20:41

Briefing da representante oficial do MRE da Rússia, Maria Zakharova, Moscou, 14 de Novembro de 2019

2346-14-11-2019

Visita de trabalho do Ministro das Relações Exteriores da República da Belarus, Vladimir Makey, à Federação Russa


O chanceler da República da Belarus, Vladimir Makey, deslocar-se-á à Rússia a 18 de Novembro de 2019 em visita de trabalho a convite do seu colega da Federação Russa, Serguei Lavrov, No quadro da sua visita terá lugar uma reunião anual conjunta dos Colégios dos MRE da Rússia e da Bielorrússia. 

A visita irá decorrer na véspera de uma data solene que assinala os 20 anos da assinatura do Tratado de formação do Estado da Rússia e Bielorrússia. 

Durante as conversações, está previsto debater um amplo leque de questões da interação bilateral na política externa. Espera-se que sejam debatidos os resultados de execução do programa de ações no ramo da política externa no período da existência do Estado da Rússia e Bielorrússia (Estado de União). Os ministros dedicarão especial atenção aos problemas da segurança, inclusive à actividade militar-política da OTAN na região do Leste Europeu, e coordenarão das políticas em relação à Aliança e aos problemas do controle dos armamentos. Serão examinados os vetores atuais da cooperação russo-bielorrussa na ONU, inclusive a contraposição a medidas unilaterais, que violam as prerrogativas do Conselho de Segurança. 

Com base em resultados da reunião dos Colégios dos MRE da Rússia e da Bielorrússia, está previsto assinar um Programa de Ações Coordenadas na Política Externa dos Estados-membros do Tratado de formação do Estado de União para 2020-2021 e do Plano de consultas entre os MRE para 2020.


Encontro do chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, com antigo Vice-Chanceler e Ministro Federal das Relações Exteriores da RFA, Sigmar Gabriel

 

Em 18 de Novembro de 2019, terá lugar um breve encontro entre o chanceler da Federação Russa, Serguei Lavrov, e o antigo vice-chanceler e ministro federal das relações Exteriores da RFA, S.Gabriel, que estará em Moscou entre 18 e 19 de Novembro para participar no 5º Fórum juvenil russo-alemão “Encontros de Potsdam”, organizado desde 2018 sob a égide dos ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Alemanha por iniciativa da organização não-governamental alemã “Fórum Alemão-Russo” e do Fundo de Apoio à Diplomacia Pública de A.Gorchakov.


Conversações entre o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, e o chanceler do Reino do Barém, Al Khalifa


Em 20 de Novembro, em Moscou, terão lugar as conversações entre o chanceler da Federação Russa, Serguei Lavrov, e o Ministro das RE do Reino do Barém, H.Al Khalifa, que estará no nosso país em visita de trabalho. 

As próximas conversações entre os chefes dos departamentos da política externa irão contribuir para a manutenção do diálogo político de confiança entre Moscou e Manama, permitindo discutir em detalhe as questões atuais do desenvolvimento das relações bilaterais. 

Especial atenção será dispensada às tarefas do aumento progressivo de indicadores quantitativos e do alargamento da nomenclatura do comércio recíproco, da continuação dos respetivos trabalhos em nível da Comissão Intergovernamental Rússia-Barém para a Cooperação Económica e Técnico-Científica e os departamentos e companhias interessados. Serão também examinadas as perspectivas da futura intensificação da parceria na área de investimentos e dos contatos inter-regionais, culturais e humanitários. 

A troca de opiniões sobre os principais problemas do Oriente Médio ocupará um lugar considerável nas conversações. Em destaque estará a necessidade da resolução política das situações de conflitos que se mantêm nesta região estrategicamente importante do mundo, da observação nítida das respetivas teses do Direito Internacional e da Carta da ONU, assim como da luta contra o terrorismo. Está prevista ainda a discussão dos principais itens da interação Rússia-Barém no quadro da ONU e em outros espaços multilaterais. 


Participação do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, nas solenidades em homenagem de Anatoly Dobrynin


Em 20 de Novembro, o titular da pasta diplomática russa, Serguei Lavrov, participará das solenidades dedicadas ao destacado diplomata nacional, Anatoly Dobrynin, que dirigia quase 25 anos a Embaixada da URSS nos Estados Unidos. Em 16 de Novembro, ele teria completado 100 anos. 

Gostaria de lembrar que uma série de respetivas atividades decorreu durante um ano sob a égide do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e dos nossos estabelecimentos estrangeiros. Um enorme trabalho foi realizado por historiadores, documentalistas e jornalistas. A agência de informação TASS preparou um filme, que será apresentado nestes dias, concedendo grande número de materiais, documentos e informações de arquivo. Entre os convidados figuram representantes da Assembleia Federal da Federação Russa, dirigentes dos principais institutos académicos, veteranos, jovens diplomatas e antigos colegas de Anatoly Dobrynin. No quadro do encontro, serão resumidos os resultados do concurso sobre a herança diplomática do conhecido diplomata nacional.


Situação corrente na Síria


A situação na Síria se estabilizou em geral. Constituamos a trabalhar para não admitir escalada de tensão nos territórios não controlados pelo Governo da República Árave Síria, em primeiro lugar no Nordeste e na Idlib.

Está sendo cumprido o Memorando russo-turco de 22 de Outubro. Foram retiradas formações curdas da fronteira sírio-curda. Nos distritos libertados, deslocam-se destacamentos das tropas governamentais sírias, começou o patrulhamento russo-turco conjunto pela faixa de 10 km, próxima da fronteira, na região de Kamyshla e Koban. Estas medidas permitiram cessar o derramamento de sangue e sofrimentos da população local – tanto de curdos, como de árabes.

Na Idlib, apesar do “regime de silêncio”, imposto a 31 de Agosto pelo exército sírio com o apoio russo, os terroristas da Hayat Tahrir al-Sham continuam atacando as posições das tropas governamentais e as povoações próximas. Diariamente, são efetuados 20-30 ataques do lado de extremistas. Na própria zona de escalada vai crescendo o número de manifestações de habitantes locais contra a violência e o predomínio de terroristas. Em particular, nos protestos de rua, os manifestantes tomaram tais povoações como Sarakib, Binish, Taftanaz, Kafruma e Maaret Nuuman. Enquanto isso, fundamentalistas tencionam coibir tais manifestações, dispersando-as e oferecendo resistência agressiva. 

Destaque-se que que certos focos de tensão não impedem o início planificado e bem sucedido dos trabalhos do Comitê Constitucional em Genebra. A primeira sessão do Comitê decorreu nos finais de outubro - início de novembro, tendo reunido 150 membros. Posteriormente, tiveram início os trabalhos da Comissão de Redação composta por 45 representantes, 15 de cada dos três lados – do governo, da oposição e da sociedade civil. A Comissão está elaborando propostas para a reforma constitucional na República Árabe da Síria.

A sua próxima sessão está marcada para a última semana de Novembro. Consideramos que a formação e a convocação do Comitê Constitucional foi um sucesso comum de todos os sírios que, finalmente, obtiveram a possibilidade de discutir o futuro do seu país em direto e sem intermediários. Agora é importante que os membros do Comitê possam trabalhar num ambiente normal e tranquilo sem a ingerência externa e sem a pressão, sem a imposição de regimes e prazos artificiais. 

