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Ministro Serguei Lavrov responde a jornalistas em conferência de imprensa conjunta com o Vice-Primeiro-Ministro do Iraque, Fuad Hussein Moscovo, 25 de novembro de 2020

2054-25-11-2020

Senhoras e senhores,

Tivemos negociações construtivas e significativas com o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque, Fuad Hussein. Os nossos países têm laços de amizade fortes e duradouros. Há 76 anos, os dois países assinaram um acordo sobre o estabelecimento de relações diplomáticas. Desde então temos vindo a cooperar ativamente em diversas áreas, principalmente nos setores de energia e combustíveis e técnico-militar. Amanhã, o Ministro Fuad Hussein encontrar-se-á com o copresidente russo da Comissão Intergovernamental Russo-Iraque de Cooperação Económica, Comercial e Técnico-Científica e Vice-Primeiro-Ministro, Yuri Borisov, para debater detalhadamente as vias do aprofundamento da nossa cooperação económica.

Trocámos opiniões sobre muitas questões regionais e internacionais, tendo destacado uma boa cooperação dos nossos países nas Nações Unidas, a coincidência das nossas visões sobre a necessidade de resolução pacífica de quaisquer conflitos através de um diálogo de todas as partes envolvidas e com o apoio da comunidade internacional. É a partir destas posições que a Rússia e o Iraque encaram a resolução de crises de toda a espécie no Médio Oriente e no Norte de África, incluindo a situação na Síria, Iémen e outras partes desta importante região.

Cooperamos ativamente no âmbito dos esforços internacionais para acabar com os restos dos bandos de terroristas internacionais, nomeadamente na Síria e no Iraque. A este respeito, gostaria de assinalar um bom trabalho do Centro de Informação de Bagdade criado pela Rússia, Iraque, Síria e Irão para coordenar as suas posições em relação ao combate ao terrorismo.

A Rússia apoia os esforços do Primeiro-Ministro iraquiano, Mustafa al-Kazemi, para estabilizar a situação no país, eliminar as ameaças terroristas e extremistas e preparar novas eleições parlamentares. 

Os nossos amigos iraquianos reafirmaram o seu interesse em participar nos esforços internacionais para contribuir para a pacificação síria. Eles são observadores no formato Astana. Também apreciámos a participação do Iraque, juntamente com outros países árabes, na recente Conferência Internacional para o Retorno dos Refugiados e Deslocados Internos Sírios realizada em Damasco. 

Discutimos a situação em torno do conflito árabe-israelita. Ambos somos da opinião de que, por mais positivos que sejam os esforços envidados pela Administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, para normalizar as relações entre alguns países árabes e Israel, eles não devem, de forma alguma, substituir os esforços para a busca de uma solução justa para a questão palestiniana. Para tanto, existem uma resolução da ONU e a Iniciativa de Paz Árabe. Todas estas iniciativas devem ser levadas à prática. 

É do nosso interesse comum contribuir para a criação de condições para o início do processo de normalização da situação e de reforço da confiança na região do Golfo Pérsico. Reafirmámos o bem conhecido conceito de segurança da região que está a ser discutido com os nossos colegas dos países árabes, países costeiros do Golfo Pérsico, Irão, outros países da região, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e outros players internacionais interessados. 

Estou convencido de que a visita do Ministro Fuad Hussein permitirá impulsionar a cooperação bilateral nas mais diversas áreas e encontrar possibilidades adicionais para contribuir para o reforço da estabilidade e da segurança no Médio Oriente.

Pergunta (através da tradução do árabe): Os iraquianos encaram a Rússia como o seu velho e forte amigo, esperando que as relações bilaterais atinjam um nível que satisfaça as necessidades do Iraque em todos os domínios. O senhor acha que esta visita dará início a uma nova fase de relações bilaterais, especialmente nos sectores de energia, tecnologia e fabrico de armas?

Ministro Serguei Lavrov: É verdade, temos relações de longa data com o Iraque amigo. A interação com Moscovo nunca impediu Bagdade de desenvolver laços estreitos com os países ocidentais e os seus vizinhos. Em todas as questões em que temos uma convergência de interesses, a cooperação já está em andamento. Estamos dispostos a aprofundá-la e a estendê-la a novas áreas.

A Rússia desempenhou tradicionalmente e continua a desempenhar um papel importante para garantir a capacidade defensiva do Iraque e equipar o seu exército e forças de segurança face, inclusive, às ameaças terroristas ainda existentes. Dispomo-nos a satisfazer todas as necessidades do Iraque em produtos militares de fabrico russo. Num futuro próximo, o Ministro da Defesa iraquiano, Jouma Anad, visitará a Rússia. Acredito que estas questões serão detalhadamente discutidas.

Quanto ao setor de energia, as maiores empresas russas cooperam no Iraque com os seus parceiros. As empresas Lukoil, Rosneft, Gazprom Neft e Bashneft investiram em conjunto mais de 13 mil milhões de dólares na economia iraquiana. Os nossos homens de negócios e os empresários iraquianos planeiam continuar a cooperar.

