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Mensagem do Ministro Serguei Lavrov aos organizadores e participantes no Fórum "Marcos das Relações Germano-Soviéticas” Moscovo, 1 de outubro de 2020

1600-01-10-2020

Caros colegas,

Tenho o grande prazer de saudar os representantes da comunidade científica da Rússia e da República Federal da Alemanha que se reuniram em Moscovo no âmbito de uma discussão de peritos por ocasião do 30º aniversário da assinatura do Tratado sobre a Regulamentação Definitiva referente à Alemanha. 

Hoje podemos dizer com certeza que o “Tratado 2+4” contribuiu muito para o fim da Guerra Fria, tendo mostrado que a Europa não está, de modo algum, predestinada a permanecer como palco de divisões de bloco. Neste contexto, é lógico que, em 2011, o Tratado em causa tenha sido oficialmente incluído no Registo “Memória do Mundo” da UNESCO. 

Passados trinta anos, vale a pena recordar que foi o meu país que desempenhou um papel-chave e decisivo na rápida reunificação da Alemanha, iniciativa contestada, aliás, por alguns dos aliados da Alemanha.

Uma consequência lógica do Tratado "2+4" foi a conclusão de uma série de acordos fundamentais, orientados para o futuro, entre a URSS e a Alemanha, cujo núcleo foi o Tratado de Boa Vizinhança, Parceria e Cooperação, rubricado naquele mesmo dia em Moscovo e assinado dois meses mais tarde em Bona. Em novembro de 1990, a Reunião de Chefes de Estado e de Governo da CSCE adotou a "Carta de Paris" que fixou documentalmente o fim da "era do confronto e da divisão da Europa". Assim, foi declarada a remoção das barreiras à construção de um lar europeu verdadeiramente comum sem linhas divisórias e foi aberto um caminho para elevar as relações entre a Rússia e a Alemanha ao nível de parceria estratégica.

Ao longo de todos estes anos, o meu país tem feito os possíveis para consolidar tendências positivas e estabelecer no espaço desde o Atlântico até ao Oceano Pacífico uma zona de paz, de segurança igual e indivisível e de uma cooperação económica e humanitária. Numerosas iniciativas russas, entre as quais a proposta de concluir um tratado sobre a segurança europeia apresentada em 2008, foram orientadas para o alcance deste objetivo. 

Infelizmente, em resultado de uma política imprevidente baseada na tese de natocentrismo e jogos geopolíticos em busca de vantagens unilaterais, a Europa atravessa hoje uma grave crise de confiança, e o potencial multifacetado da cooperação russo-alemã continua por aproveitar. 

Mais do que isso, Berlim optou por uma política de contenção da Rússia, ameaçando-a, acusando-a infundadamente e fazendo-lhe ultimatos de toda a espécie. Assistimos a grandes falhas da memória de alguns políticos alemães sobre a predestinação histórica dos nossos dois países nos assuntos europeus e mundiais. O período de tensão pode ser superado em benefício dos interesses fundamentais da Rússia e da Alemanha, da formação de princípios da comunicação internacional com vista à cooperação e ao combate conjunto a desafios reais enfrentados pela humanidade. Esta perspetiva ainda se mantém. Muita coisa dependerá da maturidade dos representantes da sociedade civil, da sua capacidade de defender cautelosa e honestamente a verdade e transmitir os seus conhecimentos e experiência às gerações mais jovens.

Desejo-lhes bom trabalho. 




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