725-15-04-2021

15.04.2021 21:33:00

Briefing realizado pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova Moscovo, 15 de abril de 2021

    Sobre as novas sanções dos EUA


    Recebemos muitas perguntas sobre as novas sanções dos EUA que nos pedem para comentar.

    Advertimos repetidamente os EUA das consequências dos seus passos hostis voltados para aumentar perigosamente o grau de confrontação entre os nossos dois países. Esta política não é do interesse dos povos das duas principais potências nucleares que arcam com a responsabilidade histórica pelo destino do mundo.

    Em contacto telefónico com o Presidente russo, Joe Biden manifestou interesse em normalizar as relações Rússia-EUA, mas as ações da sua administração indicam o contrário. Os EUA não estão dispostos a aceitar a realidade objetiva de um mundo multipolar, o que exclui a hegemonia norte-americana, e apostam em sanções e interferências nos nossos assuntos internos.

    Este comportamento agressivo encontrará indubitavelmente resistência decidida e será inevitavelmente retaliado. Washington deve estar consciente de que terá de pagar o preço pela degradação das relações bilaterais. Os EUA são os responsáveis pelo que está a acontecer. 

    O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia convocou o Embaixador dos EUA em Moscovo, John Sullivan. Partilharemos mais informações sobre os resultados da conversa que será difícil para o lado norte-americano.


    Sobre a reunião do Ministro Serguei Lavrov com o primeiro-ministro do GUN, Abdul Hamid Dbeibeh


    O primeiro-ministro do Governo de Unidade Nacional da Líbia (GUN), Abdel Hamid Dbeibeh, chegou a Moscovo a 15 de abril, à frente de uma delegação de alto nível, para uma visita de trabalho. Já estão a decorrer reuniões planeadas com representantes de ministérios e departamentos russos e da liderança do nosso país entre os quais o Primeiro-Ministro russo, Mikhail Michustin, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov.

    O GUN é uma autoridade de transição, cuja principal missão é preparar e realizar eleições nacionais marcadas para o 24 de dezembro de 2021. Saudamos os progressos do processo político na Líbia e consideramos as atividades das autoridades de transição com vista à união das instituições estatais e estruturas financeiras, outrora divididas, como passo importante para a normalização definitiva da situação neste país amigo.

    Durante a visita, as partes debaterão detalhadamente as questões do processo de pacificação política da Líbia, bem como as perspetivas de desenvolvimento das relações bilaterais nas esferas política, comercial e económica.


    Sobre as próximas negociações entre o Ministro Serguei Lavrov e o Primeiro-Ministro do Líbano, Saad Hariri

     

    O nomeado Primeiro-Ministro da República do Líbano, Saad Hariri, encontra-se em Moscovo, a convite do Primeiro-Ministro da Federação da Rússia, Mikhail Michustin. O Ministro Serguei Lavrov irá encontrar-se com este destacado político libanês no dia 16 de abril.

    Durante a reunião, as partes pretendem discutir a situação no Líbano, onde decorre um difícil processo de formação do novo gabinete de ministros, bem como outras questões prementes do Médio Oriente. Serão também examinadas questões relativas ao desenvolvimento contínuo da interação bilateral russo-libanesa.


    Sobre as próximas negociações do Ministro Serguei Lavrov com o Ministro dos Negócios Estrangeiros mexicano, Marcelo Ebrard Casaubón

     

    A 28 de abril, Moscovo acolherá as negociações do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros dos EUA Mexicanos, Marcelo Ebrard Casaubón, que fará uma visita oficial ao nosso país. Recordo que a visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia à Cidade do México teve lugar em fevereiro de 2020.

    O México é um parceiro importante da Rússia, a cooperação entre os dois países baseia-se tradicionalmente no respeito mútuo e na consideração igual dos interesses uns dos outros. No ano passado, os nossos países celebraram o 130º aniversário das relações diplomáticas.

    A próxima reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros é uma prova do desenvolvimento progressivo do diálogo político multidisciplinar entre os nossos dois países.

    Durante as próximas conversações, os ministros discutirão uma vasta gama de questões da agenda bilateral, incluindo as perspetivas de intensificação e diversificação dos laços comerciais e económicos e aprofundamento da cooperação nas áreas cultural e humanitária. Será dada especial atenção às questões do combate à propagação da infeção pelo coronavírus.

    Os ministros trocarão opiniões sobre questões internacionais e regionais atuais, incluindo a cooperação dos nossos países na ONU, nomeadamente no Conselho de Segurança, onde o México ocupará a vaga de membro não permanente no biênio 2021/2022, e no seio do G20 e da APEC.

    Serão abordadas questões do aprofundamento do diálogo da Rússia com a Comunidade dos Estados da América Latina e das Caraíbas (CELAC), onde o México detém a presidência rotativa até 2022.


    Sobre a situação atual com o coronavírus

     

    Continuamos a acompanhar a situação epidemiológica da COVID-19. Estamos a fazê-lo num contexto político e logístico. As organizações internacionais estão a trabalhar. Os peritos internacionais estão a trocar informações. Segundo os dados disponíveis até ao dia 15 de abril, o número de infetados no mundo ultrapassou os 138 milhões enquanto o número de óbitos está a chegar à marca de 4 milhões. 

    Lamentamos constatar que, com o período da Primavera e do Verão a chegar, a situação global da doença vem piorando, registando o mundo quatro semanas consecutivas de aumento de casos e aumento de mortes. Em países, incluindo os que são destinos turísticos tradicionais, verifica-se uma ligação clara entre a propagação de novas variantes do coronavírus e a ocorrência do surto da doença.  Instamos a seguir as informações divulgadas pelo Comité de Combate ao Coronavírus e das autoridades competentes (Agência Federal de Turismo, Rospotrebnadzor e Agência Federal de Transportes Aéreos (Rosaviatsia)).

    Da nossa parte, gostaríamos de salientar que, dada a situação epidemiológica instável no mundo, repetimos as nossas recomendações para aqueles que planearam uma viagem, especialmente para fins turísticos, assinalando que, neste momento, qualquer viagem internacional implica grandes riscos. Se não for possível cancelar ou adiar uma viagem internacional, todos os fatores e cenários possíveis devem ser levados em consideração. As nossas recomendações anteriores continuam a ser válidas.


                               Sobre a situação no sudeste da Ucrânia

     

    O agravamento da situação na linha de contacto em Donbass continua a ser motivo de preocupação. De acordo com o mais recente relatório da Missão Especial de Monitorização da OSCE na Ucrânia, nas últimas duas semanas, o número de violações do cessar-fogo duplicou em relação ao período anterior de duas semanas e atingiu 4 300. Bombardeamentos de cidades e aldeias das regiões de Lugansk e Donetsk pelas forças armadas ucranianas estão a tornar-se cada vez mais intensos. O número de vítimas entre civis em Donetsk e Lugansk está a aumentar. O governo de Kiev continua a concentrar na região material de guerra e tropas. Relatórios da Missão da OSCE referem a instalação de lançadores múltiplos de foguetes Grad perto da localidade de Drujkovka, a norte de Donetsk, os quais são proibidos pelos acordos de Minsk.

    A escalada da situação foi tema das reuniões do Grupo de Contacto e dos seus subgrupos realizadas nos dias 13 e 14 de abril deste ano. Infelizmente, devido à posição não construtiva da delegação ucraniana, voltaram a não dar resultado e a confirmar que o governo de Kiev não deseja iniciar um trabalho concreto e procurar um acordo de paz por meios pacíficos e diplomáticos.