Para além disso, é necessário manter progressos no processo político, dinamizando a assistência humanitária multilateral à Síria sem a discriminação e a apresentação de condições preliminares. Tal assistência ajudará a criar condições para o regresso voluntário, seguro e digno de refugiados e deslocados internos aos locais de residência tradicional. Note-se que a repatriação dos sírios adquiriu um caráter estável - de julho de 2018, altura em que foi dado o início à respetiva iniciativa russa, mais de 464 mil refugados e mais de 1 milhão e 300 mil deslocados internos voltaram aos locais de residência permanente. 

No contexto da regularização de longo prazo da crise síria, atribuímos grande importância à normalização da situação em torno da Síria e à saída do país do isolamento internacional artificial. Por este motivo, informamos sobre visitas sistemáticas de diferentes delegações a Damasco. No início de novembro, a capital síria foi visitada por representantes do MRE do Cazaquistão que discutiram com colegas sírios perspectivas do desenvolvimento da cooperação bilateral económica, política e cultural e, em particular, a possibilidade da reinício do trabalho do centro cultural-histórico do Cazaquistão em Damasco. 

Além disso, dispensamos atenção à decisão do Conselho da União de Câmaras de Comércio Árabes de realizar a sua 132ª sessão, marcada para 2020, em Damasco. Saudamos o restabelecimento gradual das relações da Síria com o mundo árabe, manifestando-nos pelo regresso de Damasco à Liga Árabe. Consideramos que tal irá contribuir para o reforço da unidade árabe, da segurança regional e para a estabilidade regional. 

Situação no Iraque

O Iraque continua sendo um de nossos parceiros prioritários no Oriente Médio. Por isso estamos acompanhando de perto a situação nesse país. Os conflitos, que ocorrem no Iraque desde o início de outubro deste ano e deixaram, segundo notícias veiculadas pela mídia, centenas de mortos e milhares de feridos, é para nós um motivo de grande preocupação. Entendemos que na origem dos protestos iraquianos estão problemas econômicos e sociais do país e que é impossível resolver de uma só vez o monte de problemas acumulado ao longo dos anos da chamada "afirmação da democracia" e do chamado combate ao terrorismo internacional nesse país. Estamos cientes de que a desestabilização contínua da situação no Iraque pode ter como consequência o ressurgimento do EIIL. Não são palavras ocas nem uma metáfora caprichosa. Apesar de o governo iraquiano ter anunciado, em 2017, a vitória sobre esse grupo terrorista, bandos de terroristas e grupos clandestinos do EIIL continuam praticando atividades subversivas e de recrutamento em várias regiões do país. Além disso, após a derrota militar sofrida pelo EIIL na Síria, o problema do chamado "afluxo" de terroristas daquele país a outros países da região, principalmente ao vizinho Iraque, se agravou. Nesse contexto, acolhemos favoravelmente os esforços do governo iraquiano com vistas a estabilizar, o mais rapidamente possível, a situação no país. É importante saber que o governo iraquiano reitera estar disposto a iniciar um amplo diálogo nacional e está mantendo consultas ativas com os líderes das principais forças políticas para acordar um programa anti-crise, tomando, ao mesmo tempo, medidas para melhorar a situação socioeconômica da população.

Acordo de cessar-fogo entre Israel e movimento palestino Jihad Islâmica


Elogiamos o acordo de cessar-fogo entre Israel e o movimento palestino Jihad Islâmica alcançado graças aos esforços do Egito e colocado em vigor esta manhã. Esperamos que a medida venha a constituir um prólogo a uma estável  desescalada. Exortamos os israelenses e palestinos a darem provas de comedimento e a evitarem novos surtos de violência. Os acontecimentos trágicos dos últimos dias voltaram a evidenciar a necessidade de um rápido reatamento do processo de negociações, objetivo e eficaz, com vistas ao alcance de uma paz justa e duradoura no Oriente Médio com base nas conhecidas resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral da ONU e na Iniciativa de Paz Árabe.

Situação na Bolívia


A situação na Bolívia continua tensa e prenhe de novos agravamentos. Infelizmente, os confrontos entre apoiadores e opositores do ex-presidente continuam. Condenamos, por princípio, o uso de métodos violentos para resolver problemas políticos. Como todos vocês notaram , as consequências disso são o caos, vítimas fatais e a instabilidade econômica e social. Não deixamos passar despercebida a notícia de que as funções de presidente em exercício foram assumidas pela segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez. Entendemos que a ocupação do cargo de Chefe de Estado e, mais importante, a legitimidade de seu titular devem estar de pleno acordo com a Constituição de um país e contribuir para a união, e não para a divisão da nação. A Bolívia necessita de um diálogo sereno e pacífico. É importante que as instituições estatais voltem a funcionar de acordo com as normas constitucionais. Esperamos que todos os integrantes da comunidade internacional revelem uma atitude responsável tanto para com a situação na América Latina quanto para com a situação no exterior. Reafirmamos com toda a certeza: a Rússia está interessada em uma América Latina estável, política e economicamente sustentável, inclusive a Bolívia, com a qual mantemos estreitas relações de amizade e cooperação mutuamente vantajosa. Como é de seu conhecimento, essa é a nossa posição de princípio.

Recomendação para os cidadãos da Rússia devido à instabilidade política e social na Bolívia


Gostaria de expor as recomendações feitas aos nacionais russos devido à instabilidade política e social na Bolívia. Devido à difícil situação nesse país, ao agravamento da situação em termos de segurança, o que reduz consideravelmente a possibilidade de prestação de assistência consular, entre outras coisas, as viagens à Bolívia, assim como a deslocação por seu território nacional implicam um elevado risco. Nesse contexto, recomendamos aos nacionais russos que planejam ir à Bolívia que adiem suas viagens até que a tensão no país diminua e tenham extrema cautela ao viajar pelo território boliviano, sobretudo em La Paz, Cochabamba, Santa Cruz, Sucre, Potosí e Tarija. Também recomendamos que levem em conta eventuais problemas em termos de transporte, decorrentes, nomeadamente, da operação das companhias aéreas locais e internacionais, e que se mantenham em contato com os representantes das mesmas. Também aconselhamos que se informem antecipadamente das alterações nos horários de circulação dos transportes coletivos. Devem ter sempre presente que as ações de protesto e manifestações podem voltar a ocorrer e que isso pode acontecer de forma inesperada, como vimos recentemente. Recomendamos que evitem passar pelos locais de manifestações em massa e não se deixem envolver em ações de protesto. Solicitamos que sigam as informações postadas nas redes sociais, nas contas oficiais do ministério dos negócios estrangeiros da Rússia e, antes de tudo, no site da embaixada da Rússia na Bolívia, bem como acompanhem as informações divulgadas pelas autoridades bolivianas e pela mídia.


