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"Ucrânia recusa-se a apoiar a iniciativa russa de resolução do conflito em Donbass", disse porta-voz Maria Zakharova no seu briefing semanal em Moscovo, 18 de fevereiro de 2021

311-18-02-2021

Ministro Serguei Lavrov reunir-se-á com o seu colega afegão


Entre os dias 24 e 27 de fevereiro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Afeganistão, Hanif Atmar, fará uma visita de trabalho a Moscovo, durante a qual será recebido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, e outras personalidades oficias do país.

Durante a visita, serão tratados temas da agenda bilateral, incluindo as relações comerciais e económicas bilaterais, bem como a resolução pacífica da situação no Afeganistão e combate às ameaças terroristas e ao tráfico de droga.

A Rússia preocupa-se em especial em fazer avançar o processo de reconciliação nacional no Afeganistão e em pôr termo ao conflito armado de longa data naquele país. Defendemos de forma coerente a constituição do Afeganistão como país pacífico, independente e neutro, livre do terrorismo e da droga e empenhado em manter boas relações com os seus vizinhos, os países da região e de todo o mundo.


APEC inicia preparativos para a Cimeira anual


A atual situação da economia mundial torna especialmente importante estreitar a cooperação regional que é vista por muitos países como forma eficaz de enfrentar os efeitos negativos da pandemia da Covid-19. Entre os mecanismos regionais testados pelo tempo consta o Fórum da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), da qual a Rússia faz parte desde 1998.

Agora iniciou-se um novo ciclo anual de preparativos para a Cimeira da APEC agendada para novembro deste ano. As atividades envolvem mais de 40 ministérios e organizações sociais da Rússia que participam nos trabalhos de mais de 60 estruturas periciais e plataformas de diálogo da APEC.

O principal objetivo das nossas atividades na APEC é promover um ambiente de comércio e investimento livre, não discriminatório, transparente e previsível, digitalizar as mais diversas áreas da economia e sistemas de governo, garantir um desenvolvimento inovador e sustentável e crescimento seguro. 

Consideramos que, face aos desafios atuais, é prioritário garantir um acesso igual às vacinas e estabelecer uma cooperação construtiva no desenvolvimento, produção e distribuição de medicamentos e agentes de diagnóstico. Entre os projetos russos bem-sucedidos no Fórum está a iniciativa de recuperação económica e integração de territórios remotos. Pretendemos dispensar especial atenção ao estabelecimento de uma interação entre a APEC e outras associações regionais, em conformidade com a iniciativa do Presidente russo, Vladimir Putin, de criar uma Grande Parceria Euro-asiática.


Diretor-Geral do Departamento de Cirurgia Pediátrica da Rússia visita Cazaquistão 


Relatamos regularmente a assistência prestada pela Rússia aos países vizinhos e a outros países do mundo no combate à pandemia. Gostaria de citar alguns outros exemplos no nosso briefing de hoje.

A Rússia e o Cazaquistão conseguiram aproveitar os desafios da pandemia do coronavírus para estreitar as suas relações bilaterais, sobretudo na área de saúde. O Cazaquistão começou, este mês, a vacinar com a vacina russa Sputnik V produzida pela Empresa Farmacêutica de Karaganda. 

Entre os dias 5 e 12 de fevereiro, o Cazaquistão foi visitado pelo Diretor-Geral do Departamento de Cirurgia Pediátrica da Sibéria do Ministério da Saúde da Rússia, Y. A. Kozlov. Durante uma semana de estada no país, Y. A. Kozlov realizou um ciclo de conferências e atividades práticas intitulado "Escola de Cirurgia Pediátrica" para estudantes de medicina e jovens cirurgiões cazaques, fez mais de dez intervenções cirúrgicas nos centros médicos de Nur-Sultan e de Almata, as quais foram transmitidas em direto num website especializado, apresentou práticas avançadas de realização de cirurgias em recém-nascidos, bebês e crianças, entre as quais algumas de sua autoria. As suas atividades despertaram grande interesse não só na comunidade médica do Cazaquistão, mas também nos quadrantes sociais do país. Agradecemos aos nossos amigos cazaques o caloroso acolhimento oferecido ao nosso especialista. Da nossa parte, continuaremos a prestar todo o apoio necessário às missões educativas e instrutivas realizadas por especialistas dos nossos dois países.


Rússia entrega ajuda humanitária à Palestina


No dia 11 de fevereiro, a Rússia entregou solenemente, no porto de Ashdod, em Israel, aos representantes do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU mais um lote de 936 toneladas de farinha de trigo vitaminado destinado à Palestina, no âmbito da contribuição voluntária da Rússia para o Programa. A Palestina faz parte da lista de destinatários da ajuda humanitária russa através da ONU.

O referido lote será distribuído entre a população carenciada da Faixa de Gaza no final de fevereiro, início de março. Outro lote de 1008 toneladas de farinha destinadas aos palestinianos da Cisjordânia está na fase final do processo de desalfandegamento.

O Programa Alimentar Mundial é o nosso principal parceiro na prestação de ajuda alimentar à Palestina através da ONU. 

Além disso, a Rússia envia regularmente ajuda humanitária aos países da CEI (ex-repúblicas soviéticas – N. da R.), do Médio Oriente e da África. Também fornecemos alimentos aos países das Caraíbas e da América Latina. Nos últimos anos, a Rússia não só vêm ampliando o mapa de destinos da sua ajuda humanitária como também vêm diversificando as suas formas, participando igualmente financeiramente e prestando aconselhamento pericial na implementação de programas, de grande escala, de criação de sistemas sustentáveis de alimentação escolar.


Situação em Nagorno-Karabakh continua estável 


Recebemos muitos pedidos para comentar a situação atual em Nagorno-Karabakh. 

A situação na zona de conflito tem permanecido estável nos últimos dias. Não foram registadas quaisquer violações do regime de cessar-fogo. A Força de Paz russa vigia a situação por meio de 27 postos de vigilância e observação, continuando a limpar o terreno de engenhos explosivos e a garantir a segurança dos refugiados que regressam a Nagorno-Karabakh.

Desafios e avanços na implementação das declarações dos líderes do Azerbaijão, Arménia e Rússia, de 9 de novembro de 2020 e de 11 de janeiro de 2021, foram abordados, a 17 de fevereiro deste ano, durante os contactos telefónicos entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Primeiro-Ministro da Arménia, Nikolai Pashinyan, e entre o Ministro russo dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, Djeyhun Bayramov, assim como durante o encontro, em Moscovo, entre Serguei Lavrov e o Ministro arménio dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Ara Aivazian. 

Prosseguem os trabalhos no âmbito do Grupo de Trabalho Trilateral co-presidido pelos vice-primeiros-ministros do Azerbaijão, da Arménia e da Rússia. Os resultados da segunda reunião do Grupo, realizada a 12 de fevereiro, por videoconferência, foram disponibilizados no website do Governo da Federação da Rússia. 


