20:00

Briefing realizado pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, Moscovo, 26 de maio de 2021

1064-26-05-2021

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, discursa na Conferência sobre as relações Rússia-UE


Сomo anunciámos no nosso briefing anterior, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, discursa, no dia 31 de maio, na abertura da Conferência Rússia-UE organizada pelo Conselho dos Negócios Estrangeiros da Rússia em cooperação com a Embaixada de Portugal e a Delegação da UE em Moscovo. O discurso do Ministro será transmitido no website do MNE e nas suas contas nas redes sociais. 

O Ministro Serguei Lavrov, o seu homólogo português, Augusto Santos Silva, e o Embaixador da União Europeia na Rússia, Markus Ederer, abordarão as perspetivas das relações entre a Rússia e a União Europeia. 


Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, recebe a sua homóloga da Mongólia 


O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, receberá, no dia 1 de junho, a Ministra dos Negócios Estrangeiros da Mongólia, Batmunkh Battsetseg, que fará uma visita de trabalho à Rússia. Durante as conversações, serão abordadas detalhadamente as questões-chave da agenda bilateral, a implementação dos acordos alcançados ao alto e ao mais alto nível sobre o desenvolvimento de uma cooperação mutuamente vantajosa nos domínios comercial, económico, dos transportes e das infraestruturas, energético e humanitário e do estreitamento da cooperação no cenário internacional e nos assuntos regionais.

A visita de Batmunkh Battsetseg ao nosso país foi acordada durante uma conversa telefónica entre os chefes das diplomacias da Rússia e da Mongólia no dia 4 de fevereiro. Isso deu início às atividades conjuntas em comemoração aos 100 anos das relações diplomáticas entre a Rússia e a Mongólia (5 de novembro de 2021).

Durante a visita, haverá uma cerimónia de entrega a Ordem Aleksandr Nevski ao Presidente da Sociedade de Amizade "Mongólia-Rússia" e Herói da União Soviética e Herói da Mongólia, cosmonauta Jugderdemidiin Gurragchaa (que voou ao espaço como integrante de uma tripulação mista entre os dias 22 e 30 de março de 1981). Jugderdemidiin Gurragchaa foi condecorado em março deste ano pela sua grande contribuição para o desenvolvimento de uma parceria estratégica abrangente entre os nossos dois países.

Batmunkh Battsetseg chefiará também a delegação mongol ao Fórum Económico Internacional de São Petersburgo (entre os dias 2 e 5 de junho deste ano).


Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, participa no Conselho Ministerial dos BRICS


O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, participará, no dia 1 de junho, numa reunião de pleno dos Ministros dos Negócios Estrangeiros dos BRICS por videoconferência.

Os Ministros trocarão opiniões sobre questões prementes da agenda internacional, incluindo a problemática do reforço das instituições internacionais, conflitos regionais, combate a novos desafios e ameaças, incluindo a COVID-19, e da cooperação entre os países do G-5 em fóruns multilaterais.

A reunião pretende abordar o estado e as perspetivas da cooperação entre os cinco países no ano da presidência indiana dos BRICS em três áreas principais - política e segurança, economia e finanças, e laços humanitários.

Apoiamos as prioridades da presidência indiana sob o lema "15º Aniversário dos BRICS: Cooperação Pentalateral para a Continuidade, Cooperação e Consenso". Entre elas constam o reforço da eficácia do sistema multilateral, a cooperação antiterrorista, a utilização de soluções digitais e tecnológicas para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, bem como o reforço dos contatos humanitários e culturais. Partilhamos a disponibilidade da presidência de dar impulso à cooperação na área de saúde e aumentar o papel das mulheres na economia.

Como já é tradição, a reunião ministerial será precedida pela reunião de sherpas e sous-sherpas dos países do grupo BRICS. 


Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, reúne-se com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional da República do Djibuti, Mahamoud Ali Youssouf


O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, recebe, no dia 8 de junho, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional da República do Djibuti, Mahmoud Ali Youssouf, que fará uma visita de trabalho a Moscovo entre os dias 7 e 9 de junho.

Durante as conversações, serão abordadas as questões do reforço da cooperação russo-djibutiana nas esferas política, comercial, económica e humanitária, assim como nas áreas de investimento e de ensino, além da hipótese de implementação de projetos conjuntos no Djibuti.

Os Ministros terão uma circunstanciada troca de opiniões sobre questões candentes da agenda regional e global, com enfoque na procura de soluções para desbloquear crises no continente africano, particularmente no Corno de África. Vários aspetos dos preparativos para a segunda cimeira Rússia-África, que será realizada em 2022 num país africano, serão também considerados.


Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, participa no Fórum Internacional "As Leituras Primakov” 


Mais uma edição anual do Fórum Internacional «As Leituras Primakov” realizar-se-á nos dias 8 e 9 de junho no World Trade Center, em Moscovo. Este ano, o seu tema é "Desafios atuais à ordem mundial".

Espera-se que o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, participe na sessão matinal no dia 9 de junho e exponha as avaliações da atual situação internacional e abordagens para com a solução dos problemas regionais e globais prementes. Também se espera que responde às perguntas dos participantes em regime de discussão interativa.

O Fórum “As Leituras Primakov" ocupa, com razão, um dos lugares de destaque entre os fóruns sociais e políticos sobre os problemas das relações internacionais não só no nosso país, mas também no mundo em geral. O evento reúne anualmente renomados peritos, políticos e diplomatas russos e estrangeiros. Dadas as restrições epidemiológicas, a presente edição do Fórum será realizada em formato híbrido, com participações presenciais e online. 


Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, participa na reunião do Grupo de Visão Estratégica "Rússia - Mundo Islâmico" 


O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, participará, no dia 9 de junho, na reunião do Grupo de Visão Estratégica “Rússia - Mundo Islâmico” com os chefes das missões diplomáticas dos Estados membros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) acreditados em Moscovo. 

O governador do Tartaristão (república federada da Rússia) e presidente do Grupo, Rustam Minnikhanov, e os integrantes do Grupo partilharão informações sobre as atividades realizadas desde a reunião anterior com os embaixadores dos países da OCI: fóruns, conferências e festivais, trabalhos com a comunidade empresarial, jornalistas, clérigos e jovens, cujo objetivo geral é promover a cooperação em diversos domínios entre a Federação da Rússia e os Estados membros da Organização de Cooperação Islâmica. Serão anunciadas atividades que se realizarão num futuro próximo: a sessão plenária do “Grupo Visão Estratégica” a ter lugar em Jeddah (Reino da Arábia Saudita), Fórum Económico Internacional "Rússia - Mundo Islâmico: Kazan Summit 2021" e o projeto científico e cultural "Museu-Instituto de Cultura Islâmica de São Petersburgo”. Haverá entrega do prémio internacional Evgueni Primakov criado pelo Grupo. 

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, fará um discurso de boas-vindas. 


São Petersburgo recebe Fórum Económico Internacional 


Entre os dias 2 e 5 de junho, São Petersburgo receberá a XXIV Edição do Fórum Económico Internacional. Nos anos decorridos, o Fórum tornou-se num palco mundial de contatos de comunidades empresariais e de discussão de questões económicas fundamentais enfrentadas pela Rússia, pelos países emergentes e pelo resto do mundo. 

O principal programa do Fórum está dividido em quatro temas: "Juntando Forças para o Desenvolvimento", "Objetivos Nacionais do Desenvolvimento: Das Tarefas aos Resultados", "O Homem na Nova Realidade. Respondendo aos Desafios Globais" e "Tecnologias que Ampliam Horizontes". O tema principal do evento é "Juntos outra vez. Economia da Nova realidade". 

