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Ministro Serguei Lavrov fala com a imprensa após reunir-se com o seu homólogo chinês, Wang Yi Guilin, 23 de março de 2021

540-23-03-2021

Senhoras e senhores,

Tenho um grande prazer de estar neste belo lugar, admirando a natureza única desta província. Gostámos muito das paisagens. No entanto, garanto que isso não nos impediu de conversar de forma extremamente construtiva e concreta. A nossa reunião decorreu, como já é tradição, num ambiente de amizade e confiança. 

Reiterámos claramente que a Rússia e a China, apesar da pandemia da infeção pelo coronavírus, continuam a manter uma cooperação estreita e frutífera em áreas práticas, no cenário internacional, de facto, em todas as vertentes identificadas como prioritárias durante os contactos entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente chinês, Xi Jinping.

Continuaremos a reforçar as nossas relações de parceria global e interação estratégica. Debatemos detalhadamente as formas de estreitar a nossa cooperação prática no contexto das atuais restrições epidemiológicas. 

Dispensámos especial atenção à preparação de contactos russo-chineses de alto e mais alto nível. Entregámos aos nossos parceiros uma proposta de declaração conjunta dos Chefes de Estado por ocasião do 20º aniversário do Tratado de Boa-Vizinhança, Amizade e Cooperação entre a Federação da Rússia e a República Popular da China.

Passámos em revista, a partir das posições idênticas, as questões-chave da agenda atual. Moscovo e Pequim defendem que as relações entre os Estados se baseiem nos princípios do respeito mútuo, tenham em conta os interesses um do outro e se assentem na justiça e não-interferência nos assuntos internos. Rejeitamos jogos geopolíticos de "soma zero" e os métodos de sanções ilegítimas unilaterais praticados cada vez com maior frequência pelos nossos colegas ocidentais. 

A nossa opinião comum é que a interação russo-chinesa no cenário internacional continua a ser um importantíssimo fator dos assuntos mundiais. Destacámos o caráter destrutivo das intenções dos EUA de minar a arquitetura jurídica internacional baseada no papel central da ONU, utilizando as alianças militares e políticas da época da Guerra Fria e criando novas alianças do gênero. Sublinhámos que, face às tentativas ativas do Ocidente de promover o seu conceito de "ordem mundial baseada em regras", os esforços conjuntos da Rússia, da China e de um amplo grupo de outros países para preservar o sistema atual de direito internacional estão a tornar-se cada vez mais relevantes.

Elogiámos o nível de coordenação bilateral em diferentes fóruns multilaterais como a ONU, G20, OCX, BRICS, RIC, APEC, Cimeira do Leste Asiático e outras estruturas de cooperação regional baseadas na ASEAN. Abordámos os preparativos para uma cimeira dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU proposta pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e apoiada pelo Presidente Xi Jinping.

Como disse o Ministro Wang Yi, assinámos uma declaração conjunta, que reflete as posições da Rússia e da China sobre questões tão relevantes como a democracia, os direitos humanos, o direito internacional e a necessidade de abordagens coletivas para com os problemas mundiais. 

Assinámos um plano anual de consultas entre os Ministérios dos Negócios Estrangeiros dos dois países. O documento prevê numerosos contactos durante este ano a nível de vice-ministros, diretores de departamentos com vista a uma discussão detalhada de uma vasta gama de questões da agenda global e regional.

Gostaria de manifestar mais uma vez, em nome da nossa missão, os nossos sinceros agradecimentos aos nossos colegas chineses pela sua hospitalidade e pelo bom trabalho conjunto. 

Pergunta: Como é que a Rússia pretende retirar-se do uso dos sistemas de pagamento internacionais controlados pelo Ocidente? O país tem alguns acordos concretos com a China sobre a criação de um sistema comum em contrapeso aos sistemas ocidentais? O que poderia ser utilizado como base para este sistema: o russo "Mir" ou o chinês "Union Pay"?

Ministro Serguei Lavrov: Temos vindo a trabalhar nesta área há já bastante tempo. Temos o nosso próprio sistema de mensagens financeiras. As autoridades financeiras competentes da Rússia e da China pretendem alargar a sua utilização.

Há já vários anos que tentamos realizar cada vez mais desembolsos recíprocos em moedas nacionais. O respetivo mecanismo existe e está a funcionar bem. Temos vindo a adotar a prática de desembolsos em moedas nacionais nas trocas comerciais com outros grandes parceiros nossos. 