    A fim de desviar a atenção das suas ações em Donbass e da sua inação no Grupo de Contacto, o governo de Kiev, apoiado ativamente pelos seus patrocinadores ocidentais (trata-se, de facto, de uma verdadeira campanha de apoio), continua a sua campanha de informação agressiva contra a Rússia. Os meios de comunicação social ucranianos e ocidentais estão a veicular o tema da atividade militar russa perto das fronteiras com a Ucrânia. Os países ocidentais, separadamente ou em conjunto, reproduzem declarações sobre esta questão. Um dos elementos desta campanha de desinformação e propaganda foi a invocação pela Ucrânia das disposições do Documento de Viena da OSCE sobre Medidas de Reforço da Confiança e Segurança relativas, como eles dizem, às "atividades militares invulgares". A 10 de abril deste ano, esta questão foi discutida nas respectivas consultas relevantes, e no dia 14, numa reunião conjunta dos órgãos de decisão da OSCE - o Conselho Permanente e o Fórum para a Cooperação em matéria de Segurança.

    Pela segunda semana consecutiva, os nossos diplomatas em Moscovo e Viena vêm instando os nossos parceiros a não distorcer a realidade e a não tentar interpretar as atividades de treino militar programadas da Rússia, realizadas no território nacional russo, como manifestação de intenções agressivas. A dimensão destas atividades não excede os indicadores dos anos anteriores e parece muito mais modesta do que os exercícios das forças armadas ucranianas e dos países da NATO, que decorrem tanto perto das fronteiras da Ucrânia como diretamente no seu território nacional.

    As disposições do Documento de Viena da OSCE sobre "atividades militares invulgares" aplicam-se mais às ações praticadas pelas forças armadas ucranianas em Donbass desde 2014 e que resultaram em 14 000 mortos e 2,5 milhões de refugiados e deslocados internos. Nunca vimos, em nenhum momento, que o Ocidente se preocupe muito com estes factos.

    Mais uma vez, exortamos os nossos parceiros, sobretudo a Alemanha e a França como colegas do "formato Normandia", a deixarem de participar na campanha de propaganda por causa das atividades realizadas pela Rússia no seu território nacional e que não ameaçam ninguém e a concentrarem-se em persuadir o governo de Kiev a tomar medidas para diminuir a tensão em Donbass e a implementar o Pacote de Medidas de Minsk.


    Sobre as atividades da NATO na Ucrânia e perto das suas fronteiras

     

    Os EUA e os seus aliados da NATO continuam a acusar a Rússia de estar a aumentar tropas e material de guerra na sua fronteira com a Ucrânia. Estes ataques propagandísticos mostram que, ao fazê-lo, a Aliança e os países que a compõem querem justificar a intensificação crescente das suas próprias atividades militares, tanto no território ucraniano como nas suas proximidades.

    Recordo que, só este ano, a Ucrânia planeia realizar sete exercícios militares sob os auspícios da NATO. Num futuro próximo, terá início, perto da Ucrânia, uma fase ativa dos maiores exercícios militares dos últimos anos, os "Defender Europa-2021", que envolvem 25 países. Vem aumentando o número de visitas de navios de guerra da NATO ao Mar Negro. Apenas em 2020, este índice triplicou. 

    O país acolhe missões de treino militar americana, britânica, canadiana e lituana. Vale a pena notar que os militares ucranianos treinados sob a supervisão da NATO são frequentemente enviados para a chamada zona de "operação antiterrorista" contra alguns distritos das regiões de Donetsk e Lugansk.

    Têm sido frequentes voos de bombardeiros estratégicos dos EUA sobre o Mar Negro e Ucrânia com vista aos treinos do uso de mísseis de cruzeiro, tornando-se cada vez mais intensas as suas missões de reconhecimento aéreo perto da península da Crimeia.

    Ainda não mencionámos os fornecimentos maciços de armas à Ucrânia por parte dos EUA e dos seus aliados. Os nossos parceiros ocidentais e os seus meios de comunicação social preferem silenciá-lo. Desde 2014, só Washington forneceu quase 2 mil milhões de dólares em ajuda militar a Kiev.

    Tudo isto mostra que são os países da NATO que, por meio de ações provocatórias, estão a inflamar a situação em torno da Ucrânia, que, aliás, não faz parte da área de responsabilidade da Aliança, e a fomentar o ambiente de desforra militar e a aumentar o seu potencial militar perto da já turbulenta região. 

    A política de padrões duplos da NATO e dos EUA, que a encabeçam, não é uma novidade nem é típica somente do caso da Ucrânia, manifesta-se também em outras questões, como as do combate ao terrorismo.


    Sobre a política de padrões duplos dos EUA na luta contra o terrorismo e as reportagens dos media sobre o novo líder do EIIL, Amir Muhammad al-Maul

     

    Ultimamente, os meios de comunicação social dos EUA (entre os quais constam também a Voz da América, a Bloomberg, o The New York Times, etc.) têm publicado materiais que mais parecem fake news sobre alegados "contactos entre Moscovo e islamistas". Francamente, é de surpreender que os meios de comunicação social dos EUA prestem maior atenção a estas notícias falsas e desinformação sobre ligações entre outros países e jihadistas do que às notícias sobre o apoio ao terrorismo por representantes do seu próprio país.

    Foi nos EUA que surgiram notícias sobre o novo líder do EIIL, Amir Mohammed al-Maul, que trabalhava anteriormente para Washington e era o seu informador. O "Washington Post" cita protocolos dos seus interrogatórios que foram tornados públicos e publica detalhes da sua colaboração com Washington e as informações que este havia fornecido às autoridades americanas.

    Acreditamos que o "Washington Post" é um recurso mediático com uma elevada reputação no seu próprio país. Neste contexto, declarações como estas não podem deixar de merecer grande atenção e interesse de outros meios de comunicação social americanos.

    O próprio artigo acima mencionado confirma uma vez mais que a prática de "dois pesos e duas medidas" é típica de todas as camadas da sociedade americana. Neste caso, infelizmente, a comunidade jornalística, que deveria ser objetiva e imparcial, não foi exceção. Pelo menos disseram-nos que se norteiam por precisamente estes princípios declarados.


    Sobre a perseguição de jornalistas russófonos na Letónia

     

    Os ataques sistemáticos à liberdade de expressão nos Estados Bálticos continuam. Mais um exemplo: a 14 de abril deste ano, o Serviço de Segurança Nacional da Letónia convocou para interrogatório cinco jornalistas que colaboram com a agência noticiosa russa Sputnik Latvia e a agência noticiosa em língua russa Baltnews para constitui-los arguidos.

    De acordo com as informações que temos, eles assinaram o termo de confidencialidade e o termo de identidade e residência por estarem arrolados para o processo crime ao abrigo do artigo "Violação do regime de sanções da União Europeia", que prevê a possibilidade de aplicação de uma pena de multa ou de uma pena de até 4 anos de prisão.

    Encaramos estas ações como mais um exemplo da "demonização" da Rússia, perseguição aos habitantes russófonos da Letónia e da prática de dois pesos e duas medidas. Consideramos as tentativas de responsabilizar penalmente os jornalistas neste país como violação flagrante do direito internacional em termos do direito à liberdade de expressão e do princípio do pluralismo dos meios de comunicação social.

    Ouvimos e assistimos a uma campanha desencadeada pelos meios de comunicação e funcionários norte-americanos a pretexto de profunda preocupação com pressão alegadamente exercida sobre os meios de comunicação americanos que operam na Federação da Rússia. Não citaram nenhuns exemplos concretos, porque estes não existem nem podem existir em princípio. Mas estas falsificações que mais parecem fofocas transmitidas de boca em boca chegaram a ser publicadas, embora nenhum exemplo de pressão sobre os jornalistas americanos na Rússia fosse citado. Na realidade, não é da pressão, mas sim da perseguição de jornalistas russos no mundo que se trata. Este é um exemplo concreto e não único. Estamos a falar destes exemplos a nível oficial. Estes dados foram confirmados. Então porque é que não interessam aos jornalistas americanos, às organizações de direitos humanos nem às agências especializadas que defendem a liberdade de expressão e os direitos dos jornalistas? Não interessa? Isso não pode acontecer! Os factos chegam e sobram. São demasiados para ser ignorados.