À margem do Fórum, serão realizados diálogos internacionais com representantes de comunidades empresariais de África, Alemanha, Itália, Qatar, América Latina, América do Norte, Finlândia, França, Suécia, Japão, e o diálogo UEE-ASEAN. 

A programação do evento inclui mais de 130 discussões de peritos e abrange uma vasta gama de tópicos relacionados com diversos sectores económicos. O programa prevê um pequeno-almoço para representantes de empresas farmacêuticas intitulado “Saúde como Investimento: indústria farmacêutica em parceria com o Estado e sociedade”, um pequeno-almoço oferecido pelo banco Sberbank e um pequeno-almoço IT.

Este ano, o país convidado do Fórum é o Qatar. Terá uma das maiores delegações de sempre na história da sua participação em fóruns económicos internacionais. Representantes de 50 organizações do Qatar chegarão a São Petersburgo para participar no Fórum. O programa empresarial prevê discussões sobre o desenvolvimento das relações comerciais, económicas e culturais entre a Rússia e o Qatar. Além disso, será realizado um diálogo empresarial sob o lema "Rússia-Qatar", uma discussão de alto nível sobre o desenvolvimento das possibilidades de investimento.

Como já é tradição, o Fórum apresentará a Classificação Nacional do Clima de Investimento nas regiões da Rússia. Os participantes irão também discutir um programa de eventos para o lançamento de um novo ciclo de investimento que o Governo da Federação da Rússia está a elaborar em conjunto com as associações empresariais e de peritos interessados em 2021.

No âmbito do Fórum, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia juntamente com a agência noticiosa "Rossiya Segodnya" oferecerá um pequeno-almoço dedicado à aplicação da legislação russa sobre meios de comunicação social estrangeiros na Rússia. Planeamos realizar, em ambiente informal, uma discussão franca com representantes dos meios de comunicação social nacionais e estrangeiros, da comunidade de peritos, do corpo diplomático estrangeiro e da sociedade civil. 

O Fórum será realizado com medidas rigorosas de segurança sanitária, cuidadosamente elaboradas pelo Comité Organizador de acordo com os requisitos da OMS, para evitar a propagação da infeção pelo novo coronavírus (COVID-19). Serão criadas todas as condições necessárias a um trabalho produtivo, estabelecimento e desenvolvimento de contatos empresariais e possibilidade de participar num rico programa de atividades culturais, desportivas e de recreação.

As Informações sobre todos os eventos do Fórum podem ser consultadas no seu website oficial.


Começou a evacuação de cidadãos russos presentes na Faixa de Gaza


Em conformidade com uma ordem do Presidente da Federação da Rússia, a evacuação dos cidadãos russos que vivem na Faixa de Gaza começou esta manhã. O primeiro grupo de russos que se declararam desejosos de sair da Faixa de Gaza já chegou ao Egito. São 64 pessoas no total - principalmente mulheres e crianças. Neste momento, elas estão a caminho do Aeroporto Internacional do Cairo onde estão a ser aguardadas por um avião do Ministério das Emergências da Rússia para os trazer de volta a Moscovo.

A situação humanitária em Gaza, que se deteriorou muito em resultado de mais um confronto armado violento entre Israel e a Palestina, continua a ser extremamente difícil. Neste contexto, a Missão Russa junto da Autoridade Nacional Palestiniana e a Embaixada Russa no Egito estão a considerar a evacuação do segundo grupo dos nossos compatriotas.


Políticos ocidentais comentam incidente da Ryanair


Prestámos atenção aos comentários feitos pelos nossos parceiros ocidentais acerca do incidente, tentando “relacioná-lo” com a Rússia. Ainda não há três dias que o incidente ocorreu, ainda não foi concluída a investigação, ainda não foram recebidas explicações de especialistas em aviação encarregados de investigar o caso, mas os nossos parceiros ocidentais já tiraram unanimemente conclusões precipitadas e como sempre sem fundamento. Não vou repetir a nossa reação oficial a estes acontecimentos. Gostaria de salientar que estamos concentrados em haver uma investigação objetiva e minuciosa diferente da que os nossos parceiros ocidentais estão acostumados a fazer com base no princípio de "highly likely” (muito provável). Além disso, começaram as especulações sobre a inexistente "mão de Moscovo". 

Aqui estão algumas citações:

O Primeiro-Ministro checo, Andrej Babis, declarou imediatamente após o incidente: “De acordo com a informação disponível, quatro cidadãos russos estavam a bordo do avião, e é muito provável que eles tenham muito a ver com este ato incrível”. Depois, concluiu que estes homens saíram do avião para ficar no território da Bielorrússia. 

As personalidades oficiais estão a criar uma tendência para combinar factos com falsificações de uma forma espantosa. Depois tudo isso é difundido através dos meios de comunicação social e recebe interpretações fantásticas. 

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, abordou duas vezes sobre este tema quente: "Não temos a convicção de que seja esse o caso (que a Rússia teve qualquer papel no desvio desse avião). Não dei nenhuma indicação de que tínhamos esta opinião ontem, e isso não mudou. <...> Eu não estava a tentar chegar a esta conclusão, apenas a dizer que tem havido uma relação estreita (entre a Rússia e a Bielorrússia). O nosso Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, também manifestou as nossas grandes preocupações com estas ações do governo da Bielorrússia junto do seu colega russo durante a sua conversa telefónica esta manhã (24 de maio)". 

Notámos que a estreita relação entre a Rússia e a Bielorrússia é particularmente enfatizada neste contexto. A existência do Estado União Rússia-Bielorrússia foi uma revelação. Mais vale tarde do que nunca. Cada um percorre o seu próprio caminho para obter o conhecimento.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Dominic Raab, disse: "Este incidente não poderia ter acontecido sem, pelo menos, o consentimento tácito de Moscovo", enquanto o seu colega francês, Jean-Yves Le Drian, foi mais cauteloso nas suas declarações: " Não podemos ter a certeza absoluta. Imagino que a iniciativa tenha sido tomada de forma autónoma. Mas também vejo que a falta de reação da Rússia é equivalente a um apoio”. 

O presidente da comissão de política externa do parlamento alemão, Norbert Rottgen, disse: "Devemos, pelo menos, ter em conta o facto de o avião ter sido desviado com o consentimento do Kremlin, se não com o apoio da Rússia”. 

Li muitos comentários, muitos comentários não me surpreenderam, mas existe algum limite de decência e ética profissional. A UE e a NATO possuem centros de análise. Se não conseguem formular claramente as suas conclusões, encontrar factos, então peçam ajuda às estruturas as quais têm patrocinado ativamente, especialmente nos últimos anos. Elas vão redigir para vocês conclusões mais adequadas. O que ouvimos é, por um lado, uma salva coordenada semelhante a um surto de histeria e, por outro, uma absoluta falta de coordenação na apresentação de factos. 

O "pseudo-governo no exílio" bielorrusso chegou ao ponto de dizer que quatro cidadãos russos desembarcaram em Minsk. Os seus “curadores” ocidentais tomaram nota da notícia, posteriormente divulgada pelos meios de comunicação ocidental. Não houve nenhuns russos a abandonar o avião. Foram dadas todas as explicações, foram avançados os nomes dos cidadãos bielorussos e gregos que realmente desceram do avião e de uma russa da qual já falámos. 

Como tais declarações foram feitas, aqueles que inventaram a história dos "russos que deixaram a aeronave" cometeram um erro. É óbvio terem estado a cumprir uma missão. Não é tempo de pedirem desculpa, darem uma explicação, dizerem que fizeram um erro e tiraram conclusões precipitadas e que isso não voltará a acontecer? Assim fazem as pessoas quando cometem erros fatuais.


