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Briefing da porta-voz da diplomacia russa M.V.Zakharova A porta-voz da chancelaria russa, Maria V. Zakharova, falou à imprensa em Moscou em 8 de Novembro de 2019

2294-08-11-2019

Da próxima visita oficial do chanceler da Federação da Rússia, Sergey V. Lavrov, à Armênia


Em conformidade com o acordo existente, o ministro das Relações Exteriores da Federação da Rússia, Sergey Lavrov, visitará oficialmente Erevan nos dias 10 e 11 de novembro. O programa da visita inclui reuniões com o presidente e o primeiro-ministro da Armênia, Armen V. Sarkisyan e Nikol V. Pashinyan, respectivamente, negociações com o chanceler da Armênia, Zograb G. Mnatsakanyan, e uma cerimônia de oferenda floral perante a chama eterna no Memorial "Tsitsernakaberd" às vítimas do genocídio armênio.

Sergey Lavrov e seu colega Zograb Mnatsakanyan participarão da inauguração de uma exposição comemorativa dos 75 anos da Vitória na Grande Guerra Patriótica. Além disso, o chanceler russo fará um discurso perante professores e estudantes das universidades de Erevan e participará de uma cerimônia de assinatura do Plano de Consultas entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Armênia para 2020/2021.

Durante as negociações, os dois chanceleres abordarão um vasto leque de questões relacionadas à cooperação bilateral, à interação no âmbito da União Econômica Eurasiática (UEE), Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) e Comunidade de Estados Independentes (CEI) e à coordenação das posições dos dois países na ONU, na OSCE, no Conselho da Europa, na Organização de Cooperação Econômica do Mar Negro (CEMN) e em outros organismos internacionais. Também serão abordados temas como a segurança regional e as  perspectivas para a resolução do conflito de Nagorno-Karabakh.

Esperamos que a visita oficial de Sergey Lavrov a Erevan venha a dar um impulso adicional ao desenvolvimento da cooperação multifacetada e mutuamente vantajosa entre os dois países aliados, a Rússia e a Armênia.


Da visita de trabalho do ministro dos negócios estrangeiros da federação da rússia, Sergey Lavrov, à França


Nos dias 11 e 12 de novembro, o ministro dos negócios estrangeiros da Federação da Rússia, Sergey Lavrov, efectuará uma visita de trabalho à  França. Durante sua visita, o chanceler russo participará da segunda edição do Fórum de Paris sobre a Paz e terá a oportunidade de conhecer os projetos russos ali apresentados nos respectivos stands.

"À margem do Fórum, Sergey Lavrov se reunirá com o ministro da Europa e das relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, para abordar  questões candentes da agenda bilateral e da agenda internacional, entre as quais a situação nos termos de estabilidade estratégica e segurança europeia, a situação na Síria, a preservação do Plano de Ação Conjunto Abrangente para o programa nuclear iraniano e as perspectivas para a resolução da crise ucraniana.


Da situação na Venezuela


A situação dentro e em torno da Venezuela continua tensa. A oposição extremista não deixa de tentar "dinamizar" o protesto e atos de rua.  As próximas manifestações de protesto estão previstas para meados de novembro.

Nesse contexto, o governo e a oposição construtiva continuam trabalhando meticulosamente no âmbito da chamada "mesa redonda do diálogo nacional". Em cima da mesa estão questões políticas, econômicas e eleitorais, inclusive aquelas relacionadas à preparação das eleições parlamentares no próximo ano. Vêm surgindo indícios encorajadores do envolvimento nesse processo da Assembleia Nacional, de maioria oposicionista. Chegou-se a um consenso sobre a formação de um novo Conselho Nacional Eleitoral. Encaramos isso como primeiro passo concreto para a superação da crise institucional e a busca coletiva de soluções acordadas para questões-chave da política interna, em conformidade com a Constituição do país. 

Os acordos alcançados encontraram apoio na sociedade. A igreja católica local manifestou a esperança de que os entendimentos alcançados permitam garantir a democracia e a transparência no próximo processo eleitoral.

Estamos seguros de que o maior envolvimento possível das forças políticas do país nas negociações contribuirá para o alcance de um consenso nacional, indispensável à solução dos problemas prementes do país, sobretudo econômicos. Esperamos que todos os observadores externos se abstenham de fazer comentários contraproducentes e permitam que os venezuelanos cheguem a um acordo entre si.

