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"EUA não têm o direito moral para ensinar os outros a observar os direitos humanos", diz porta-voz Maria Zakharova Moscovo, 26 de fevereiro de 2021

377-26-02-2021


Ministro Serguei Lavrov está a reunir-se com o seu homólogo afegão


Neste momento, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, está a receber o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Afeganistão, Hanif Atmar. 

Entre os assuntos em pauta estão alguns aspetos das relações bilaterais, inclusive a sua vertente comercial e económica, bem como a busca de um acordo de paz no Afeganistão e o combate às ameaças do terrorismo e do tráfico de droga.


Ministro uzbeque fará visita à Rússia 


Nos dias 1 e 2 de março, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão, Abdulaziz Kamilov, fará uma visita à Federação da Rússia, durante a qual será recebido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

Durante a reunião, os ministros passarão em revista a cooperação bilateral nas áreas política, comercial, económica, cultural e humanitária e dispensarão especial atenção à preparação para a assinatura de atos bilaterais interestatais, intergovernamentais e interministeriais durante a próxima visita de Estado do Presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, à Rússia.

Também serão debatidos os planos das duas diplomacias face a 2ª Reunião da Comissão Rússia-Usbequistão copresidida pelos Chefes de Governo dos dois países e a 22ª Reunião da Comissão Intergovernamental Rússia-Uzbequistão de Cooperação Económica previstas para este ano, bem como o apoio recíproco no combate à propagação da infeção pelo novo coronavírus.

Os ministros pretendem igualmente trocar opiniões sobre a situação regional e a possibilidade de uma contribuição coordenada para a pacificação do Afeganistão, bem como debaterão várias outras questões de interesse comum. 


Ministro Serguei Lavrov reunir-se-á com o seu homólogo abcázio


No dia 3 de março, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, deverá encontrar-se com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Abcásia, Daur Kove, que estará em Moscovo para uma visita de trabalho. Durante a reunião, os ministros trocarão opiniões sobre questões-chave das relações bilaterais e da coordenação das atividades dos dois países no cenário internacional.

As relações de amizade entre os dois países baseiam-se nos princípios de aliança e parceria estratégica, têm uma boa moldura jurídico-institucional e não são afetadas pela conjuntura. Em conformidade com a política aprovada pelo Presidente da Federação da Rússia, o país está a ajudar muito a Abcásia a afirmar-se como país democrático moderno, a reforçar as suas posições internacionais, a garantir a segurança, a restaurar as suas esferas económica e social, a combater o coronavírus e a solucionar várias outras questões. 

O diálogo ao mais alto nível entre os dois países é intenso. Em 2020, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente da Abcásia, Aslan Bzhania, tiveram uma reunião em Sochi, a 12 de novembro, e uma reunião em Moscovo, à margem das celebrações por ocasião dos 75 anos da Grande Vitória.

Os dois países têm uma comissão intergovernamental de cooperação socioeconómica, estão a implementar um programa de investimento para 2020-2022, destinado a contribuir para o desenvolvimento socioeconómico da Abcásia, estão a manter contactos regulares através dos seus Ministérios dos Negócios Estrangeiros e outros e intercâmbios intensos nas áreas cultural e humanitária e entre as suas regiões.


Secretário-Geral da ONU defende imunização global contra a infeção pelo novo coronavírus

 

No dia 17 de fevereiro, durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, sugeriu criar, no âmbito do G20, uma força-tarefa de elaborar e levar à prática um plano global de imunização contra a infeção pelo novo coronavírus. O seu objetivo é garantir às populações de todos os países igual acesso às vacinas contra a Covid-19.

A Rússia está a fazer esforços ativos para combater a pandemia, ajudando os países necessitados. Consideramos que a vacinação contra a Covid-19 é um bem público global, o que está confirmado na resolução da Assembleia Mundial da Saúde. Estamos prontos para um trabalho detalhado na proposta do Secretário-Geral da ONU no G20 e esperamos receber propostas concretas sobre este plano.


Rússia lamenta motivação política em comentários sobre os estudos sobre a origem da Covid-19 realizados pela OMS 


Consideramos importante comentar a situação criada em torno das pesquisas realizadas pela OMS com vista a identificar a origem do causador da Covid-19 em Wuhan.

Os estudos da OMS foram mandados realizar pelos países membros da OMS durante a 73ª Assembleia Mundial da Saúde em maio de 2020 dedicada ao combate à infeção pelo novo coronavírus. 

A missão de um grupo de peritos internacionais à China realizada nos finais de janeiro, princípios de fevereiro foi cuidadosamente preparada. A OMS vinha trabalhando com o lado chinês desde julho de 2020.

O grupo era composto por peritos da Rússia (V.G. Dedkov, Diretor-Adjunto do Instituto Pasteur de Epidemiologia e Microbiologia de São Petersburgo), China e de 10 outros países e organizações internacionais. Os peritos realizaram um trabalho muito importante e abrangente. A investigação ainda não foi concluída, sendo demasiado cedo para se tirarem conclusões globais.

Lamentamos que os comentários feitos por alguns meios de comunicação social estrangeiros sobre o envio da missão da OMS à China e os seus resultados tenham uma motivação política e não favoreçam a cooperação internacional eficaz com vista ao esclarecimento da verdade e superação da pandemia da Covid-19.

Os resultados obtidos pela missão estão a ser escrupulosamente estudados. Estaremos a acompanhar este trabalho, pois a Rússia faz parte da OMS e está a trabalhar ativamente neste sentido.


Peritos italianos elogiam segurança e imunogenicidade da vacina russa


No dia 17 de fevereiro, o Instituto Nacional de Doenças Infeciosas Lazzaro Spallanzani, em Roma, publicou a "Conclusão Científica e Técnica sobre a Vacina Russa Sputnik V" que apresenta características técnicas da vacina russa, métodos e resultados dos testes com base nos estudos clínicos publicados pela revista Lancet, assim como uma lista de países onde a Sputnik V foi registada.

Os autores do documento assinalam que os dados de que dispõem mostram um elevado nível de segurança e imunogenicidade da vacina russa. Neste contexto, o Instituto Lazzaro Spallanzani acredita que a Sputnik V pode desempenhar um papel importante nos programas de vacinação contra a infeção pelo coronavírus. O referido relatório foi enviado ao Ministério da Saúde e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália.

Numa entrevista ao canal de televisão central italiano RAI 1, Francesco Vaia, diretor de saúde do hospital Spallanzani, exortou as autoridades italianas a absterem-se de motivações políticas na compra de vacinas contra o coronavírus e recomendou a utilização da vacina russa na Itália. 

As conclusões feitas pelos peritos do o Instituto Lazzaro Spallanzani, principal referência na Itália em doenças infeciosas, não só confirmam mais uma vez a elevada eficácia da vacina russa, a primeira no mundo, para a prevenção da infeção pelo novo coronavírus, como também demonstram o que deveria ser a atitude imparcial da comunidade científica para com as questões do combate à pandemia. A Rússia está pronta para uma discussão científica aberta e objetiva sobre estes assuntos. Somos contra motivações políticas nas questões de importância vital. Só podemos apoiar o apelo dos cientistas italianos à desideologização da luta contra um dos mais graves desafios da atualidade. A Rússia está aberta a uma cooperação o mais ampla possível neste domínio.       

