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Entrevista concedida pelo Ministro Serguei Lavrov ao canal de televisão RT, Moscovo, 29 de junho de 2020

994-29-06-2020

Pergunta: Vamos falar de um papel desempenhado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia no regresso dos nossos cidadãos do estrangeiro. Como isso ficou possível? Está inscrita na nossa Constituição a obrigação de garantirmos os direitos dos cidadãos, inclusive no estrangeiro. Isso acontece? É o MNE deve fazê-lo? Em que medida o MNE devia tinha participar nisso?

Serguei Lavrov: Essencialmente, esta obrigação de o Ministério dos Negócios Estrangeiros garantir a proteção dos direitos e a segurança dos seus cidadãos no estrangeiro, usando todos os meios jurídicos internacionais existentes – é prevista na legislação de todos os Estados. E nós não somos nenhuma exceção. Porém, em muitos casos, em vários países os mecanismos de assistência ao regresso à pátria não foram estabelecidos de uma vez por todas.

Pergunta: Como compreenderam que era necessário repatriar os cidadãos e que eram muitos?

Serguei Lavrov: A decisão foi tomada pelo Centro Operacional. Fizemos parte dele junto com o Ministério do Desenvolvimento Digital, Comunicações e Comunicação em Massa (Ministério da Comunicação), já que este órgão fornece a base digital de todo o respectivo trabalho, com o Ministério do Transporte, com o Serviço Federal de Vigilância na Área da Proteção dos Direitos do Consumidor e do Bem-Estar Humano (Rospotrebnadzor), com o Ministério do Interior (assuntos de migração), com o Serviço Federal de Segurança (assuntos fronteiriços). As decisões mais importantes quanto aos níveis aplicados de rigidez e alívio das restrições de deslocamento são tomadas, claro, com base nas opiniões e estimativas do Rospotrebnadzor, Ministério da Saúde e do Centro Operacional, presidido pela Vice-Primeira-Ministra, Tatiana Golikova, que também responde por assuntos relacionados com a saúde pública.

Pergunta: Quando foi que compreendemos que já havia, digamos, 250 mil pessoas a precisar de ajuda para retornar à Rússia?

Serguei Lavrov: Os turistas organizados foram trazidos de volta bastante rapidamente. Foram os turistas não organizados, e não somente turistas, que deram mais trabalho. As pessoas tinham chegado lá em virtude de assuntos mais diversos. Claro que a maioria era turistas.

Pergunta: Explique, por favor, a diferença entre turistas organizados e não organizados.

Serguei Lavrov: Nós não restringimos a saída do país. O turista organizado sempre tem bilhete de volta e garantias de uma empresa turística.

Pergunta: Ou seja, ele desloca-se em viagem com um determinado destino?

Serguei Lavrov: Um turista individual pode não ter bilhete de volta, porque não sabe quanto tempo vai querer passar lá. Estas pessoas são muitas, pode acreditar. Aliás, além das pessoas que viajaram simplesmente para passar o tempo, descansar, há um outro grupo muito grande de cidadãos russos que estavam no estrangeiro estudando, recebendo um tratamento médico prolongado ou tinham residência, e eis que eles pensaram que a infecção vinha piorar as condições da sua vida, digamos, nos EUA, em Nova Iorque. Assim, pensaram que era melhor voltar à Rússia por um tempo, cadastraram-se no portal Gosuslugi como desejosos de voltar. Nós garantimos o cumprimento das decisões tomadas conjuntamente pelo Centro Operacional, que são baseadas, antes de tudo, em avaliações da situação epidemiológica; a nossa função tem a ver com a organização da reunião, informação, embarque dos nossos cidadãos que voltam de outros países.

Pergunta: Pois não é tudo: reunião, informação, embarque? O que mais é preciso?

Serguei Lavrov: Primeiro, o voo propriamente dito. Na primeira etapa, a decisão foi tomada que 500 pessoas era o máximo que os voos de regresso podiam levar a Moscovo e região de Moscovo, e 200 pessoas era o máximo para outras regiões. Apesar de que a maioria das pessoas voltaram, restam aos menos duas dezenas de milhares de nossos cidadãos que ainda não pudemos repatriar, inclusive porque estão em lugares no estrangeiro pouco acessíveis para a aviação russa.

Pergunta: Onde?