    Gostaria de lembrar que em dezembro de 2020, sete correspondentes freelance da Sputnik Latvia e da Baltnews foram submetidos à investigação criminal por motivos semelhantes, tendo sofrido buscas e revistas de equipamento de escritório e apreensão temporária de telefones e cartões bancários. Os jornalistas "inconvenientes" foram tratados e, como podemos ver, continuam a ser tratados como "criminosos" sem qualquer direito de o fazer.

    Exortamos Riga a abandonar os seus métodos repressivos e a sua política mediática e a deixar de disfarçar a flagrante repressão da liberdade de expressão de sanções ilegítimas da União Europeia.

    Esperamos que os organismos internacionais especializados e as organizações de direitos humanos façam uma avaliação objetiva das ações das autoridades letãs.

    Não pode ser que estas coisas passem despercebidas por estruturas que afirmam ser independentes, imparciais e objetivas.


    Sobre as declarações anti-russas das autoridades dinamarquesas

     

    Mais uma vez, somos obrigados a chamar a atenção para a promoção consistente pelas autoridades dinamarquesas de abordagens anti-russas no contexto da preservação da memória histórica da Segunda Guerra Mundial.

    Em particular, por ocasião do 75º aniversário da retirada das tropas soviéticas de Bornholm, o Ministério da Defesa da Dinamarca postou nas redes sociais uma mensagem a dizer que o Reino só tinha conquistado a sua liberdade depois de as tropas soviéticas terem deixado a ilha em 1946.

    Tais declarações são um exemplo de uma distorção deliberada da verdade histórica. A operação do Exército Vermelho, em maio de 1945, tinha como objetivo a libertação da ilha dos invasores nazis. Como se sabe, a ilha alojava uma guarnição de 12 mil nazi que se recusou a render-se. O lado dinamarquês foi informado de que as tropas soviéticas estariam na ilha de Bornholm até que as questões militares com a Alemanha fossem resolvidas. Há numerosas provas disso em fontes soviéticas e dinamarquesas.

    Fica-se com a sensação de que Copenhaga está deliberadamente a distorcer os factos numa tentativa de reescrever a história e apagar páginas "incompatíveis com a atual situação política. Esta falsificação parece particularmente cínica no ano do 80º aniversário da agressão da Alemanha de Hitler contra a União Soviética.

    Os factos históricos não devem ser manipulados desta forma. 


    Sobre o filme norueguês "Lutadores da Linha da Frente"

     

    Prestámos atenção a um docudrama intitulado Frontkjemper (Lutadores da Linha da Frente) exibido a 6 de abril deste ano pela cadeia de TV pública da Noruega, a "NRK", e dedicado ao aniversário do início da ocupação da Noruega durante a Segunda Guerra Mundial (a 9 de abril de 1941). O seu enredo é bastante desagradável: o filme conta a história do destino dos legionários noruegueses da SS que lutaram "heroicamente" na Frente Oriental, nomeadamente nos arredores de Moscovo, Leninegrado, no Cáucaso, e na Carélia do Norte. É de salientar que o Ministério da Cultura e o Ministério da Defesa noruegueses estiveram envolvidos na criação deste filme alegadamente "documentário".

    A pretexto de "utilidade da troca imparcial de opiniões", os cineastas distorceram os factos e fizeram dos criminosos de guerra e colaboracionistas voluntários dos nazis "vítimas ingénuas da propaganda de Hitler" e "patriotas que resistiram à expansão do bolchevismo". Os espectadores são exortados a não condenar os "lutadores da linha da frente" e a tentar "compreender os seus motivos". A película transmite uma completa falta de sentimentos de arrependimento e remorso nos "veteranos de guerra" e omite o seu envolvimento nas atrocidades praticadas pelos nazis. Estes "heróis" gabam-se dos seus "méritos de guerra" e comentam sorridentes a eficácia das metralhadoras alemãs e as pesadas perdas do Exército Vermelho.

    Gostaria de recordar ao realizador da película A. Kristiansen e a outros cineastas um facto que ficou fora da sua atenção. Durante a operação de Petsamo-Kirkenes e nos combates pela libertação de Finnmark Oriental, a União Soviética perdeu mais de seis mil soldados, 12 678 prisioneiros de guerra soviéticos morreram em campos de concentração nazis na Noruega. Só para efeito de comparação: as perdas da Noruega na Segunda Guerra Mundial somaram 10 262 pessoas.

    Os autores do filme não se sentem sequer embaraçados pelo facto de as atividades das SS terem sido objeto de uma avaliação jurídica internacional durante o processo de Nuremberga, cujo resultado não está sujeito à revisão.

    As tentativas de flertar com os criminosos de guerra não têm nada a ver com a liberdade de expressão e têm como consequência direta a glorificação do nazismo e ameaça de falsificação da nossa história comum.

    Até recentemente, a Noruega não apresentava tentativas desta dimensão de "repensar" os acontecimentos da Guerra e de incentivar, a nível de autoridades oficiais, projetos tão extravagantes. 

    Lembramo-nos muito bem das comemorações do 75º aniversário da libertação do Norte da Noruega dos invasores nazis pelo Exército Vermelho em Kirkenes, em outubro de 2019, com a participação do Rei Haraldo V da Noruega. A delegação russa foi chefiada pelo Ministro Serguei Lavrov. 

    Estamos agradecidos pela manutenção exemplar das sepulturas militares soviéticas na Noruega, a instalação de novos monumentos, o trabalho cuidadoso para identificar os que morreram nos campos nazis na Noruega e o bom tratamento oferecido aos nossos veteranos de guerra. Como se deve lembrar, em setembro de 2020, comentamos a cerimónia de atribuição a M.V. Podgursky, veterano da Grande Guerra Patriótica, da Medalha norueguesa "Pela Participação", em nome do Rei da Noruega realizada na Embaixada da Noruega em Moscovo.

    Consideramos o facto de a cadeia de televisão estatal da Noruega ter a exibido esta "anti-obra-prima" como absolutamente inaceitável e vergonhoso. É bom saber que este episódio já foi criticado na própria Noruega. Esperamos que o governo norueguês também dê a sua avaliação honesta e imparcial a este facto. 


    Sobre o segundo relatório do Grupo da OPAQ para a Investigação e Identificação do alegado incidente do uso de cloro na cidade síria de Saraqib, em 4 de fevereiro de 2018

     

    Prestámos atenção ao relatório sobre a investigação do alegado incidente do uso de cloro na cidade síria de Saraqib a 4 de fevereiro de 2018, publicado no portal web da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) a 12 de abril deste ano. A publicação deste documento na véspera da reunião final da 25ª sessão da Conferência dos Estados Partes (COP) da Convenção sobre Armas Químicas (CPAQ), que deve acontecer em Haia, entre os dias 20 e 22 de abril de 2021, não é de modo algum acidental - o evento examinará uma proposta de resolução, politicamente motivada e inédita para esta estrutura internacional inerentemente técnica, que prevê a inibição dos direitos privilégios de Damasco estipulados na Convenção por envolvimento, alegadamente provado, das forças armadas sírias nos três episódios de uso de cloro e gás sarin em março de 2017 na cidade de Al-Latamna, reclamados pela oposição síria.