 

Rússia ajuda África a combater o Ébola


Continuamos a acompanhar de perto a evolução da situação do Ébola nos países da África Ocidental e Central. No dia 13 de fevereiro deste ano, o novo surto do Ébola registado no sudeste da Guiné soma três casos confirmados e seis óbitos. Nos anos 2014 e 2015, a Rússia prestou uma ajuda importante à Guiné, Libéria e Serra Leoa no combate à epidemia no valor de mais 60 milhões de dólares. A Guiné possui um Centro Russo-Guineense de Epidemiologia e Prevenção de Doenças Infeciosas que emprega especialistas russos e dispõem de equipamento necessário para assistir os doentes. Em novembro de 2019, foram concluídos os estudos pós-registro da vacina russa anti-ebola GamEvac-Combi. Atualmente, o diretor do grupo de especialistas russos na Guiné participa nos trabalhos do comité de combate à epidemia criado sob os auspícios do Ministério da Saúde daquele país.

Esperamos que as autoridades guineenses consigam conter, o mais rapidamente possível, a propagação da doença. Continuaremos a prestar ajuda necessária à Guiné e a outros países da África Ocidental no combate ao Ébola.

Durante vários anos, a Rússia tem também prestado apoio à República Democrática do Congo no combate às doenças infeciosas, incluindo o Ébola, treinando profissionais de saúde locais em epidemiologia, microbiologia, diagnóstico molecular e biossegurança.

Em maio de 2020, a Rússia entregou ao Ministério da Saúde local mais de 28 mil consumíveis de laboratório e mais de oito mil peças de equipamento de proteção individual, entre as quais respiradores, roupa especial e outros acessórios médicos. 

Em setembro de 2020, o lado congolês recebeu dois laboratórios microbiológicos móveis montados em automóveis GAZ-33088 todo-o-terreno, com elevada capacidade off-road, e dotados de equipamento moderno de fabrico russo para o diagnóstico rápido de doenças infeciosas. Estes laboratórios permitem aos médicos congoleses atender à população das regiões remotas do país e podem ser utilizados não só no combate ao Ébola como também ao novo coronavírus e a outras doenças infeciosas.

Em fevereiro deste ano, a Rússia decidiu prestar à República Democrática do Congo aconselhamento e assistência metodológica, científica e logística na prevenção da propagação e no combate ao surto da doença do vírus Ébola, incluindo a vacinação com a vacina russa durante os anos 2021 e 2022.   

 

EUA lançaram um ataque aéreo contra a Síria


Na madrugada de 26 de fevereiro, os EUA lançaram um ataque aéreo contra uma instalação síria na região de Albukemal, perto da fronteira do Iraque. Há registos de vítimas. De acordo com as declarações das personalidades oficiais norte-americanas, o objetivo do ataque autorizado pelo Presidente americano, Joe Biden, era uma base de uma unidade paramilitar xiita pró-iraniana, alegadamente envolvida nos ataques com mísseis contra as bases militares americanas no Iraque. O Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse que o alvo havia asido escolhido com base em informações irrefutáveis obtidas pelos serviços secretos americanos. 

Condenamos veementemente estas ações e exigimos que a soberania e integridade territorial da Síria sejam incondicionalmente respeitadas. Reafirmamos rejeitar todas e quaisquer tentativas de transformar o território sírio num palco de acerto de contas geopolíticas.

 

França recusou-se a responder à mensagem do Ministro Serguei Lavrov


Foi com estranheza que acolhemos a recusa, claramente expressa, da França em responder à mensagem verbal do Ministro Serguei Lavrov ao Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Yves Le Drian, que havia sido feita chegar ao seu destinatário a 15 de fevereiro deste ano e se referia à carta do neurologista Vitali Kozak sobre as inconsistências nas alegações sobre o envenenamento de Aleksei Navalny.

Tem havido muitas perguntas sobre a reação, ou melhor dizendo sobre a falta de reação por parte da França e da Alemanha às mensagens enviadas pelo Ministro Serguei Lavrov aos seus colegas sobre a situação em torno do chamado envenenamento de Aleksei Navalny com um agente químico. Os nossos parceiros ocidentais acusaram infundadamente a Rússia. 

Como sabem, a França ainda não respondeu ao pedido oficial da Rússia, de 16 de setembro de 2020, para conceder os resultados da análise do bloguista, nem ao pedido da Procuradoria-Geral da Rússia, de 18 de setembro de 2020, para assistência jurídica mútua ao abrigo da respetiva convenção europeia.

Consideramos isto não só como mais um exemplo de que a França tem "dois pesos e duas medidas”, mas também como desrespeito pela cortesia diplomática mais elementar.

Sem se dar o trabalho de dar quaisquer explicações argumentadas, a França ficou envolvida numa campanha mediática destinada a exercer pressão sobre a Rússia. Façam o favor de responder pelo que dizem. Sigam as suas famosas tradições e não as tradições indecorosas cultivadas pelo Ocidente coletivo nos últimos anos.

Algo semelhante aconteceu com o nosso pedido para comentar a carta aberta do neurologista enviado ao lado alemão. Recebemos apenas desculpas formais, semelhantes às recebidas em resposta aos pedidos da Procuradoria-Geral russa. O lado alemão disse não ter encontrado o que comentar, dizendo que os funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha "não são especialistas nas questões abordadas".

Ou seja, há seis meses, todos: os Chefes de Estado, os Ministros dos Negócios Estrangeiros, eram "especialistas". Representantes de ministérios, instituições, governos de dezenas de países ocidentais comentavam esta situação de diferentes maneiras, exigindo algo à Rússia ou acusando-a de algo que ela não havia feito. Utilizaram as palavras, cujo significado não compreendiam bem. Assim que propusemos falar de coisas concretas e abandonar a linguagem de ultimatos, eles, de repente, declararam-se "não-especialistas". Disseram-nos que eles, dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros de Berlim e de França, não são especialistas nas questões de que acusam a Rússia.

Gostaria de recordar que os funcionários que trabalham nas missões junto da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) são diplomatas. Os ministérios dos negócios estrangeiros de muitos países do mundo (da União Europeia certamente) têm departamentos inteiros especializados em armas químicas no contexto do desarmamento. Onde é que estão estes especialistas? Porque é que deixaram de o ser?

Lembremo-nos de como os ministros dos Negócios Estrangeiros e outros políticos comentavam em uníssono os detalhes do suposto envenenamento Aleksei Navalny em 2020. Lembrem-se de como a "brilhante especialista" em armas químicas, a Primeira-Ministra britânica, Teresa May, relatou "com competência", há três anos, no Parlamento britânico, o "caso Skripal". Dava a impressão de entender destas questões. Quaisquer divergências da lógica das acusações infundadas e desrespeito pela verdade, quaisquer avaliações independentes da situação em torno do "paciente de Berlim" que põem a descoberto a parcialidade e a motivação política nas posições do Ocidente são rejeitadas imediatamente pelos nossos parceiros e colegas ocidentais. Todas as perguntas inconvenientes, todas as nossas propostas de falar com provas na mão e trocar os dados disponíveis são completamente bloqueadas.

O "caso Navalny" mostrou claramente o que realmente valem as declarações dos governos da França e da Alemanha sobre a sua fidelidade aos princípios do multilateralismo, objetividade e equidade nos assuntos internacionais e que nem Berlim nem Paris estão dispostas a responder pelo que declaram.


EUA continuam a acusar a Rússia de perseguições políticas


Nas últimas semanas, os EUA, que não podem viver um só dia sem acusar a Rússia de todos os pecados, têm-se concentrado na problemática dos direitos humanos, acusando a Rússia de perseguições políticas.

Quem está a falar disso? Representantes de Washington. Falemos também sobre os EUA. Quando vemos e ouvimos inúmeras declarações dos EUA sobre as alegadas perseguições políticas na Rússia, em particular à oposição extraparlamentar, incluindo os participantes nos recentes protestos não autorizados em Moscovo, queremos saber se estamos a falar com especialistas ou com as pessoas que são mandadas ler os textos que lhes são dados e os quais elas não compreendem. Parece-me que a segunda hipótese está mais certa.