Situação no Chile


Recebemos um monte de perguntas a esse respeito. Em particular, recebemos uma pergunta extensa sobre a situação no Chile da rede de televisão Russia Today. A sua pergunta é a seguinte: "Os protestos no Chile, que já foram associados a uma "pista russa", deram novamente lugar a distúrbios, fogos postos e saques a lojasA situação se mantém tensa há um mês. Trata-se de uma intervenção externa ou de um problema interno o qual as partes ainda não conseguem resolver?" Respondendo de uma vez a todo o conjunto de perguntas sobre esse tema, posso dizer que a situação no Chile continua complexa. Os protestos antigovernamentais  maciços foram causados por problemas internos acumulados desde a época de Pinochet. Quanto ao chamado "envolvimento russo" nos acontecimentos chilenos, as especulações a esse respeito só se veiculam, por alguma razão, no "establishment" norte-americano, e isso quando o lado chileno não tem nenhuma pergunta ou reclamação a fazer à Rússia a esse respeito. Estamos cientes de tentativas isoladas de provocações antirussas no segmento chileno das redes sociais e de casos de fabricação de páginas da internet que divulgavam, em russo quebrado, aliás, apelos aos distúrbios. Obviamente, o objetivo era acusar,  posteriormente, a Rússia de "intervenção" nos assuntos chilenos. Todavia, em minha opinião, tentativas como essas só desacreditam seus autores e aqueles que as utilizam como argumentos. Claro que reagimos a essas publicações junto às autoridades competentes chilenas para evitar desentendimentos e proteger nossas relações bilaterais, porque um dos principais objetivos dessas publicações falsas é prejudicar as relações entre nossos dois países. Como temos repetidamente salientado, a Rússia, diferentemente de alguns outros integrantes da comunidade internacional, não intervém nos assuntos internos de outros países. Temos cooperado com todos os países da América Latina em pé de igualdade e respeito recíproco, em estrita conformidade com a Carta da ONU e as normas do direito internacional. O interesse da Rússia é o de que a América Latina seja estável, política e economicamente sustentável. Só assim essa região poderá se afirmar como um dos pilares de um mundo multipolar que está emergindo.


Viagem de turistas japoneses às ilhas Curilas do Sul


Como já é tradição, muitas perguntas que recebemos, sobretudo aquelas feitas por jornalistas japoneses, se referem a viagens turísticas às ilhas Curilas do Sul. Temos sempre dito que vamos anunciar tais iniciativas e avaliar seus resultados. Em conformidade com o acordo entre o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro japonês, Shinzō Abe, alcançado "à margem" da Cúpula do G20, em junho deste ano em Osaka, a primeira viagem de teste de um grupo de turistas japoneses que incluía 44 pessoas às ilhas de Kunashir e Iturup foi realizada entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro deste ano e foi bem sucedida. Os turistas japoneses visitaram museus locais, fontes termais e atrações naturais (só nos resta invejá-los!). Infelizmente, por causa das más condições meteorológicas, as quais, aliás, haviam sido, às vezes, motivo para vários  adiamentos no passado, as datas e a programação da viagem foram reduzidas. Não obstante, os dois lados se manifestaram satisfeitos com seus resultados. Durante a sexta rodada das consultas russo-japonesas a nível de vice-ministros das Relações Exteriores(I.Morgulov-T.Mori) sobre o desenvolvimento de atividades econômicas conjuntas  nas ilhas Curilas do Sul, realizada em 6 de novembro deste ano em Moscou, as partes fizeram o balanço dessa viagem piloto de turistas japoneses e acordaram dar continuidade às discussões a nível de peritos sobre as perspectivas da cooperação nessa área e o ajuste dos parâmetros jurídicos e logísticos necessários. Falei tão detalhadamente sobre isso porque esse tema tem despertado sempre um grande interesse para os meios de comunicação japoneses.


Desenvolvimento da cooperação russo-nipónica


Respondendo à pergunta da mídia japonesa, nomeadamente da cadeia televisiva NHK, gostaria de dizer algumas palavras acerca do desenvolvimento da cooperação bilateral.      

A questão foi colocada assim: “Como avalia a parte russa a colaboração entre nossos países, inclusive no contexto da interação que se formou nas relações com o primeiro-ministro nipónico, Sinzo Abe, cujo mandato se considera recorde na história de governos japoneses? Como encara o governo russo o estado e as perspectivas da cooperação bilateral no futuro?”    

Moscou opina que um diálogo intenso do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, com o prémier nipónico, Sinzo Abe, (segundo cálculos nossos, eles realizaram, em formatos diversos, 27 reuniões), as relações de confiança que se estabeleceram entre eles, dão um potente impulso e abrem as linhas mestras no evoluir das relações russo-japonesas nas áreas política, económico-comercial, cultural, humanitárias e outras.             

Constatamos com satisfação que, no ano corrente, os dois líderes tiveram, no mês de janeiro em Moscou, as negociações construtivas, e depois, mantiveram-nas à margem da Cúpula dos G-20, em junho, em Osaka, bem como no decurso do Fórum Economico Oriental, em setembro, em Vladivostok, que é frequentado regulamente pelo prémier nipónico, Sinzo Abe. Lamentavelmente, uma reunião agendada nos marcos da APEC em Santiago não se concretizou por razões objetivas que são do vosso conhecimento. Todavia, esperamos que no ano que vem, haja várias oportunidades para novos contatos em níveis diferentes, das quais iremos informar.         

A parte russa se pronuncia, de forma consequente, por abordagens que visam a necessidade de um progressivo avanço multifacetado, mutuamente vantajoso e multidisciplinar das relações bilaterais a fim de elevá-las para um patamar qualitativamente novo que não só corresponda aos interesses nacionais da Rússia e do Japão, mas também poderia fortalecer a paz e a estabilidade na região asiática do Pacífico.     

Gostaria de realçar ainda existirem largas perspectivas de desenvolvimento da cooperação económico-comercial, cujas vias de realização estão sendo discutidas no âmbito da Comissão Intergovernamental Russo-Nipónica e pelo Grupo de Trabalho de alto nível com vistas a concretizar o “Plano de cooperação em oito vertentes”.      

Estamos dispostos a desenvolver a interação com o Japão não só em áreas tradicionais mas também em domínios de altas tecnologias. Cremos haver aqui uma enorme potencialidade para o crescimento.    

Um significativo incentivo para o melhoramento substancial das relações bilaterais e a busca de soluções mutuamente aceitáveis, incluindo nas questões mais sensíveis, seria o desempenho de projetos económicos de larga escala, tais como a organização de passagem de transporte do continente para a Sacalina com eventual prolongamento até a Hokkaido, a construção de uma tubulação que ligue a Rússia com o Japão e a criação de uma “ponte energética”.          

Tencionamos promover a cooperação na esfera cultural, contribuindo para a simplificação do regime de vistos necessários para viagens dos nossos cidadãos. Propusemos, reiteradas vezes, revogar formalidades do género numa base de reciprocidade. Adotámos uma série de medidas unilaterais nessa vertente, prorrogámos a vigência de vistos electrónicos para visitas a uma série de unidades administrativas da Federação da Rússia (presentemente, trata-se do Extremo Oriente da Rússia, Buriácia, Kalingrado) e, a partir de 2021, tal regime irá abranger todo o país. Lembre-se que agora ele se encontre em fase de aperfeiçoamento.        


Resultados da sessão ordinária do Grupo de Contacto (GC) em Minsk, 12 de Novembro de 2019  


Gostaria de comentar os resultados da última reunião do GC para a regularização na Ucrânia que teve lugar em 12 de Novembro em Minsk e que nós avaliamos como positivos. 

O maior resultado foi a constatação pela Missão Conjunta de Monitoramento da OSCE de um facto de retirada simultânea das forças e equipamentos em Petrovskoye que se deu a 11 de novembro. Deste modo, foi concluída a realização dos acordos alcançados pelos líderes do “Quarteto de Normandia” em Berlim em 2016 quanto à oficialização da “fórmula Steinmeier” e em relação à retirada das forças e meios das partes conflituantes em três sectores-piloto em Stanitsa Luganskaya e povoações Zolotoye e Petrovskoye.            