    Este é o segundo relatório do Grupo atributivo de Investigação e Identificação da OPAQ imposto por Washington e pelos seus aliados euro-atlânticos em violação da CPAQ. As conclusões contidas no relatório são absolutamente idênticas e estão de acordo com a melhor "tradição" desta estrutura quase-procuradora: "há motivos razoáveis para acreditar que, a 4 de fevereiro de 2018, durante o ataque à aldeia de Saraqib, um helicóptero da Força Aérea Síria da unidade Tigers, com o nome de código Alfa 253, lançou pelo menos um cilindro de cloro, ferindo 12 pessoas, cujos nomes foram identificados". Que linguagem é esta para uma organização internacional baseada no direito internacional? Esta é a conclusão a que chega um relatório que foi elaborado durante tanto tempo: "há motivos razoáveis para acreditar"?

    Desta vez, para tornar estas conclusões tendenciosas, politicamente motivadas e pseudo-profissionais mais plausíveis, foram mobilizados todos os peritos pensáveis e impensáveis especializados nomeadamente em meteorologia, toxicologia, armas, geolocalização e tecnologia digital. Tudo isto para fornecer uma espécie de "base científica" para a única versão alegadamente possível, segundo a qual o helicóptero lançou, presumivelmente de uma grande altura, um cilindro de cloro doméstico de 120 litros sobre um terreno baldio no subúrbio de Saraqib. Em suma, a prática viciosa aplicada na elaboração de relatórios anteriores da Missão Especial da OPAQ para a Investigação do Uso de Armas Químicas na Síria (MUFS) e o antigo mecanismo de investigação conjunto OPAQ-ONU continua a ser aplicada pelo ilegítimo Grupo de Investigação. 

    Ao mesmo tempo, é encorajador ver que as numerosas manipulações e maquinações utilizadas na preparação cada vez mais sofisticada de tais relatórios acusatórios contra Damasco estão a tornar-se públicas graças a alguns funcionários honestos e politicamente desinteressados da outrora reputada OPAQ, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2013, especificamente pela desmilitarização química bem-sucedida da Síria. Outra prova disso é o apelo da associação independente "Grupo 21 de Berlim" à liderança do Secretariado Técnico da OPAQ para ouvir a posição dos já mencionados antigos inspetores da Organização, que, em tempos, tornaram público o trabalho sem escrúpulos da MUFS durante a investigação da provocação química na Síria organizada pela ONG pseudo-humanitária Capacetes Brancos na cidade de Douma a 8 de abril de pseudohumanitária 2018. Além disso, propõe-se a realização de uma investigação aprofundada, no âmbito do Conselho Consultivo Científico da OPAQ, das graves irregularidades processuais e científicas cometidas pelo pessoal da Organização, que não encontrou forças para se opor à "ordem" politicamente motivada dos seus empregadores, na preparação desta versão totalmente deturpada do relatório sobre esta provocação química perpetrada pelos Capacetes Brancos, já habilitados em fazer encenação de vídeo do gênero. 

    Esperamos que a justiça acabe por prevalecer e que as forças que estão por detrás de tais atividades pouco decorosas em detrimento da reputação da OPAQ e da integridade da CPAQ caiam, no entanto, em si. Caso contrário, serão causados danos irreparáveis ao sistema de desarmamento e não-proliferação de armas de destruição em massa formado com tanto esforço durante muitas décadas.


    Sobre a posição da Rússia em relação à questão de Chipre

     

    Saudámos a iniciativa do Secretário-Geral da ONU de organizar uma reunião informal da ONU 5+1 sobre a questão de Chipre, entre os dias 27 e 29 de abril em Genebra, e estamos a acompanhar com atenção os preparativos desenvolvidos. Reagimos favoravelmente ao facto de todas as partes interessadas terem manifestado a sua disponibilidade para participar na referida reunião. Esperamos que o próximo evento impulsione o reinício do processo de negociação e nos aproxime da procura de um compromisso sobre as questões problemáticas.

    Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, somos categoricamente contra receitas prontas e prazos da solução serem impostos externamente. Cabe às comunidades cipriotas decidir o seu próprio futuro.

    A nossa posição de princípio permanece inalterada: continuamos a defender um acordo abrangente, justo e viável em benefício de todos os habitantes da ilha, em conformidade com o quadro jurídico universalmente aceite, que pressupõe o estabelecimento de uma federação bicomunitária bizonal na ilha com personalidade jurídica internacional, soberania e nacionalidade únicas.

    Os sinais persistentes vindos de algumas capitais para corrigir o objeto das negociações no sentido de reorientá-las de um modelo federativo para um modelo de dois Estados são inaceitáveis. Qualquer alteração dos parâmetros básicos do processo só é possível com o consentimento das Nações Unidas.

    Consideramos como aspeto importante da busca de um acordo a desmilitarização gradual da ilha e a substituição do sistema de garantias externas desatualizado pelo sistema de garantias do Conselho de Segurança das Nações Unidas.


       Sobre os trabalhos da Rússia no âmbito da Cimeira da Ásia Oriental


    Estamos interessados em reforçar o sistema de relações multilaterais construído em torno da ASEAN na região da Ásia-Pacífico, em expandir a agenda de união no espaço Ásia-Pacífico, em promover a cooperação aplicada em plataformas ASEAN-cêntricas.

    Em 2016 - muito antes da pandemia da COVID-19 – fizemos, no âmbito da Cimeira da Ásia Oriental, propostas ponderadas de entabular uma cooperação regional em matéria de combate às doenças infeciosas. Por iniciativa da Rússia, a 15ª Cimeira da Ásia Oriental, realizada em novembro de 2020, aprovou uma declaração dos líderes sobre o reforço da capacidade coletiva de prevenção e resposta a epidemias (documento coautorado pela China, Indonésia, Tailândia e Vietname). Agora os nossos colegas da ASEAN estão a examinar um conceito de mecanismo de cooperação anti-infeção que elaborámos no âmbito da concretização dos acordos alcançados ao mais alto nível. 

    Este ano vamos discutir a situação do turismo no contexto da crise do coronavírus. 

    A relevância deste aspeto para os países da ASEAN foi confirmada durante as consultas de alto nível Rússia-ASEAN no dia 3 de fevereiro deste ano.  Mais do que isso, este tópico está incluído na lista de prioridades da presidência bruneana da ASEAN em 2021. Vemos uma resposta positiva dos nossos parceiros asiáticos à nossa ideia de adotar, na 16ª Cimeira da Ásia Oriental prevista para outubro deste ano, uma declaração dos líderes que oriente para passos práticos. 

    Tendo em conta todos os aspetos do desenvolvimento da situação regional, consideramos importante que a Cimeira da Ásia Oriental se mantenha atenta ao tema dos novos desafios e ameaças. 

    O respetivo quadro político e jurídico já existe. Em particular, nos anos 2017 e 2018, foram aprovadas propostas russas de documentos finais sobre a prevenção da propagação da ideologia terrorista e sobre a redução dos riscos decorrentes dos terroristas estrangeiros.


    Sobre o recurso educativo eletrónico "Escola Eletrónica Russa"

     

    Gostaríamos de chamar a atenção dos cidadãos nacionais residentes no estrangeiro para o projeto educativo eletrónico "E-Escola Russa" - EER lançado pelo Ministério da Educação da Federação da Rússia com o apoio de vários parceiros.

    Na verdade, esta é uma verdadeira escola russa disponível em qualquer meio digital, seja computador ou smartphone, em qualquer país do mundo. Os cursos são ministrados pelos melhores professores da Rússia com base em programas de autor especialmente desenvolvidos. As aulas cumprem plenamente as normas educacionais nacionais e o programa fundamental do ensino geral. Os exercícios e testes das aulas foram elaborados de forma a facilitar, ao máximo, a preparação para o Exame Nacional do Ensino Secundário que é considerado ao mesmo tempo como exame de saída da escola secundária e exame de admissão a um curso superior. 

    Graças a este projeto, os cidadãos nacionais residentes na Rússia e no estrangeiro têm uma ferramenta absolutamente gratuita, segura, muito cômoda e eficaz para se preparar para cursos superiores e para adquirir uma formação de qualidade de acordo com os elevados padrões russos.

