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Ministro Serguei Lavrov usa da palavra no início da videoconferência dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Índia e China, Moscovo, 23 de junho de 2020

965-23-06-2020

Queridos amigos,

Bom dia, de novo. Antes de tudo, gostaria de saudar e agradecer por aceitarem participar nessa reunião de hoje, em formato de videoconferência. Estou feliz de vê-los todos de boa saúde e de bom humor. É importante.

Estamos a realizar as negociações na véspera da Parada Militar da Vitória em Moscovo, que acontece neste ano, no dia 24 de junho. Foi neste dia que há 75 anos ocorreu a Parada da Vitória, logo depois da Vitória na Segunda Guerra Mundial, na Grande Guerra Patriótica. Então, passaram pela Praça da Vitória todos que tinham assestado um golpe decisivo à máquina militar de Hitler. Aproveitando a oportunidade, agradeço sinceramente aos nossos amigos da Índia e da China por enviarem as suas unidades militares para participarem na Parada. É uma confirmação evidente da história comum que liga os nossos povos.

Hoje em dia, temos outras ameaças, e antes de tudo, a Covid-19. A pandemia continua a levar vidas humanas, a afetar a política e a economia mundiais. Vemos isso muito bem.  A pandemia demonstrou a interligação inédita da comunidade internacional apesar dos factores geográfico e de prosperidade material. Ela evidenciou que no mundo contemporâneo, interligado, é impossível “ficar na sombrinha”, ignorando os problemas transfronteiriços.

Contudo, permanece obviamente sem solução uma série de outros desafios e ameaças comuns para toda a humanidade. Vou mencionar o terrorismo internacional. Há certos êxitos na luta contra isso, mas se deve compreender que esta ameaça está longe de ser eliminada. Aproveito para confirmar o nosso apoio à iniciativa índia a respeito da adoção da convenção abrangente no âmbito da luta antiterrorista. Estão pendentes outras ameaças transfronteiriças, que inclusive alimentam o terrorismo – falo do tráfico de drogas e de outras formas do crime transfronteiriço. E, claro, todos compreendem ser necessário parar a degradação do meio ambiente e resolver os problemas da mudança climática.

A comunidade internacional tem, nestas condições, a obrigação de se unir. Todavia, apesar dos factores objetivos, mesmo nas condições atuais, não cessam tentativas de promover interesses de vantagem restrita, ajustar as contas com concorrentes geopolíticos, derrubar regimes não desejados, inclusive através de um amplo uso de medidas coercivas unilaterais. Preocupa muito a tendência de vários Estados ocidentais de abandonar o sistema baseado no reconhecimento universal das normas do direito internacional para tentar substituir o direito internacional por uma “ordem baseada nas regras”, em que as ditas regras dependeriam de uma conjuntura momentânea. Esta política reduz a previsibilidade no palco internacional, fomenta a desconfiança. Isso não pode senão preocupar-nos.

A Rússia, a Índia e a China manifestam-se favoráveis a que as relações intergovernamentais tenham uma base sólida e – sublinho – universalmente reconhecida do direito internacional, para garantir a estabilidade global a prosperidade de todos. Os nossos líderes confirmaram esta posição nas cimeiras do RIC em novembro de 2018 em Buenos Aires e em junho do ano passado em Osaca. Une-nos a não-aceitação dos métodos unilaterais de estruturar as relações internacionais, especialmente quando tais métodos unilaterais levam ao uso de força.

Estou convencido de que as potencialidades dos nossos três países continuarão a desempenhar um importante papel estabilizador nos assuntos internacionais, sendo úteis n para toda a comunidade internacional, ajudando-a a resolver eficazmente muitos problemas atuais e a estabelecer os princípios de uma multilateralidade verdadeira.

Agradeço a atenção e passo a palavra ao meu colega indiano.


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