Serguei Lavrov: Pode ser a Oceânia, algumas ilhas, as Filipinas. A América Latina, cujos lugares exóticos também com frequência se situam- longe da civilização.

Pergunta: Então, tem que reuni-los lá num só lugar?

Serguei Lavrov: Tem que se criar um “hub” de saída, e depois criar um “núcleo” de entrada na Rússia, de onde as respectivas regiões da Federação da Rússia iriam levar estas pessoas dando garantias, assegurando todos que os cidadãos retornados vão ser submetidos a medidas de quarentena necessárias. Isso é agora o trabalho mais difícil. No nosso Ministério, fazem-no o Centro Coordenador, que está a funcionar 24 horas por dia – e isso não é uma exceção – o Departamento do Centro das Situações de Crise, todos os Departamentos regionais, dependendo da região do mundo e do país, e, claro, o Departamento de Informação e Imprensa, porque todos estão na vanguarda.

Pergunta: Por que o Departamento de Informação e Imprensa?

Serguei Lavrov: De um lado, é o nosso porta-voz, e de outro, é o endereço do Ministério dos Negócios Estrangeiros para o qual qualquer cidadão, não somente do nosso país, mas de outros, pode encaminhar a sua proposta, solicitação ou exigência. Tudo acontece. Alguns elogiam, outros se queixam.

Pergunta: E como está organizado o trabalho de todo este grupo de coordenação no MNE? Formou-se espontaneamente?

Serguei Lavrov: Não, era por uma ordem minha. Foi assinada há muito, em meados de março. O trabalho é chefiado pelo Vice-Ministro. Todos os Departamentos que eu mencionei estão lá representados. Também estamos representados pelo Vice-Ministro no Centro Operacional presidido pela Vice-Presidente do Governo da Federação da Rússia, Tatiana Golikova, trabalhamos no Grupo Coordenador do Conselho de Estado, presidido pelo presidente da Câmara Municipal de Moscovo, Serguei Sobyanin.

Pergunta: O senhor esperava que houvesse tanta gente?

Serguei Lavrov: Para dizer a verdade, não me surpreendi. Sinceramente, podia ter ainda mais gente. Houve confusão com aqueles que, como eu disse, tinham saído para morar em residência permanente e de repente decidiram que era mais seguro voltar. Eis que começaram a ampliar as listas. Por exemplo, acabamos de preparar o regresso de cinco mil pessoas, e eis que aparecem mais dez mil nas listas.

Pergunta: Isso é algo que não compreendo. As pessoas tinham saído para morar com permanência nos EUA, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a Federação da Rússia, os levam para cá, para o território da Federação da Rússia, por conta da Federação da Rússia. Para que?

Serguei Lavrov: A conta não é exatamente da Federação da Rússia. Há certo preço de bilhete. Mais o Estado Russo paga 2.400 rublos diários (por cada adulto) a todos os registados no portal Gosuslugi correspondendo aos critérios estabelecidos.

São pessoas, é uma decisão sua, é a sua vida, afinal. Não vamos fazer perguntas. Ele ou ela tem o direito de voltar, são cidadãos russos.

Pergunta: Ou seja, não nos importa a nós?

Serguei Lavrov: Importa. Claro que queremos fazer com que as pessoas se sintam confortáveis. Repito, independentemente da decisão tomada antes, se uma pessoa acredita que precisa voltar para casa para garantir os seus interesses, quem pode impedi-lo? Eu acho que não se pode fazer isso.

Pergunta: Ou seja, nós consideramos um “nosso” qualquer pessoa que é, de uma maneira ou outra, cidadão ou uma cidadã da Federação da Rússia?

Serguei Lavrov: Existe somente uma possibilidade de ser um cidadão da Rússia – é possuir o passaporte.

Pergunta: E nós consideramos “nossos” todos eles, independentemente de possuírem um passaporte dos EUA, por exemplo?

Serguei Lavrov: Diz-se: “não abandonamos os nossos”. É o caso. Houve falhas. Sempre há tais casos. Quando um grande trabalho está a ser realizado, há falhas. Eu até senti muito gosto de…não estar muito surpreendido com isso. Eu sabia que na sua maioria, os nossos rapazes eram muito cordiais – mas em muitas Embaixadas, eles mostraram uma criatividade especial.