    O portal da EER oferece não só cursos interativos previstos pelo programa escolar do 1º ao 11º ano. É também um extenso catálogo de museus, filmes e concertos de música e um bom acervo dos melhores materiais metodológicos para professores em todas as disciplinas. 

    Esperamos que a EER se torne um apoio insubstituível para todos aqueles que quiserem cursar em russo, tiverem interesse pelo nosso país, pela nossa cultura e virem o seu futuro ligado à Rússia.


                                    Sobre as eleições presidenciais no Equador

     

    A 11 de abril, a República do Equador realizou a segunda volta das eleições presidenciais. A vitória foi conquistada por Guillermo Lasso.

    O Presidente da Federação da Rússia enviou uma mensagem de congratulação ao Presidente eleito do Equador.

    A Rússia e o Equador têm tradicionalmente estreitas relações de amizade que se desenvolvem dinamicamente com base na igualdade e no respeito mútuo. No ano passado, os dois países celebraram o 75º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas.

    Esperamos que os dois países continuem a ampliar o seu diálogo político construtivo e a sua cooperação mutuamente benéfica em todas as áreas. Estamos confiantes de que as relações entre os nossos países continuarão a reforçar-se para a manutenção da estabilidade e segurança internacionais.

    Pergunta: Estamos a aproximar-nos de um aniversário importante para a diplomacia, o 60º aniversário da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. A senhora acha que este documento continua relevante nas atuais condições? 

    Resposta: Atribuímos importância especial à próxima data: o 60º aniversário da assinatura da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (18 de abril de 1961). É um dos tratados internacionais mais exigidos, que fixa o estatuto e funções das missões diplomáticas, privilégios e imunidades do pessoal diplomático, procedimentos de tratamento do correio diplomático e muitas outras regras de comunicação diplomática, tornando-se assim um elemento importante para assegurar a estabilidade das relações entre os Estados.

    Nos termos do artigo 51 da Convenção, o documento entrou em vigor muito mais tarde, a 24 de abril de 1964, ou seja, no trigésimo dia após a 22ª Carta de Aprovação de adesão ter sido entregue, para depósito, ao Secretário-Geral da ONU. A propósito, a URSS ratificou o documento a 11 de fevereiro de 1964.

    A Federação da Rússia valorizou sempre o papel e o significado da Convenção como um dos atos normativos fundamentais no domínio do direito internacional e diplomático. O nosso país segue firmemente fiel ao seu espírito e à sua letra, exigindo constantemente o mesmo aos seus parceiros estrangeiros. Gostaria de recordar que a Convenção de Viena conta com a participação de 192 países. 

    De modo geral, a posição da Rússia tem sido sempre a de defender consistentemente os fundamentos do sistema jurídico internacional e a inadmissibilidade da sua erosão e interpretação apenas com base nos seus próprios interesses contra quaisquer argumentos - isto é também inadmissível. Neste contexto, apesar da presença de alguns elementos arcaicos no documento, não há razão para afirmar que a Convenção perdeu atualidade: princípios fundamentais nela contidos continuam a ser importantes e constituem o esqueleto da arquitetura das relações diplomáticas. O maior princípio na construção de relações entre Estados foi sempre e continua a ser a reciprocidade.

    Ao mesmo tempo, não excluímos que, numa determinada fase, possa haver necessidade de atualizar o texto do documento e adaptá-lo às realidades atuais. Se uma decisão consolidada sobre esta matéria for adotada pela comunidade internacional, a Federação da Rússia estaria disposta a participar nos respetivos trabalhos.

    Infelizmente, nos últimos anos, temos vindo a registar cada vez com maior frequência violações da Convenção de Viena, incluindo violações bastante graves, por parte dos países ocidentais, que estão a tentar substituir o direito internacional pelas suas próprias "ordens baseadas em regras". Citamos provas disso em quase todos os nossos briefings. Uma delas é uma manifestação viva de política agressiva dos EUA que destrói a diplomacia em princípio.

    Pergunta: A Rússia pretende expulsar funcionários de missões diplomáticas dos EUA em retaliação às ações de Washington? 

    Resposta: Como eu já disse, a nossa resposta será inevitável. Será ponderada. Saberá disso num futuro próximo. Neste momento, os nossos peritos estão a prepará-la.

    Gostaria também de salientar que, neste preciso momento, o embaixador americano na Rússia se encontra no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Esta audiência não será agradável para ele. Iremos informar-vos sobre os seus resultados.

    Pergunta: Em recente contacto telefónico, os Presidentes da Rússia e dos EUA, Vladimir Putin e Joe Biden. respetivamente, concordaram em dar instruções às respectivas autoridades dos seus países de acertar as questões levantadas durante a sua conversa telefónica. Existe alguma coisa concreta, que instruções foram estas? O processo de preparação para uma cimeira dos Presidentes da Rússia e dos EUA já começou? 

    Resposta: Tudo o que diz respeito a uma possível cimeira bilateral foi comentado pelo secretário de imprensa do Presidente russo, Dmitri Peskov. Peço para se nortearem pelas informações por ele divulgadas. 

    Quanto aos sinais que deveriam ter saído, tenho a sensação de que os EUA lançaram os seus sinais para algum lugar errado, a julgar pelo que fizeram hoje.

    Pergunta: Como a senhora comentaria o recente referendo sobre a nova Constituição no Quirguizistão, dado que dividiu opiniões no Ocidente? Em particular, os observadores independentes da UE emitiram uma declaração a dizer que o segredo da votação foi quebrado e as regras de propaganda eleitoral foram violadas. Também referem casos de compra de votos.

    Resposta: Não adianta falar da objetividade das avaliações da União Europeia sobre os processos eleitorais no mundo. Se as suas atitudes para com o sistema de realização de eleições a diferentes níveis nos EUA tivessem sido imparciais, valeria a pena prestar atenção aos seus comentários sobre os processos eleitorais noutros países. Dado que a sua avaliação do que aconteceu antes, durante e depois das eleições nos EUA não pode sequer ser considerada concisa e muito menos objetiva, não vale a pena tomá-las em consideração noutros casos. Antes de mais, vale a pena ganhar experiência e reputação no campo da objetividade. A partir daqui começa o caminho rumo à confiança nos seus comentários. Enquanto isso, não há nada o que comentar. Portanto, seria melhor concentrarmo-nos nas nossas estimativas daquilo que aconteceu no Quirguizistão.

    A 11 de abril deste ano, a República do Quirguistão realizou, em simultâneo com as eleições para os governos locais, um referendo sobre a nova Constituição que previa o abandono da forma de governo parlamentarista e a adoção da forma de governo presidencialista. Segundo dados preliminares da Comissão Central Eleitoral do Quirguizistão, mais de 79 por cento dos eleitores que participaram no referendo votaram "a favor".

    O plebiscito foi declarado válido. Os observadores internacionais salientam que o processo de votação foi aberto, livre e legítimo.

    Esperamos que os resultados da expressão da vontade do povo quirguize contribuam para a estabilidade interna, o desenvolvimento do país sob o primado da lei e o crescimento progressivo da sua economia.

    Pergunta: Numa entrevista à agência noticiosa iraniana IRNA, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, disse que o nosso país está a trabalhar ativamente para desdolarizar a nossa economia e deixar de utilizar os sistemas de pagamento internacionais controlados pelo Ocidente. A senhora acha que isso tem a ver com aos receios do Kremlin, expressos por Dmitri Peskov, de que a Rússia possa ser desligada destes sistemas de pagamento a qualquer momento devido à política de sanções? Na sua entrevista, o Ministro Serguei Lavrov disse que este trabalho está a ser feito ativamente. A senhora poderia comentá-lo mais detalhadamente? Podemos, desde já, falar de prazos concretos? 