A este respeito, gostaria de recordar quão dura pode ser a justiça norte-americana em relação aos nacionais dos EUA envolvidos na política.

A comprová-lo está a caça aos envolvidos na alegada "interferência" da Rússia nas eleições americanas desencadeada nos EUA e que está nas bocas do mundo. As acusações formais de ligação com o Kremlin foram apresentadas ao general M. Flynn, o cientista político J. Papadopoulos, o advogado P. Manafort e várias outras personalidades públicas e políticas que estavam vinculadas ao Partido Republicano e faziam parte do comité de candidatura de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA. Isso quando nenhuma peça de prova foi concedida. A investigação realizada sob a direção do ex-diretor do FBI, R. Mueller, não encontrou nenhuma prova de influência russa no processo de votação ou nos resultados das eleições de 2016. Mesmo assim, a perseguição contra os políticos suspeitos foi real. A Casa Branca e o Departamento de Estado não se lembram disso?

Tomemos um exemplo recente. A mais recente "corrida" presidencial nos EUA foi inédita tanto em termos da intensidade das paixões políticas e escandalosidade quanto em termos de violência policial e ilegalidade. Teve como apoteose uma campanha de perseguição de grande envergadura desencadeada pelos serviços secretos americanos contra os participantes na "invasão" do Capitólio, no dia 6 de janeiro, e aqueles que contestaram a vitória de Joe Biden e que foram apelidados pela atual administração americana e meios de comunicação aliados de " terroristas domésticos". O que é que acham disso? Os EUA inventaram um novo termo para designar políticos e personalidades públicas que vão contra a tendência dominante. Os "terroristas domésticos”, assim se chamam estas pessoas nos EUA. 

O FBI iniciou mais de 400 investigações criminais, tendo solicitado judicialmente mais de 500 mandados de busca e intimações de suspeitos. Mais de 230 pessoas foram detidas e submetidas a diferentes formas de pressão, entre as quais a pressão sobre os seus familiares e conhecidos com vista a forçá-los a prestar depoimentos "certos". Mais do que isso, as pessoas que expressam simplesmente uma opinião alternativa e que nem sequer foram formalmente acusadas são acusadas de estarem a divulgar fake news e a conspirar contra o governo, são despedidas dos seus empregos, banidas nas redes e submetidas a assédio e ostracismo públicos. Do bloqueio das contas de personalidades oficiais (do ex-Presidente americano, Donald Trump, e de alguns dos seus apoiantes) nas redes sociais nem falo. Elas foram submissas a "sanções" reais por parte dos maiores meios de comunicação social e empresas gigantes da Internet dos EUA.

Tudo isto está a acontecer num país que está habituado a apresentar-se como "farol global da democracia" e a exortar a todos a encarar humanamente o "protesto pacífico", como eles lhe chamam. Os EUA não são é um "farol" da democracia, antes uma "âncora" da democracia.

A nova administração americana deveria ouvir e escutar os seus próprios cidadãos, em vez de buscar bruxas no seu próprio país e de se preocupar hipocritamente com a situação dos direitos humanos noutros países. Nestas circunstâncias, torna-se ainda mais evidente o facto de os EUA não terem o direito moral para ensinar infinitamente os outros a observar os direitos humanos e as liberdades civis. 


Alemanha preocupa-se com o futuro dos tártaros da Crimeia


Os líderes do "Mejlis do Povo Tártaro da Crimeia" afirmam viverem numa "atmosfera de terror, criada pelas autoridades de ocupação". Infelizmente, esta quimera é partilhada por outros detratores que se fazem passar por defensores dos direitos humanos, sendo, na realidade, agentes de influência dentro do país ou os seus orientadores estrangeiros. Foram postas em circulação as notícias falsas de "raptos em massa de tártaros da Crimeia" e "numerosas buscas e detenções ilegais de ativistas tártaros" na Crimeia. Tudo isto não tem razões de ser e não foi confirmado por nenhum facto concreto. 

A este respeito, gostaríamos de aconselhar o Sr. C. Heusgen a ler o artigo "À Rússia com Amor " dos professores catedráticos D. O'Laughlin, D. Toal e K. Bakke, publicado, no início de abril de 2020, na revista americana "Foreign Affairs" (Negócios Estrangeiros). Os diplomatas alemães devem ter confiança nesta publicação. O artigo apresenta conclusões e informações bastante invulgares e, provavelmente, chocantes para a diplomacia alemã, sobre o que se passa na Crimeia e a opinião dos habitantes peninsulares sobre a sua vida.  

Quanto à proibição da entrada na Crimeia, gostaríamos de desmentir a declaração do Representante Permanente da Alemanha nas Nações Unidas. A Federação da Rússia sempre tem demonstrado a sua disponibilidade de receber quaisquer mecanismos internacionais de controlo dos direitos humanos no seu território nacional, inclusive nas unidades da Federação e na Crimeia, desde que as visitas sejam realizadas oficialmente, dentro dos limites das suas competências, e em conformidade com os procedimentos de visitas à Federação da Rússia.

Somos favoráveis às visitas à Crimeia de políticos, jornalistas e figuras públicas, considerando-as como a forma mais eficaz de transmitir informações verdadeiras sobre a situação na península à comunidade internacional. Gostaria de recordar que organizamos visitas de imprensa à Crimeia para correspondentes estrangeiros acreditados na Rússia. Estamos igualmente prontos para contribuir para a concretização de projetos empresariais e humanitários na Crimeia com participação estrangeira. É que vocês, na UE, estão a bloquear todas estas iniciativas. Por um lado, vocês contam sobre coisas horripilantes que acontecem na Crimeia; por outro lado, não vêm à Crimeia, nem permitem que outros venham, dizendo-lhes que sofrerão sanções se eles ali forem. São vocês que fazem tudo isso e, depois, acusam-nos. Lembrem-se de como bloquearam nos países da UE as possibilidades de turismo e de negócio em relação à Crimeia. Deixem-me lembrar-vos, senhores da UE, de como não concedem vistos aos habitantes da Crimeia. São vocês quem faz isso. São vocês que consideram possível discriminar as pessoas na concessão de vistos por região de residência, fingindo preocuparem-se com os direitos humanos e acusando-nos de proibirmos visitas à Crimeia. 

Em 2020, cerca de 90 parlamentares estrangeiros, representantes de órgãos municipais e personalidades públicas e da cultura visitaram a península para participar em vários eventos e, como integrantes de uma equipa de observadores para acompanhar o processo de votação das emendas à Constituição da Federação da Rússia. Tenho uma pergunta a fazer para Berlim: enviou os seus observadores à Crimeia? Tinha o desejo de fazê-lo? Enviou uma carta ao lado russo a dizer que gostaria de assistir ao processo eleitoral na Crimeia? Não me lembro. Pode enviar-me uma cópia?

Gostaria de vos lembrar que a Crimeia já foi visitada por cinco deputados do Parlamento Europeu, por representantes de partidos parlamentares da Alemanha, da Bulgária e de outros países. Perguntem a eles como eles conseguem chegar à Crimeia. Eles dir-lhe-ão (a Berlim oficial) como, no final de contas, é possível vir à Crimeia.

No ano passado, quase 160 mil estrangeiros visitaram a Crimeia. O Representante Permanente da Alemanha poderia ter-lhes perguntado como lá chegaram. Uma ligeira diminuição do número de visitas em relação a 2019 ocorreu devido às restrições impostas pela propagação da infeção pelo novo coronavírus. Isto ocorreu em todo o mundo.

Agora a informação mais importante para o Representante Permanente da Alemanha na ONU que acredita ser impossível visitar a Crimeia, porque a Rússia proíbe visitas à península. O aeroporto de Simferopol recebe diariamente entre 16 e 25 voos de 17 companhias aéreas, entre os quais 13 voos de Moscovo, três de São Petersburgo, e um de cada uma das cidades de Ekaterimburgo, de Krasnodar, de Mineralnye-Vody, de Rostov-on-Don e de Samara.