UE prorroga o regime de sanções contra “ataques cibernéticos” por mais um ano (até 18 de maio de 2022)


Consideramos a decisão do Conselho da UE de prorrogar as medidas restritivas contra ataques cibernéticos que ameaçam a União Europeia ou os seus Estados membros por mais um ano como passo pouco construtivo e politicamente motivado contra a Rússia.

A manutenção de mecanismos de sanções na área de tecnologias de informação e comunicação é um atavismo no contexto de um diálogo internacional aprofundado, aberto, inclusivo e democrático entre Estados a todos os níveis sobre a criação de um sistema global de segurança da informação internacional, inclusive através da elaboração de regras de conduta universais para prevenir conflitos na área de segurança da informação internacional e para resolver mal-entendidos.

Acreditamos que este passo não corresponde à declarada disponibilidade da UE para reforçar a cooperação internacional nesta área. Pelo contrário, cultiva a desconfiança total e é um instrumento de pressão política sobre os países. A ideia de "sanções cibernéticas" como medida necessária para alcançar os objetivos da Política Externa e de Segurança Comum da UE cultivada por Bruxelas não é convincente e leva a crer que estamos a assistir a uma nova ronda da "caça às bruxas" em que à ordem mundial baseada nas regras ocidentais se contrapõe um "inimigo (ou inimigos) coletivo" que pode ser responsabilizado sem fundamento pelas atividades maliciosas no ciberespaço. A Federação da Rússia tem defendido consistentemente a utilização do espaço de informação para fins pacíficos em plena conformidade com os princípios do direito internacional universalmente reconhecidos e consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular o não-uso ou não-ameaça de uso da força, a não-ingerência nos assuntos internos de outros Estados e o respeito pela soberania dos Estados.

A Rússia está pronta para um diálogo construtivo e aberto. Para este fim, já no ano passado propusemos à UE que se estabelecesse uma cooperação direta entre especialistas na matéria que pudessem resolver todas as questões, o mais rapidamente possível.

Infelizmente, a nossa iniciativa ficou sem resposta.


Assembleia Geral da ONU reúne-se em sessão especial contra a corrupção


A Assembleia Geral da ONU reúne-se, entre os dias 2 e 4 de junho, em sessão especial contra a corrupção. O evento realiza-se em formato híbrido, de acordo com a resolução 73/191 da Assembleia Geral, com vista a discutir os problemas mais significativos relacionados com a corrupção e as medidas para combater esta ameaça e reforçar a cooperação internacional anticorrupção. A Federação da Rússia será representada por Oleg Syromolotov, Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros. 

No final da reunião, será adotada uma declaração política que foi previamente aprovada pela Conferência dos Estados Partes da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. O trabalho sobre o projeto de documento no âmbito do processo intergovernamental durou cerca de um ano. O documento cobre todos os principais aspetos do combate à corrupção de acordo com a estrutura da Convenção, incluindo as questões da prevenção, criminalização, cooperação internacional e recuperação de bens. 

O importante é que a declaração reconhece a existência de lacunas nas normas do direito internacional que rege a identificação, apreensão, confiscação e devolução dos bens roubados aos países de origem. Chegou-se a um entendimento comum sobre a necessidade de reforçar o regime jurídico internacional para a devolução de bens e foram delineados outros passos práticos neste sentido. 

O documento aborda igualmente outros tópicos prioritários para a Federação da Rússia, incluindo o aumento da eficácia da cooperação internacional na prevenção da corrupção, a utilização de tecnologias modernas para detetar delitos de corrupção e a educação e divulgação em matéria de anticorrupção. Por iniciativa do nosso país, o documento contém uma disposição sobre a necessidade de proteger o desporto da corrupção por meio de coordenação dos esforços dos Estados de uma forma abrangente e imparcial, principalmente no âmbito das Nações Unidas, com especial enfoque no desporto infantil e juvenil.

A sessão especial será transmitida em direto no canal web das Nações Unidas e será acompanhada por uma série de eventos temáticos especiais. 

Em particular, a Procuradoria-Geral da Rússia organizará um painel de discussão sobre o tema "Cooperação Internacional na Prevenção da Corrupção". Maiores informações sobre a sessão especial está disponível no website do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.


Ponto da situação na República do Mali


Os militares prenderam, no dia 24 de maio, em Bamako, capital da República do Mali, o Presidente e o Primeiro-Ministro de transição do Mali, Bah Ndaw e Moctar Ouane, respetivamente. Estão atualmente detidos na guarnição militar de Kati.

Gostaria de recordar que, no dia 18 de agosto de 2020, um grupo de militares liderado pelo coronel Assimi Goita havia deposto a liderança do país, incluindo o Presidente Ibrahim Boubacar Keïta. Mais tarde, foram criadas autoridades interinas, tendo o ex-Ministro da Defesa, Bah Ndaw, sido nomeado Presidente de transição. Foi formado um governo de transição chefiado pelo Primeiro-Ministro, Moctar Ouane. O cargo de Vice-Presidente foi entregue ao líder do golpe de Estado, Assimi Goita. 

No dia 14 de maio, o Presidente Bah Ndaw demitiu o governo, incumbindo Moctar Ouane de formar um novo governo a fim de preparar e realizar atempadamente as eleições gerais agendadas para fevereiro de 2022.

De acordo com relatórios recebidos, o motivo para a detenção da liderança interina do país foi a decisão de Moctar Ouane de retirar os militares dos cargos de ministros da defesa e segurança no novo governo. Segundo o Vice-Presidente Assimi Goita, o Presidente não coordenou as suas ações com ele em violação das disposições da Carta Transitória, principal documento destinado a regular a situação no país antes das eleições gerais.

Moscovo está preocupada com os acontecimentos no Mali. Exortamos à libertação dos dirigentes de transição do Mali e à busca de uma solução política para a situação vivida no país. 

Consideramos importante imprimir uma dinâmica progressiva ao processo de regresso da situação no país às normas constitucionais com base num diálogo inclusivo a nível nacional e dar continuidade aos preparativos para o referendo constitucional, previsto para 31 de outubro deste ano, e eleições democráticas gerais, marcadas para 27 de fevereiro de 2022, com a assistência da CEDEAO e da União Africana.

Consideramos necessário que os malianos continuem a implementar coerentemente o Acordo de Paz de Argel que continua a ser uma base para o alcance de uma paz duradoura neste país e que não tem alternativa. 

A Rússia continuará, inclusive como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a participar construtivamente nas medidas internacionais para normalizar a situação no Mali, bem como a apoiar Bamako individualmente.


EUA pretendem manter a sua presença militar na Síria


Prestámos atenção às declarações do Chefe do Comando Central dos EUA, Kenneth McKenzie, sobre a suposta necessidade de manter a presença militar dos EUA no território da Síria por longo período, sob o pretexto da ameaça da reintegração do EIIL. Gostaríamos de notar que, por alguma razão, Kenneth Mackenzie escondeu do público o facto de as unidades do exército americano estarem no território sírio sem permissão de Damasco, o que torna ilegítima a sua presença militar no país. 

Além disso, ao afirmar que os militares dos Estados Unidos tiveram um papel exclusivo na luta contra o EIIL e impediram que o agrupamento retomasse as suas atividades no território sírio, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos está mais uma vez a mentir. Gostaríamos de recordar aos nossos parceiros que os esforços da Rússia, que desempenhou um papel decisivo na destruição do foco do terrorismo internacional na Síria, permitiram expulsar o EIIL e outros grupos terroristas das regiões chave do país. 