Ao mesmo tempo, falando da "frente internacional", o trabalho subversivo continua, visando impedir, a todo o custo, a estabilização da situação política interna da Venezuela. Por exemplo, a Casa Branca não se cansa de usar suas alavancas de pressão prediletas, impondo ilegalmente restrições unilaterais que são tão assistemáticas que não contribuem nem mesmo para o alcance de seu evidente objetivo de derrubar o governo legitimamente eleito da Venezuela. Por um lado, o Tesouro dos EUA excetua das proibições as pessoas jurídicas e físicas dos EUA envolvidas na cooperação com entidades governamentais venezuelanas, por outro lado, impõe novas restrições individuais contra os chavistas. Mais do que isso, dominada pela mania de aplicar sanções, a administração norte-americana começa a ameaçar aplicar sanções a seus próprios aliados pela menor que seja tentativa de construir relações construtivas com o governo de Caracas.

Prestamos atenção à declaração do Grupo Internacional de Contato para a Venezuela divulgada no dia 1º de novembro deste ano. Congratulamo-nos com o fato de o texto salientar não haver alternativa ao postulado de que cabe aos próprios venezuelanos deсidir o futuro de seu país. Ao mesmo tempo, lamentamos que a declaração assinale que a saída da crise só é possível através da transferência do poder após as eleições presidenciais "convincentes".

Declaramos reiteradas vezes que impor condições a uma das partes envolvidas no confronto político interno na Venezuela, assim como em qualquer outro lugar do mundo, não contribui para a reconciliação nacional nem para o entabulamento de um diálogo, nem para a busca de compromissos para a resolução da crise. Gostaria de reiterar nossa posição, segundo a qual a tarefa da comunidade internacional é ajudar as diferentes forças políticas da Venezuela a chegar a uma compreensão mútua.  


Da situação na Bolívia


Estamos acompanhando de perto a situação na Bolívia. Atualmente, uma missão de peritos da Organização dos Estados Americanos (OEA) está realizando, a pedido das autoridades bolivianas, uma auditoria dos resultados das eleições presidenciais ocorridas nesse país em 20 de outubro deste ano. Enquanto isso, os protestos continuam, estão cortadas algumas estradas, ocorrem enfrentamentos em várias cidades, deixando   mortos e feridos. Em razão disso, o Centro de Situações de Crise do  ministério dos negócios estrangeiros da Rússia russo recomenda aos nacionais russos que planejam ir a esse país que tenham uma atitude responsável para com o planejamento de suas viagens. 

Prestamos atenção às reproduções, veiculadas pelos mass media locais, das especulações sobre uma outra alegada "intervenção russa", desta feita, na Bolívia. Como em todos os casos anteriores, essas acusações são absolutamente infundadas, gratuitas. Desta vez, a fonte é um dos recursos da Internet, a empresa "Project", sediada em um dos países costeiros ao Mar Báltico e que publica, com recursos financeiros externos, artigos tendenciosos antirussos. Empenhada em se posicionar como veículo de comunicação russo, essa empresa não o é. Rejeitamos firmemente tais insinuações. Encaramos isso como provocação, como exemplo das "notícias falsas" que estão sendo combatidas por todo o mundo. Consideramos que, se alguém tiver informações referentes a casos concretos de violação da legislação boliviana, tais casos devem ser examinados no âmbito dos mecanismos bilaterais de assistência jurídica existentes.

Somos a favor de uma rápida resolução das contradições entre as forças políticas bolivianas em conformidade com a Constituição do país. Elogiamos a abertura da liderança do país no que se refere à iniciativa de realizar uma auditoria internacional dos resultados da eleição presidencial. Que nos lembremos, inicialmente, esse pedido foi formulado pela oposição boliviana e logo foi atendido pelo governo do país. Entendemos que, nessa etapa, é necessário criar condições para que a missão da OEA possa desempenhar suas funções com serenidade e imparcialidade. Nesse contexto, consideramos inadmissíveis as tentativas de algumas forças políticas de fomentar a tensão em torno do trabalho dos peritos internacionais e exercer sobre eles pressão, o que, em nossa opinião, pode vir a dificultar a tomada de uma decisão objetiva. Estamos convencidos de que as declarações feitas por representantes da oposição extra-parlamentar no sentido de não estarem dispostos a aceitar os resultados da auditoria internacional, assim como seus ultimatos direcionados ao governo do país e apelos para a remoção forçada do atual governo da Bolívia não contribuem para a normalização da situação no país e vão contra os interesses do povo boliviano.