Aconselhe os seus colegas em Moscovo a comprar um bilhete para um destes voos. Que voem até lá para conhecer a Crimeia e lhe digam como pode visitar a Crimeia.

A verdade não tem preço. No caso da Crimeia, a verdade não custa a ser obtida e equivale ao preço de um bilhete para o voo Moscovo-Simferopol. Diplomatas alemães, permitam-se este luxo, comprem um bilhete, viajem à Crimeia e parem de utilizar fóruns internacionais para divulgar mentiras sobre a Crimeia.


Reino Unido esforça-se por diminuir a influência da Rússia


No dia 4 de fevereiro, foram publicados documentos supostamente pertencentes ao Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido.

Mostram que Londres, através de intermediários, apoia os chamados "veículos noticiosos independentes" como a Meduza e a Mediazona, tendo criado uma rede clandestina de blogueiros influentes no segmento russo das redes sociais "para criar condições para a mudança do regime" na Rússia e "minar a influência russa" na Europa de Leste e na Ásia Central. Há muitos materiais. Estamos agora a estudá-los. O que é surpreendente é que não ouvimos nenhuma reação dos britânicos que adoram especular sobre os problemas de outros países e ensinar os outros. 

Gostaríamos de ouvir uma reação dos britânicos. Talvez eles neguem tudo. Isso é possível. Devem ser mais ativos, dado o seu desempenho mediático noutras áreas.

Em novembro de 2017, na cimeira da União Europeia, Theresa May, então no mandato de Primeira-Ministra do Reino Unido, anunciou os planos de conferir à Rússia o estatuto de Estado "inimigo" e prometeu gastar mais de 100 milhões de libras durante os próximos cinco anos para combater a presumível ameaça da "desinformação por parte do Kremlin" em todo o mundo. Agora temos um documento que mostra como funciona este programa.

De acordo com a fuga de informação, esta operação, orçada em milhões de libras, envolve meios de comunicação britânicos como a BBC e a Reuters que trabalham através de empresas intermediárias como empresas de relações públicas, a Zinc Network e a Albany, participantes de longa data nas operações secretas realizadas pelo Reino Unido no estrangeiro. A lista destas empresas subempreiteiras inclui, entre outros, o grupo escandaloso de apoio à propaganda britânica, o site Bellingcat.

A gama de serviços das empresas acima mencionadas inclui a promoção de conteúdos, a procura de novos públicos, e a realização de ajustamentos às políticas editoriais da Meduza e da Mediazone. Gostaríamos também de ouvir a reação destes veículos noticiosos. Tê-lo-emos em conta. Ainda não a vimos. A julgar pelos documentos publicados, os funcionários destes veículos são treinados nas mais recentes técnicas de manipulação da consciência.

A propósito, em julho de 2019, Londres recebeu a Conferência Global sobre a Liberdade dos Meios de Comunicação Social. A cadeia televisiva Russia Today (RT) e a agência Sputnik não foram autorizadas a participar. Um representante russo também não foi autorizado a entrar, não conseguiu obter um visto de entrada no país. A Russia Today e a Sputnik não foram autorizadas a assistir ao evento devido ao seu alegado "papel ativo na disseminação da desinformação". Não devem ser os britânicos a dizê-lo. Os britânicos não concederam vistos aos nossos representantes. No entanto, G. Timchenko, Diretor-Geral da Meduza, estava na lista de participantes.

Esta não é a primeira vez que o mundo toma conhecimento do envolvimento das autoridades britânicas em operações de informação como esta. Por exemplo, em outubro de 2020, o "Anonymus" publicou uma notícia de que algumas estruturas ligadas ao governo britânico estavam a treinar a oposição síria nas técnicas de propaganda. 

Quanto à campanha mediática antirrussa, trata-se de um trabalho sistemático de grande envergadura desenvolvido pelas autoridades britânicas com vista a não só demonizar o nosso país no cenário internacional, esta fase já foi obviamente passada, mas também a desestabilizar a situação política no país. 

Interessa salientar a reação das empresas monopolistas da Internet do Ocidente. Um extenso artigo do jornalista A. Mathe publicado na "GrayZone" e dedicado a este assunto mereceu uma nota especial da rede social Twitter a dizer, segundo a qual as informações contidas no artigo "podem ter sido obtidas por meio de hacking". Ao mesmo tempo, a imprensa ocidental de maior tiragem prefere manter-se silenciosa sobre estas informações extremamente curiosas. Os materiais do site Bellingcat também recebem notas semelhantes? Ou não consideram necessário perguntar ao Bellingcat como obtém os seus materiais: por meio de hacking ou por meio de outras técnicas? Todos vocês se desonraram, empenhando-se na propaganda não disfarçada e recebendo financiamento dos governos ocidentais através de ONG, agências de relações públicas e meios de comunicação social. Este papel pouco decoroso, repugnante e ilegal que os meios e recursos que fazem passar-se por meios de comunicação social desempenham hoje em dia na esfera mediática atual é evidente. O mais fantástico é que, apesar destes materiais e artigos de jornalistas que o são e escrevem de forma responsável sobre este assunto, não há reação. Percebem perfeitamente que têm de esperar um pouco, ser pacientes e o tema provavelmente perderá a sua relevância. Afinal, eles não financiam este assunto, por isso ele não aparece nas notificações por push nos seus telemóveis. Por isso, não consideram necessário comentá-lo para não atrair a atenção. Vocês, no Reino Unido, tentarão não atrair a atenção da opinião pública para isso, mas nós chamaremos, porque, vocês foram apanhados em flagrante.

As informações vazadas (só agora é que estamos a começar a estudá-lo, os materiais são muitos) são, como agora entendemos, apenas a "ponta do iceberg". Repito, estamos à espera da reação do Reino Unido. A reação deve vir. Se não houver reação, isto vai significar que o Reino Unido só faz passar-se por um país que respeita o jornalismo independente e a liberdade de expressão e luta contra falsificações, propaganda suja, ingerência nos assuntos dos países soberanos, etc.

Também compreendemos o quanto valem todos os fóruns internacionais organizados sob a égide do Reino Unido e dedicados à liberdade de expressão e o que está por detrás destes fóruns, qual é a sua ideia e o seu objetivo. Se não ouvirmos nenhuma reação clara, ficaremos a saber que a independência dos meios de comunicação britânicos é muito bem remunerada. 

Estudaremos os materiais e esperaremos pela reação.

 

Tentativa golpista no Montenegrino e o envolvimento da Rússia 

 

Não ficaria surpreendida ao saber que alguns dos fundos acima mencionados foram investidos na promoção de um tema que, em tempos, invadiu os meios de comunicação social ocidentais. Refiro-me à chamada "tentativa golpista no Montenegro" e ao alegado envolvimento da Rússia. 

No dia 5 de fevereiro, o Tribunal de Recurso do Montenegro anulou a sentença condenatória lavrada pelo Tribunal Superior de Podgorica sobre caso de "tentativa de golpe de Estado" em 2016 contra 13 condenados (incluindo dois russos). Conforme o acórdão, o corpo de delito e o facto de o crime ter sido cometido não foram provados.

Consideramos esta decisão judicial como mais uma prova convincente do absurdo das alegações relativas ao suposto envolvimento da Rússia nas tentativas de organizar atos ilegais de toda a espécie no território nacional do Montenegro. A Federação da Rússia negou coerente e terminantemente todas as acusações, salientando ser infundadas e politicamente motivadas. 

Esperamos que a justiça montenegrina seja imparcial e objetiva durante o novo julgamento do caso supracitado. 