Podemos constatar que está é uma dinâmica positiva no período de preparação para a cúpula em “formato de Normandia”.  

Enquanto isso, gostaríamos de notar que, tomando em conta cada menos tempo que resta até ao fim deste ano, uma crescente actualidade vai ganhando também a tarefa de prolongar a Lei de Estatuto Especial (Lei sobre a ordem especial do trabalho dos órgãos autárquicos em determinadas zonas da regiões de Donetsk e Lugansk).       

A sua vigência termina em 31 de Dezembro de 2019 e a realização desta lei, incluindo a incorporação da “fórmula Steinmeier”, assim como a sua consagração na Constituição da Ucrânia, são um elemento-chave de toda a arquitetura de regularização política no Sudeste da Ucrânia. É lamentável, porém, a ausência da clareza das abordagens da parte ucraniana na recente reunião do Grupo de Contacto.      

Não deixam de ser atuais as tarefas visando uma rigorosa observação do regime de cessar-fogo em base do acordo de armistício, firmado em 21 de Julho entre Donetsk, Lugansk, de um lado, e Kiev, de outro (recorde-se terem havido os casos de violação do cessar-fogo, sobretudo, da parte de Kiev, incluindo a destruição de moradias, infra-estruturas sociais, vítimas no meio da população civil), bem como a retirada das forças e meios em novos segmentos, a solução de problemas relacionados à libertação e à troca de prisioneiros, à implementação de um “Complexo de medidas” tangentes ao levantamento do bloqueio ucraniano de algumas zonas da regiões de Donetsk e Lugansk.           


Processos penais intentados na Ucrânia contra o jornalista Vladimir Soloviev  


Segundo se apurou, na Ucrânia foram abertos em simultâneo dois processos penais contra o jornalista russo Vladimir Soloviev. De acordo com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SSU), ele terá cometido um crime que ponha em causa a integridade territorial do país, prevendo-se a consequente pena de prisão de 3 a 12 anos.          

Curioso ressalvar que a decisão do SSU foi divulgada pelo deputado da Suprema Rada, Alexei Gontharenko, em sua página digital, o qual já havia postado no “YouTube” um vídeo com ameaças e ofensas em relação aos jornalistas russos.  

Encaramos esta ação penal contra o representante da mídia como mais um exemplo de perseguição na Ucrânia de jornalistas e uma crescente pressão da qual eles se tornam alvo. É evidente que estes são os novos passos dados pelas autoridades ucranianas no contexto de uma nova campanha de purgas e lavagem do espaço informativo, marcando assim a abertura de uma nova etapa de caça aos jornalistas.         

Perante a situação criada, enviamos respectivos materiais a Harlem Desir, representante da OSCE para questões da liberdade dos meios de comunicação social. A comunidade jornalística da Rússia, preocupada com a decisão do SSU, formulou uma solicitação por encargo da União Nacional de Jornalistas, tendo a enviado à Procuradoria-Geral da Ucrânia. Vamos seguir de perto a evolução da situação. Esperamos por uma reação clara e inequívoca da parte de organismos internacionais do ramo.   


Embaixador dos EUA na Grécia, Geoffrey Pyatt, discursa sobre temática religiosa  


Não escapam à nossa atenção as declarações do embaixador dos EUA na Grécia, Geoffrey Pyatt, de que a Rússia teria usado a religião como um elemento da sua estratégia de condução de guerras híbridas, como uma ferramenta para conseguir objetivos políticos e divulgação de narrativas falsas. Nós, com certeza, partilhamos a inquietação quanto à inadmissibilidade de intervenção do Estado na esfera confessional, todavia, como me parece, o embaixador dos EUA se equivocou na escolha de país contra o qual dirigiu seus reproches.   

Este é um grau específico de cinismo que caracteriza governantes dos EUA. Cumpre recordar que o antigo chefe da missão diplomática norte-americana em Kiev, Geoffrey Pyatt, para além de outros “feitos”, ficou na memória dos ucranianos como uma figura que se comprometera com o cisma da Igreja Ortodoxa na Ucrânia, tendo atraído para tal os órgãos públicos dos EUA. Parece-me a mim que seria conveniente evocar as declarações-chave feitas por Geoffrey Pyatt e por outros representantes da Embaixada dos EUA na Ucrânia, a par de outros diplomatas norte-americanos. Faremos isso com toda a certeza.              

Gostaríamos de recordar que os EUA, por reiteradas vezes, tinham resolvido suas tarefas geopolíticas sem olhar para as normas da ordem mundial, “jogando” em várias regiões “a carta religiosa”, provocando, desse modo, a tensão interconfessional e, nalguns sítios, causando a confrontação entre confissões diferentes o que conduzia até a uma fase de conflitos abertos. Dantes, Washington não escondia suas intenções. Faço lembrar a Geoffrey Pyatt que no Departamento de Estado há um respetivo cargo – enviado especial para questões da liberdade religiosa. Tudo isso acontece nos marcos do conceito de uma “ordem baseada em regras” que, hoje em dia, se impõe em toda a parte por Estados ocidentais como um contrapeso às normas de direito internacional reconhecidas em todo o mundo.       

Se recordarmos de que países se trata, podemos citar aqui os países da antiga Iougoslávia, Oriente Médio, Norte de África e, claro, a Ucrânia. A lista é impressionante. As façanhas da diplomacia dos EUA na vertente confessional são significativas. Vemos os diplomatas norte-americanos a apelarem abertamente, à luz da cisão que se verifica, ao apoio de uma estrutura cessacionista, cismática, não se esquecendo de dar consultas teológicas aos sacerdotes e aos representantes dos poderes laicos nos países em que se situam as Igrejas Ortodoxas locais. O mais interessante é que não ouvimos, da parte de Washington, nem sequer uma repreensão ao ex-Presidente da Ucrânia por causa do seu estranho empenho na problemática confessional. Tudo isso constitui a interferência direta na esfera religiosa.              

O chanceler da Federação da Rússia, Serguei Lavrov, comentou, a 6 de Novembro, este assunto após as negociações com o seu colega grego, Nikos Dendias. “Que eu entenda, um objetivo idêntico foi perseguido numa viagem de diplomatas dos EUA ao Monte Atos. O chefe da Igreja ortodoxa cismática da Ucrânia, “metropolita Epifani” anunciava mais de uma vez de que seria impossível criar tal organização sem um apoio direto dos EUA”, disse. Cá está uma fonte de informação original – a declaração do próprio Epifani que desaprova quaisquer críticas de Pyatt dirigidas à Rússia.  

Cria-se a sensação de que as tradições espirituais de religiões mundiais, bem como o direito a uma escolha de confissão religiosa merecem respeito do Departamento de Estado dos EUA na medida em que não entrem em contradição com os interesses da política externa de Washington nesta etapa.     


De respostas a perguntas:


Pergunta: Como a senhora comentaria a provocação organizada pelos partidários de Juan Guaidó em relação à Embaixada da Venezuela no Brasil durante a cúpula do BRICS? 