    Resposta: O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, comentou detalhadamente este assunto em várias ocasiões em várias entrevistas.

    Há muito que não é segredo que a Federação da Rússia está a trabalhar consistentemente para reduzir a presença do dólar nas suas reservas internacionais e nos desembolsos com os seus principais parceiros comerciais. Pode ler as declarações do Governo russo e de vários ministérios e departamentos russos, nomeadamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a este respeito. 

    Ao mesmo tempo, o nosso país está a desenvolver, a criar e a promover uma arquitetura alternativa de pagamentos e a ligar a estruturas estrangeiras semelhantes independentes da política de Washington. O senhor sabe muito bem quando e porquê esta posição foi assumida. Entendemos que Washington está a utilizar a sua moeda e o seu sistema financeiro como instrumento para prosseguir a sua política agressiva não só para contornar ou violar o sistema jurídico internacional, mas também para destrui-lo. 

    Gostaríamos de notar que estas medidas são forçadas e estão a ser tomadas devido à perda de confiança no Ocidente no que se refere à manutenção de uma abordagem não politizada para assegurar o acesso ininterrupto ao sistema financeiro internacional, à redução da imprevisibilidade da política económica dos EUA e à aplicação incontrolada de medidas restritivas infundadas e à ameaça interminável da sua aplicação no futuro. 

    Naturalmente, tudo isto põem em dúvida não só a conveniência da utilização da moeda americana como moeda de pagamento prioritária, mas também a confiabilidade dos mecanismos de pagamento controlados pelo Ocidente. É lógico que, nestas circunstâncias, temos de tomar medidas para minimizar perdas e riscos económicos durante as transações.

    Quanto aos cartões Visa e MasterCard, a questão da suspensão das transações com os cartões emitidos na Rússia por estas empresas já foi levantada. Em resposta a estas insinuações, a Rússia desenvolveu e pôs em funcionamento em 2014 o Sistema Nacional de Cartões de Pagamento (SNCP). O seu objetivo é assegurar a continuidade, eficiência e disponibilidade dos serviços de transferência de dinheiro. Desde 2015, os cartões do sistema de pagamento nacional "MIR" têm sido emitidos com base no referido Sistema.

    Os trabalhos de sincronização dos sistemas de pagamento nacionais da Rússia e de outros países estão a ir bem. O sistema russo MIR coopera com os seus pares estrangeiros, nomeadamente o sistema chinês UnionPay e o japonês JCB, o internacional Maestro internacional. Estes cartões "co-branded" funcionam tanto na Rússia como no estrangeiro. Em particular, estão disponíveis na Arménia, Abcásia, Ossétia do Sul, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguizistão, Uzbequistão e Turquia. Está a ser examinada a hipótese de estabelecimento de uma cooperação com vários outros países para a utilização de cartões MIR. No entanto, este processo é bastante longo e trabalhoso. 

    Ainda é difícil referir datas concretas de criação de um kit nacional de ferramentas abrangentes para transações de pagamento e da sua promoção nos mercados internacionais, bem como prever possíveis novas medidas restritivas do Ocidente contra a Rússia na esfera financeira.

    O Banco da Rússia, segundo as declarações da sua cúpula, não vê atualmente riscos de desconexão do nosso país dos sistemas de pagamento ocidentais. Contudo, a experiência mostra (e isto é confirmado por Dmitri Peskov) que nada pode ser excluído nas atuais relações com o Ocidente. Por isso, devemos estar preparados para quaisquer passos inamistosos dos nossos chamados parceiros.

    Pergunta: O Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano disse que tinha pedido à Rússia esclarecimentos sobre a situação na fronteira russo-ucraniana, mas Moscovo recusou-se a dar esclarecimentos. A senhora tem algum comentário sobre isso? 

    Resposta: Com referência às disposições do Documento de Viena sobre Medidas de Confiança e Segurança de 2011, a Ucrânia enviou à Rússia, através da rede de comunicações da OSCE, um pedido para "clarificar o objetivo das atividades militares perto da fronteira com a Ucrânia e na República Autónoma da Crimeia, temporariamente ocupada pela Federação da Rússia e especificar os locais exatos destas atividades, as datas em que serão concluídas, assim como  os nomes, subordinação, número e tipos de unidades militares envolvidas".

    Não demos atenção ao erro cometido no pedido relativo ao estatuto territorial da Crimeia e respondemos na essência: "A Federação da Rússia não está a realizar quaisquer atividades militares significativas das quais deve informar no âmbito do Documento de Viena. Todas as atividades levadas a cabo pelas Forças Armadas da Federação da Rússia e relacionadas com a movimentação de unidades militares na zona de confiança e segurança estão a ser realizadas no âmbito do treino militar e não requerem notificação".

    A par disto, consideramos necessário chamar a atenção para o agravamento da verdadeiramente preocupante da situação em torno de Donbass, devido às ações provocatórias do regime de Kiev.

    O governo ucraniano continua a enviar novo material de guerra para a linha de contacto. Assim, de acordo com a Missão Especial de Monitorização, no período entre 1 e 31 de março, os observadores da Missão registaram 288 casos de armas ucranianas (incluindo 142 peças de artilharia de calibre superior a 100 mm) nas estações ferroviárias de Donbass ((Rubizhnoe, Pokrovskoe, Zatchatovka, Kostantynovka e Sloviansk) controladas pelas forças armadas ucranianas. Tem aumentado o número de bombardeamentos do território da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk. Pela primeira vez desde julho passado, quando foram tomadas medidas adicionais para reforçar o regime de cessar-fogo, as forças armadas ucranianas utilizaram peças de artilharia proibidas pelos acordos de Minsk contra a República Popular de Lugansk. A Ucrânia intensifica a utilização de drones de ataque, o número de vítimas entre civis está a crescer. A morte de um menor de idade na aldeia de Aleksandrovskoe (na República Popular de Donetsk) que se encontra na retaguarda teve ampla repercussão, embora Kiev tenha tentado evitar a responsabilidade. O facto da morte da criança foi confirmado pela missão de monitorização dos direitos humanos das Nações Unidas na Ucrânia. O problema não é só este, o problema é que, ao longo destes anos, as mortes de não um, não de dezenas, mas de centenas de meninos e meninas continuam a ser impunes e despercebidas pela comunidade internacional. É como se estivessem a tentar não reparar nisso. É de chocar! 

    As declarações e ações dos representantes do regime de Kiev mostram cada vez mais que este se afasta dos acordos de Minsk. De um modo geral, nada resta das promessas eleitorais de Vladimir Zelensky de pôr fim à guerra. As suas mais recentes declarações foram agressivas e belicosas. Está evidentemente a apostar na intervenção dos seus "curadores" ocidentais. Em vão. Os roteiros de "pacificar" militarmente a Região de Donbass e ou tomar militarmente a Crimeia são impossíveis de concretizar e suicidas. 

    Não esperamos que aqueles que se encontraram no poder em Kiev e enganaram as esperanças do povo que acreditava na sua pacificidade tenham bom senso. A propósito, é, inclusive, por isso que a Rússia não invoca as respectivas disposições do Documento de Viena violadas várias vezes pela Ucrânia. Apelamos diretamente àqueles que, através das suas ações em 2014 e posteriormente, assumiram a responsabilidade pelo golpe de Estado armado inconstitucional e pela destruição de um país pacífico e multiétnico.

    Exortamos os "aliados" da Ucrânia a deixarem de incitar o regime de Kiev a aventuras sangrentas e destrutivas, fornecendo-lhe armas, munições e produtos militares não letais, financiando-o, fornecendo-lhe informações e prestando-lhe serviços de treino e apoio político. 