Ucrânia e alguns países ocidentais recusam-se a apoiar a iniciativa russa de resolução do conflito em Donbass


Na semana passada, a Rússia apresentou à OSCE um projeto de declaração do Conselho Permanente deste organismo internacional em apoio do "Pacote de Medidas" para a resolução do conflito no leste da Ucrânia. Faço lembrar que este documento, adotado há seis anos pela Ucrânia, Donetsk e Lugansk, com a participação da Rússia e da OSCE, e aprovado pelo "formato Normandia" e por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, se tornou parte do direito internacional e uma base única para um acordo de paz, como muitos dos nossos colegas no estrangeiro têm constantemente afirmado.

A iniciativa russa apresentada à OSCE teve como causa não só a sabotagem constante dos acordos de Minsk por parte do governo de Kiev, mas também as intenções de distorcer e rever o conteúdo e a sequência dos passos neles estipulados que vêm sendo anunciadas com frequência cada vez maior pelos dirigentes ucranianos, cujas declarações a este respeito não recebem nenhuma resposta adequada das organizações internacionais, nem das da França ou da Alemanha como mediadores do processo de paz. 

O texto do nosso projeto de declaração era muito simples, contendo apenas três pontos: apoiar o "Pacote de Medidas" aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, exortar à sua rápida implementação e estimular as estruturas da OSCE a prestarem a respetiva ajuda.

Aparentemente, o nosso projeto não tinha nada de novo, a não ser uma reafirmação dos principais aspetos daquilo que a comunidade internacional já acordou. Ninguém na OSCE deveria ter objetado esta atitude, uma vez que todos os países anunciam teses semelhantes nas reuniões semanais do Conselho Permanente. Pelo menos, já o disseram tantas vezes e tentaram convencer-nos da sinceridade das suas posições. Considerávamos que a aprovação unânime da nossa declaração seria um bom sinal para os governos de Kiev, Donetsk e Lugansk e os estimularia a implementar o "Pacote de Medidas" e contribuiria para a paz na região de Donbass.

Para nossa surpresa, a Ucrânia e os países ocidentais recusaram-se a apoiar o projeto russo. Nas duas rondas de consultas, eles tentaram impor fórmulas contrárias ao "Pacote de Medidas" e à resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Como resultado, o documento não chegou a ser aprovado. É particularmente lamentável que os nossos parceiros do "formato Normandia", a Alemanha e a França, bem como a Suécia, presidente em exercício da OSCE, cujo Representante Especial coordena os trabalhos do Grupo de Contacto, não tenham apoiado o nosso projeto.

Esta atitude dos nossos paceiros mostra a sua "sinceridade", por exemplo, e levanta a questão lógica: qual é exatamente a razão da sua relutância em confirmar por escrito o que eles próprios dizem nas suas declarações e o que foi oficialmente adotado há seis anos no Grupo de Contacto e aprovado pelo "formato Normandia" e pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas? Gostaria de acreditar que a sua posição não tem por base os planos de destruir os acordos de Minsk e resolver à força o problema da Região de Donbass. Os nossos parceiros terão de o provar na prática. 

Estamos convencidos de que o conflito na Ucrânia Oriental só pode ser resolvido politicamente, por meio de um diálogo direto entre os governos de Kiev, Donetsk e Lugansk, com base no "Pacote de Medidas" que não tem alternativa. Lamentamos que a nossa iniciativa em apoio do "Pacote de Medidas» tenha sido rejeitada na OSCE e apelamos uma vez mais à aplicação fiel de todas as suas disposições na sua totalidade e coerência.

Teremos em conta a reação dos nossos parceiros à iniciativa russa quando estivermos a elaborar a nossa posição relativamente ao futuro papel da OSCE na resolução da crise interna na Ucrânia.


EUA realizaram exercícios navais no Mar Negro


Como ficámos a saber, um grupo de navios americanos e turcos, apoiados por aviões, realizou exercícios navais conjuntos no dia 9 de fevereiro no Mar Negro. O objetivo foi o treinamento da busca e deteção de um submarino de um inimigo simulado. Esta sessão de treinamento envolveu os destroyers americanos "Porter" e "Donald Cook" da classe Arleigh Burke, aviões de patrulha marítima "Poseidon", as fragatas turcas "Oruc Reis" e "Turgut Reis", dois aviões de caça F-16 e um avião de reconhecimento.

Neste contexto, encarámos como provocatórias as declarações de representantes do Pentágono e do Departamento de Estado dos EUA de que estes exercícios foram alegadamente concebidos por Washington e os seus aliados para "reforçar a segurança na Europa". Todavia, para tanto, é preciso, como dissemos atrás, contribuir para a implementação dos acordos de Minsk. Esta seria uma verdadeira contribuição para este processo. Os EUA, muito envolvidos na história ucraniana, embora não façam parte do "formato Normandia", poderiam fazer tudo para encorajar Kiev a honrar os seus compromissos confirmados pela resolução do Conselho de Segurança da ONU. Este seria um verdadeiro contributo para o reforço da segurança na Europa. É uma grande questão para todos saber como os F-16 poderiam exercer esta função.

É óbvio para todos que os exercícios em causa tiveram uma conotação antirrussa e foram realizados perto das fronteiras da Rússia, especificamente, perto da nossa costa do Mar Negro, ameaçando a paz e a estabilidade. A impressão que fica é a de que Sexta Frota americana no Mar Negro está ansiosa por encontrar um inimigo, mas eles fazem isso em vão. 


Secretário-Geral da NATO fala da contenção da Rússia e a China


Aparentemente, os representantes da NATO não querem, por princípio, avaliar objetivamente o seu papel na crise das relações Rússia-NATO. 

Nos últimos anos, temos avançado muitas iniciativas destinadas a encontrar soluções para esta crise, em particular, a diminuir a tensão e a criar um sistema de segurança europeia e euro-atlântica verdadeiramente igual. Não recebemos nenhuma reação clara, tendo as atividades do Conselho Rússia-NATO, criado em 2002, sido congeladas. Lembram-se de quem foi o responsável por isso? Não foi a Rússia.

De modo geral, comentámos detalhadamente e de forma regular este assunto. Em particular a nossa posição e a da Aliança em relação à cooperação com a Rússia foram abordadas no nosso briefing de 3 de dezembro de 2020. Desde então, nada mudou, infelizmente. Podemos dizer que aquele comentário continua relevante ainda hoje. 


Governo alemão respondeu à interpelação da bancada parlamentar  "Alternativa para a Alemanha" sobre o "caso Navalny"


Prestámos atenção à resposta do governo alemão, divulgada no dia 15 de fevereiro, à interpelação da bancada parlamentar do partido da oposição "Alternativa para a Alemanha" sobre o chamado "caso Aleksei Navalny". Podem consultar estes materiais. Gostaria de comentá-los, porque recebemos muitas perguntas a este respeito. 