No Centro de Informação de Bagdade, Moscovo, Bagdade, Teerão e Damasco continuam a reforçar a coordenação e cooperação antiterrorista entre as suas forças armadas. Um fator da estabilização não menos importante é a cooperação dos líderes iraquianos e sírios no combate aos restos dos grupos terroristas na fronteira entre os dois países. 

Ao mesmo tempo, as tentativas do Pentágono de ficar ilegalmente na Síria sob o pretexto de combater o terrorismo não contribuirão, na nossa opinião, para a normalização da situação na região. Os americanos têm aí objetivos completamente diferentes, incluindo os ligados aos jazigos de hidrocarbonetos no Trans-Eufrates.


Ministro da Defesa britânico faz declarações antirrussas


Outro representante das estruturas de força do Ocidente coletivo, o Ministro da Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, fez declarações anti-russas, apelidando a Rússia de "adversário que representa a ameaça número um" para o Reino Unido. 

Este governante britânico é conhecido como um dos "anti-fãs" mais consistentes do nosso país no governo do Reino Unido. No entanto, como sempre, a sua assertiva retórica antirrussa carece de quaisquer factos concretos. 

Da nossa parte, gostaríamos de recomendar aos "estrategas" britânicos que abandonem as suas atividades destrutivas e desestabilizadoras perto das fronteiras do nosso país. Esperamos também que Londres tenha maturidade política suficiente para fazer uma análise mais realista do que está a acontecer no mundo e lidar com desafios reais e não imaginários ao seu país. Deixem de viver com a sensação de serem interminavelmente ameaçados. Gostaria de lhes dizer: "Pensem positivo".


Supremo Tribunal Administrativo da Lituânia anulou a decisão de proibir as transmissões do RTR-Planeta 


O Supremo Tribunal Administrativo da Lituânia anulou, no dia 12 de maio, a decisão da Comissão Nacional de Radiodifusão e Televisão de 2018 de proibir, por um período de 12 meses, a retransmissão do RTR-Planeta. Também foi revogada a decisão da instância inferior que tinha confirmado a proibição. 

O motivo foram os factos de violações por parte dos próprios comissários. Como se verificou, alguns dos comissários não tinham o direito de ocupar os seus cargos por trabalharem simultaneamente nos meios de comunicação social. Isto significa que o quórum exigido, ou seja, 2/3 dos membros da Comissão, para proibir a retransmissão do canal e impor uma multa à operadora responsável pela retransmissão do canal de televisão na Lituânia não foi garantido. 

Constatamos que a decisão ilegal foi anulada. Ao mesmo tempo, não podemos deixar de assinalar o nível de cinismo e politização de todos os processos relativos aos meios de comunicação social na Lituânia em geral e aos veículos de comunicação russos em particular. Este caso confirma de forma eloquente que as autoridades lituanas assumem uma posição tendenciosa em relação aos meios de comunicação russos na Lituânia, facto do qual temos falado muitas vezes. 

Sublinhamos mais uma vez que a posição da liderança de Vilnius, que resulta em perdas reputacionais da Lituânia, segue na esteira da política destrutiva de Bruxelas em relação à Rússia e dos ataques aos meios de comunicação russos que são infundadamente acusados pela liderança da UE de propaganda, desinformação e outros pecados.

Tais ações são inadmissíveis. Gostaria de recordar que se trata dos meios de comunicação e dos jornalistas. Proibições, difamações e rotulagem são as coisas que caracterizam negativamente os países e as estruturas internacionais que os impulsionam. Este é um aspeto muito importante. Porque pode haver medidas de retaliação que, por vezes, é a única forma de evitar restrições ainda maiores. Por outro lado, há iniciativas para utilizar todas estas ferramentas para suprimir a dissidência.

Usando o exemplo da Lituânia, gostaríamos de exortar as autoridades da Letónia e Estónia vizinhas e de outros países da UE a deixarem de atacar os meios de comunicação russos e a abandonarem as suas ações ilegais contra eles, porque tudo isto (para além de destoar de toda uma série de disposições) prejudica a reputação destes países. Podemos ver qual é o resultado da aventura empreendida na Lituânia. 


Atividades de manutenção de sepulturas e memoriais de guerra no estrangeiro em 2021


Ultimamente, temos recebido muitas perguntas relacionadas com as atividades de manutenção de sepulturas e memorias de guerra russos no estrangeiro realizadas este ano, inclusive com a participação do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, e representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. 

Em praticamente todos os briefings, relatamos detalhadamente o que estamos a fazer neste sentido. Gostaria agora de fazer uma exposição abrangente, confirmada com números e factos. 

A lei russa confia ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russo uma vasta gama de responsabilidades pela organização e realização de atividades de manutenção de memoriais de guerra no estrangeiro. Em particular, os funcionários das missões diplomáticas e repartições consulares russas controlam o estado de todos os locais de sepultamento dos militares russos (soviéticos) fora do território da Federação da Rússia que morreram cumprindo o seu dever militar. Estas atividades são realizadas sistematicamente e têm como resultados práticos a preservação dos memoriais militares russos (soviéticos) localizados em países estrangeiros em bom estado de conservação. 

Como já tínhamos relatado anteriormente, apesar das medidas restritivas tomadas no estrangeiro para combater a propagação da infeção pelo coronavírus (COVID-19) em 2020, as nossas embaixadas e consulados conseguiram realizar a maior parte dos trabalhos de reparação, restauro e beneficiação planeados e organizar, inclusive, a reparação de monumentos emblemáticos do nosso país como "Soldado de Bronze” em Tallinn (Estónia) e "Alesha" em Plovdiv (Bulgária), e concretizar o projeto de instalação de placas memoriais no cemitério militar soviético de Zvolen (Eslováquia), com mais de 11 mil (11327) nomes de soldados soviéticos tombados nos combates em toda a região de Banská Bystrica, na Checoslováquia.

Em 2021 planeamos realizar trabalhos de reparação e beneficiação em cerca de 250 cemitérios, lotes de cemitérios, valas comuns e enterros individuais no estrangeiro. Também planeamos renovar cerca de 25 monumentos localizados fora dos cemitérios. 

Estamos a concluir a terceira e última fase da renovação abrangente do principal cemitério soviético em Leusden, nos Países Baixos. Os ativistas holandeses avançaram a iniciativa de criar um pequeno museu onde a história deste lugar poderia ser estudada. Esta proposta está atualmente a ser considerada. Até ao final de 2021, planeamos concretizar um projeto conjunto do Ministério do Interior e do Ministério da Defesa da Rússia para imortalizar a memória da tripulação soviética de um hidroavião da série "Catalina", que se despenhou em 1944 perto da comuna norueguesa de Hasvik. Também planeamos iniciar a implementação prática da ideia de erguer no Luxemburgo um monumento aos trabalhadores forçados soviéticos empregados na indústria pesada local durante a Segunda Guerra Mundial. 

Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com a Sociedade Histórica Militar Russa para criar um mapa interativo de memoriais e monumentos russos (soviéticos) no portal “Local da Memória”. No primeiro trimestre deste ano, a Embaixada da Rússia na Letónia terminou de colocar no mapa todas as instalações situadas no seu distrito consular. Neste contexto, gostaríamos de salientar em especial que existe um link à lista das pessoas ali enterradas. As nossas representações diplomáticas em Berlim, Varsóvia, Chisinau e muitas outras estão a trabalhar ativamente neste sentido.

Gostaria de chamar mais uma vez a vossa atenção para o portal "Local da Memória”. Os senhores poderão ver com os seus próprios olhos os resultados do trabalho das nossas representações no estrangeiro. 