No Nepal, como já dizíamos, a equipa do Embaixador (eles têm um território bastante grande desde os tempos soviéticos) estabeleceu um acampamento de barracas para os turistas não organizados (montanhas, Himalaias) e as pessoas que não tinham os meios para alojar-se num hotel.

Pergunta: E eram alojadas assim em barracas?

Serguei Lavrov: Viviam nessas tendas. A nossa missão diplomática comprava alimentos por conta dos empregados.

Pergunta: Quer dizer, os empregados pagavam?

Serguei Lavrov: Sim.

Pergunta: Não era o Estado?

Serguei Lavrov: Agora, claro, já há uma organização, mas naquela altura, era necessário lançar o trabalho “do zero”. Ninguém imaginava a escala do problema. Ninguém tinha tratado antes de fazer voltar tanta quantidade de cidadãos.

Havia situações, por exemplo depois do tsunami na Tailândia, quando todos eram levados de lá. É um só país (vários balneários), um destino turístico. É verdade que naquela altura, havia voos charter com os nossos turistas chegando para lá. Alguns fugiam e outros viajavam para descansar, para não estragar as reservas.

Pergunta: Mas são quantidades de pessoas incomparáveis.

Serguei Lavrov: Claro. A Tailândia é uma das muitas dezenas de destinos de onde é necessário levar as pessoas. Vários milhares dos nossos cidadãos permanecem na Tailândia agora. Muitos deles optaram por não se arriscar.

Pergunta: Optaram por não voltar?

Serguei Lavrov: Pelo menos, optaram por aguardar lá que a situação termine, o período da pandemia.

Pergunta: Pois isso realmente depende da possibilidade, se a pessoa tem os meios para ficar no estrangeiro ou não.

Serguei Lavrov: Assim é.

Pergunta: Obviamente, moramos num país onde a maioria das pessoas não têm esta possibilidade.

Serguei Lavrov: Claro. A maioria das pessoas compra uma viagem com tudo incluído e que tem limites restritos em termos de prazos e serviços incluídos. Via de regra, não é muito dinheiro, mas para a maioria das pessoas estes gastos são bastante sérios, e se eles compraram esta viagem, qualquer atraso de regresso que excede as férias pagadas seria um problema grave. Por isso esta assistência que o Estado presta é algo muito importante.

Pergunta: Como o Estado – e o MNE da Rússia inclusive – avaliam a responsabilidade dos cidadãos? Os cidadãos saíram, compraram bilhetes, não será que deveriam pensar algo?

Serguei Lavrov: Esta categoria é unicamente moral. Enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, eu não posso avaliar isso, mas tenho a obrigação de cumprir a Constituição da Federação da Rússia.

Pergunta: A Constituição não diz que o senhor deve repatriar os cidadãos por conta própria.

Serguei Lavrov: Isso também é uma categoria moral. Enquanto uma pessoa física, eu posso ter minhas próprias considerações morais a respeito do quanto arriscado ou seguro era viajar para os países quentes na segunda metade de março, levando em conta que a escala da pandemia estava naquela altura definida por todos os media. Mas eu também tenho a minha atitude moral para com os rapazes que sem qualquer Constituição, só sendo pessoas, ajudavam a outras pessoas que ficaram sem dinheiro.

Nós já mencionámos várias vezes que mais de 60 alunos de escola russos foram parar nos EUA sem que qualquer estrutura russa tivesse sido notificada. Era uma ONG com a qual coopera a estrutura norte-americana que organiza cursos para estrangeiros. A ONG é usada para pagar certos gastos, as crianças são alojadas em famílias norte-americanas e recebem educação em vários estados, na periferia, em colégios e escolas. Havia mais de 60 crianças assim. Agora, se não me engano, só seis permanecem lá. Muitos desta categoria eram levados a Nova Iorque com a ajuda dos nossos diplomatas, comprando eles mesmos bilhetes de avião ou de comboio em vários casos.

Pergunta: Quer dizer que empregados da Embaixada da Rússia pagavam eles mesmos os bilhetes?

Serguei Lavrov: Sim. Sem ordem, sem portaria alguma.

Pergunta: Por que?

Serguei Lavrov: Porque era importante resolver este problema. Pode ser de outro modo? Crianças menores de idade permanecem numa família dos EUA. Quando a pandemia começou, às vezes as famílias norte-americanas diziam a um menino ou a uma menina: “Muito obrigado, te alojávamos quando tudo estava bem, agora a situação mudou, então nós cessamos de cooperar com este programa”.

