pandemia. É difícil ligar os dados à política, porque tudo ficou suspenso principalmente em virtude da Covid-19 e das suas restrições.

    Quanto aos factos concretos da nossa atitude para com a República Checa, do desejo que demonstramos de desenvolver o diálogo com este país. De acordo com a decisão do Centro de Operações de Prevenção de Importação e Propagação da Infeção pelo Novo Coronavírus no Território da Federação da Rússia, a República Checa esteve entre os primeiros países com o qual retomámos a comunicação aérea, a 27 de agosto do ano corrente. Muitas restrições foram canceladas no que concerne à entrada de cidadãos checos para o nosso país. É difícil, devido ao combate à Covid-19, esperar um crescimento do fluxo de turistas, mas do nosso lado, não há nenhuma premissa para a sua diminuição artificial.

    Mostramo-nos pela manutenção e pelo desenvolvimento da comunicação interpessoal. A conjuntura política, com que se guiam- as autoridades atuais da República Checa (a propósito, nem todas, mas o “núcleo”, sim) não deve impedir isso. As autoridades devem guiar-se pelos interesses nacionais, enxergar a prática da nossa cooperação e o seu resultado.

    Quanto à publicação da “lista de pessoas procuradas internacionalmente” no site do MNE da Rússia. Cada um tem as suas funções. O senhor provavelmente fala das pessoas procuradas pela Interpol. Há um site especial para isso. Da nossa parte, é o Ministério do Interior, a polícia que fazem isso, e não o MNE.

    Publicamos no site do MNE recomendações na secção de alertas para os cidadãos russos. Publicam-se lá regularmente materiais que podem ser úteis para as pessoas que viajam ao estrangeiro. Informamos os nossos cidadãos dos riscos existentes no estrangeiro, relacionados com a extensão, por alguns Estados, da sua jurisdição nacional a todo o resto do mundo.

    Em vários países, existem listas próprias, cartas de detenção e arresto de pessoas de outros Estados, que eles publicam. Nós desconhecemo-las, podem não informar-nos delas. Por isso, a sua proposta não é muito realista.

    Pergunta: O chefe do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Alexei Danilov, declarou que ele não exclui uma ofensiva de grande escala das Forças Armadas ucranianas contra a Crimeia. Paralelamente, está a promover-se no espaço mediático ucraniano a tese de que a Rússia estaria a preparar uma ofensiva contra a Ucrânia. Como a Rússia avalia essas declarações agressivas e os eventos que as acompanham (ondas mediáticas)? Moscovo encara uma ameaça real à Crimeia por causa de muitas operações subversivas antirrussas por parte da Ucrânia serem coordenadas desde os EUA?

    Porta-voz Maria Zakharova: A Crimeia tem proteção forte. E os crimeanos sabem disso. Por isso, nenhumas declarações semi-adequadas ou completamente inadequadas dos funcionários ucranianos não os devem preocupar.

    Eu essencialmente já respondi a esta pergunta. É uma tentativa de distrair a atenção dos problemas internos da Ucrânia, um “jogo público” e simplesmente declarações inadequadas. Mas há um momento importante. Quando dizem possuir dados sobre “ataque iminente da Rússia”, “falta pouco, bem pouco, pode ser hoje ou amanhã”, quer-se perguntar: onde estão os tanques, de que se falou tanto nestes dias?

    Não somente Kiev, mas também os media ocidentais e, infelizmente, muitos funcionários ocidentais afirmaram há uns dias ter “visto pessoalmente” uma alegada deslocação do material bélico russo, inclusive veículos pesados, tanques, para o território da Ucrânia. Quando saíram os primeiros caminhões com a ajuda humanitária devidamente marcada, os jornalistas do The Guardian publicavam tweets com fotos, screenshots, afirmando que “são os tanques russos, não pode haver outra opinião”. E não eram carros de combate, era uma ajuda humanitária. Muita ajuda humanitária foi dispensada e chegou ao respetivo destino nestes anos. Pode ser calculada em toneladas, mas é impossível contar o volume da assistência que a Rússia prestou aos cidadãos da Ucrânia. Porque não é somente a ajuda enviada ao território da Ucrânia, a Donbass, mas não também a ajuda prestada aos cidadãos ucranianos forçados a se tornarem refugiados, pessoas deslocadas por causa da situação no país. Alguns deles obtiveram a cidadania russa, alguns não desistiram da cidadania da Ucrânia, percebendo, porém, que não podem viajar de ida e volta para sobreviver. Muitos chegam à Rússia para um trabalho temporário, voltando depois. Também é uma ajuda e um auxílio enormes. Acolhemos uma grande quantidade de refugiados em 2014-2015.