Mais uma vez, gostaria de agradecer a todas as pessoas atenciosas de todo o mundo, tanto de nacionalidade russa como de outros países, a sua ajuda. Elas ajudam-nos e oferecem-se para ajudar. Temos muitos exemplos de ajuda e atitude atenciosa. As pessoas escrevem-nos, quando encontram factos sobre os locais de sepultamento dos nossos compatriotas tombados durante a Segunda Guerra Mundial. Informam-nos sobre a situação dos monumentos nos locais onde não há missões russas. Oferecem-se para ajudar-nos e apresentam as suas visões sobre como realizar melhor estas atividades. Com profundo respeito e gratidão inclinamo-nos diante de vocês! Muito obrigada! 

Gostaria de salientar que as vossas mensagens não são esquecidas nas nossas embaixadas. As vossas mensagens não só são consideradas, mas fazem parte de um trabalho de grande envergadura e muito importante. Não pensem que o vosso desejo de nos ajudar não têm eco em nós. Claro que têm. Obrigada!


Vandalizado o monumento “Cruz Russa” na cidade de Bitola, na Macedónia do Norte


O ato de vandalismo perpetrado a 24 de maio contra o monumento "Cruz Russa" na cidade de Bitola, na Macedónia do Norte, é uma vandalização da história comum dos nossos países.

Gostaríamos de recordar que este memorial, dedicado ao cônsul imperial russo Aleksandr Rostkovski, foi erguido em 2003 por iniciativa dos habitantes de Bitola por ocasião do 100º aniversário da sua trágica morte.

Partilhamos a indignação do público da Macedónia do Norte e esperamos que as autoridades da Macedónia do Norte investiguem o caso e que os responsáveis venham a receber a punição que merecem.


Ponto da situação do coronavírus


Consideramos as vacinas desenvolvidas por cientistas russos contra a infeção pelo coronavírus como contribuição do nosso país para os esforços globais para vencer a pandemia. Consideramos que a imunização da população mundial é uma tarefa fundamental e reafirmamos a nossa abertura para cooperar com todas as partes interessadas no combate à pandemia de forma não discriminatória e transparente.

A vacina russa Sputnik V foi atualmente registada em 66 países, tornando-se a segunda vacina com o maior número de aprovações no mundo. 

O mapa de distribuição da Sputnik V tem cerca de 35 países. Está a ser dada especial ênfase à transferência de tecnologia para aumentar a produção da vacina no estrangeiro, de modo a satisfazer as necessidades de exportação. Alguns países como a Argentina, Bielorrússia, Índia, Cazaquistão e Sérvia já começaram a produzir a vacina russa, outros estão prestes a começar. Foram assinados acordos com empresas do Egito, China, República da Coreia e Turquia. Muitos outros parceiros estrangeiros mostram-se interessados em cooperar connosco na produção da vacina. 

Estão em curso trabalhos para incluir a vacina Sputnik V no Procedimento da Lista de Uso de Emergência da OMS, bem como para a registar junto da Agência Europeia de Medicamentos.

Estamos convencidos de que o imunizante russo que tem uma taxa de eficácia comprovada de 91,6% e protege totalmente contra o curso grave da doença, está legitimamente incluído no conjunto das vacinas mais procuradas do mundo contra a infeção pelo coronavírus. Reiteramos que estamos abertos à cooperação com todas as partes interessadas no que se refere aos fornecimentos deste produto, estudos da sua eficácia e à possibilidade de localização da produção no estrangeiro. 

As tendências patenteadas na situação da COVID-19 esta semana são praticamente as mesmas das relatadas no briefing anterior. De acordo com as estatísticas da Organização Mundial de Saúde disponíveis até ao dia 25 de maio, o mundo tem 166,3 milhões de infetados pelo coronavírus, atingindo o aumento médio diário de casos positivos cerca de meio milhão de pessoas. 

Num discurso recente, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reiterou a necessidade de todas as nações se mostrarem solidárias tanto na distribuição de mais vacinas como na partilha de dados científicos e tecnologia, a fim de combater eficazmente a COVID-19, as suas variantes detetadas ou previstas. Partilhando este ponto de vista, chamamos a atenção para a inadmissibilidade de politizar o tema da saúde. 

A vacina russa Sputnik V continua a posicionar-se firmemente como um dos imunomoduladores mais seguros e mais procurados. É fornecida a um preço competitivo, muitas vezes gratuitamente (do qual falamos frequentemente) se a Rússia receber os respetivos pedidos dos seus parceiros. O pedido mais recente deste tipo, por exemplo, chegou da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

Tendo em conta a situação sanitária e epidemiológica ainda difícil de prever, gostaríamos de pedir novamente aos cidadãos nacionais que planeiam viajar ao estrangeiro que meçam os prós e os contras e tenham em conta que a situação pode mudar radicalmente, como vimos em muitos países nos últimos meses. O inesperado endurecimento das medidas de quarentena e dos bloqueios pode vir a ser uma surpresa desagradável para os turistas e implicar dificuldades logísticas no que respeita ao regresso à Rússia (o "encerramento" de países já se tornou comum). Também não devem esquecer-se dos riscos elementares da infeção pela COVID-19, incluindo as estirpes perigosas do vírus que se estão a propagar velozmente por todo o mundo.


Relações diplomáticas entre a Federação da Rússia e a República do Haiti completam 25 anos  


As relações diplomáticas com a República do Haiti foram estabelecidas no dia 2 de junho de 1996, ganharam, desde o início, um carácter construtivo e amigável e estão a ir bem, apresentando novas oportunidades e vertentes. 

A história do Haiti atraiu sempre a atenção da Rússia. É um país com uma história rica e complexa. Percorreu o difícil caminho: do colonialismo à independência, tornando-se o primeiro país da região a alcançar a soberania em 1804.

Hoje, o Haiti enfrenta novos desafios decorrentes de uma longa instabilidade política interna. Estamos conscientes dos desafios enfrentados pelo país e estamos a seguir de perto como o país os debela. Através de canais bilaterais e no âmbito da Representação Integrada das Nações Unidas no país, estamos a prestar possível assistência aos nossos amigos haitianos na manutenção da estabilidade política, na manutenção de um ambiente pacífico e na defesa dos direitos humanos. Estamos sempre prontos a dar uma mão de ajuda como fizemos durante as calamidades naturais.

Os nossos dois países cooperam no cenário internacional, na promoção de candidatos às eleições no sistema da ONU. Estamos unidos pela nossa fidelidade aos princípios do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas, incluindo o respeito pela soberania e a não-interferência nos assuntos internos.

A Rússia está aberta ao diálogo e à cooperação com o Haiti, o que foi reafirmado durante a conversa telefónica do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros (agora Primeiro-Ministro) do Haiti, Claude Joseph, no dia 30 de março. Como país membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, continuaremos a trabalhar para fazer com que a assistência das Nações Unidas resulte na verdadeira normalização da situação no Haiti e no reforço da sua soberania e independência.

Pergunta: O chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, declarou que Londres iria considerar a possibilidade de introduzir sanções contra os projetos Nord Stream 2 e Yamal-Europa por causa do incidente do avião da Ryanair na Bielorrússia, no qual a Rússia, segundo ele, pode também ser envolvida. Como o MNE da Rússia avalia esta declaração?

Porta-voz Maria Zakharova: Vimos estas declarações do Secretário para os Assuntos Externos do Reino Unido, Dominic Raab, avaliando o incidente com o pouso urgente de um avião no aeroporto de Minsk, a 23 de maio.