    A Rússia não tem interesse em fomentar a guerra civil em Donbass e fará os possíveis para proteger os seus habitantes e assegurar a paz na sua terra martirizada. Esta é a nossa posição fundamental. A liderança russa disse isto várias vezes. 

    Pergunta: O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, e os seus vices manifestaram-se preocupados com o facto de a Turquia e outros países da NATO estarem a fomentar a "determinação militarista de Kiev e drones turcos estarem a sobrevoar a Região de Donbass. Em que é que eles estão envolvidos? Porque se considera problema o facto de os Estados membros da NATO e a Turquia estarem a vender drones militares? Afinal de contas, a Rússia também coopera na esfera técnico-militar com a Turquia.

    Resposta: Gostaria de chamar a sua atenção para um ponto fundamental: há uma guerra civil no território da Ucrânia. As forças nacionalistas que chegaram ao poder em Kiev em fevereiro de 2014 têm vindo a combater a população do seu próprio país desde há sete anos, utilizando artilharia, blindados e drones de ataque. Não foi por meio de eleições que chegaram ao poder, mas por meio de um golpe de Estado. Não foi a primeira vez que o fizeram e foram apoiados externamente, nomeadamente por países da NATO, o que teve como consequência acontecimentos sangrentos. É isso que distingue esta situação de muitas outras.

    Civis estão a ser mortos. As pessoas não têm a possibilidade de viver. Temos salientado repetidamente que aqueles que se interessam pela situação nesta região e na Ucrânia em geral (estou a referir-me aos jornalistas em primeiro lugar) fariam bem em ir à Região de Donbass, Donetsk e Lugansk para ver com os seus próprios olhos a situação real, falar com a população local (não necessariamente os militares, apenas civis) e perguntar porque é que muitos deles estão tão preocupados com os fornecimentos de armas à Ucrânia. Dir-vos-ão, porque sabem disso não em teoria, mas pela sua vida quotidiana. Os civis, as crianças saem para a rua e não voltam.

    Acreditamos que os fornecimentos de armas e material de guerra, incluindo drones, à Ucrânia pelos países da NATO e pela Turquia não contribuem para a busca de uma solução pacífica para o conflito na Região de Donbass. A guerra civil na Ucrânia tem sido objeto de esforços jurídicos internacionais numa base legal com vista a um acordo de paz. Os acordos de Minsk foram redigidos, aprovados pelas partes e consagrados. Receberam o estatuto de vinculativos após serem aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU. Realmente estipulam que, para alcançar a paz, seja necessário aumentar o fornecimento de armas à Ucrânia? Os fornecimentos de armas é um elo-chave ou um elemento adicional dos acordos de Minsk para alcançar a paz? Não. Estes documentos dizem o contrário. É um mapa de estradas para a paz, para uma vida normal. Nada dizem sobre os fornecimentos de armas. Os fornecimentos de armas vão contra os compromissos assumidos pela Ucrânia. Porque é que Kiev está a fazer tanto esforço para receber tantas armas e não está a fazer nada para cumprir os pontos vinculativos dos acordos de Minsk? Esta política apenas encoraja as aspirações militaristas da Ucrânia e pode encorajá-la a tentar resolver militarmente o conflito interno. Tal abordagem leva o regime de Kiev "de lado" dos acordos de Minsk.

    Isto não pode deixar de ser motivo de preocupação. Não nos cansaremos de chamar a atenção para este facto nem de exortar Kiev a cumprir os acordos de Minsk.

    Pergunta: Em declaração após as conversações com o Ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, advertiu a Turquia e outros países contra o apoio militar à Ucrânia. Há alguma resposta do lado turco sobre a sua compreensão da situação?

    Resposta: Eu já disse o suficiente sobre este assunto hoje. Posso acrescentar que, durante os nossos contactos com a liderança da República da Turquia, trocamos regularmente opiniões sobre todas as questões, inclusive muito delicadas, da agenda internacional e regional. Em particular, levamos ao conhecimento do lado turco a visão russa da situação no sudeste da Ucrânia.

    Evidentemente, Ancara está ciente de que estamos muito preocupados com as ações externas para fomentar a determinação belicista do regime de Kiev. Temos sempre sublinhado a necessidade de se abster de tomar medidas, inclusive na área da cooperação técnico-militar, que possam provocar uma deterioração da situação na Região de Donbass.

    Pretendemos continuar o nosso diálogo profissional e interessado com os nossos parceiros estrangeiros para persuadi-los a não estimular a determinação revanchista de Kiev e a dar, por todos os meios políticos e diplomáticos disponíveis, uma contribuição possível para a estabilização e melhoria da situação em torno da Ucrânia.

    Pergunta: No outro dia, o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, fez duas declarações retumbantes e, em certa medida, provocatórias. A primeira diz respeito à pertença de Erevan e Zangezur, dizendo que são terras do Azerbaijão. A segunda diz respeito aos destroços de um míssil Iskander alegadamente encontrados em Karabakh. O que têm estas alegações a ver com a Rússia numa situação geopolítica tão complicada? Como é que a Rússia avalia as notícias sobre os destroços de um míssil Iskander alegadamente encontrados? 

    Resposta: Em relação aos destroços de um Iskander, esta questão já foi comentada pelo Secretário de Imprensa do Presidente da Federação da Rússia, Dmitri Peskov. Este assunto é da competência dos nossos militares.

    Pergunta: Pela primeira vez em nove anos, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, fez uma visita de dois dias ao Paquistão. Islamabad vê isto como passo importante para a amizade entre os dois países, inclusive para o processo de paz no Afeganistão. Como é que a Rússia avalia a visita do Ministro ao Paquistão? Quais acordos foram assinados?

    Resposta: Partilhamos a avaliação do Paquistão sobre a visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, à República Islâmica do Paquistão nos dias 6 e 7 de abril. Durante as consultas com o seu homólogo paquistanês, Shah Mahmood Qureshi, que decorreram num ambiente de amizade, e durante as reuniões com o Primeiro-Ministro Paquistanês, Imran Khan, e o Chefe do Estado-Maior do Exército, Qamar Javed Bajwa, foi discutido em pormenor o estado atual e as perspetivas de desenvolvimento das relações bilaterais, incluindo as possibilidades de reforçar ainda mais a cooperação nas esferas comercial, económica e antiterrorista. Realizou-se uma troca de opiniões aprofundada sobre as questões prementes da agenda regional e internacional, com enfoque na interação em fóruns multilaterais, incluindo a ONU e a OCX.

    Foi dada especial atenção à situação no Afeganistão. As partes manifestaram-se preocupadas com a degradação da situação em termos de segurança, a intensificação das atividades terroristas, e a consolidação das posições do EIIL no norte e leste do país. Reafirmaram também a sua posição comum de continuar a contribuir para a busca, o mais rapidamente possível, de um acordo construtivo para pôr termo à guerra civil no IRA através de entendimentos sobre a formação de um governo inclusivo. Em particular, as partes valorizaram os resultados da reunião, de 18 de março, em Moscovo, da Troika alargada Rússia-China-EUA-Paquistão sobre o processo de paz no Afeganistão. 

    Pergunta: Há alguns dias, o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, declarou que o Azerbaijão está disposto a trabalhar, no futuro, num tratado de paz pleno com a Arménia. A Rússia pretende mediar a elaboração deste tratado de paz? Tem alguma visão do seu conteúdo?

    Resposta: Não podemos deixar de saudar as iniciativas que visam o estabelecimento de uma paz duradoura e de relações de boa vizinhança entre Baku e Erevan. Os acordos de 9 de novembro de 2020 e 11 de janeiro de 2021 alcançados pelos líderes russos, azeri e arménio servem de base sólida para isso. Estamos prontos a continuar a prestar todo o apoio a tais processos.

    Evidentemente, o Azerbaijão e a Arménia estão apenas no início de um difícil caminho rumo ao estabelecimento de um nível necessário de confiança mútua e normalização das relações bilaterais. É importante que estes avanços tenham um pano de fundo positivo, incluindo o informativo.