    Não precisa fantasiar, e menos ainda espalhar esta fantasia como notícias. A maior parte do que eles falavam, não corresponde à realidade. O resto é uma compilação de factos e invencionices.

    Pergunta: Os funcionários e os media de muitos países acusam os talibãs de desrespeitar os direitos humanos. Qual é a posição da Rússia neste sentido?

    Porta-voz Maria Zakharova: Quero fazer uma pergunta a estes funcionários que falam disso: eles próprios respeitaram os direitos dos cidadãos do Afeganistão? É sempre fácil ensinar os outros. Mais difícil é cumprir as declarações altas que eles faziam. Nós todos vimos o que eles fizeram com os cidadãos do Afeganistão nos últimos meses, garantindo os direitos deles. Comentávamos muitas vezes o que acontecia lá durante vinte anos. O senhor lembra dos ataques contra civis, a grande quantidade de vítimas entre civis. Tudo por eles terem confundido uma festa com um grupo de bandidos, por isso começaram a atirar. Quantas vezes… Quantas centenas de pessoas morreram por causa dessas “falhas técnicas” dos que estavam então no território do Afeganistão…

    Nem preciso falar da miséria dos moradores e cidadãos da República Islâmica do Afeganistão, que se tornaram reféns de erros grosseiros da coligação ocidental. Quando os “professores” ocidentais vão começar a corrigir os seus próprios erros? Quando vão respeitar, eles próprios, os direitos humanos nos países em que intervêm?

    As operações dos EUA, da NATO e da coligação começaram conforme mandato do Conselho de Segurança da ONU. Mas isso foi há vinte anos. Depois, o mandato do CS da ONU ficou esquecido. Ninguém sabe o que eles faziam lá. Só sabemos parcialmente de vítimas entre civis e experiências organizadas lá.

    Se há factos concretos, devem ser considerados. Mas o principal é isso: deve-se enfocar aquilo de que nós falamos: o processo político. A frase pode ser aborrecida, mas é a única via para lidar com tudo: começando pela miséria do Afeganistão e da região e terminando pelo respeito dos direitos de cada cidadão concreto. Os interesses dos cidadãos representados pelas estruturas políticas devem ser respeitados no âmbito deste processo político.

    Destacamos o facto de que os talibãs anunciaram a intenção de garantir a ordem pública no país, a anistia geral para os funcionários do governo, o respeito dos direitos das mulheres (conforme o sistema de direito do Islão) e dos jornalistas. Partimos da premissa de que os passos práticos correspondem às promessas.

    O mais bizarro é o cinismo presente nas declarações feitas pelos parceiros ocidentais, que estão – já à distância – a ensinar ao Afeganistão um modo de vida, sem compreender, eles próprios, o que fazer com aquilo que eles já fizeram.

    Pergunta: A equipa de Alexei Navalny divulgou hoje um filme de investigação. Como a senhora comenta isso?

    Porta-voz Maria Zakharova: Primeiro, os criadores destas pseudo-investigações não ocultam o seu objetivo: eliminar e destruir. Eu não inventei isso. É o que eles disseram. Estão todos no estrangeiro, vivem com bolsas estrangeiras, e esta campanha mediática é apoiada e coordenada pelos serviços especiais dos países que dizem que a Rússia é seu inimigo.

    Segundo, é tudo conforme Joseph Goebbels: tome um pouco de verdade, adicione a mentira e apresente como a verdade final. Um “clássico” terrível.

    Terceiro, mesmo os adversários mais assíduos não duvidam do profissionalismo de Serguei Lavrov. Ele tem a autoridade intransigente, inegável. Serguei Lavrov é respeitado pelos conhecimentos profundos, pela capacidade de trabalhar e encontrar solução até para os conflitos e problemas internacionais mais complicados. E também por ser uma pessoa humana.

    Enfim, eles, os seus oponentes, ficam a esperar em vão.