Resposta: Consideramos a tentativa de provocação, de ocupação, realizada pelos partidários do autoproclamado (ainda não compreende-se em que qualidade) Juan Guaidó em relação à Embaixada da Venezuela no território do Brasil, como uma ação que coincidiu premeditadamente com um evento internacional de grande escala que está acontecendo nesse país, como uma tentativa de aproveitar da instabilidade geral na região em prol de fins políticos próprios. Muitas tarefas foram colocadas. 

Opinamos que agora, a situação está controlada e provocações semelhantes vão ser paradas em conformidade com as normas do direito internacional, que devem garantir e proteger as instalações diplomáticas e consulares, as representações diplomáticas e consulares.

Cada país que recebe em seu território estabelecimentos diplomáticos de um outro Estado, tem obrigações que devem ser cumpridas conforme convenções correspondentes. Estão bem vigentes. No mundo contemporâneo, que evidentemente está em crise da compreensão e ética, ainda perdura a lealdade às normas do direito internacional, que definem as relações entre Estados, o funcionamento das representações diplomáticas e as normas de conduta para com os empregados diplomáticos e consulares. Talvez nem todos reconhecem esta lealdade, mas a maioria dos países reconhecem, sim. Todas as obrigações assumidas pelos Estados devem ser cumpridas. Partilho completamente da sua avaliação: trata-se de uma provocação.

Contudo, não foi a primeira tentativa do autoproclamado “antipoder” venezuelano de ocupar instalações semelhantes. A razão disso é compreensível: é uma tentativa de legalizar a sua existência, completamente ilegal na qualidade de um órgão político autoproclamado, nomear pessoas para pseudo-cargos de representantes oficiais e transmitir, através delas, a sua política. É a pirataria do século XXI.

É lamentável notar isso, mas o caminho que seguem os opositores venezuelanos foi preparado por Washington. Vocês lembram como os EUA ocuparam as instalações diplomáticas e consulares russas, a Representação Comercial, apesar de serem propriedade da Federação da Rússia, apesar de pagarmos. A Rússia tem respeitado as suas obrigações durante décadas, mas tudo foi ocupado e permanece até agora no poder dos serviços especiais dos Estados Unidos, sobre fundamentos absolutamente  ilegais – eu não tenho outra característica. E isso serviu de exemplo para as ações dos outros. Se uns podem agir na impunidade, outros também. Sabemos do “efeito bumerangue”, quando alguém faz algo para obter uma vantagem, mas a ação depois volta contra ele.

Pergunta: O Vice-Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, confirmou o reconhecimento pela Rússia da Presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez. Como a senhora comenta isso?

Resposta: Com efeito, Sergei Ryabkov respondeu aos jornalistas dizendo que a Rússia irá considerar Jeanine Áñez como a “governadora da Bolívia”, mas adicionou: “até as eleições”. Devemos respeitar as formulações. Não se trata de reconhecer aquilo que aconteceu na Bolívia como um processo legal. De modo nenhum.

Nós já compartilhamos as nossas avaliações com a comunidade internacional. Vou lembrar: expressamos a nossa preocupação pelos acontecimentos na Bolívia. Como consequência da crise política interna, o desejo do governo de buscar soluções construtivas em pé de diálogo foi eliminado por ações que seguiam o roteiro de um golpe de Estado controlado. As nossas avaliações permanecem vigentes.

Nós também comentamos o desenvolvimento ulterior dos acontecimentos porque os representantes do poder estatal ficaram derrubados e abandonaram o território do país. Vocês também sabem que a Rússia apelou todas as forças políticas da Bolívia à responsabilidade e pensamento são, a procurar uma solução constitucional em prol da paz, tranquilidade, restauração da gestão das instituições estatais, garantia dos direitos de todos os cidadãos e o desenvolvimento econômico e social do país.

É neste contexto que deve-se considerar a declaração de Sergei Ryabkov.

Pergunta: As autoridades do Afeganistão libertaram da prisão três chefes da organização Rede Haqqani, que tem forte ligação com o Talibã. Como a senhora estima este passo do governo do ponto de vista da reconciliação nacional no Afeganistão?

Resposta: Temos afirmado muitas vezes que saudamos todos os passos reais das partes do conflito afegão, que visem cessar o confronto armado e lançar um processo de pacificação no Afeganistão. Por isso, avaliamos a libertação de três chefes da organização Rede Haqqani, ligada ao Movimento Talibã, como uma ação de boa vontade da parte do governo afegão, que deve favorecer o processo pacífico interno no país.

Pergunta: A senhora conhece prazos aproximados da assinatura do memorando de acesso de especialistas russos a laboratórios biológicos na Armênia?

Resposta: Eu ainda não conheço os prazos. Esperamos que o processo não seja longo.

Pergunta: A visita à Armênia do Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, foi muito comentada nas fontes oficiais. Todos a chamam de muito exitosa e cheia. Mas mensagens oficiais não falam tudo. O que a senhora acha? O que ficou fora? Qual é a sua impressão geral?

Resposta: Claro, sempre há uma parte fechada das negociações, é tradição. Apesar da quase “transparência” atual do mundo, há certas tradições de conversas interestatais. Mas todos os itens do programa tiveram lugar na completa abertura e transparência. Nada podia ficar fora da vista.

Eu gostei, como sempre. Acho que foi uma ótima ideia a parte receptora realizar uma exposição dedicada à contribuição conjunta dos nossos povos, do Exército Vermelho, para a Vitória na Grande Guerra Patriótica, e convidar os dois ministros a fizerem discurso. Este foi o início da visita. E este espírito da vitória estava presente no dia seguinte.

Acredito que a conversa com os estudantes também foi interessante. Todos gostaram. Eu acho que este formato tem muita perspectiva, porque é a comunicação direta e viva com os jovens, todos podem fazer sua pergunta e obter resposta, é um formato interativo. Foi uma terminação da visita importante, interessante, rica.

Pergunta: No briefing de 8 de novembro, a senhora comentou as notícias falsas e expressou suspeitas bastante fundamentadas em relação ao fundador da Mayday Rescue, James Le Mesurier. E já na segunda-feira seguinte, ele caiu da sua janela, cheio de tranquilizadores. Será que a coalizão ocidental, chefiada pelos EUA, esteja querendo fazer esquecer fatos ruins, desfazendo-se das testemunhas para evitar que a comunidade internacional conheça esses fatos?

Resposta: Hoje, eu vi palavras do Presidente da Síria, Bashar Assad, sobre isso. Quem compreende a situação real melhor do que ele? Assim falo da maneira de comentar notícias.

Tudo o que está acontecendo agora, principalmente na imprensa britânica, é a melhor confirmação da presença permanente dos serviços secretos ocidentais nesta situação, na atividade dos Capacetes Brancos e em outras muitas histórias semelhantes. Falo assim porque tudo o que a imprensa britânica escreviu (e nós limos as mensagens várias vezes, para comparar), parece promover teses dos serviços secretos dos países ocidentais, publicadas pela mídia britânica.

Eu quero indicar um fato muito interessante. Todos aqueles textos são quase idênticos, ou seja, a ideia essencial foi elaborada por alguém que deu instruções claras e diretas à mídia britânica. A mídia britânica só presta atenção ao nosso briefing de 8 de novembro do ano corrente, mas não acharam útil usar qualquer motor de busca, digitar Ministério das Relações Exteriores da Rússia e o nome do seu agente antigo (o que é bem sabido) ou não antigo (isso não sabemos) e ver quantas vezes o nosso Ministério deu avaliações tanto dos Capacetes Brancos, como das forças que estão trás deles. Por que os jornalistas de nenhuma das publicações britânicas não quiseram dedicar cinco ou dez minutos à busca ou ao fact checking? Porque eles não escreviam isso. As teses que esta mídia promove tinham sido elaboradas por alguém. Tudo o que tem a ver com os Capacetes Brancos é sujo e está no limiar de jogos entre os serviços secretos dos países ocidentais, da região e os grupos terroristas e radicais. É um “caó” muito sério, e nós indicamos isso muitas vezes.