A resposta do governo alemão mostra que, no período entre 22 e 31 de agosto de 2020, Aleksei Navalny esteve sob a guarda dos serviços de segurança, primeiro, do grupo de segurança da Polícia Federal Criminal da Alemanha e, depois, da polícia criminal dos estados federais. Por outras palavras, o governo alemão não nega que a pessoa em questão esteve sob a guarda e o controlo dos serviços secretos alemães. 

O documento afirma que os vestígios de um agente de guerra químico nos biomateriais de Aleksei Navalny coincidem com os da "garrafa contaminada" e "outros objetos". Ao mesmo tempo, o documento afirma que é da competência da lei russa decidir se estes vestígios podem ser considerados como provas físicas importantes. Gostaríamos de fazer a seguinte pergunta: se a posição oficial de Berlim é a de que esta questão compete à legislação russa, porque é que temos os nossos pedidos de receber estes materiais negados? 

De acordo com informações do governo alemão, a esposa de Aleksei Navalny, Yulia, e o seu assessor de imprensa K. Yarmysh estavam a bordo do avião que seguia de Omsk para Berlim. Curiosamente, numa entrevista ao serviço russo da BBC, de 18 de setembro de 2020, Maria Pevchikh afirmou que havia sido ela e não K. Yarmysh a acompanhar o blogueiro A. Navalny. Daquela mesma entrevista conclui-se que a "garrafa contaminada" com vestígios do agente Novichok que, mais tarde foi entregue ao laboratório da Bundeswehr, também estava a bordo. Estão completamente confusos. Não sei se é possível inventar mais alguma coisa. As divergências e contradições diretas apresentadas pela posição das autoridades alemãs (não se trata de investigações jornalísticas, onde a confusão é possível, mas da posição oficial da Alemanha) estão para além de qualquer compreensão. Fica a impressão de que os interessados estão a tentar "varrer os vestígios da presença" de Maria Pevchikh. A propósito, não se sabe de quais países ela é nacional. Também valeria a pena identificar a sua nacionalidade. Alegadamente, o governo alemão não tem informação sobre se ela visitou A. Navalny no hospital. Os nossos parceiros alemães não podem dar uma resposta clara a nenhuma das nossas perguntas. 

Finalmente, o mais importante, praticamente uma sensação. Acontece que as autoridades alemãs não temiam que a comitiva de A. Navalny pudesse ter sido «contaminada", dizendo que, quando eles receberam as "provas" do envenenamento de A. Navalny com o Novichok, a sua comitiva já teria apresentado sintomas semelhantes. Como nenhum dos integrantes da comitiva de Navalny apresentava sintomas, a comitiva de Navalny não foi submetida a exames. Não acham que os sintomas faltavam porque não houve nenhum envenenamento? 

Indiretamente, o governo alemão reconhece esta hipótese como válida porque, de acordo com a sua resposta, ele "não tem informação sobre se a comitiva foi submetida a um exame para ver se apresentava sintomas de contaminação com Novichok em consequência do transporte de objetos com vestígios da substância tóxica". O governo alemão "não só não tem qualquer informação, como também não tem razões para ter informação" sobre se as medidas de segurança foram observadas durante o transporte destes objetos. 

Exortamos mais uma vez as autoridades alemãs a deixar de enganar a comunidade internacional. A Alemanha continua a esconder de forma persistente, não só da Rússia, mas também dos seus próprios parlamentares, as verdadeiras circunstâncias do incidente com A. Navalny e da sua estadia no território nacional da Alemanha. As autoridades alemãs não partilham os detalhes nem mesmo com os seus aliados. Isto levanta dúvidas quanto à sinceridade das intenções humanistas declaradas pelo lado alemão. 

Temos de constatar mais uma vez que Berlim ainda não pretende dar respostas à maioria das questões-chave sobre a referida situação. Não há "provas" que comprovem as acusações apresentadas à Rússia nem laudos periciais nem outros materiais necessários que ajudem a compreender o que ali aconteceu. As autoridades alemãs não atendem aos pedidos da Procuradoria-Geral da Rússia nem dão respostas claras. Continuaremos a procurar esclarecimentos junto das autoridades alemãs sobre os detalhes do incidente em causa. 


"Dossier de investigação" de A. Navalny gera polémica na imprensa 


Prestámos atenção à polémica travada na imprensa em torno do papel dos serviços secretos ocidentais no chamado "dossier de investigação" de A. Navalny, muitos colunistas não encaram o acesso concedido a A. Navalny aos documentos de arquivo do departamento de Dresden do Ministério para a Segurança do Estado (Stasi) da antiga República Democrática da Alemanha (RDA) como prova da sua ligação com os serviços secretos estrangeiros.

De acordo com a Lei da RFA "Da Documentação da Stasi", de 1991, qualquer interessado pode ter acesso a estes documentos de arquivo depois de obter a respetiva autorização das autoridades alemãs competentes. Afirma-se que as autoridades alemãs não teriam estado cientes das atividades de A. Navalny. 

Por outro lado, as suspeitas de que o lado alemão tenha podido ajudar A. Navalny a obter acesso aos documentos da Stasi e orientá-lo na busca de documentos específicos parecem agora muito convincentes. A comprová-lo está o facto de os famigerados "materiais comprometedores" recolhidos pela Stasi terem sido usados periodicamente no período pós-reunificação da Alemanha para perseguir os políticos inconvenientes. Os escândalos provocados pela publicação de documentos de arquivo dos serviços secretos da RDA envolviam, entre outros, políticos tão importantes como os antigos chanceleres Willy Brandt e Helmut Kohl. O facto de boa parte dos documentos da Stasi ter chegado à posse dos EUA depois de 1990 e ter regressado à Alemanha apenas ao fim de muito tempo causa uma desconfiança ainda maior para com Berlim.

Assim, temos todas as razões para crer que, nesta situação, Berlim cometeu deliberadamente um ato abertamente inamistoso em relação à Rússia. Este é mais um elemento da provocação antirrussa de grande envergadura desencadeada pelas autoridades alemãs em torno de A. Navalny para interferir nos assuntos internos da Rússia e influenciar a sua situação política. 


Ministro Serguei Lavrov envia mensagem ao Diretor-Geral da OPAQ e aos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Suécia


Como sabem, no final de janeiro, foi publicada na Internet uma carta aberta do neurologista V.V. Kozak, que trabalha na Suíça, endereçada ao Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov. A carta continha perguntas difíceis e inconvenientes relativas às afirmações contidas num artigo publicado na revista "Lancet" sobre a alegada utilização de um agente de guerra químico contra Aleksei Navalny. A carta levantava uma série de questões importantes às quais os nossos colegas ocidentais ainda não deram nenhuma resposta clara. Os problemas levantados pelo médico suíço atraíram a atenção da imprensa. Portanto, a 8 de fevereiro deste ano, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, publicou uma resposta a algumas das questões levantadas pelo autor da carta.