Lembrem-se de quão fantástica era a campanha desencadeada nos mass média, quão habilidosamente se compunham as frases e se entrecruzavam as verdades e se implantava uma confiança absoluta no envolvimento da Rússia. O que irão estes autores escrever agora? Ou irão simplesmente esquecer que alguma vez escreveram sobre este assunto?


Twitter apaga “contas russas”


Não podíamos deixar de comentar o apagamento, pelo Twitter, de 100 contas de origem russa. Aqueles microblogues teriam participado alegadamente em “operações informáticas russas”. Trata-se de duas redes de contas fake (segundo a direção da rede social) que estariam ligadas à Administração Principal do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia e à Agência de Investigações na Internet. Até apresentam-se números concretos, parâmetros destes materiais.

Não é a primeira onda de bloqueios a atingir contas de origem russa. É de notar que as contas Twitter dos Estados ocidentais não se tornam alvos de semelhantes “operações punitivas”, não obstante as informações publicadas lá serem frequentemente abertamente falsas.

Em vez de justificação – vêm de novo as especulações e insinuações infundadas. A motivação presente no relatório da própria empresa Twitter, é absurda: as contas teriam “transmitido sentidos relacionados ao governo russo”, “teriam minado a confiança na NATO, e influenciado os EUA e a UE”. Isso é monstruoso, porque, se páginas são bloqueadas sob o pretexto de abalarem a confiança à NATO, porque ainda não foi bloqueada a conta do Presidente da França, Emmanuel Macron, a dizer outrora que a NATO padecia de morte cerebral? Ou será que isso não é considerado minagem de confiança, senão mera constatação de um facto? Quanto à influência sobre os EUA e a NATO, tudo pode contar: conteúdos musicais (sem falar já dos políticos – as redes sociais fazem com eles tudo o que quiserem), mas há também aspetos humanitários, informações sobre a vacinação. Tem que bloquear isso também, porque informações sobre as vacinas, sobre a pandemia afetam muito os EUA e a UE. As pessoas chegam a saber das vacinas, das oportunidades, começam a comprá-las, fecham contratos de fornecimento.

Qual é o critério do bloqueio? Não são princípios, é ignorância completa ou preguiça em inventar novos pretextos. Na verdade, a única culpa das contas bloqueadas parece ser não seguirem a linha do mainstream ocidental, expressando uma opinião diferente da “unicamente correta”.

Quanto à confiança em relação à NATO, são os factos que a põem em causa. Os nossos parceiros sérvios, particularmente, podem contar muita coisa interessante, tendo-se tornado vítimas da agressão da Aliança em 1999, e muitos outros países que sabem da sua própria experiência – inclusive tendo perdido vidas de civis – o que é a NATO e seus membros.

O Serviço Federal de Vigilância na Área da Comunicação, Tecnologias Informáticas e Comunicações em Massa (Roskomnadzor) já solicitou da rede social a lista das contas bloqueadas, a explicação das razões do seu bloqueio, a apresentação de alguns factos. O Twitter insiste que se trata do apagamento de contas anónimas – mas os factos dizem o contrário. Assim, as contas oficiais em russo e em inglês do Clube de Discussão Internacional Valdai foram alvejadas por esta “purga”. Seriam contas anónimas? É uma marca mundial, uma plataforma de renome. Profissionais conhecidos na área das relações internacionais participam nos seus fóruns, pessoas de renome internacional. O clube mantém sessões em diferentes países do mundo. Os materiais são base para análise e estudo de especialistas em diferentes países. Como o Twitter explica isso?

As contas do Clube de Discussão Internacional Valdai, em cujos eventos participam regularmente o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, e também especialistas reconhecidos: politólogos, economistas, cientistas de todo o mundo, foram bloqueadas ainda em setembro de 2020. É completamente impossível de se compreender em que critérios se baseavam os moderadores do Twitter ao considerar as contas do Clube Valdai um elemento de “informações informáticas subversivas”, isso ainda não tem nenhuma explicação. Até os peritos bem leais do Observatório da Internet da Universidade de Stanford norte-americana, que colabora com as plataformas digitais no âmbito de programas de parceria, surpreenderam-se com esta decisão infundada. Até eles, que guardam lealdade e que se mantêm fora do combate, tentando situar-se por cima dele, não compreendem a motivação das redes sociais no bloqueio do Valdai.

Independentemente de o caso do Clube Valdai ter sido um erro do algoritmo da inteligência artificial ou um ato inimigo consciente, a prática de bloqueios arbitrários extralegítimos segundo critérios absolutamente intransparentes é inaceitável. Está a abalar a confiança em redes sociais enquanto um espaço de expressão livre de opinião e troca de pareceres.

Vemo-nos obrigados a constatar de novo que o Twitter está a degradar-se, deixando de ser uma plataforma de discussão independente para se tornar uma ferramenta do ditado digital mundial nas mãos da elite política ocidental. A administração da empresa deve empreender algo para preservar a sua independência, a intransigência e soberania informacional.


                                            UE introduz sanções contra Venezuela


Ultimamente, as medidas restritivas unilaterais passaram a ter importância cada vez maior entre as ferramentas diplomáticas usadas pela UE. Continuam a ser usadas ativamente, apesar da sua ilegitimidade jurídica internacional e também da sua falta de sentido e da contraprodutividade de semelhante abordagem enquanto um meio de influenciar a política de Estados soberanos. Um exemplo disso são as restrições introduzidas há uns dias contra os representantes de diferentes poderes da Venezuela.

É de notar que nas plataformas internacionais, inclusive nos contatos connosco, os colegas da União Europeia não deixam de manifestar-se a favor da solução venezuelana interna dos problemas que existem neste país, com base no diálogo inclusivo, repetindo isso que nem um mantra. Esta postura foi inclusive refletida na recente declaração do Grupo Internacional de Contato sobre a Venezuela, encabeçado pela UE. Uma bela mensagem, porém, as ações divergem-se da mensagem e das palavras.

As ações da União Europeia contradizem estas declarações. O governo da Venezuela é proclamado um pária, empreendem-se tentativas de sufocá-lo com restrições, impondo-lhe decisões que vão contra a sua vontade. Ou seja, manifestando-se pelo diálogo venezuelano interno, a UE o ataca insistentemente. É clássico: assegurar o seu apoio do diálogo venezuelano interno em prol da solução política e introduzir, ao mesmo tempo, sanções unilaterais contra um determinado grupo político, falar de inadmissibilidade do nacionalismo, frisando ele ser um mal inclusive do século XXI, mas apoiar, em determinados países, atores sociais que defendem posturas nacionalistas, introduzindo sanções sob o pretexto da preocupação pelo seu destino, inclusive contra o Estado que condena o nacionalismo em total e no caso particular destes atores sociais.

Surge uma pergunta: será que a União Europeia se esqueceu de manter diálogo igualitário e respeitoso no âmbito das normas universalmente reconhecidas do direito internacional sem tentativas de intervir nos assuntos internos dos parceiros?

Queremos acentuar uma vez mais que a saída da crise política na Venezuela só pode ser alcançada através do diálogo pacífico, inclusivo entre os próprios venezuelanos sem a intervenção destrutiva desde o exterior.

Estamos prontos para, nesta premissa, continuar a intensificar a busca da solução nesse país, inclusive no contato com outros jogadores internacionais interessados, inclusive a UE.

Estamos dispostos para, nesta premissa, continuar a fomentar uma maior dinâmica do trabalho neste sentido.


                    EUA deportam ex-carcereiro do campo de concentração Neuengamme

 

Não podíamos deixar passar despercebida a decisão do Departamento de Justiça dos EUA de deportar para a Alemanha o criminoso nazista Friedrich Karl Berger, de 95 anos. Saudamos esta decisão do Departamento de Justiça dos EUA.