Acho que aqui não há lugar à palavra “por que?”. Pois se trata de um simples desejo de ajudar. É digno de elogio e de encorajamento.

Pergunta: O senhor esperava tanto envolvimento dos nossos serviços diplomáticos e consulares?

Serguei Lavrov: Eu trabalhei no estrangeiro. Sei que há pessoas diferentes. Um diplomata médio normal com nervos ainda mal recuperados das cicatrizes provocadas pelos acontecimentos mundiais, costuma querer ajudar as pessoas que ficaram numa situação extraordinária.

Claro que ninguém podia prever a escala do desastre, e era impossível criar estruturas à escala estatal prevendo algo assim. Agora, claro, as conclusões serão feitas.

Pergunta: Que conclusões serão feitas?

Serguei Lavrov: Não sei. Antes de tudo, as conclusões devem tratar da nossa prontidão em caso de semelhante pandemia, especialmente por haver cada vez mais peritos a falar da possibilidade de uma segunda onda. Aqui, claro, os nossos epidemiologistas são os que devem tocar o “primeiro violão”, essencialmente no que diz respeito à garantia de funcionamento de estabelecimentos médicos respectivos na Rússia. A quantidade de hospitais construídos (que não são nada “temporários”), providos de um bom equipamento necessário, com os aparelhos necessários e com bastantes meios de proteção – isso será conservado, estou certo disso. Acho que vão se “reespecializar” entre os surtos, se houver uma segunda onda. É o essencial.

No futuro mais próximo, deverá ser tomada uma decisão a respeito da retomada da comunicação aérea, ferroviária e automóvel com o mundo externo. Estas decisões dependerão, claro, da experiência que estamos a obter.

Pergunta: O que o MNE vai fazer?

Serguei Lavrov: Nós, como o Ministério dos Negócios Estrangeiros, vamos prestar a informação sobre a situação epidemiológica nos países estrangeiros. O Ministério transmitirá estas informações para as estruturas russas que vão dar avaliações profissionais quanto a um nível de segurança ou perigo. Por exemplo, está a ser aberta a Europa, mas em virtude do número dos casos de infecção detectados, a Rússia, como os EUA e o Brasil, está considerada um país ao qual a Europa ainda não abre as suas fronteiras.

Pergunta: O Brasil é incrível. A situação nesse sentido lá é ruim. 

Serguei Lavrov: Falando dos infetados cá…

Pergunta: São oito mil casos diários.

Serguei Lavrov: Já são menos de oito mil, e o número está a diminuir. Mas o cálculo total são centenas de milhares. É muito. Porém, a taxa de mortalidade aqui é menor. Especialistas devem discutir isso no seu círculo, porque é importante termos uma estatística unificada. Agora, todos têm estatísticas diferentes: há as liberais (os casos letais são inscritos nesta categoria), há estatísticas com distinção de causas. Eu não posso ser um perito nisso. Vamos transmitir ao Governo da Rússia informações em tempo real sobre a situação no estrangeiro do ponto de vista da situação epidemiológica e do ponto de vista da abertura dos Estados estrangeiros ao mundo exterior.

Pergunta: Quando, a seu ver, se abrirão as fronteiras?

Serguei Lavrov: Não sei. Nós estamos a voltar para a vida normal, saindo do período de videoconferências, tendo realizado mais de quinze dessas, inclusive no âmbito de eventos tão grandes como as videoconferências dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da OTSC, CEI, OCX, Rússia-ASEAN. Eu já recebi presencialmente dois colegas meus: o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irão, Mohammad Javad Zarif, na semana passada, e nesta semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Bolivariana da Venezuela, Jorge Arreaza.

Eu mesmo viajei para o estrangeiro pela primeira vez em três meses, à Sérvia e à Bielorrússia. Ambas as visitas tinham sido planeadas ainda para março.

Pergunta: O senhor sabe que todos estão a viajar ao estrangeiro através da Bielorrússia? A Turquia acaba de abrir-se. A empresa aérea Belavia, a Air Turkey voam para lá.

Serguei Lavrov: Não podemos impedir as pessoas de usar esta possibilidade. Porém, claro, a tomada da decisão sempre deve ser acompanhada pela cautela e o bom senso.