Em seguida, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia enviou uma mensagem do Ministro Serguei Lavrov ao Diretor-Geral da OPAQ, Fernando Arias, e aos responsáveis pelos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França e Suécia em que pediu que comentassem as preocupações expressas na carta. A mensagem tinha anexadas a carta e a entrevista do Ministro Lavrov com os seus comentários. 

Esperamos que a Organização para a Proibição de Armas Químicas e os governos de Berlim, de Paris e Estocolmo comentem, inclusive publicamente, este assunto. Como é do vosso conhecimento, eles não têm como característica a contenção nas avaliações. É tempo de apresentarem as provas. Façam isso tão assiduamente como faziam as suas avaliações anteriores. 

Em princípio, a OPAQ e os nossos colegas europeus poderiam ter dado, por iniciativa própria, sem estímulos externos, a sua opinião abalizada sobre as questões levantadas pelo autor da carta. As acusações apresentadas são graves, todo o mundo está intrigado. Vamos ao trabalho.


Justiça francesa persegue "coletes amarelos".


Após os protestos não autorizados em janeiro deste ano na Rússia acompanhados de ataques à polícia, os representantes do Ocidente "progressista e liberal" lançaram contra a Rússia fortes críticas, infundadas e inapropriadas e muitas vezes assemelhadas a uma interferência flagrante nos nossos assuntos internos, exigindo a libertação imediata dos infratores da ordem pública, dos quais alguns foram submetidas às sanções administrativas e outros a processo penal, de acordo com a lei russa. Infelizmente, os nossos colegas franceses também se juntaram a este coro. 

Neste contexto, gostaria de aconselhar os nossos parceiros preocupados com a situação na Rússia a porem os olhos nos problemas dos seus respetivos países. Têm do que se ocupar. Nem tudo está bem na França. Este país, que tradicionalmente se posiciona como ardoroso defensor dos direitos humanos, nunca hesita em aplicar as mais duras medidas legais nos casos em que, na opinião das autoridades locais, a ordem pública é perturbada durante manifestações de protesto.  

Prova disso são as sentenças judiciais lavradas contra os ativistas do movimento dos "coletes amarelos". Segundo as estimativas disponíveis, cerca de 12 mil manifestantes foram detidos, mais de três mil sentenças judiciais foram lavradas. Destas pelo menos um terço prevendo penas de prisão efetiva. 

A acusação mais comum apresentada pelo judiciário francês aos manifestantes é «atentado contra um representante do Estado". Este postulado é interpretado de forma bastante vaga pela justiça francesa. Por exemplo, um tribunal de Nice condenou quatro manifestantes a uma pena suspensa de dois meses e a uma multa de sete mil euros por terem levado faixas anti-polícia. Já um tribunal de Marselha condenou um manifestante a uma multa de 900 euros e a uma indenização de mil euros por insulto a um agente da polícia.

Estas "peculiaridades" da atitude das autoridades francesas para com os manifestantes não passaram despercebidas pela comunidade internacional, como mostra o recente relatório publicado pela Anistia Internacional e intitulado "Preso por participar em manifestações. Lei como instrumento de repressão contra manifestantes pacíficos em França", bem como a desclassificação deste país no "Índice de Democracias", publicado pela The Economist. Cada país tem os seus próprios problemas. A França e outras nações devem concentrar-se em resolvê-los. Assim que estes países os resolverem definitivamente ou quase, teremos o grande prazer de ouvir a sua opinião sobre conseguiram fazê-lo. Neste caso, os seus conselhos serão bem-vindos. Por enquanto, não o são. 

Enquanto as autoridades francesas se empenham em retórica propagandística e se preocupam com a democracia noutros países, os manifestantes franceses têm a oportunidade de sentir na sua pele a "justiça" e a "democracia" da máquina judiciária francesa.


Rússia apoia esforços para a solução da questão cipriota


A Rússia apoia os esforços da comunidade internacional para a busca de uma solução justa, viável e abrangente para a questão de Chipre. Contudo, como já salientámos várias vezes, é inadmissível pressionar as partes cipriotas, impor-lhes receitas prontas, estabelecer para elas prazos e condicionar a assistência das Nações Unidas aos avanços nas negociações.

Compete aos cipriotas avaliar os conselhos externos sobre como alcançar um acordo. Como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Rússia é a favor das modalidades aprovadas pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU e que preveem a criação de uma federação bizonal e bicomunitária que possua uma única personalidade jurídica internacional, soberania e cidadania com base em acordos a serem alcançados pelas comunidades cipriotas. Qualquer alteração dos parâmetros básicos deve ser examinada pelo Conselho de Segurança da ONU. 


Embaixador ucraniano acusa Presidente alemão de deturpar a história 


Prestámos atenção à entrevista do Embaixador da Ucrânia em Berlim à agência noticiosa alemã "DPA" a respeito das declarações, de 6 de fevereiro deste ano, do Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, ao "Rheinische Post".

O diplomata ucraniano acusou o Presidente alemão de deturpar a história e diminuir o número de baixas sofridas pelo povo ucraniano na luta contra o nazismo. Chegou ao ponto de exigir a revisão da cultura da memória histórica estabelecida na Alemanha por não acentuar devidamente o papel do povo ucraniano na vitória na Segunda Guerra Mundial, tendo exortado o parlamento alemão a convocar uma reunião especial para debater a possibilidade de erguer um monumento especial em homenagem às vítimas de guerra ucranianas em Berlim. 

O apelo para prestar homenagem às vítimas de guerra feito pelo representante de um país que, anualmente, vota contra a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o combate à glorificação do nazismo, neonazismo e outras práticas que contribuem para a escalada das formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada é cínico. 

Talvez valha a pena o diplomata ucraniano pôr os olhos na situação na Ucrânia, onde os colaboradores locais e cúmplices nazis da Organização dos Nacionalistas Ucranianos e do Exército Insurreto Ucraniano são elevados à categoria de heróis nacionais e são homenageados com marchas de tocha comparáveis às dos seguidores de Hitler dos anos 1930, e o Instituto de Memória Nacional pede à justiça ucraniana para reconhecer que os símbolos da divisão SS "Galicia" não são nazis.

Aqueles que são atualmente homenageados na Ucrânia lutaram, durante a Grande Guerra Patriótica, contra os guerrilheiros soviéticos e polacos, mataram civis e participaram em pogroms judeus. Seria bom se o diplomata contasse sobre isso também. 