    Existem muitas dificuldades e obstáculos a ultrapassar. Ao construirmos cooperação com os nossos amigos azeris e arménios, salientamos que a estabilidade e o desenvolvimento económico sustentável do Sul do Cáucaso é do interesse de todos os parceiros da Rússia na região.

    Esperamos que, em ações práticas, as partes procurem dar passos para a normalização das suas relações e a criação de uma atmosfera de confiança, e não de novas linhas divisórias.

    Pergunta: O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia planeia pedir informações ao Japão sobre os seus planos de despejar água radioativa da central de Fukushima no oceano?

    Resposta: Fizemos um comentário detalhado sobre este assunto no dia 13 de abril deste ano.  Está disponível no site oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e na sua conta nas redes sociais. 

    Posso reiterar que manifestámos a nossa profunda preocupação com as intenções do lado japonês. Esperamos que o Governo do Japão demonstre o grau adequado de transparência e informe os Estados interessados das suas ações que possam constituir uma ameaça de radiação. Estamos a aguardar explicações mais detalhadas sobre todos os aspetos relacionados com os planos de despejar água radioativa no oceano. Consideramos que o Japão permitirá a monitorização da situação da radiação nas áreas onde a descarga de água radioativa será realizada, se necessário.

    Esperamos que Tóquio aborde esta importante questão de forma responsável e tome medidas necessárias para minimizar o impacto negativo no ambiente marinho e a deterioração da situação ambiental e aspetos não dificulte as atividades económicas de outros Estados, incluindo as relacionadas com a pesca.

    Daremos seguimento a esta questão nos nossos contactos com os nossos parceiros japoneses.

    Pergunta: Logo após se ter sabido do primeiro contacto telefónico entre o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente dos EUA, Joe Biden, Jen Psaki prometeu a aplicação de novas medidas restritivas contra a Rússia. Os EUA estão a tentar provocar propositadamente a Rússia a retaliar, impondo sanções logo após o primeiro contacto de alto nível?

    Resposta: Não, estão simplesmente a tentar destruir as relações bilaterais.

    Pergunta: Ao que se deve a nova retórica dos países escandinavos que glorificam organizações criminosas como a SS? A senhora disse que o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca quase acusa a União Soviética de ocupação. Isto tem alguma ligação à questão ucraniana? 

    Resposta: Sobre a tendência nos países da Europa Ocidental, particularmente na Escandinávia, para reescrever a história. Não é uma história simples, começou há muito tempo e não teve a questão ucraniana na sua origem. Alguns encaravam-na como tentativa de desforra, outros como tentativa de impedir que a União Soviética se consolidasse como país que derrotou o nazifascismo e que não aceitava nenhum acordo de compromisso com a política e ideologia nazi. Estas tentativas começaram imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial. Há documentários, foram publicados muitos factos. Assistimos a isto durante décadas. Estas tentativas não foram tão explícitas e descaradas. A luta foi latente, porque os participantes daqueles acontecimentos estavam vivos. Era impossível dizer algo contrário às pessoas que defenderam o mundo contra o nazi-fascismo com armas nas mãos. Enquanto os participantes naqueles acontecimentos estavam vivos, era impossível implantar nas novas gerações a ideologia da "reencarnação", branqueando aqueles que mataram os seus pais e mães. Por isso, houve uma dura luta sem princípios nos bastidores.

    Com o passar das gerações e o número de testemunhas e de participantes a diminuir, essa luta oculta começou a vir à tona e a "tirar as máscaras". Já não valia a pena esconder-se; já era possível falar publicamente sobre o que se dizia em segredo. Isto começou há muito tempo, passando recentemente a uma fase ativa.

    Porquê estes países em particular? Esta é uma tendência, um "mainstream" imposto pelo chamado Ocidente coletivo (Bruxelas, a UE, a NATO). Quando dizemos a UE, já nos referimos também à NATO, uma vez que a UE não tem nenhuma política soberana nem independente. Está a ser completamente "dominada" pela Aliança do Atlântico Norte.

    Por isso, é uma tendência geral imposta através dos chamados fundos e orçamento de "patrocínio", através de uma extensa rede das suas organizações supostamente "não governamentais", financiadas, aliás, por verbas governamentais. Há uma campanha política e mediática anti-histórica que se traduz na demolição de monumentos, rodagem de filmes (de ficção e pseudo-documentários). Realizam-se conferências científicas, que são, na verdade, pseudo-científicas, etc. A Ucrânia é uma destas manifestações eloquentes. Tornou-se num palco de experiências. Como se pode inverter a visão de um povo cujos avós e pais defenderam o direito à vida e lutaram contra a ideologia do nazismo com armas nas mãos? Uma experiência global está a ser realizada. Como é possível impor a um país que se afogou num banho de sangue devido às ações dos nazis uma ideologia de glorificação dos seus cúmplices? Em teoria isto parece impossível, mas na prática funciona. É uma questão de dinheiro, de esforços. É uma questão da "destruição" dos verdadeiros interesses nacionais da Ucrânia e da implantação de valores alheios. É uma substituição de conceitos e falsificação da sua própria história.

    Não foi nos últimos anos que a Ucrânia se tornou num palco de luta contra a verdade histórica. Isto durou décadas - desde atos de transferência de antigos colaboracionistas e militares que colaboraram com os nazis para a Ucrânia nos anos do pós-guerra, praticados por países ocidentais, até à implantação de uma ideologia de cariz nacionalista (atualmente dominante) e tudo o que lhe está associado, a glorificação dos colaboracionistas, a reabilitação dos criminosos de guerra e até um facto tão surpreendente como a legalização dos símbolos, outrora inequivocamente associados aos colaboracionistas dos nazis.

    Pergunta: O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, pretende ir a Reykjavik como integrante da delegação russa para participar na reunião do Conselho Ártico que se realizará nos dias 19 e 20 de maio deste ano? Pode ser que o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente dos EUA, Joe Biden, se encontrem em Reykjavik? 

    Resposta: A questão das cimeiras é da competência do Gabinete do Presidente da Rússia.

    Nos dias 19 e 20 de maio, Reykjavik sediará uma sessão ministerial do Conselho Ártico em que a Rússia assumirá a presidência rotativa de dois anos. 

    O tema central da presidência russa será a promoção do desenvolvimento sustentável do Ártico. Pretendemos desenvolver a cooperação em quatro áreas prioritárias: população do Ártico, incluindo os povos indígenas; proteção ambiental, incluindo a adaptação às alterações climáticas; desenvolvimento socioeconómico da região; e reforço do Conselho Ártico como fórum regional chave para a cooperação intergovernamental.

    Dadas as restrições mantidas devido à pandemia da COVID-19, a próxima sessão ministerial do Conselho Ártico em Reykjavik terá um formato combinado, em regime presencial e em regime virtual para alguns países e observadores. 

    Neste momento, entendemos que a Rússia deve participar presencialmente. Prevê-se que a delegação russa seja chefiada por Serguei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia. Esta questão está a ser examinada. Assim que for tomada uma decisão, iremos informar-vos. 

    Pergunta: Muito obrigado pela informação sobre a E-Escola Russa (E-School russa). O Ministério dos Negócios Estrangeiros apoiou este projeto. Peço que não pare de apoiá-lo e amplie o seu apoio. Os filhos dos nossos compatriotas vivem em todo o mundo e conhecem a mentalidade dos países em que vivem. No futuro, isso poderia ser um apoio para o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.

    Resposta: Pode expor conceptualmente a sua visão e enviá-la para nós? Enviá-lo-emos a peritos ou faremos o nosso comentário sobre as suas sugestões ou tê-las-emos em conta no nosso trabalho.