Este é o imperativo da época. Aqueles que criaram o atual sistema monetário e financeiro mundial decidiram, por alguma razão, que não estão satisfeitos com a forma como outros países, em particular a China, estão a utilizar este sistema. No entanto, a China está a bater o Ocidente no seu próprio território. É por isso que os EUA reagem desta maneira. O ministro Wang Yi falou disso detalhadamente. Não se pode fazer negócios no mundo por meio de ultimatos e sanções e forçar os outros países a comportar-se da forma como se espera que se comportem. Temos um provérbio que diz:  "O amor não pode ser forçado". Infelizmente, os EUA não o aprenderam e agem de forma contrária. 

Estou convencido de que a Rússia e a China farão os possíveis para serem seguras e não serem ameaçadas por países que assumem posições inamistosas em relação aos nossos dois países. Isto diz igualmente respeito às formas de comércio, desembolsos recíprocos e a todo o resto que nos torna mais fortes.

Pergunta (traduzida do chinês e endereçada a Wang Yi): As vacinas chinesa e russa são exportadas para dezenas de países. Existe uma especulação infundada de que a China está a promover a "diplomacia das vacinas" enquanto a Rússia está a tentar aumentar a sua influência. Tem algum comentário sobre este assunto? 

Ministro Serguei Lavrov (acrescentado depois de Wang Yi): Estou completamente de acordo com aquilo que Wang Yi disse. Desde o início da pandemia, a Rússia e a China têm sido um modelo de abertura, cooperação e ajuda mútua. Esta cooperação continua, inclusive na produção e distribuição de vacinas. As nossas respectivas instituições estão em contacto sobre esta matéria. 

A 22 de março deste ano, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, realizou uma reunião dedicada à produção e distribuição de vacinas. Defendeu claramente que nestes assuntos todos se norteiem unicamente por razões de humanidade e de salvar vidas, e não por razões geopolíticas ou comerciais para vencer a concorrência. Todos, incluindo os nossos parceiros no Ocidente que tentam retratar a Rússia e a China como aventureiros da "diplomacia das vacinas", ao arrepio da verdade, devem ter isto em mente. 

Pergunta: A China e a Rússia estão sob sanções dos países ocidentais, dos EUA e da UE. Têm planos de trocar experiência de combate a estes desafios? É justa a afirmação de que a tensão nas relações de ambos os países com as potências ocidentais os está a forçar a aproximarem-se cada vez mais um do outro?

Ministro Serguei Lavrov: Quanto às sanções e às reações da Rússia e da China a estas restrições unilaterais ilegítimas, hoje já falámos sobre isto. Somos unânimes em considerar que estes métodos são inaceitáveis na vida internacional. Salientámos várias vezes esta nossa atitude, inclusive na Declaração Conjunta que assinámos. Estou convencido de que, o documento a ser aprovado pelos nossos líderes por ocasião do 20º aniversário do Tratado de Boa-Vizinhança, Amizade e Cooperação entre a Rússia e a China, fará uma referência clara e inequívoca a este assunto. 

Para além das abordagens de princípio estipuladas nos documentos públicos, trabalhamos em estreita colaboração com muitos países das Nações Unidas para fazer frente a estas práticas. Gostaria de recordar que a ONU tem um Relator Especial sobre restrições unilaterais. Este é já um passo prático bastante sério para dizer que políticas como esta são inaceitáveis. Os EUA, a Europa e o Ocidente, em geral, estão, de facto, a substituir a diplomacia, a qual estão a desaprender, por estas medidas destinadas a impor aos outros as suas regras. Para eles, a ordem mundial deve basear-se nestas regras e não no direito internacional. A aplicação de sanções é uma das formas destas regras. 

Não é para fazer frente a alguém que a Rússia e a China se juntam. O nosso país está geograficamente localizado na vasta extensão do continente euroasiático. A China é o nosso bom vizinho, tal como a União Europeia. Temos estado sempre interessados em promover relações em todos os azimutes. A Europa rompeu as suas relações connosco, tendo destruído todos os mecanismos criados ao longo de muitos anos. Na Europa, só restam apenas alguns países que são os nossos parceiros e que querem guiar-se pelos seus interesses nacionais. 

Isto faz objetivamente com que a cooperação da Rússia com a China se esteja a desenvolver mais rapidamente do que aquilo que resta das nossas relações com os países europeus. Sublinho que não temos relações com a UE como organização. Toda a sua infraestrutura foi destruída por decisões unilaterais de Bruxelas. Se e quando os europeus considerarem conveniente acabar com esta anomalia nos contactos com o seu maior vizinho, estaremos prontos a estreitar as nossas relações em pé de igualdade e com base na procura de um equilíbrio de interesses. Neste momento, na vertente ocidental não há mudanças, enquanto que, no Leste, a nossa agenda está a ficar cada vez mais cheia. 


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