Não nos surpreenderam. É a famigerada lógica britânica, o modo de pensar de Londres oficial. Temos que constatar, mais uma vez, que a política externa do Reino Unido deixou, na última década, de ser racional, tornando-se refém da russofobia dos protegidos das elites políticas britânicas. Infelizmente, estes ataques impedem, na etapa atual, de serem ouvidas as vozes dos políticos que apelam ao diálogo pragmático com Moscovo. Nós percebemos muito bem que esta política conjuntural não serve os interesses dos povos do Reino Unido. Repito, é a elite política e os seus representantes.

Gostaria de reiterar: qualquer ação adversa à Rússia terá inevitavelmente uma resposta adequada e rígida. E toda a responsabilidade pelas consequências negativas no âmbito das relações bilaterais será do lado dos iniciantes do confronto.

Pergunta: Aconteceu em Riga o incidente com a troca da bandeira estatal da Bielorrússia, que contou com a participação do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia e do prefeito de Riga. Como Moscovo encara tais ações?

Porta-voz Maria Zakharova: Moscovo já comentou esta situação. O acontecimento foi qualificado de indignante.

Quanto ao incidente com a troca da bandeira russa, já colocámos um comentário a este respeito no nosso site. Podem ter acesso a esta informação.

Vou citar aqui as teses principais. Como sabem, as autoridades de Riga retiraram do centro da cidade, onde foram instaladas as bandeiras nacionais dos países participantes da Copa do Mundo de hóquei, a bandeira estatal da Federação da Rússia. A bandeira tricolor russa foi substituída pela bandeira do Comité Olímpico da Rússia.

Antes de tudo, isso é um desrespeito descarado aos símbolos estatais da Rússia. Tomámos, em virtude disso, atitudes respetivas em Moscovo e em Riga, indicando a nocividade de semelhantes provocações para a edificação das relações bilaterais.

Infelizmente, estas manipulações indignantes cabem perfeitamente na política abertamente russófoba das altas autoridades letãs. As tentativas de reduzi-las a ações de funcionários municipais não convencem. Referir-se a decisões de organismos internacionais desportivos proibindo o uso da bandeira da Rússia na Copa do Mundo não faz sentido: estas restrições dizem respeito somente em lugares destinados aos eventos desportivos. Aliás, os próprios representantes de Riga falavam disso ao justificar a sua decisão de colocar a bandeira russa nas ruas das cidades. Isso não tem explicação.

Cria-se a impressão de que os nossos vizinhos letões tentam aproveitar-se de tudo para conquistar o seu lugar nas fileiras dos Estados não amigos da Rússia. Se tal for a escolha consciente da parte letã, vamos fazer as conclusões necessárias.

Pergunta: Há algumas informações a respeito da situação em torno da cidadã da Rússia, Sofia Sapega, detida a 23 de maio em Minsk junto com Roman Protasevich, acusado de extremismo pelas autoridades bielorrussas?

Porta-voz Maria Zakharova: A Embaixada da Rússia em Minsk acompanha atentamente a situação da cidadã russa e presta-lhe auxílio. A 25 de maio, o cônsul russo obteve das autoridades bielorrussas a autorização de se encontrar com Sofia Sapega, que naquele mesmo dia parou à prisão preventiva do Comité de Segurança de Estado da Bielorrússia. A russa informou que se sente bem. Não apresentou queixa de ações incorretas. Pediu auxílio na solução de algumas questões cotidianas, o que foi feito.

Em 25 de maio, a Embaixada russa recebeu uma portaria oficial do Procurador Geral da Bielorrússia, informando que, em virtude das suspeitas de delito comum por Sofia Sapega, foi colocada em prisão preventiva de dois meses. De acordo com a legislação bielorrussa, a acusação oficial deve ser apresentada dentro de dez dias após a detenção, caso contrário, a detida deverá ser libertada.

Os diplomatas russos mantêm o contato com os familiares e com o advogado da nossa cidadã e vão continuar a prestar todo o apoio necessário para defender os seus direitos.

Pergunta: Na manhã de 12 de maio, as Forças Armadas do Azerbaijão empreenderam uma provocação, cruzando a fronteira estatal da Arménia na zona do lago Negro, na província de Syunik. O Azerbaijão fica a ignorar os apelos da comunidade internacional, não somente mantendo as suas Forças Armadas no território da Arménia, mas empreendendo novas ações ilegítimas. Em 25 de maio, um tiroteio que começou após o ataque do inimigo na zona fronteiriça do povoado de Verin Shorzha da província de Gegharkunik, foi mortalmente ferida a subsargento V. Khurshydyan. Dois copresidentes do Grupo de Minsk da OSCE, os EUA e a França, exigem expressamente a retirada das forças azeris do território soberano da Arménia. Qual é a postura da Rússia enquanto copresidente do Grupo de Minsk da OSCE?

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, declarou, ao comentar a crise na fronteira arménio-azeri que as partes chegaram a um acordo, sem mencionar que acordo é esse. De que acordo se trata?

O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, disse em uma discussão: “Nós, da nossa parte, estamos prontos a reconhecer as fronteiras da Arménia. Mas a Arménia também deve reconhecer Nagorno-Karabakh como parte do Azerbaijão”. Antes, as negociações mantinham-se no formato do Grupo de Minsk, sendo a questão de Artsakh um elemento da agenda, e agora o Presidente Aliev declara que a Arménia deve reconhecer Nagorno-Karabakh como parte do Azerbaijão. Como a senhora avalia esta declaração?

Porta-voz Maria Zakharova: As suas perguntas estão interligadas, por isso, se permitir, vou responder em complexo.

Os copresidentes do Grupo de Minsk, representantes da Rússia, dos EUA e da França, tratam exclusivamente da solução do conflito em Nagorno-Karabakh. Isso está consignado no mandato outorgado pela OSCE. Na Declaração de 13 de abril do ano corrente, o trio dos copresidentes destacou a “necessidade de considerar com atenção especial as vias de chegar à solução definitiva, abrangente e sustentável” do conflito em Nagorno-Karabakh. Neste sentido, encaminhou-se ao Azerbaijão e à Arménia o apelo de “retomar, o quanto antes, o diálogo político de alto nível, sob a égide dos copresidentes”. As questões que exigem esforços adicionais foram destacadas. Eis algumas delas:

-o retorno dos prisioneiros de guerra e outras pessoas detidas, de acordo com o Direito Humanitário Internacional;

-a troca de todos os dados necessários para a desminagem nas zonas afetadas pelo conflito;

-o levantamento das restrições de acesso a Nagorno-Karabakh, inclusive para representantes das organizações humanitárias internacionais;

-a proteção e a defesa do património religioso e cultural;

-o fomento dos contatos diretos e da cooperação entre as comunidades afetadas pelo conflito;

-o reforço da confiança entre as pessoas.

Quero sublinhar que o formato de copresidentes tem um amplo apoio internacional. É neste âmbito que se deve proceder à solução política do conflito em Nagorno-Karabakh. Como se sabe, as divergências entre Baku e Yerevan continuam graves, especialmente no que toca a Nagorno-Karabakh. Após os notórios acontecimentos de setembro-novembro de 2020, ambos os países estão agora a enveredar pelo caminho de restabelecimento do diálogo normal e da confiança mútua.

A Rússia está a empreender ativamente os esforços de mediação no intuito de normalizar as relações entre a Arménia e o Azerbaijão, para estabilizar a situação no Sul do Cáucaso, para transformar esta região numa zona de prosperidade. Os pacificadores russos garantem a paz e a segurança em Nagorno-Karabakh. O Grupo de Contato trilateral, copresidida pelos Vice-Primeiros-Ministros da Rússia, do Azerbaijão e da Arménia, está a desbloquear as vias de transporte e as relações económicas na região. A parte russa está ativamente envolvida também na solução do incidente na fronteira azeri-arménia, ajudando a reduzir as tensões. Mantemos contatos regulares com Baku e com Yerevan aos níveis superior e alto. Funciona a comunicação operativa entre os militares e os serviços fronteiriços, as entidades responsáveis pela política externa.