Segundo as informações existentes, Berger recebe pensão da Alemanha, inclusive pelo serviço durante a guerra. Ao regressar para a Alemanha, ele foi somente interrogado e não foi preso. Vários media informam, citando a procuradoria alemã, que a ação criminosa contra o nazista foi arquivada por falta de prova da sua culpa.

Por nossa parte, temos feito questão de que as autoridades alemãs expliquem a situação em torno de Berger e o acusem formalmente.

As atrocidades cometidas pelos algozes hitlerianos e os seus colaboradores não têm termo de vigência. É a nossa posição essencial. A importância disso é ainda maior em virtude do 75o aniversário do processo de Nuremberga, celebrado neste ano.

Esperamos que o exemplo positivo de tolerância zero para com os antigos hitlerianos, manifestado pela Justiça norte-americana neste caso, seja percebido como um guia de ação pelo governo e pelas autoridades judiciárias do Canadá, que têm demorado com a decisão sobre o antigo soldado da SS, Helmut Oberlander. Como já temos declarado, é inaceitável que os monstros nazistas morram sem punição, como o algoz de Katyn bielorrussa, Vladimir Katryuk.


 Túmulo soviético profanado na Letónia


Mais um ato de vandalismo foi cometido na Letónia a 24 de fevereiro deste ano contra o monumento aos libertadores soviéticos na cidade de Jekabpils. De noite, foi raptado às escondidas um canhão de 76 mm instalado no memorial local. Os heróis eternizados lá tinham nascido em regiões diversas - no Bascortostão, em Oremburgo, na Bielorrússia. São o major-general de artilharia, Serguei Kupriyanov, o coronel Gavriil Sharikalov e o coronel Sakhabutdin Gazeev.

A nossa Embaixada em Riga não tardou a reagir a esta barbaridade, enviando uma nota de protesto ao MNE da Letónia, exigindo que as autoridades letãs tomassem as medidas necessárias para investigar o crime, punir os culpados e eliminar as suas consequências conforme o Tratado sobre o Estatuto dos Túmulos Militares Letões no Território da Federação da Rússia e dos Túmulos Russos no Território da República da Letónia, assinado pelos governos da Rússia e da Letónia a 18 de dezembro de 2007.

Esta situação indignante voltou a ser amplamente comentada não somente pelos compatriotas, mas também pelos media.

Muitos jornalistas opinam que o monumento estava protegido pelo tratado russo-letão de 1994 sobre proteção social dos pensionistas de guerra da Rússia, residentes na República da Letónia. Os nossos compatriotas também o destacam. De acordo com o artigo 13 deste documento, Riga “garantirá o bom estado de manutenção e de preservação das construções memoriais e de lugares de enterro dos guerreiros” no seu território. O MNE da Letónia tinha afirmado que iria observar o tratado. A Sputnik Letónia publicou um artigo muito interessante de Dmitry Ermolaev sobre este assunto.

Ao apoiar aqueles que ofendem os veteranos na Rússia, a Letónia permite vandalismo contra memoriais da Segunda Guerra Mundial no seu país. Não vai ser possível ocultar estas indignantes manifestações revanchistas da comunidade mundial. Não deixaremos de vigiar como a parte letã cumpre as suas obrigações.


 Ponto da posição russa na solução do conflito em Kosovo


Já que os media estrangeiros estão a publicar apelos de alguns dignitários ocidentais dirigidos a Belgrado e a Pristina, instando-os a acelerar o movimento rumo a um “tratado abrangente”, gostaríamos de voltar a ressaltar as nossas abordagens essenciais a respeito da solução possível e mutuamente vantajosa do problema de Kosovo.

Consideramos que tal decisão deve ser apoiada na Resolução 1244 do CS da ONU e respeitar o direito internacional, além de ser aprovada pelo CS da ONU.

Consideramos destrutivas quaisquer tentativas de forçar a dita “normalização definitiva” entre Belgrado e Pristina, impondo-lhe termos artificiais. O fundamental é encontrar uma opção sustentável e sólida, que seria aceite pela comunidade.

Apoiamos o diálogo entre Belgrado e Pristina no intuito de resolver o problema de Kosovo sob a égide da União Europeia, que deverá cumprir as suas funções de intermediária, da qual se encarregou pela Assembleia Geral da ONU, de boa-fé e de maneira imparcial. É preciso insistir no cumprimento das soluções já aprovadas pelas partes – antes de tudo, no que toca à criação da Comunidade dos Municípios Sérvios de Kosovo que Pristina tem vindo a sabotar desde 2013. Esperamos que o Representante Especial da UE, Miroslav Lajcak, consiga fazer progresso na solução desta questão essencial. Se os acordos alcançados não forem cumpridos, o diálogo poderá não sair do ponto morto.

Preocupa a radicalização da retórica dos albaneses de Kosovo após a vitória do partido nacionalista Movimento Autodeterminação nas “eleições parlamentares” extraordinárias. O seu líder, Albin Kurti, declara abertamente que as negociações com Belgrado ocupam o último lugar na lista das suas prioridades, estando na agenda as perspetivas da união de Kosovo e da Albânia. Os protetores ocidentais dos kosovares ainda não conseguiram reagir a estas provocações. No entanto, semelhantes intenções ameaçam com o fracasso da estabilidade regional nos Balcãs que já é fraca.

Apelamos a todas as partes envolvidas a manifestarem abordagem responsável, agirem apoiando-se no direito internacional, buscando compromissos capazes de garantir paz duradoura e desenvolvimento progressivo de todos os países e povos do Sudeste da Europa.


 Quarteto de intermediários internacionais para o Médio Oriente organizou videoconferência


 A situação no Médio Oriente merece a nossa atenção especial no âmbito da agenda regional. Em meados de fevereiro, teve lugar uma videoconferência dos representantes especiais do “quarteto” dos mediadores internacionais para o Médio Oriente, composto pela Rússia, EUA, ONU e UE. Da parte russa, participou o Representante Especial do Ministro dos Negócios Estrangeiros para o Médio Oriente, Vladimir Safronkov. Por iniciativa do nosso país, a partir do verão do ano passado, este mecanismo funciona de maneira regular: os membros do “quarteto” reúnem-se a cada mês. Acreditamos que a intensificação dos esforços internacionais consolidados seja indispensável para estabelecer o processo sustentável de paz no Médio Oriente.

No decurso da última reunião dos copresidentes do “quarteto”, a parte russa destacou a importância da criação mais rápida possível das condições para a retomada das negociações diretas palestiniano-israelitas sob a égide do próprio “quarteto” no intuito de resolver as questões fundamentais do estatuto definitivo com base em princípios existentes do direito internacional, assentes na ideia da criar dois Estados: a Palestina e Israel, conviventes em paz e segurança. Os nossos parceiros partilham desta abordagem.

Quero observar ainda que o papel da Rússia na área da situação no Médio Oriente não se limita à atividade do “quarteto”. Continuamos ativamente as consultas bilaterais tanto com os palestinianos e israelitas, quanto com os outros jogadores essenciais internacionais e regionais. Apoiamos os esforços de movimentos políticos palestinianos que visam restabelecer a sua união na plataforma da Organização pela Libertação da Palestina. No âmbito do fomento da situação económica e social na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, participámos, a 23 de fevereiro, em videoconferência do Comité Coordenador Provisório de ajuda aos palestinianos.


 Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 faz meio-século


 A 21 de fevereiro do ano corrente, passaram-se exatamente 50 anos desde a assinatura da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971. Este documento tornou-se um dos pilares do direito internacional na área do controlo das drogas. Vamos continuar a observar as suas estipulações, o que vem também confirmado na Estratégia da Política Estatal Antidrogas da Federação da Rússia até 2030, aprovada em novembro de 2020.