Todavia, a maioria dos ucranianos lutou no Exército Vermelho (a Rússia lembra-se disso) lado a lado com representantes de todas as etnias que compunham a ex-União Soviética combatiam pela liberdade da pátria comum. A memória da nossa inestimável Vitória, uma para todos, conquistada a um custo enorme, não pode ser esquecida. As tentativas de "dividir" esta conquista do povo soviético são inaceitáveis, tanto mais que a República Socialista Soviética Ucraniana, tal como a atual Ucrânia, era multirracial. A Ucrânia é um país multirracial, mas parece estar a tentar esquecê-lo. É nisto que reside a verdade histórica.

Lamentamos que um novo ataque do embaixador ucraniano acreditado na Alemanha contra o Chefe de Estado alemão não tenha causado nada, a não ser uma "perplexidade" às autoridades alemãs. Vale a pena lembrar mais frequentemente às autoridades ucranianas que que todos os povos da Europa foram vítimas do nazi-fascismo e que só foi possível derrotá-lo através de esforços conjuntos.


Justiça canadiana protela a deportação do criminoso nazi


As audições sobre a deportação do criminoso nazi G. Oberlander, que vive no Canadá e que serviu durante a Segunda Guerra Mundial na tropa punitiva Sonderkommando SS-10 "a", envolvido no massacre de 214 crianças do orfanato de Eisk, em 1942, e de mais de 30 mil civis da Região de Rostov, foram novamente adiadas. Invocando os problemas de saúde de G. Oberlander, os seus advogados conseguiram uma pausa no processo.

Consideramos inaceitável o uso de subterfúgios legais para protelar o processo judicial contra G. Oberlander. A propósito, o que pensa o embaixador ucraniano no Canadá sobre isto? Um artigo, apelos, polémicas - estamos à espera. Juntamo-nos às exigências das principais organizações de direitos humanos judaico-canadianas de punir este sequaz nazi pelos crimes contra a humanidade que não têm prazo de prescrição.

Temos a impressão de que as autoridades canadianas esperam que este caso seja resolvido de forma semelhante ao do carrasco V. Katryuk que havia participado na chacina da população da aldeia bielorrussa de Katyn e escapou à justiça.


Câmara Municipal de Sófia proíbe marcha neonazi


Este ano, a Câmara Municipal de Sófia, na Bulgária, proibiu novamente a realização de uma marcha das tochas neonazi, a "Marcha Lukov", que glorifica a ideologia criminosa do nazi-fascismo contrária à natureza da humanidade. Esta decisão foi saudada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, pelo Ministério do Interior e pelo Ministério Público da Bulgária que declararam inaceitáveis estas manifestações xenófobas.

Manifestações em homenagem ao general búlgaro Hristo Lukov, dos tempos da Segunda Guerra Mundial, conhecido pelas suas opiniões fascistas e antissemitas, ocorreram na capital búlgara entre 2003 e 2019.

A Rússia tem defendido consistentemente a união da comunidade internacional no combate à glorificação do nazismo, neonazismo e nacionalismo agressivo e sugeriu que Assembleia Geral das Nações Unidas aprovasse anualmente a respetiva resolução. É com satisfação que constatamos que este trabalho conjunto está a dar frutos positivos.

Acreditamos indispensável coibir todas e quaisquer tentativas de reabilitar a ideologia nazi-fascista e falsificar a história, inclusive no contexto do 80º aniversário do início da agressão de Hitler contra a URSS que é celebrado este ano.


Letónia declara jornalista russo persona "non grata"


Hoje, as autoridades letãs incluíram na lista de pessoas indesejáveis o jornalista russo Vladimir Soloviov, acusado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia de "glorificação do nazismo".

Gostaria de começar por dizer que o chefe da diplomacia letã, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Edgars Rinkevics, divulgou uma falsificação.  A única explicação sensata para este incidente é, na nossa opinião, a de que a Letónia cortou as emissões das cadeias televisivas VGTRK e RT. Foi esta política de bloqueio dos canais de TV "inconvenientes" no âmbito da campanha de sufocamento dos meios de comunicação social russos e de língua russa nos países bálticos que levou Edgars Rinkevics a divulgar desinformação. Ele simplesmente não tem a oportunidade de assistir aos seus programas. Caso contrário, o Ministro dos Negócios Estrangeiros letão saberia que é difícil encontrar um antifascista mais ardente do que Vladimir Soloviov que dedica boa parte do seu tempo de antena ao tema do combate à "peste castanha". 

Em geral, o cinismo das autoridades letãs ultrapassou todos os limites aceitáveis. Não, não é bem assim. Uma livre interpretação aqui é inadmissível. Devemos pensar em qualificar isso do ponto de vista jurídico. Gostaríamos de trazer Edgars Rinkevics de volta à realidade. Se eles se empenharam em lutar contra o nazismo, é tempo de deixarem de ser complacentes para com os membros letões da Waffen-SS e as suas marchas das tochas. É tempo de tomarem medidas para impedir a destruição e vandalização dos monumentos aos soldados soviéticos que deram as suas vidas pela libertação do nazi-fascismo dos países bálticos.

Caso contrário, de acordo com a lógica de Edgars Rinkevics, a lista de pessoas indesejáveis deve incluir também muitos representantes dos países bálticos e titulares de cargo letões, entre os quais o Ministro da Defesa letão, Artis Pabriks.

Em setembro de 2019, Artis Pabriks participou oficialmente em cerimónias na aldeia de More, onde a 19ª Divisão letã da Waffen-SS havia lutado, durante uma semana, em 1944, contra o Exército Vermelho que avançava sobre Riga. Durante a cerimônia, Artis Pabriks, disse: "Honremos a memória dos legionários tombados, não permitamos que ninguém manche a sua memória. Os legionários SS letões são o orgulho do povo e do Estado letões". Ainda não vi nenhuma publicação de Edgars Rinkevics na sua conta da rede social Twitter em condenação à declaração do Ministro da Defesa que glorifica o nazi-fascismo.

O facto de a Letónia, juntamente com outros países da União Europeia, não ter apoiado, em 2020, a adoção da Resolução sobre "O Combate à Glorificação do Nazismo, Neonazismo e Outras Práticas que Contribuem para a Escalada das Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Relacionada" na Assembleia Geral da ONU leva a crer que os dirigentes letões estão longe de ser antifascistas.


Moldávia proibiu o Embaixador russo de participar em eventos na Transdniestria 


Há dias, a assessoria de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Integração Europeia da Moldávia reagiu negativamente à participação do Embaixador russo num evento na Transdniestria, realizado a 10 de fevereiro deste ano por videoconferência. Em um comentário, a assessoria de imprensa da diplomacia moldova pediu aos diplomatas acreditados no país que se abstenham de participar em eventos organizados por "estruturas de Tiraspol".