O incidente na fronteira não é diretamente relacionado com o problema de Nagorno-Karabakh. A causa principal é a ausência do reconhecimento da fronteira azeri-arménia pelo direito internacional, legado esse ainda dos tempos soviéticos.

Partimos da premissa de que tais situações podem ser resolvidas por meio das negociações de paz. Vemos, como uma solução duradoura, o lançamento do processo de delimitação da fronteira azeri-arménia, com a demarcação posterior. A Rússia está pronta para ajudar neste processo.

Pergunta: Há uns dias, o Ministério da Cultura da Ucrânia incluiu, a pedido do Serviço de Segurança da Ucrânia, seis autores e atores do filme russo “Ponto de passagem” na sua “lista negra” de sanções. Antes, estas mesmas pessoas, como outros atores e representantes da cultura russa, apareceram no site ucraniano Mirotvorets. Por favor, comente as ações das autoridades ucranianas em relação aos cidadãos russos, personalidades de cultura que fazem cinema. O filme “Ponto de Passagem. Uma História de Militares” é baseado em acontecimentos reais. Como as palavras de representarem ameaça à segurança nacional da Ucrânia cabe no direito internacional e corresponde ao bom-senso?

Porta-voz Maria Zakharova: Uma breve história do assunto. A 17 de maio, o Ministério da Cultura e da Política de Informação da Ucrânia, a pedido do Serviço de Segurança Nacional, incluiu na lista de pessoas que ameaçam a segurança nacional três atores russos, além do diretor, cinegrafista e compositor da trilha sonora do filme “Ponto de Passagem. Uma História de Militares”. Ao mesmo tempo, os seus nomes apareceram quase de imediato no notório site Mirotvorets. Parece que os serviços especiais da Ucrânia fizeram mala-direta, enviando materiais para todos. No entanto, as alterações introduzidas na lei ucraniana sobre o cinema depois do golpe de Estado postulam que “a Agência Estatal do Cinema da Ucrânia recusa a autorização estatal de direito de divulgação e demonstração de filmes ou anula a autorização respetiva já emitida se um dos participantes do filme for uma pessoa singular que consta da lista de pessoas que ameaçam a segurança nacional”.

Acompanhámos este “drama do drama”. Pois, como a senhora observou com toda a razão, o drama cinematográfico da cineasta Vera Sokolova é baseado na história real dos marinheiros russos, Aleksandr Baranov e Maksim Odintsov, que foram capturados pelo Serviço de Segurança da Ucrânia e passaram três anos (de novembro de 2016 a setembro de 2019) na prisão ucraniana. O roteiro para o filme foi criado pelo reconhecido advogado russo I. Soloviev, participante imediato da sua libertação das prisões do Serviço de Segurança ucraniano e chefe, naquela altura, do escritório do Defensor dos Direitos Humanos na Federação da Rússia.

Infelizmente, tais ações da Ucrânia enquadram-se perfeitamente na sua política de censura política e de controlo rígido da consciência dos seus cidadãos. A proibição do novo filme russo é um dos elementos da campanha de grande escala do Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, de limpeza no campo mediático do país. A Ucrânia contemporânea está a tornar-se a cada vez mais parecida com o Estado totalitário na obra de George Orwell “1984”, com o seu “Ministério da Verdade” a destruir os materiais dos media e as obras de ficção que possam por em causa a impecabilidade da política das autoridades.

Por assim dizer, escolheram o caminho para ir à Europa, tendo dado, porém, uma virada no sentido errado. E agora, o poder nacionalista (chamemos as coisas pelos seus nomes) governante na Ucrânia está a fazer o mesmo. Fecha os canais de TV independentes que tentavam dar avaliações objetivas dos acontecimentos nacionais e internacionais, persegue jornalistas e políticos que ousam ter um ponto de vista próprio. Proíbe livros e filmes que refletem acontecimentos históricos, materiais, revistas, publicações, toda a produção mediática e de ficção qualificada como ameaça à segurança nacional, como a senhora disse com toda a razão.

Ninguém sabe o que é que é a “segurança nacional ucraniana”. Só sabem todos que existe um leque de medidas punitivas, de estruturas, de ferramentas de seleção dos que não ameaça e de quem ameaça a segurança nacional ucraniana. O mundo já viu isso. Não é nenhuma novidade. Não há nada de novo nisso. A novidade é que todos achávamos que todo o conjunto de convenções dos direitos humanos, dos documentos, de tudo o que visa proteger o homem e a sua opinião deveriam trazer a humanidade para um novo patamar de evolução neste sentido, mas, infelizmente, resulta que o passado não deixa de pesar.

É de surpreender que não só se proíbe aquilo que tem a ver com o contexto histórico, a respeito do qual as autoridades ucranianas, como já percebemos, tem uma visão própria, mas também se proíbe aquilo que nada tem a ver com a história, com a política, com as opiniões sociais e políticas. Citámos muitos exemplos.

As autoridades ucranianas atuais estão a manter uma política nacional-linguística rígida que visa suprimir a língua russa e a cultura russa – básicas para a maioria esmagadora dos cidadãos ucranianos – da vida do país. Destrói-se a diversidade linguística e o espaço multicultural sem precedentes, que se desenvolviam por muitos séculos no território do país. E faz-se isso violando a Constituição da Ucrânia, as normas e os princípios internacionais registados nos documentos da OSCE, do Conselho da Europa e da UNESCO.

Não iremos deter-nos só na ficção – não é só Orwell que surge na memória. Há paralelos ainda mais tristes. Na Alemanha nazista, as autoridades lavravam “listas negras” de livros contrários à ideologia do nacional-socialismo para queimá-los depois. Esta semelhança dos dois regimes preocupa ainda mais se considerarmos que hoje na Ucrânia ganham vulto e frequência as manifestações neonazistas, que se tornam cada vez mais agressivas. O essencial não é tornarem-se mais agressivas, mas o facto de as autoridades não poderem ou ficarem relutantes de controlar isso tudo. Simplesmente não se dá. Já falámos disso também: o “monstro” nacionalista ultrapassa em algum momento os seus criadores, o que é exatamente aquilo que está a acontecer. A cada ano, ocorrem marchas comemorativas do colaboracionista nazi Stepan Bandera, consagram-se nomes dos criminosos nazistas às ruas e locais de infraestrutura civil. A 28 de abril deste ano, teve lugar em Kiev uma marcha glorificando a 14a divisão granadeira da SS, a Galitchina. A marcha teve a proteção da polícia, não se detinham participantes, a manifestação não foi parada. Já a condenação formal por parte das autoridades só chegou depois da reação internacional por parte daqueles que ficam frequentemente a apoiar a Ucrânia em todas as suas intenções, iniciativas e realizações políticas. Mas neste caso, deixaram de resignar-se, deixaram de “fechar os olhos”.

Não acho que tal é a “democracia”, tais são os “valores” e o modo de vida com os quais os cidadãos da Ucrânia sonharam ao apoiar ou aceitar o golpe de Estado em fevereiro de 2014.