Esta política tem ganhado uma relevância especial se tivermos em conta as tentativas de alguns Estados de estragar o sistema intergovernamental existente de controlo das drogas por meio da legalização de alguns tipos de meios narcóticos e substâncias psicotrópicas. A Rússia, juntamente com os seus partidários, rechaça firmemente semelhantes tentativas, manifestando-se ativamente, inclusive em plataformas internacionais, pela consolidação dos esforços da comunidade internacional na luta contra a ameaça global das drogas.


 Ponto da sessão plenária da Assembleia Geral da ONU convocada por iniciativa de Kiev


 A 23 de fevereiro, teve lugar a reunião da Assembleia Geral da ONU convocada por iniciativa de Kiev, dedicada a um item da 75a sessão “Situação nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia”.

Quanto à Alemanha, já comentámos esta situação. Agora quero concentrar-me na Ucrânia e no seu Representante Permanente, Serguei Kislitsa, bem conhecido pelas suas declarações escandalosas e bastante inadequadas. No seu discurso, ele lançou uma boa dose de acusações habituais contra a Rússia, deturpando os factos e os acontecimentos reais que dizem respeito à reunificação da Crimeia com a Rússia em março de 2014 no resultado da manifestação livre da vontade dos habitantes da península. Sabem, as opiniões podem ser diferentes. O trabalho dos diplomatas consiste em trocar opiniões, encontrar pontos de contato e não deturpar os factos. Isso é inaceitável. Não se pode passar divergências nas abordagens políticas por “deturpações” ou fazer que as distorções passem por abordagem essencial. E isso é exatamente o que faz, em particular, a delegação ucraniana na ONU. O Representante Permanente da Ucrânia tampouco se esqueceu de reproduzir o leque conhecido das insinuações sobre a situação em Donbass.

Não deixamos de prestar a atenção dos parceiros ocidentais a que os media ocidentais estão praticamente ausentes em Donbass. Escrevem, fazem cobertura dos Acordos de Minsk, publicam materiais, mas não trabalham lá fisicamente. Por isso, seria ótimo comprovar tudo o que vocês ouvem sobre Donbass da boca de representantes ucranianos, recomendando ou encorajando os media ocidentais para viajarem a Donbass e filmarem o que está a acontecer lá na realidade.

Serguei Kislitsa declarou que não é Kiev, mas Moscovo não cumpre os Acordos de Minsk. Entretanto, o representante russo, na sua intervenção, desmentiu estas especulações, fortalecendo a nossa posição com provas irrefutáveis e factos.

É sintomático que somente 32 dos 193 países membros tenham participado no evento. E dos que participaram, muitos apareceram evidentemente por instrução de Washington e de Bruxelas, transmitindo as mesmas atitudes para com este assunto. Julgando pelo baixo interesse no evento, a única razão real dele era a vontade da Ucrânia de “aquecer” as tendências antirrussas na ONU e de manter esta questão na agenda da Assembleia Geral.

Quanto mais se dediquem a propagar fakes nas organizações internacionais, menos interesse haverá a estes eventos.

É triste que Kiev prefira treinar retórica politizada, frequentemente recorrendo à mentira descarada, à construção do diálogo construtivo direto com Donetsk e Lugansk (previsto pelo complexo de medidas para o cumprimento dos Acordos de Minsk), visando instaurar paz duradoura no Leste do país.


 Egito recebe primeiro lote de carruagens construídas por empresa russa na Hungria


 A 23 de fevereiro, chegou ao porto de Alexandria (Egito) um primeiro lote de carruagens ferroviárias construídas pela empresa russa Transmashholding na cidade húngara de Dunakeszi. Anteriormente, forneciam-se ao Egito carruagens montadas na Fábrica de Vagões de Tver, também pertencente à Transmashholding. O contrato assinado em 2018 pelo consórcio russo-húngaro Transmashholding Hungary Kft. com a Empresa Nacional de Ferrovias do Egito prevê o fornecimento ao Egito de 1.300 carruagens até outubro de 2023. Tal é a cooperação multilateral e construtiva entre países e até entre continentes.

Participaram na cerimónia solene o Ministro dos Transportes do Egito, Kamel al-Wazir, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Exterior da Hungria, Peter Szijjartó e o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Federação da Rússia na República Árabe do Egito, Gueorgui Borysenko que avaliaram positivamente o estado de cumprimento do contrato trilateral.


Rússia e ASEAN assinam Memorando de Entendimento na área da prevenção e liquidação das situações de emergência


Em 2021, comemoramos um aniversário “duplo” no diálogo Rússia-ASEAN: 30 anos das relações entre o nosso país e a Associação e os 25 anos da parceria abrangente, que em 2018 passou a ser estratégica. A cooperação está a progredir; estamos a ampliar ativamente a cooperação prática, inclusive em áreas como a luta contra os novos desafios e as novas ameaças, a segurança das tecnologias informáticas e de comunicação, indústria de alta tecnologia, criação de “cidades inteligentes”.

Um dos exemplos que evidenciam o dinamismo das relações da Rússia com o grupo é a assinatura, a 19 de fevereiro do ano corrente, do Memorando de Entendimento Mútuo entre a Rússia e a ASEAN de cooperação na área de prevenção e de liquidação das situações de emergência pelo Ministro da Federação da Rússia para Assuntos da Defesa Civil, Situações de Emergência e Eliminação das Consequências das Desastres Naturais, Evgueny Zinitchev, e pelo Secretário-Geral da ASEAN, Lim Jock Hoi.

O Memorando estabelece marcos organizacionais e jurídicos para a ampliação da cooperação entre a Rússia e a ASEAN na área de reação a emergências, inclusive a prevenção das ameaças e o seu respetivo monitoramento, troca de tecnologias de ponta, formação de especialistas, ajuda em situações de emergência. A adoção deste documento facilitará a consolidação da cooperação entre as estruturas especializadas, como o Centro Nacional de Gestão de Situações de Emergência russo e o Centro de Coordenação da ASEAN para ajuda humanitária em situações de emergência.


                     Parceria estratégica entre Rússia e Vietname faz 20 anos


A 1 de março de 2001, foi assinada em Hanói a Declaração de Parceria Estratégica entre a Federação da Rússia e a República Socialista do Vietname. Foi uma confirmação óbvia da vontade dos povos da Rússia e do Vietname de consolidar as relações intergovernamentais com base nas tradições de amizade e de cooperação mutuamente vantajosa de muitos anos. A celebração deste documento histórico foi o resultado lógico de décadas de cooperação frutuosa dos nossos países em diferentes áreas, demonstrando a sua firmeza para ampliar as relações bilaterais em novas condições históricas, baseando-se na rica experiência de colaboração acumulada nos anos anteriores.

Nos 20 anos que passaram, a parceria estratégica russo-vietnamita obteve resultados impressionantes. O diálogo político aos níveis alto e mais alto passou a ser regular. A cooperação nas áreas comercial, económica, militar, técnico-militar, tecnológico-científica e humanitária receberam um impulso adicional. Dinamizaram-se contatos entre os Parlamentos e os partidos, contactos entre regiões. Novos mecanismos de cooperação foram elaborados, permitindo cooperar eficazmente na solução de questões relevantes da agenda bilateral, coordenar ações no palco internacional. É notável que em 2012, a nossa parceria estratégica tinha recebido o estatuto de abrangente, por consenso mútuo das partes.

O espírito de solidariedade e de constante apoio mútuo foi especialmente evidente nas condições da propagação da nova infeção pelo coronavírus. A Rússia e o Vietname trocam ajuda consultiva, metodológica e outros tipos de assistência, enquanto as organizações especializadas das partes mantêm diálogo ativo sobre todo o leque de assuntos da luta contra a Covid-19, trocando experiência de combate a esta doença perigosa.