Vocês devem saber quantas vezes eu já tive que falar desta tribuna sobre os Capacetees Brancos. Vocês devem saber também quantas vezes os representantes da Rússia falaram sobre os Capacetees Brancos da tribuna das Nações Unidas (no Conselho de Segurança e em outras estruturas da Organização). Vocês sabem também quantas vezes acusava-se à Rússia na seção da ONU em Genebra, quantas vezes havia especialistas de ministérios, instituições e ONGs chegando à Haia para falar sobre os Capacetees Brancos. Por que então a mídia britânica nunca publicou algo sobre este assunto, apesar dos comentários constantes do Ministério das Relações Exteriores da Rússia sobre a ligação clara e coordenação entre os Capacetees Brancos, serviços secretos e organizações terroristas? Porque ninguém pedia. E agora pedem. E isso é propaganda. Mas é uma propaganda de medo. Não é propaganda de uma visão política, de uma filosofia, mas propaganda que serve para encobrir numeroros crimes.

A respeito da coerência da mídia britânica: lembramos mito bem dos eventos na sede da OPAQ em Genebra, onde participavam vivos artistas dos espetáculos encenados pelos Capacetees Brancos, que estavam prontos a responder a todas as perguntas, a ser entrevistados em pessoa ou coletivamente. Ninguém se emocionou, inclusive a mídia britânica e estadunidense. Eles não assistiam ou não escreviam sobre esses eventos. E quando escreviam, era impossível reconhecer a declaração da fonte. Aquilo que foi feito, aqueles textos que foram publicados, testemunham da sujeira e da absoluta impunidade que existe nas relações entre os países ocidentais, as organizações não governamentais ou humanitárias inventadas por eles e os radicais que atuam nas regiões. A mídia (e a mídia britânica está na vanguarda disso) promovem tudo isso, encobrindo todas as aventuras. É sempre  uma aproximação complexa. Em muitos casos os organismos oficiais britânicos e a sua mídia agem em uníssono.

Vou citar outro exemplo. O chefe do Estado-Maior da Defesa britânico, Nick Carter, publicou, ele também, um artigo titulado: “Irresponsabilidade da Rússia pode provocar nova guerra”, no jornal The Daily Telegraph. Ele usou comentários semelhantes na entrevista televisionada ao BBC. Faz parte de mais uma campanha planejada. Sei que falamos muitos sobre analogias com a Guerra Fria, mas acho que nunca falamos sobre o sindrome de Forrestal. É algo maravilhoso.

Este conceito surgiu no Ocidente depois da morte estranha do ex-Secretário de Defesa dos EUA, James Forrestal. Ele caiu da janela do hospital da Marinha em Maryland. Perguntam como ele foi parar lá? Ele não teve ferimentos em combates com os russos (fim dos anos quarentas do século passado), não pereceu durante exercícios militares, mas desenvolveu uma doença mental. É fato confirmado. Ele tinha psicose, recebia tratamento. Ele gritava sempre uma frase: “Os russos estão chegando, os russos estão chegando. Estão por toda a parte. Eu vi os soldados russos”. Esta psicose levou o ex-Secretário de Defesa dos EUA ao hospital especializado. E este sindrome é imposto hoje a pessoas sãs. As publicações britânicas visam desenvolver sindrome de Forrestal em pessoas sãs e normais. É evidente.

Este caso tem sido detalhadamente descrito na literatura e permanece, na minha opinião, muito atual hoje em dia. O artigo do chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, Nick Carter, é da mesma série. É sempre o sindrome de Forrestal. Só que é imposto a todos nós. Fazem-nos crer que os soldados russos estão por toda a parte, como dizia James Forrestal, que estão chegando. A tese sobre a ameaça russa, que tem manifestações diferentes, muitas facetas, é um pretexto muito cômodo e bem usado pelo lobby militar anglosaxônico em toda uma série de direções: explicação de passos estranhos na política externa, o invento de coalizões em pé de uma pretendida solidariedade na necesssidade de contrarrestar os russos, que são por toda a parte e que “estão chegando”, e, claro, o aumento dos gastos na área da defesa, que precisam de uma explicação em um momento quando todos interessam-se por assuntos da ecologia, demografia, migração etc. Não se esqueçam de algo que a historiografia já comentou em detalhe. Leiam artigos sobre James Forrestal. Eu li muitos recentemente. Gostei de todos.

Pergunta: Qual é o comentário do Ministério das Relações Exteriores da Rússia sobre a morte de dois sacerdotes católicos armênios na Síria que, segundo dados preliminares, teriam sido mortos pelos terroristas do “Estado Islâmico”?

Resposta: Em 11 de novembro, o pastor da Igreja Católica Armênia da cidade de Qamishli, Ovsep Petoyan, e o seu pai, sacerdote Abram Petoyan. Estavam se dirigindo à cidade de Deir ez-Zor com uma missão. Os terroristas do “Estado Islâmico” assumiram a responsabilidade pelo crime, informando disso através do seu altavoz de propaganda, agência Amaq. Expressamos as nossas sinceras condolências aos familiares das vítimas e à comunidade armênia na Síria.

As ações terroristas e violência contra os cristãos, que continuam acontecendo naquelas regiões da Síria que não são controladas pelo governo, geram indignação. Estas ações violentas testemunham da impunidade e da liberdade de organizações terroristas nesses territórios: seguem ativas e é preciso combatê-las, e não só ficar falando em tal combate, o que é que os nossos parceiros ocidentais fazem. Eles recorrem a uma variedade de pretextos, alegando não poder reunir as forças e terminar com estes grupos terroristas. Mas acham também pretextos para justificar crimes e roubo, inclusive de recursos naturais.

Estamos convencidos que só vai ser possível acabar de vez com o terrorismo e o extremismo no solo sírio quando o governo legítimo em Damasco controlar todo o território do país, garantindo a sua soberania e integridade territorial, a estabilidade e a ordem constitucional, garantindo a vida segura e digna para todos os sírios, independentemente da sua religião.

Pergunta: Hoje, surgiam na Internet informações do Grupo Conjunto de Investigação afirmando a implicação da Rússia na catástrofe do Boeing malaio no Leste da Ucrânia. Entre outras coisas, insiste-se que os militantes da República Popular de Donetsk teria recebido instruções imediatamente de militares russos: o Serviço Federal de Segurança FSB, a Administração Principal da Inteligência e do Ministério da Defesa. Como a senhora comenta isso?

Resposta: Isso já aconteceu muitas vezes: publicam-se algumas informações, e de repente revela-se que uma parte delas são falsas, e uma parte não se verifica. Analisavam fotos, vídeos. E uma grande camada de materiais, de provas materiais, inclusive fragmentos do avião, não foram analisados: falta interesse. Quando esta catástrofe aconteceu, imediatamente convocaram o Conselho de Segurança da ONU, que fez declarações, emitiu uma resolução, definindo de maneira muito clara a ordem da investigação. Alguém foi ter com o Conselho de Segurança depois? Alguém implementou os acordos alcançados em conjunto? Tudo está acontecendo no privado, na opacidade, convidando ou eliminando a seu arbítrio os países, os materiais e os parâmetros. Tudo o que está acontecendo realmente é muito difícil de compreender, e contudo, há uns anos já foram feitas as conclusões e as acusações.