Gostaríamos de salientar uma vez mais que a Rússia está interessada em uma América Latina estável, política e economicamente sustentável. Mantemos uma cooperação mutuamente vantajosa com todos os países da região, inclusive a Bolívia. Essa cooperação se baseia na igualdade de direitos, respeito e não-ingerência nos assuntos internos e está de acordo com as disposições da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.


Da situação no Haiti


Gostaria de destacar em especial a situação do Haiti. Temos perguntas a esse respeito. Estamos preocupados com uma rápida escalada de confrontos no Haiti onde os protestos em massa não diminuem pelo terceiro mês seguido (desde o início deste ano, nos confrontos com a polícia morreram 70 pessoas, das quais 34 policiais). É óbvio que os problemas subjacentes à atual crise no Haiti são multidimensionais: uma situação socioeconômica deplorável agravada com uma crise alimentar, uma gravíssima situação humanitária  e uma prolongada paralisia institucional (já faz mais de seis meses que no Haiti não funciona nenhum governo). Tudo isso gera caos e vazio de poder. 

Nessas circunstâncias, em primeiro plano surge o desafio de forjar um consenso político e social em torno de uma agenda unificadora. Temos sempre apoiado os esforços construtivos de todas as forças políticas responsáveis do país orientadas para o início de um diálogo interno inclusivo. A Rússia, sempre fiel ao direito internacional e ao princípio do respeito pela soberania nacional, entende não haver alternativa a uma solução política das divergências existentes no país. Nessa fase, existe uma necessidade imperiosa de uma assistência internacional responsável ao Haiti a fim de diminuir a tensão social e evitar um conflito interno de grande escala no país. Expressamos nosso apoio às iniciativas de mediação das Nações Unidas e daremos continuidade a nossas atividades no âmbito do Escritório Integrado da ONU no Haiti.

Estamos seguros de que as situações de crise na região só devem ser resolvidas de acordo com as normas constitucionais do país, à mesa das negociações, seja no Haiti ou na Venezuela. Para nós, a prática de duplo padrão e de intervenção externa nos assuntos internos da América Latina é inaceitável.


Da atual situação no Líbano


Estamos seguindo de perto a situação, muito tensa, que se vive atualmente no Líbano. Nos últimos dias temos registrado uma dinâmica positiva. Todavia, ainda não podemos afirmar que a normalização total chegou a acontecer. O número de participantes de atos de rua vem diminuindo. No entanto, uma parte de manifestantes bem organizada, que ainda permanece nas ruas, continua tentando bloquear ministérios para, conforme entendemos, impedir que estes funcionem normalmente. Cortes de estradas diminuíram, esse problema se resolve rapidamente pela polícia e exército. Em alguns locais, houve confrontos entre manifestantes e militares que, felizmente, não tiveram consequências graves.

Preocupa-nos ver que a crise política interna que resultou na demissão do governo de coligação liderado pelo primeiro-ministro, S. Hariri, agravou as divergências entre as forças políticas libanesas que se apoiam em diferentes grupos étnicos e religiosos do país.

Nesse contexto, muito nos apraz saber que o presidente libanês, Michel Aoun, reiterou sua disponibilidade para receber e ouvir os ativistas do movimento de protesto. Esperamos que os contatos intensos mantidos atualmente entre o líder do movimento Mustaqbal, o primeiro-ministro em exercício, S. Hariri, e o líder do "Movimento Patriótico Livre", ministro dos negócios estrangeiros em exercício, J. Bassil,   com vistas a encontrar uma melhor saída para a atual situação permitam iniciar a formação de um novo governo e realizar na prática reformas destinadas a corrigir a atual situação econômica e financeira e a começar o combate à corrupção.

Ao reiterar nossa posição fundamental de apoio à soberania, unidade e estabilidade da República Libanesa e à resolução de todas as questões da agenda nacional de acordo com a legislação local, através de um diálogo inclusivo, salientamos em especial que todas e quaisquer formas de intervenção externa nos assuntos libaneses, quer se trate das áreas de informação, logística, finanças ou outras, são inadmissíveis. Ninguém, a não ser os cidadãos desse país, se deve mexer com a construção de seu futuro. As tentativas de aplicar as técnicas de engenharia social que se tornaram conhecidas no mundo como "téncicas de Maidan" poderão ter no Líbano consequências imprevisíveis para a segurança desse país e de todo o Oriente Médio.  