Esta reação é de estranhar. O governo da Moldávia está bem ciente de que a Rússia não põe em dúvida a integridade territorial da República da Moldávia, é garante e mediador do processo de paz e defende o desenvolvimento progressivo das relações russo-moldovas no espírito dos princípios estipulados no Tratado de Amizade e Cooperação de 2001. As ações do Embaixador russo na Moldávia estão completamente de acordo com estes princípios.

O governo da Moldávia deve compreender que sem manter contactos com as partes em conflito, é impossível mediar um acordo de paz. Além disso, as responsabilidades de qualquer embaixador incluem desenvolver contactos com as regiões do país de estada e manter contactos com a comunidade de nacionais do seu país. Um trabalho semelhante, inclusive as viagens às regiões da Rússia, é efetuado pela Embaixada da Moldávia em Moscovo e não causa nenhuma alergia ao lado russo e muito menos quando se trata de videoconferências. 

Esperamos que os nossos parceiros moldavos se abstenham de conferir uma conotação política às atividades da Embaixada russa em Chisinau.


Rússia retalia a expulsão do seu diplomata da Estônia


A Rússia tem defendido coerentemente o desenvolvimento de relações de boa vizinhança com os países limítrofes, incluindo a Estónia.

No entanto, é evidente que isto requer o desejo dos parceiros de melhorar as relações em troca. Infelizmente, o lado estónio demonstrou mais uma vez a sua relutância em abandonar a sua política hostil não provocada para a Rússia.

As autoridades estónias, provavelmente empenhadas em demonstrar a sua lealdade aos seus superiores de Washington e Bruxelas, declararam, sem razão, "persona non grata" um diplomata da Embaixada russa em Tallinn que se ocupava das questões culturais e educacionais, ou seja, das áreas onde os dois países ainda mantêm uma cooperação.

A nossa resposta não se fez esperar. Convocámos o embaixador estoniano em Moscovo, manifestamos o nosso veemente protesto e anunciámos a expulsão de um dos diplomatas da missão diplomática estoniana.


Konstantin Yarochenko mantido preso nos EUA tem problemas de saúde


Continuamos a acompanhar de perto a situação dos russos mantidos presos nos EUA. Fazemos os possíveis para aliviar a sua vida na prisão, pois são mantidos em condições difíceis e, às vezes, desumanas. Pode-se ler sobre isto no livro de Maria Butina. Este livro não é para os fracos de coração. Mesmo assim, ajuda a entender como as coisas realmente são. Além de estarem em condições difíceis, os reclusos russos correm o risco de contrair uma infeção por coronavírus.

É particularmente preocupante a situação em que se encontra o piloto da aviação civil Konstantin Yarochenko condenado a 20 anos de prisão sob a acusação forjada pelos serviços secretos dos EUA. Há dez anos que o russo, cuja saúde está seriamente debilitada, enfrenta um cínico desrespeito pelos seus problemas e a relutância das autoridades dos EUA em prestar-lhe cuidados médicos necessários. Infelizmente, muitos pedidos dos nossos diplomatas para a realização de um exame médico e procedimentos médicos necessários permanecem sem resposta.

Solicitamos a diferentes níveis a libertação de Konstantin Yarochenko por razões humanitárias e o seu regresso à Rússia. Todavia, os EUA, preocupados com a situação dos direitos humanos em qualquer lugar exceto a sua própria casa, ignora os fatos óbvios e indiscutíveis e continua a afirmar que a sentença dada por motivos políticos ao piloto russo foi "correta". 

Gostaria de recordar que Konstantin Yaroshenko havia sido preso sob uma "denúncia" americana na Libéria. Durante os interrogatórios intensivos, ele foi torturado, perdeu dentes e sofreu graves lesões nos seus órgãos internos. Em seguida, ele foi levado para os Estados Unidos para as chamadas "audições judiciais" que demonstraram a falta total de pelo menos rudimentos de um processo judicial normal. 

Como Konstantin Yarochenko negou a sua culpa, ele foi condenado a uma pena de 20 anos de prisão, pena enorme para os padrões normais, mas completamente normal para os padrões dos EUA "democráticos". 

Continuaremos a lutar pela libertação, o mais rapidamente possível, de Konstantin Yarochenko e dos presos de nacionalidade russa vítimas da repressão. Gostaríamos que os meios de comunicação social norte-americanos se lembrassem de Konstantin Yarochenko sempre que escrevessem sobre Peter Whelan e as condições alegadamente desumanas em que este era mantido na Rússia. Também gostaríamos que a autocensura praticada pela imprensa americana fizesse exceção para o russo se encontra preso há 10 anos. Não vamos recuar, não deixaremos a administração americana em paz. Vamos exigir que se observem os direitos legais dos nossos cidadãos que caíram na pedra de moinho da justiça punitiva americana.


Polónia encerra o Centro de Língua e Cultura Russa em Cracóvia


O Centro de Língua e Cultura Russa em Cracóvia, fundado em 2008 por iniciativa da fundação "Mundo Russo" na Universidade Pedagógica de Cracóvia fechou as portas a 15 de fevereiro.

A diretoria da Universidade decidiu terminar a cooperação sem dar qualquer explicação. Lamentamos o acontecido. 

Durante mais de dez anos, o Centro foi um dos instrumentos mais importantes para o desenvolvimento da cooperação bilateral na área de ensino. Durante este período, centenas de estudantes frequentaram cursos de língua russa como língua estrangeira. O Centro realizou mais de 600 eventos com a participação de estudantes e professores locais: festivais, concursos, exposições, seminários, encontros com personalidades da cultura russa. Todos os anos, o Centro realizou um exame internacional de língua russa como língua estrangeira, em conformidade com as normas europeias.

Claro que a Universidade de Cracóvia tem o direito de tomar decisões que considera necessárias. No entanto, é de notar que outro ramo da cooperação humanitária russo-polaca é quebrada em resultado desta iniciativa do lado polaco.


Santa Lúcia, Guiana e República Dominicana comemoram Dia da Independência


Como já é tradição, gostaria de conferir um motivo caribenho à nossa reunião na véspera dos Dias da Independência de Santa Lúcia (22 de fevereiro de 1979), da República Cooperativa da Guiana (23 de fevereiro de 1970) e da República Dominicana (27 de fevereiro de 1844).

A história destes países distintos inclui muitas características que determinaram a evolução de toda a região desde a época da dependência colonial até à dos países democráticos que defendem a observância dos princípios e normas do direito internacional universalmente aceites. Viveram uma dura experiência: opressão das metrópoles europeias, tentativas de restaurar o domínio estrangeiro, agressões externas. Não obstante, os povos destes países formaram a sua própria identidade e determinaram um vetor independente de desenvolvimento.