De que falar? Há procedimento normal, que deve obedecer às regras do direito internacional. Pois estamos no século XXI e temos acesso a todos os progressos feitos no XX: o direito internacional, a investigação de catástrofes, o intercâmbio de informação, as organizações internacionais oficiais para agirem como intermediadores, especializadas nestes assuntos. Por que desta vez tudo foi diferente? Esta é a grande questão. Lamentavelmente, temos a resposta: porque o veredito, a condena foi feita imediatamente, já o resto foi “elaboração” de materiais que, do ponto de vista do Grupo Conjunto de Investigação, confirmassem a tática escolhida da acusação. A Rússia sempre estava aberta para os esforços de procurar a verdade, a essência. Transmitimos uma quantidade enorme de materiais. Realizamos experimentos inéditos em termos de escala e meios, encarregando deles não organizações terceiras, senão centros científicos reais. Tudo isso foi em vão. Os nossos parceiros preferiam ignorar isso tudo.

Claro que não sou especialista neste assunto, mas como uma pessoa simples não chego a compreender uma coisa: como foi que partes da fuselagem e peças do avião podem ficar vários anos no lugar da catástrofe. Nós todos somos automobilistas, viajamos de carros. Sabemos a importância de todas as peças, das testemunhas e das fotos, para esclarecer os detalhes de um acidente rodoviário, por insignificante que seja. E aqui temos uma catástrofe aérea que aconteceu em circunstâncias desconhecidas. Como foi possível deixar os fragmentos do avião? E isso, procurando materiais nas redes sociais, fazendo deles as provas. Dão-nos constantemente materiais de pessoas que não são especialistas. Uma série infinita de sites de pesquisa, investigações não profissionais: pois o que, vamos considerar isso do ponto de vista não profissional.

A questão está em que ninguém respondeu a isso: por que até hoje importantes partes da fuselagem – falando em linguagem não profissional – permanecem no lugar da catástrofe? Não é questão de dinheiro, da impossibilidade de transportar aquelas peças: não é um problema no século XXI.

Já vimos muitos materiais, vimos muita coisa. Mas perguntas acumulam-se.

Pergunta: A Turquia está se preparando para levar os terroristas turcos da Síria ao seu país. Qual, segundo a senhora, deve ser a reação dos países: receber esses cidadãos seus ou não? A Rússia vai também receber os seus cidadãos detidos na Síria?

Resposta: A Síria é um Estado. O seu território não é um campo, não é espaço cósmico. É um Estado com todos os seus atributos. Há o direito, a lei vigente no território deste Estado. Primeiro de tudo, é necessário coordenar todas as ações ligadas aos terroristas detidos, arrestados e custodiados no território da Síria, com as autoridades deste país: qualificar a sua detenção, a sua prisão, identificar essas pessoas e considerar os procedimentos legais aplicáveis. É assim como trabalhamos com Damasco em diferentes áreas. A situação não é nada fácil, há muitas pessoas que participaram de combates. Há tanto terroristas, como pessoas implicadas em atividades de certo tipo. Cada caso exige sua solução. Discutimos isso. Qualquer possibilidade de solução supranacional deve ser discutida também de maneira civilizada. Não se trata da decisão de um governo ou de um grupo de países, que prevaleçam durante a tomada da decisão. Trata-se do uso de instituições e mecanismos do direito internacional existentes.

Pergunta: Como o Ministério das Relações Exteriores russo avalia a detenção de cidadãos russos perto da ilha de Rodes, suspeitos de transportação de migrantes ilegais?

Resposta: Estamos tratando deste assunto. Vimos materiais na mídia, jornalistas pediram-nos comentários. A Embaixada da Rússia na Grécia, os nossos especialistas do Ministério estão tratando disso. Não deixaremos de compartilhar as informações quando pudermos.

Pergunta: Recentemente soube-se que a russa Maria Lazareva, condenada em Kuwait a 15 anos de prisão em um caso criminal artificial, encontrou refúgio em uma Embaixada. A senhora pode indicar de qual Embaixada se trata e quais medidas o Ministério vai tomar para libertar Lazareva? Será que ela pode obter imunidade diplomática?

Resposta: Ajudamos a todos os cidadãos russos que estão em uma situação difícil no estrangeiro. Levando em conta que a senhora Lazareva é uma cidadã russa, ajudamos a ela através da Embaixada russa. Mantemos um contato muito estreito com as autoridades locais.

Pergunta: Há mais ou menos um mês, eu expliquei o problema da placa memorial a Gareguin Nejdeh, que está no território da igreja armênia na cidade de Armavir. Naquela altura, o deputado da Duma de Estado, Leonid Kalashnikov, prometeu desmontá-la. Ontem, um deputado do Conselho Municipal daquela cidade, Aleksei Vinogradov, penetrou o território da igreja e pintou a placa de negro, o que qualifica-se como vandalismo. A Embaixada da Armênia divulgou comentário. Dizem que amanhã, está se convocando um protesto perto da Embaixada da Rússia na Armênia. A senhora poderia comentar esta situação?

Resposta: A investigação policial do acontecimento começou imediatamente, depois de 13 de novembro. Recebemos a reação da Embaixada da Armênia em Moscou e acompanhamos a situação. Antes de tudo, eu confirmo que a polícia está investigando e que a investigação começou imediatamente.

Pergunta: Eu gostaria de adicionar algo à pergunta do jornalista da Associated Press, concretizando. Falo das gravações telefônicas, onde há vozes de Aleksandr Borodai e Vladislav Surkov discutindo sobre o método de trabalho de estruturas governamentais em repúblicas autoproclamadas. Como a Rússia vai reagir a isso, depois de tomar conhecimento com os materiais?

Resposta: Para excluir a repetição desta pergunta, agora mesmo afirmo que não vi esta publicação. É um absurdo. Estamos a ponto de discutir algo que ainda deve ser confirmado, verificado por especialistas. O senhor não acha? Vivemos em um mundo que combate as notícias falsas, e sabemos que já houve notícias falsas dedicadas a este assunto, que recebiam avaliação profissional correspondente dentro de um ou dois meses. E agora, o senhor pede avaliação de algo que os especialistas ainda não tiveram o tempo de estudar. O que quer o senhor? Está nos empurrando a pronunciar uma avaliação política de coisas que devem primeiro ser estudados por especialistas, o resto vem depois.

Pergunta: Há uns dias, os deputados da Duma de Estado começaram a anunciar emendas para a lei sobre agentes estrangeiros midiáticos, planejando ampliá-la para abranger também pessoas físicas. Será que este trabalho é coordenado com o Ministério das Relações Exteriores? A senhora poderia nos explicar o sentido desta lei, já que todos os jornalistas estrangeiros, inclusive aqueles que são reconhecidos como agentes estrangeiros, recebem acreditação no Ministério?