Hoje em dia, apesar da situação difícil na região e no mundo, da turbulência progressiva e das mudanças radicais que se operam em todo o sistema das relações internacionais, a cooperação estratégica abrangente entre a Rússia e o Vietname, baseada na cooperação frutuosa de muitos anos, permanece um elemento importante da política externa russa na região da Ásia-Pacífico.


 Natalia Vodyanova nomeada Embaixadora da Boa-Vontade do UNFPA


Estamos felizes com a decisão do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) de nomear Embaixadora da Boa-Vontade a conhecida ativista social e filantropa russa – além de ser simplesmente uma mulher muito bonita - Natalia Vodyanova.

O UNFPA foi criado pelo Secretário-Geral da ONU em 1967. A sua missão principal é prestar assistência aos países em desenvolvimento na área de planeamento da família, de prevenção de mortes maternas, de monitoramento e análise dos processos demográficos e também na ajuda aos governos na elaboração de programas na área da população e ajuda financeira para o cumprimento destes programas.

As funções da Embaixadora da Boa-Vontade do UNFPA incluem a conscientização da população sobre a saúde feminina e sobre a luta contra os maus hábitos entre mulheres e meninas, e também a participação em fóruns temáticos.

Acreditamos que esta decisão tenha um resultado positivo para a dinâmica da nossa cooperação com o Fundo que está em fase de intensificação.

Pergunta: Permita-me que examinemos a situação na região do Norte, em virtude da próxima abertura da Rota Marítima do Norte. Isso tem uma grande importância para as pessoas, os deslocamentos, o comércio e os recursos. O Norte está a ganhar uma grande relevância. Três Estados estão situados no Atlântico Norte: a Groenlândia, a Islândia e as Ilhas Faroe. A Islândia tornou-se independente do Reino da Dinamarca em 1944, porque na primavera de 1940, Hitler ocupou Copenhaga. Os adversários acreditam que o facto de a Groenlândia e as Ilhas Faroe não possuírem independência é uma consequência do imperialismo dinamarquês. Em 1944, um referendo foi organizado na Islândia, e 98% das pessoas votaram pelo abandono da coroa dinamarquesa. Como a Rússia vê a eventual independência de dois Estados: a Groenlândia e as Ilhas Faroe, onde estão agora vigentes as leis, a polícia, a moeda dinamarquesa?

Porta-voz Maria Zakharova: A Groenlândia e as Ilhas Faroe são territórios autónomos que fazem parte do Reino da Dinamarca. E nisso baseamos a nossa cooperação com elas.

Quanto às relações comerciais, com efeito, e Torshavn não aderiram às sanções antirrussas da União Europeia, e a cooperação com elas tem sido pragmática e construtiva. Realizam-se projetos mutuamente vantajosos nas áreas da pesca e cultura aquática, há interesse mútuo em estabelecer cooperação nas áreas de transformação de madeira, construção, cultura, educação e desporto.

Em outubro de 2020, foi nomeado o Cônsul Honorário da Federação da Rússia em Nuuk. Estamos convencidos de que isso impulsionará ainda mais a cooperação russo-groenlandesa.

Pergunta: A partir de 15 de fevereiro, a parte azeri proibiu, sem algum comentário, operações de busca de corpos dos militares e civis mortos nos territórios que estão agora controlados pelo Azerbaijão. Sendo que compete à força de paz russa manter negociações com a parte azeri, será que o lado russo sabe dos prazos de retomada das buscas?

Porta-voz Maria Zakharova: Recomendamos dirigir esta pergunta aos representantes do contingente de paz russo em Nagorno-Karabakh. Os pacificadores conhecem melhor a situação in loco e também facilitam as buscas e a troca dos prisioneiros de guerra, ajudando as partes arménia e azeri. De acordo com os dados disponíveis, 1.684 corpos dos militares mortos foram entregues, desde 13 de novembro de 2020, dos quais 1.374 à parte arménia e 310, à parte azeri.

Pergunta: Manifestações públicas começaram na Arménia após o Estado-Maior General das Forças Armadas do país ter exigido a demissão do Primeiro-Ministro, Nikol Pashinyan. Como a senhora avalia os recentes acontecimentos na Arménia?

Porta-voz Maria Zakharova: Como um assunto interno da Arménia. Muitos funcionários russos, do MNE e do Gabinete do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, emitiram comentários ontem sobre o assunto. Houve contatos a diferentes níveis. E isso foi confirmado de novo.

Pergunta: O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, declarou em conferência de imprensa que o Azerbaijão tinha entregue todos os prisioneiros guerra à Arménia e que somente os diversionistas estão a ser retidos, sendo inoportunas as especulações da Arménia e de outros países. Só que, de acordo com os dados da parte arménia, cerca de 300 pessoas ainda permanecem na prisão azeri. Como a senhora comenta esta declaração?

Porta-voz Maria Zakharova: Seria melhor fazer esta pergunta aos nossos pacificadores, que estão a prestar assistência in loco às partes arménia e azeri nas operações de busca e na troca de presos, fazendo este trabalho diariamente. Por isso, da minha parte, posso precisar esta informação junto aos colegas. Mas em todo o caso, é a sua área de responsabilidade e competência.

Pergunta: Os nossos colegas dos media transmitem-nos que alguns jornalistas, pessoas particulares, turistas, inclusive representantes das organizações filantrópicas e internacionais não podem ter acesso a Artsakh devido à proibição imposta pela força de paz russa que alega a postura do Azerbaijão sobre este assunto.

Será que o contingente de paz russo tem competências de decidir sobre quem pode e quem não pode entrar em Artsakh?

Porta-voz Maria Zakharova: Nós todos devemos perguntar-nos: o que é que queremos? Desenvolver o turismo em Artsakh, nesta etapa? É essa a tarefa principal? Ou procurar uma paz duradoura, possibilitar o retorno dos refugiados e construir uma vida normal? A nosso ver, a segunda tarefa é a principal. É a paz duradoura, o regresso das pessoas aos seus lares e a organização da vida normal, inclusive a passagem gradual à solução das demais questões que são muitas. Os pacificadores russos ocupam-se exatamente desta sua tarefa principal. Claro que avaliam junto com as partes cada caso concreto de admissão ou proibição de entrar, os problemas respetivos. Mas vou repetir: para todas as partes que assinaram o acordo de 2020 e para aqueles que desejam ajudar a resolver a situação, mantendo contato com as partes e as organizações internacionais, a tarefa principal é a paz duradoura e o regresso das pessoas à vida normal neste território.

O resto vai ser resolvido quando a tarefa principal for cumprida. E esta tarefa é complexa e abrange muitas áreas. Acho que a senhora deve sabê-lo melhor do que eu. As provocações são muitas, assim como as situações difíceis que ficam fora do quadro exato de alguma solução jurídica. Sabe perfeitamente que o conflito foi longo e complicado. Nós defendemos a possibilidade de que os jornalistas também possam trabalhar por toda a parte, em todos os locais e que os turistas façam viagens também - mas há a realidade que se vive in loco. É a tarefa principal, e devemos concentrar-nos nela.

Obrigada por transmitir a lista de casos concretos. Transmiti-la-emos aos nossos peritos que tratem disso para ver o que podemos fazer. Mas vou repetir: nada deve distrair-nos desta tarefa fundamental, caso contrário só vamos fazer fracassá-la. É isso que devemos evitar. Todos pagaram um preço caro demais. Por isso, com todo o respeito às pessoas que se interessam pelas atrações turísticas e belezas locais (querendo somente ampliar os seus conhecimentos), elas também devem lembrar-se desta meta básica.


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