Apesar das distâncias que nos separam, Castries, Georgetown e Santo Domingo são parceiros importantes da Rússia, próximos em espírito e determinação para defender a sua soberania e interesses nacionais, e servem de uma espécie de "ponte" entre as Caraíbas e a Rússia. 

Temos uma cooperação multidisciplinar com a República Cooperativa da Guiana, inclusive na área de investimento. Prova disso são muitos anos de operação da empresa russa RUSAL no setor mineiro. 

Santa Lúcia e a República Dominicana têm sido sempre apreciadas pelos turistas russos como destinos de férias e turismo. Claro que a pandemia impôs algumas alterações, mas esperamos que as coisas voltem ao normal depois de a pandemia ter terminado. 

Estamos satisfeitos ao ver que estes países são os nossos amigos e estão abertos ao desenvolvimento de uma cooperação construtiva baseada no respeito mútuo e na igualdade, tanto na dimensão bilateral como na multilateral.

Aproveito a oportunidade para felicitar, em nome do Ministério, os povos destes países e os seus governos pelo seu dia nacional e expressar os nossos melhores votos de paz, prosperidade e bem-estar.


Brunei Darussalam celebra Dia Nacional


No dia 23 de fevereiro, Brunei Darussalam comemora o Dia Nacional. 

O Sultanato fez parte do Império Britânico desde 1888. Durante a Segunda Guerra Mundial, de 1942 a 1945, esteve sob ocupação japonesa, no final da qual regressou ao controlo do Reino Unido. 

A adoção de uma Constituição, em 1959, significou apenas autonomia em relação a Londres em matéria de autogoverno interno. Foram necessárias várias décadas para que o povo do Brunei defendesse a sua soberania. Como resultado dos esforços políticos e diplomáticos e com o apoio dos países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Brunei concluiu, em 1984, um acordo com o Reino Unido, segundo o qual o país obteve a independência.

Este ano, o Brunei exerce a presidência da ASEAN. Estamos dispostos a trabalhar estreitamente com este país na sua qualidade de presidente com vista a promover a parceria estratégica abrangente entre a Rússia e a ASEAN. Reiteramos o nosso empenho inabalável em continuar a desenvolver os laços bilaterais mutuamente vantajosos.

Na véspera do Dia Nacional, gostaríamos de desejar ao povo amigo do Estado de Brunei Darussalam bem-estar, prosperidade e paz.

Pergunta: O partido nacionalista turco da extrema-direita e a organização extremista neofascista que adere a ele, Lobos Cinzentos, declararam a intenção de realizar alegados projetos nos territórios ocupados de Artsakh, nomeadamente na cidade de Shushi. Não seria uma ameaça não somente para Nagorno-Karabakh, mas também para a segurança regional, qualquer tipo de presença nos territórios de Nagorno-Karabakh de forças estrangeiras que confessem ideologia do neofascismo e que usam o terror como um meio principal para conseguir os seus objetivos? O facto de terem obtido aprovação para realizar os seus projetos das autoridades da Turquia e do Azerbaijão, não significaria que Ancara e Baku tivessem planos de criar focos de tensão na região e nos países vizinhos, minando os esforços da comunidade internacional que visam uma solução pacífica do conflito em Nagorno-Karabakh?

Porta-voz Maria Zakharova: Não temos informação sobre semelhantes planos. No resultado dos acordos dos líderes da Rússia, do Azerbaijão e da Arménia de 9 de novembro de 2020 e de 11 de janeiro do ano corrente, Nagorno-Karabakh está a voltar à vida pacífica graças aos esforços coletivos. É necessário para isso que a Arménia, o Azerbaijão e todos os países vizinhos tenham uma atitude comum, fomentando o diálogo entre todos os povos que habitam a região, ajudando a desbloquear as comunicações económicas e de transporte, garantam a proteção dos monumentos históricos e culturais. Falando em atitude comum, quero dizer que a premissa principal deve ser o estabelecimento da paz duradoura que servirá de fundamento para que as pessoas que voltam à região possam construir a sua vida em toda uma série de áreas: a economia, finanças, relações económicas, transporte, logística em tudo que esteja relacionado com a vida normal. É necessário lembrarmos disto.

Pergunta: Duas igrejas arménias estão à venda na Turquia. Há numerosos factos também relativos à destruição de igrejas cristãs, cemitérios, sem que haja comentários dos órgãos competentes da Turquia. Será possível, no contexto de semelhante vandalismo contra monumentos históricos e culturais, confiar em afirmações de paz e estabilidade regionais?

Porta-voz Maria Zakharova: Quanto à venda de imóveis (talvez esteja abandonando a parte oficial), não posso dar um comentário. Era uma surpresa para mim saber que existe no mundo a prática de venda de lugares de culto. Esta prática (abstenho-me de avaliações pessoais) é ampla: lugares de culto são transformados em prédios, em centros comerciais, até em clubes de recreio noturnos. Neste caso, trata-se da legislação interna, nacional de cada Estado. Devemos ter isso em conta. Quanto à destruição dos lugares religiosos, de monumentos históricos, tem que compreender de que se trata. O senhor mencionou, sem dar exemplos concretos. Se acreditar que a Rússia deve dar um comentário sobre isso, que existe um aspeto internacional aqui, por favor dê exemplos concretos, porque é bastante difícil comentar isso. O senhor conhece muito bem a posição russa. Apoia-se inclusive nas abordagens declaradas em plataformas internacionais. Esta postura é ligada à necessidade de uma atitude cuidadosa para com os lugares religiosos, os monumentos históricos.

Neste caso, antes de responder, preciso saber os factos. Se o senhor nos comunicar os factos e se realmente tiver um componente que trate da postura russa ou estrangeira, então vou poder comentar.

Pergunta: As negociações interafegãs em Qatar chegaram ao impasse, levando a um surto de violência no Afeganistão. No entanto, há duas semanas, Moscovo sediou negociações oficiais com a delegação do Talibã. Qual é a posição da Rússia, neste sentido, relativamente à perspetiva da paz na região?

Porta-voz Maria Zakharova: Com efeito, as partes afegãs em conflito envolveram-se na discussão técnica, sem poder iniciar a discussão dos aspetos essenciais da reconciliação nacional: da formação do futuro sistema estatal do Afeganistão, do cessar-fogo duradouro e de outras questões que têm importância especial agora.

O impasse das negociações foi um dos principais assuntos discutidos no decurso das consultas do Representante Especial do Presidente da Federação da Rússia no Afeganistão, Zamir Kabulov, e das delegações do escritório político do Movimento Talibã. A parte russa destacou a necessidade de lançar o mais breve possível um diálogo substancial interafegão. Os talibãs asseguraram estarem sempre interessados nas negociações construtivas com a delegação de Cabul e a sua lealdade ao acordo de Doha com os EUA.