Resposta: Eu acho que aqui há duas perguntas que se interferem. Sobre todas as questões que têm a ver com os jornalistas estrangeiros, representações da mídia e organizações não governamentais estrangeiras, as agências ligadas a diferentes ramos do poder, consultam com o Ministério das Relações Exteriores. A totalidade das decisões e dos projetos de lei da Duma de Estado que têm a ver com a atividade de todo o leque de representações internacionais, da diplomacia aos organismos não governamentais, há consultas com o Ministério das Relações Exteriores.

A respeito da segunda pergunta, eu acho que o senhor perde a diferença entre o trabalho dos jornalistas e as propostas da Duma de Estado. Primeiro, a respeito do significado e do sentido, é melhor perguntar os autores do projeto. A iniciativa não partiu do Ministério das Relações Exteriores, não avaliava assuntos e cláusulas. Seja o que for, esta pergunta deveria ser dirigida ao poder legislativo. Não compreendo porque o senhor mistura a acreditação, outorgada pelo Ministério, e o estatuto de agente estrangeiro. Não vejo ligação aqui.

Pergunta: Quer dizer que as pessoas físicas que trabalham na mídia reconhecida como agentes estrangeiros, podem elas próprias ser reconhecidas como agentes estrangeiros. Para que serve isso se o Ministério das Relações Exteriores sabe todos os nomes dos jornalistas estrangeiros que trabalham na Rússia?

Resposta: O Ministério sabe, e os outros não sabem. Eis a resposta. Para que não só o Ministério fique sabendo.

Já que o senhor tocou este assunto: frequentemente dirigem-se a nós representantes de regiões da Rússia, colegas nossos de outras agências e ministérios e inclusive cidadãos comuns, dizendo que um jornalista pediu-lhes entrevista explicando que trabalha em uma tal publicação ou que é mesmo chefe do escritório russo de uma agência internacional. Como podemos comprovar isso? Ele mostra a sua acreditação, mas nós não somos Ministério do Interior, não temos como verificar a sua autenticidade. Então, ele é mesmo quem diz ser? Há muito, muito tempo, o Ministério das Relações Exteriores costumava publicar no seu site a lista de chefes de escritórios russos da mídia estrangeira, indicando as informações de contato providas pelos escritórios na hora da outorga da acreditação. Isso gerou muita indignação dos jornalistas estrangeiros.  Eles disseram que nós abusamos da sua privacidade ao compartilhar os seus dados pessoais. Mas como as pessoas, tanto cidadãos simples, como profissionais, vão saber que são jornalistas estrangeiros de verdade? Com os jornalistas russos é fácil: você procura a publicação, liga para o número indicado lá, e aí a redação confirma.  Mas como proceder se a edição tem sua sede e redação no estrangeiro? Quem vai responder? Aqui na Rússia, você liga e alguém responde, e lá são call centers ou uma resposta automática. Voltando à sua pergunta: eu não comentou as intenções da Duma de Estado, então esta pergunta é uma pergunta à Duma de Estado. Mas eu expliquei para que o Ministério das Relações Exteriores identificava no seu site os chefes dos escritórios da mídia estrangeira. Até isso provocou uma onda de perguntas da própria mídia, apesar de tratar da “alfa e omega” da transparência. Eis o combate às notícias falsas: as pessoas podem ligar, perguntar, corrigir ou, ao ler algo sobre si, comunicar e indicar um erro na citação.

Eu acredito que este projeto de lei faz tudo claro. Para qualquer pergunta adicional, recomendo dirigir-se ao poder legislativo. Sublinho que para todos os projetos de lei ligadas a organismos e estruturas internacionais, há contato com o Ministério das Relações Exteriores. Vocês sabem que o Ministério desempenha um papel de coordenação no assunto da política externa e atividade internacional. Isso é válido tanto para todos os poderes, como para o poder executivo como tal.

Pergunta: Os nossos leitores acompanham o trabalho do Comitê Constitucional sírio. Este formato já está se concretizando como uma ferramenta. Será que o Ministério das Relações Exteriores considera esta ferramenta para aplicar tal “tratamento” a países assolados por revoluções de cores ocidentais, ou seja, aplicar a experiência síria na Líbia, Afeganistão, Somália e em outros países já visitados por “especialistas em revoluções de cor” da coalizão ocidental?

Resposta: Eu iria apoiar-me não só da experiência real do Comitê, senão da razão. A situação na Síria deve ser um exemplo para muitos países e regiões do mundo, mas não do momento em que o Comitê começou a funcionar, senão do próprio início mesmo. Porque tanto tempo passou entre a ideia e a criação do Comitê! E se tomamos o início da crise, então tudo isso: o Comitê, ou seja, qualquer forma de diálogo que une as partes, podia começar naquela altura, sem aquelas consequências dramática, vítimas e destruição. Falamos disso. Se vamos ao passado, sete anos há, abrimos então o site do Ministério das Relações Exteriores e vemos as declarações de Sergei Lavrov, dos seus substituintes, os nossos embaixadores, falam precisamente disso: da imporância de começar um diálogo entre os representantes da oposição. E isso não foi feito, levando à perda de oito anos e de centenas de milhares de vidas (ninguém contou ainda quantas pessoas foram mortas, feridas ou tiveram que mudar para outra região do país ou do mundo – imagino que é um cálculo difícil). Vocês sabem os meios necessários para recuperar a Síria. São números astronômicos.

Pois começamos precisamente disso: da possibilidade de unir os esforços da oposição e de começar um diálogo. Qual foi a resposta? Que primeiro Bashar Assad deve abandonar o seu cargo, só depois as negociações iriam ser possíveis. Perguntamos então por que Bashar Assad era um obstáculo, e a resposta era que não era legítimo, que ninguém iria manter negociações com ele e com seus representantes oficiais, que o povo e o exército não reconhece mais a sua autoridade. Mais de oito anos passaram. Depois de umas perdas tão colossais, tudos coincidiram nisso: sentaram-se à mesa de negociações e começaram o trabalho. É preciso levar em conta não só a experiência do Comitê, apesar de ser muito útil, senão ouvir as vozes razoáveis que sempre há antes da fase aberta, sangrenta de um conflito.

Pergunta: A respeito da heroização do nazismo. A respeito da placa memorial a Gareguin Nejdeh, que tinha persistido em Armavir durante sete anos e só acaba de ser destruída há uns dias. Como foi que chegou a ser colocada lá? Como o Ministério das Relações Exteriores da Rússia avalia o fato de heroização de aliados do nazismo em uma cidade russa?

Resposta: Já comentamos isso em briefings há mais de um ano. A mídia informava sobre o autor do monumento. No que toca aos acontecimentos recentes, eu já comentei isso hoje.

Pergunta: A France Presse informa que as novas autoridades da Bolívia reconheceu Juan Guaidó como Presidente da Venezuela. Como o Ministério das Relações Exteriores da Rússia avalia isso?

Resposta: Consideramos a situação na Bolívia como uma situação que precisa de eleições. Depois, poder-se-á falar em poder legítimo. O Vice-Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, falou disso hoje. Haverá eleições em que um poder será eleito, que depois (se tudo ficar bem) vai estabelecer as relações e reconhecer ou não reconhecer. Acredito que na situação atual tais mensagens não podem ser avaliados do ponto de vista do direito internacional.

Para obter mais materiais

  • Fotos

Galeria de fotos
  • 2346-14-11-2019.jpg

1 из 1 fotos do álbum

Corretamente as datas especiais
Ferramentas adicionais de pesquisa