Pergunta: Como a senhora já notou hoje ao comentar a situação com o avião da Ryanair em Minsk, os parceiros ocidentais começaram a transmitir e a impor a hipótese de inexistente “mão” do Kremlin nesta situação. O Ocidente coletivo iniciou ativamente a campanha de condenação e de apelos no sentido de cancelar os voos sobre a Bielorrússia, além de introduzir sanções. É de notar que, de acordo com a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a Rússia também foi alvejada, uma vez que, segundo disse, “a Rússia é o maior vizinho da Bielorrússia”, que estes países “têm relações estreitas, permanecendo vizinhos e importantes parceiros comerciais”. Ela declarou também que Moscovo estaria a “desafiar os valores e os interesses da União Europeia por meio de sabotagem, desinformação e ataques cibernéticos”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia avalia isso como uma ação premeditada que visa procurar pretexto para novas sanções e pressão contra a Rússia e a Bielorrússia? Como a Rússia vai reagir aos ataques dos parceiros ocidentais?

Porta-voz Maria Zakharova: Separemos estas duas perguntas. Eu já comentei a nossa avaliação acerca da reação do Ocidente. Mas é crucial compreender que os demais acontecimentos, formulados por iniciativa do Ocidente coletivo ou já programados, não afetam a tendência geral e a trajetória desse pensamento russófobo. Nós já percebemos, em termos gerais, para onde os caciques deste Ocidente coletivo querem conduzir todos os que se alinham com eles: para a contenção do nosso país (com a política das sanções), para a intervenção máxima nos nossos assuntos internos, etc. Nós já contámos isso muitas vezes. Por isso, mesmo se acontecer algo neutro, mas relacionado com a Rússia ou até mesmo não relativo a ela, o Ocidente não deixará as tentativas de relacionar isso ou de usar nos seus interesses.

A segunda parte da pergunta trata da investigação do incidente no céu da Bielorrússia. Começaram a falar: “A Rússia apoia Minsk”, “A Rússia não apoia Minsk”, “A Rússia apoia o Ocidente”, “A Rússia não apoia o Ocidente”. A Rússia apoiou a investigação que deve determinar o que é que aconteceu. Deve-se levar em conta os factos já divulgados e os que poderão ser apresentados.

Tais investigações fazem-se regularmente, já que o mundo não é perfeito, infelizmente.

A respeito de muitas investigações, chegamos a saber enquanto a comunidade, pessoas comuns, leitores, cidadãos de um país interessado. Já a respeito de muitas investigações, não ficámos a saber por não serem de ampla escala. Mas tanto as empresas aeronáuticas, como as autoridades do país e os donos do aeroporto, de uma estrutura privada envolvida neste acontecimento, devem realizar tais investigações. Podem ser longas, podem ser rápidas, mas em qualquer caso, qualquer incidente aéreo deve ser sujeito a uma investigação normal. Eu não sou uma especialista da ICAO, em segurança aérea internacional, mas nós sabemos que há um grande número de tais casos. Não vou listá-los todos agora, não vou contar dos parâmetros principais de tais investigações. Não acontecem somente de forma regular, quase diariamente. Acontecem eventos que exigem investigações respetivas que são feitas.

A questão é por quê este caso deveria ser uma exceção. Há alguma justificação para não considerar este acontecimento do ponto de vista da investigação no contexto da segurança aérea e segurança de voos, senão do ponto de vista exclusivamente político? Quem decidiu substituir a investigação baseada nas leis e regras existentes por declarações políticas, pela horrível vozearia que ouvimos agora?

Mais do que isso, vejam um dos exemplos que eu acho indignante: o comunicado da própria empresa aérea. Pois primeiro, seguia um aspeto, e depois foi alterado após pressão das declarações políticas dos Estados e blocos da UE e da NATO. Por isso torno a sublinhar: nós apoiamos a investigação abrangente, baseada em factos, que leve o tempo necessário e que seja realizada por especialistas.

Quero destacar mais uma vez aquilo que foi omitido, como por ordem, pelos media dos países cujos líderes faziam todas essas declarações. Pois não foi por acaso que Minsk declarou a prontidão para realizar tal investigação, a abertura total e o desejo de aceitar os especialistas internacionais na Bielorrússia. O que pode ser mais lógico e legal do que começar tal investigação precisamente pelas ações sugeridas por Minsk? Nisso está a essência da nossa postura. É esta área que deve ser tratada.

Pergunta: Consta do relatório do departamento orçamental do Congresso dos EUA que o uso e a modernização das forças nucleares vai custar aos EUA 634 mil milhões de dólares no período entre 2021 e 2030. “As maiores despesas estão relacionadas com os mísseis balísticos dos submarinos e com os mísseis balísticos intercontinentais. Aliás, planeia-se gastar 23 mil milhões de dólares mais para a modernização dos laboratórios e instalações de produção obsoletas do Departamento de Energia, cruciais para a substituição dos armamentos e das ogivas nucleares atuais”. Considerando este aumento, qual é a posição da Rússia a respeito deste passo dos EUA e como este passo da parte norte-americana vai afetar o Tratado de Redução de Armas Estratégicas?

Porta-voz Maria Zakharova: O Tratado START russo-norte-americano não proíbe às partes modernizar e substituir os seus armamentos estratégicos ofensivos se respeitarem os limites quantitativos e algumas outras restrições previstas pelo Tratado. Por isso o facto por si só de Washington estar a realizar tal modernização dos seus armamentos nucleares e do complexo respetivo não contradiz às obrigações internacionais dos EUA.

Não obstante, não deixamos de acompanhar atentamente os esforços dos EUA nesta área, inclusive o aumento do seu financiamento – antes de tudo, para comprovar a correspondência das medidas tomadas por Washington às tarefas de estabilidade estratégica.

Quanto ao Tratado START, a parte russa tem, com efeito, pretensões concretas e justificadas ao modo de seu cumprimento pelos representantes de Washington. Isso não é, porém, ligado à modernização do complexo nuclear, mas ao reequipamento de alguns meios de armamentos estratégicos, empreendido pelos EUA. A maneira da sua realização não nos deixa comprovar que estes meios perderam a capacidade de serem usados para armas nucleares, conforme o Tratado. Insistimos que a parte americana cumpra rigorosamente todas as obrigações assumidas no âmbito do START. Este trabalho será continuado.

Pergunta: Divulga-se na Eslováquia a notícia alegando que a Federação da Rússia tenciona ampliar a dita “lista de Estados não amigáveis”. A Eslováquia deve recear a entrada nesta lista por causa de ser o primeiro Estado da União Europeia a apoiar a República Checa na história das “explosões em Vrbetice”?

Porta-voz Maria Zakharova: Gostaria de lembrar a história da dita “lista de Estados não amigáveis”. Foi a resposta às ações semelhantes por parte dos Estados Unidos da América. Não é algo teórico, nem filosófico. É uma resposta concreta a ações concretas. Como as autoridades russas sublinhavam, nós ficamos muito a tempo a esperar, a aguardar que os parceiros “pusessem em ordem” a si mesmos e as suas declarações em conformidade com aquilo que dizem em público com aquilo que transmitem através dos canais bilaterais. Havíamos dado muitas oportunidades de recarregar e não “sobrecarregar” efetivamente as relações, assim como para promover meios menos enfáticos e mais eficazes de progresso nas relações e nos contatos bilaterais. Tratámos de tudo.

Ao vermos que a tendência não somente continuava, mas ganhava intensidade, a resposta respetiva foi dada. Naquele momento, Praga também se manifestou “ativa” e foi parar nesta lista.

É a resposta a ações concretas, e não uma lista que vive a sua vida, desconectada da realidade. Há ações concretas e há respostas concretas a estas ações. Em qualquer caso, ao formular a nossa resposta, temos em linha de conta aquilo que deve ser mais eficaz, conveniente e pragmático.



Para obter mais materiais

  • Fotos

Galeria de fotos
  • 1064-26-05-2021-1.jpg

1 из 1 fotos do álbum

Corretamente as datas especiais
Ferramentas adicionais de pesquisa