Pergunta: Muitos países grandes também repatriavam os seus cidadãos dos “pontos quentes”. Em que o nosso método era diferente do alemão ou do norte-americano, por exemplo?

Serguei Lavrov: Ninguém levava gente de graça. Era oferecido um empréstimo ou um documento era emitido obrigando viajantes a pagarem ao regressar.

Cá, tudo era feito com respeito às possibilidades para alojar as pessoas em quarentena.

Pergunta: O senhor disse que por mais de três meses, todos existiam no sistema Zoom [nota do tradutor: Zoom é um aplicativo de videoconferências]: o mundo inteiro começou a comunicar-se à distância. O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, manteve e continua a manter reuniões à distância. Como tudo isso afetou o funcionamento do sistema estatal – e do MNE em particular?

Serguei Lavrov: Se semelhante pandemia tivesse acontecido há uns dez anos, nós ficaríamos numa situação mais difícil em termos do funcionamento normal do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Agora, isso aconteceu quando métodos contemporâneos de comunicação já estavam a ser aplicados a uma escala bastante ampla no funcionamento do MNE da Rússia e de outras estruturas federais e regionais. Não era muito difícil organizar este trabalho no regime online. Não havia dificuldades graves.

Pergunta: O senhor sentia-se um tanto inconfortável durante reuniões com o Presidente? Por via de regra o senhor costuma ir ao Kremlin para isso…

Serguei Lavrov: Não, não diria de algo fora de comum. Não tínhamos reuniões frente-a-frente; vimo-nos à distância através de monitores. Mas isso funciona bastante com bastante eficácia.

Claro que o contato pessoal não pode ser trocado, especialmente quando trata-se de negociações com parceiros internacionais que não são puramente formais. Há visitas (que chamaria de “visitas de cortesia”): uma pessoa lê o discurso sobre um bom estado das coisas cá, o outro lê o seu sobre um bom estado das coisas lá e termina com uma proposta de se mais no futuro. Estou um pouco a simplificar, mas existem visitas leves, que não implicam negociar e resolver um problema pendente agora. Quando há semelhantes problemas na agenda de negociações concretas, é difícil resolver isso em regime online. É preciso ver os olhos do seu interlocutor e não somente olhos no ecrã, mas os olhos vivos. Há coisas difíceis de serem confiadas a uma videoconferência mais protegida. Isso fica compreensível humanamente.

Acredito que quando tudo isso terminar (espero que aconteça em breve), continuaremos a utilizar alguns elementos deste trabalho, especialmente quando se trata de parceiros que teriam dificuldades logísticas e temporárias para chegarem, por exemplo, da América do Sul. É uma história: planeando as suas viagens estrangeiras, devem incluir três, quatro ou cinco países para não gastar quinze ou dezasseis horas para voos com um só destino.

Pergunta: O senhor não contraiu o coronavírus, verdade?

Serguei Lavrov: Graças a Deus, não.

Pergunta: Muitos empregados contraíram?

Serguei Lavrov: Há casos, várias dezenas.

Pergunta: No escritório central?

Ministro Lavrov: Também nas nossas representações territoriais nas regiões mais importantes da Federação da Rússia, onde há representação consular estrangeira grande. Cerca de quatro dezenas. A esmagadora maioria tem forma leve. Há um caso letal.

Pergunta: Um idoso?

Serguei Lavrov: 62 anos. A sua esposa é uma médica (não é um grande segredo), ela trabalhava na ambulância, pelo visto, era portadora sem sintomas.

Observamos com atenção as recomendações do Rospotrebnadzor, do Departamento de Saúde de Moscovo, inclusive a respeito do trabalho à distância. Cerca da metade dos nossos empregados começaram a trabalhar à distância desde o início e continuam assim.

Pergunta: E o senhor?

Ministro Serguei Lavrov: Eu devo visitar, assistir… Como todos, trabalho no meu escritório.

Pergunta: Quer dizer, o senhor nunca trabalhou à distância?

Serguei Lavrov: Não. Também estou a ser “espionado”. Não me comunico com muitas pessoas. Fazem-nos inspeções regularmente, umas vezes por semana. Disponibilizamos todos os meios de proteção individual aos visitantes. Mas agora há menos visitantes, pois tentamos resolver as questões por telefone. Obrigado por perguntar.

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