Temos tradicionalmente laços humanitários estreitos. Cerca de quatro mil jovens iraquianos estudam na Rússia. Fazemos os possíveis para que os iraquianos e estudantes de outros países que frequentam as universidades russas possam retomar os seus estudos. Para tanto, tomamos medidas para superar as consequências da infeção pelo coronavírus.

No que respeita às nossas atividades profissionais, várias dezenas de diplomatas iraquianos fizeram cursos de aperfeiçoamento profissional na Academia Diplomática do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. Concordámos em continuar e expandir esta prática. Como disse Fuad Hussein, está a prestes a terminar o trabalho sobre vários atos intergovernamentais na área de justiça, de saúde e cooperação aduaneira. Isto enriquecerá a nossa cooperação com o Iraque amigo.

Pergunta: Que planos tem a Rússia para intensificar o desenvolvimento da cooperação nas áreas económico-comercial e energética com o Governo do Curdistão e do Iraque em geral, além de intensificar as relações políticas com Bagdade?

Ministro Serguei Lavrov:  Hoje, fizemos uma exposição detalhada de como se estão a desenvolver as nossas relações nas áreas de comércio e economia, de investimento, de ensino e de cooperação técnico-militar. Amanhã, Fuad Hussein reunir-se-á com o Vice-Primeiro-Ministro russo, Yuri Borisov, para debater detalhadamente o novo programa de ação da Comissão Intergovernamental Russo-Iraque de Cooperação Económica, Comercial e Técnico-Científica. Também amanhã, o Ministro Fuad Hussein terá um encontro com o Ministro da Energia da Federação da Rússia, Nikolai Chulginov. Após a visita, teremos novas áreas para desenvolver a cooperação entre os nossos dois países. 

Pergunta: A minha pergunta é para ambos. Muitos países, como a França, por exemplo, reagiram negativamente à decisão dos Estados Unidos de reduzir a sua presença militar no Iraque. O que Bagdade e Moscovo pensam sobre isso? A Rússia tem algum plano para aumentar o seu papel na luta contra o terrorismo na região e no Iraque?

Ministro Serguei Lavrov (responde após Fuad Hussein): Quanto à posição de Moscovo sobre a presença militar americana no estrangeiro, esta questão diz respeito aos governos dos países onde se encontram contingentes de tropas americanos: Iraque, Afeganistão, Síria. Os EUA enviaram os seus contingentes de tropas a estes países para combater o terrorismo. Entraram na Síria sem terem sido convidados, ilegitimamente, violando o direito internacional. No Iraque, os EUA estão presentes com a aprovação do governo local. Como disse o Ministro Fuad Hussein, esta havia sido a decisão do Parlamento iraquiano, e nós partimos desta premissa. Este é o único motivo legal para a presença das tropas americanas, refiro-me ao consentimento dos países. 

Gostaria de salientar que em todos os três países acima mencionados, os americanos estão a combater a ameaça terrorista, que, de um modo geral, eles próprios criaram. A intervenção dos EUA e dos seus aliados no Iraque, Síria, Líbia não melhorou a vida em nenhum destes países, tendo criado apenas problemas os quais as populações, os políticos e os governos locais têm agora de resolver. É fundamental que, no futuro, a administração americana evite tais aventuras internacionais, sobretudo aquelas que representem ameaças graves para uma região inteira. 

Cooperamos com o Iraque e outros países da região para combater os terroristas, independentemente dos planos dos EUA. Eles ora vão ora vêm. Temos acordos estáveis, temos o Centro de Informação de Bagdade, onde peritos da Rússia, Iraque, Irão e Síria trabalham na vertente antiterrorista. 

Outro aspeto da nossa cooperação antiterrorista são os chamados militantes terroristas estrangeiros que vieram de países europeus para participar em atividades terroristas ilegais na região. Muitos deles estão presos. Acreditamos que eles devem ser julgados nos países de onde vieram à Síria, ao Iraque ou a outros territórios ou nos países onde cometeram crimes de natureza terrorista. Qualquer outra opção seria ilegítima. Exortamos todos os nossos colegas, incluindo os do Ocidente, a não criarem colisões jurídicas. Julgai-os nos vossos países, se eles são cidadãos dos vossos respetivos países, ou deixai que sejam julgados nos países onde eles cometeram os crimes. 

Entre os que ficaram envolvidos em atividades ilegais na região estão cidadãos russos. Um problema à parte é a situação dos seus filhos. Agradecemos ao governo iraquiano por ter cooperado intensamente nesta questão com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e a Encarregada de Direitos da Criança junto da Presidência russa, Anna Kuznetsova. Como resultado, no ano passado, trouxemos de volta à Rússia quase todas as crianças russas encontradas naquele país. Esta é uma componente importante da nossa cooperação.



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