Consideramos que a situação atual exige esforços adicionais para impulsionar a reconciliação nacional interafegã. Tencionamos continuar a trabalhar neste sentido no âmbito do trio ampliado (Rússia-EUA-China mais Paquistão). Com isso, esperamos que a parte iraniana se adira a este trabalho. Não excluímos mais uma reunião do formato de Moscovo. Se for necessário e se as partes das negociações interafegãs interessadas na solução pacífica desejarem, estaremos prontos para oferecer a plataforma de Moscovo para o diálogo.

Eu já anunciei hoje as negociações dos chefes das entidades da política externa da Rússia e do Afeganistão, onde também será discutido este assunto.

Pergunta: A senhora falou no início do briefing sobre a sabotagem crónica, por parte de Kiev, dos Acordos de Minsk e a ausência de uma reação internacional a esta problemática. No entanto, tiroteios não cessam, tendo sido atingida recentemente uma escola na República Popular de Lugansk. Há declarações preocupantes, inclusive por parte dos representantes do grupo das negociações, que, se houver tiros do lado de Donbass, as Forças Armadas da Ucrânia irão reagir. Vai haver tentativas de abalar os Acordos de Minsk.

Como a Rússia pode atrair a atenção internacional às ações criminosas de Kiev para evitar novas provocações contra a população civil de Donbass? Existe um perigo real de destruição dos Acordos de Minsk?

Porta-voz Maria Zakharova: Eu falei hoje muito sobre este assunto. Acho ter respondido já a essa sua pergunta. Uma das nossas iniciativas foi proposta à OSCE, mas os ditos parceiros ocidentais bloquearam-na. Continuamos a apelar aos participantes do formato de Normandia e a todos os restantes curadores de Kiev a incitarem as autoridades ucranianas a cumprir os Acordos de Minsk.

Quanto a Donbass, primeiro, estamos a prestar-lhe assistência humanitária. Os tempos estão a ser difíceis para todos, especialmente para quem está na fase ainda quente do conflito. A pandemia vai junto com outros os demais problemas graves. Como sabem, a ajuda humanitária e o apoio por parte de Moscovo não cessaram nem têm cessado durante todos estes anos.

Pergunta: Como a senhora avalia o apelo do Reino Unido no sentido de excluir a Rússia e a China da lista de fornecedores do material bélico para o Reino Unido e também as acusações de espionagem? Haverá uma resposta espelhada?

Porta-voz Maria Zakharova: Se compreendo bem, trata-se das ideias do Comité da Defesa da Câmara dos Comuns do Reino Unido. Acho que os seus colegas, os legisladores russos podem responder a eles. A diplomacia parlamentar existe. Acredito que seria correto dar a palavra a ela.

É já evidente que certos círculos no Reino Unido estão interessados em fomentar a histeria antirrussa e em manter o mito da alegada “ameaça russa”. Se estas ideias se tornarem em ações adversas, terão uma resposta adequada da parte russa. Apelamos a todos os detratores a passarem para o lado do bem, e o lado do bem consiste no desenvolvimento das relações civilizadas, que visariam, primeiro, os interesses dos cidadãos dos nossos países.

Pergunta: A senhora transmitiu ao Alto Representante da UE para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Josep Borrell, vídeos comprovando violência contra manifestantes nos países ocidentais. Antes, o Ministro Serguei Lavrov tinha-os transmitido à sua colega sueca, Ann Linde. Qual era a sua reação? Eles já assistiram aos vídeos?

Porta-voz Maria Zakharova: O absurdo da situação está no seguinte: para ver como os policiais agem, particularmente, nos países da UE, Bruxelas não precisa de assistir a vídeos russos, basta olhar pela janela ou sair à rua. A diplomacia de Bruxelas não deve participar em ações ilegais na Rússia, mais lhe convinha passear pelas ruas das suas próprias cidades. Infelizmente, não o fazem, ou fazem, mas tentam fingir que não existe isso.

Compreendendo esta atitude, transmitimos os materiais. Estou certa de que já os tinham visto. Estou certa também de que não lhes apetece comentar isso, porque todo o comentário exigirá uma avaliação dos seus próprios problemas nos seus próprios países. E eles não gostam de fazer isso – mas nós vamos lembrar-lhes disso.

Pergunta: No início de fevereiro, as relações entre a Rússia e a Europa voltaram a estar em crise. A senhor acredita que o nosso diálogo com a Alemanha dependa das relações com a burocracia europeia (Comissão Europeia e outras instituições) ou, pelo contrário, as relações entre Moscovo e Berlim definirão o diálogo entre a Rússia e a Europa? E por que Berlim estaria a recusar-se de construir uma união estratégica com o nosso país, criticando-nos em todos os assuntos importantes?

Porta-voz Maria Zakharova: A Alemanha, sendo um dos principais patrocinadores das instituições da UE, influencia em grande medida a agenda atual, o trabalho e a política da burocracia europeia. O facto de a Comissão Europeia ser chefiada pela ex-Ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, fala por si próprio. A Alemanha tinha gerado iniciativas positivas a respeito da Rússia, inclusive no âmbito de contatos bilaterais. Infelizmente, a situação mudou, é uma situação diferente. É notável que no decurso da presidência da Alemanha no Conselho da UE na segunda metade de 2020, foi por iniciativa de Berlim que a UE introduzira vários pacotes de sanções antirrussas. Isso confirma com toda a evidência a estratégia da Alemanha de usar os recursos da UE para cumprir a sua política de contenção multiforme do nosso país. No entanto, isso não seria tão fácil para a parte alemã sem a prontidão recíproca da própria burocracia europeia, cuja independência nos assuntos da política externa está essencialmente fora de questão.

Nem todos os países da UE estão contentes com este estado das coisas. Muitos parceiros na UE não ocultam o seu descontentamento e receios por causa do desejo da Alemanha de dominar a política externa geral europeia, mas eles, em virtude de diferentes circunstâncias, inclusive da dependência financeira da principal economia da União, não têm as condições ou firmeza para se manifestar abertamente contra a política imposta do exterior e que não é do interesse para eles.

Quando se fala que a União Europeia toma decisões por consenso, sempre perguntamos o que é um consenso. O consenso é quando todos estão a favor, e não é quando quem se oponha seria forçado a aceitar decisões indesejáveis sendo assim obrigados a apoiá-las. O consenso é algo diferente.

Estamos abertos e prontos para a cooperação construtiva com os países da Europa Ocidental com base nos princípios de respeito mútuo e do respeito dos interesses de cada parte. É um fundamento, é uma base do direito internacional. Estamos leais a isso e não deixamos de dizer isso.

Melhor dirigir a pergunta sobre por que Berlim queria agravar as relações com o nosso país aos parceiros alemães. Nós não vemos nenhuma vantagem óbvia que semelhante política possa dar à Alemanha. Talvez eles vejam, então que nos contem. Seria interessante ouvir.




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