Da Resolução sobre o Combate à Glorificação do Nazismo aprovada pela Terceira Comissão da 74ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas


Em 7 de novembro, em Nova York, a Terceira Comissão da 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU aprovou, por iniciativa da Federação da Rússia, a resolução "Combater a glorificação do Nazismo, Neonazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada". O documento, de co-autoria de 61 países, foi aprovado com 121 votos a favor, dois contra (EUA e Ucrânia) e 55 abstenções. 

Os resultados da votação mostram claramente que a comunidade internacional se declara invariavelmente favorável à iniciativa tradicional russa apresentada anualmente à Assembleia-Geral das Nações Unidas.

A aprovação da resolução supracitada é especialmente relevante face ao 75º aniversário da Vitória na Segunda Guerra Mundial a ser celebrado no próximo ano. Foi na luta contra o nazismo que se constituiu a coalizão antihitler e seus integrantes começaram a se chamar Nações Unidas. O amplo apoio a essa importante resolução mostra claramente que a vitória conquistada em 1945 é um patrimônio comum de toda a comunidade internacional, de todos os países membros da ONU, organização, cuja criação foi impulsionada, entre outras coisas, pelas consequências catastróficas da Segunda Guerra Mundial.

A resolução volta a condenar as tentativas de glorificar o movimento nazista e de inocentar os antigos membros da SS e das Waffen-SS reconhecidas como criminosas pelo Tribunal de Nuremberga.

O documento manifesta uma profunda preocupação com a "guerra" contínua contra os monumentos aos combatentes contra o nazismo e o fascismo desencadeada, nos últimos anos, por alguns países e elevada por eles à dimensão de política estatal. Na mesma categoria estão atos como inauguração de monumentos e renomeação de ruas, escolas e outras instalações sociais em honra daqueles que lutaram ao lado dos nazistas ou com eles colaboraram.

Ao mesmo tempo, a resolução manifesta preocupação com as tentativas de elevar à categoria de heróis nacionais aqueles que lutaram contra a coalizão antihitler durante a Segunda Guerra Mundial, colaboraram com os nazistas, cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Destaca em especial que tais ações profanam a memória de inúmeras vítimas do nazismo, têm, evidentemente, um impacto negativo sobre a jovem geração e são absolutamente incompatíveis com as obrigações dos países membros da ONU estipuladas na Carta dessa organização. 

Estamos convencidos de que o próximo aniversário da vitória, a ser celebrado no ano que vem, é uma boa oportunidade para conjugarmos  nossos esforços, apesar das divergências existentes, a fim de combatermos conjuntamente a glorificação do nazismo e as manifestações do neonazismo e impedirmos a falsificação da história e a revisão dos resultados da Segunda Guerra Mundial.


Da profanação de um monumento aos soldados soviéticos em Chisinau


Apesar dos documentos aprovados anualmente e daqueles aprovados este ano, registramos novos casos de um verdadeiro vandalismo histórico. Em 7 de novembro, no Memorial da Glória Militar "Eternidade", em Chisinau, foi destruído o monumento ao herói da União Soviética, Georgy Chernienko. Esse ato de vandalismo clamoroso causa especial indignação em uma altura em que o mundo está se preparando para a celebração do 75º aniversário da vitória, em nosso caso, na Grande Guerra Patriótica, e no do resto do mundo, na Segunda Guerra Mundial.

Esperamos que as autoridades moldavas reajam devidamente a esses atos cínicos, em conformidade com o acordo sobre a perpetuação da memória da coragem e do heroísmo dos povos dos países membros da Comunidade de Estados Independentes (CEI) na Grande Guerra Patriótica de 1941-1945, assinado em 3 de setembro de 2011 pelo lado moldavo e confirmado pelo parlamento da República da Moldova.


Dos 30 anos da queda do Muro de Berlim


Como é de seu conhecimento, em 9 de novembro, a Europa celebrará os 30 anos da queda do Muro de Berlim. Esse foi um dos acontecimentos cruciais da história recente do continente europeu que teve especial relevância para os alemães e serviu de prólogo para a reunificação alemã. 

O Muro de Berlim foi, durante muito tempo, um símbolo visível da divisão europeia na época de Guerra Fria. A queda do Muro foi um acontecimento emotivo que simbolizou as profundas mudanças ocorridas no mundo nos finais dos anos 80, princípios de 90. Isso originou, com razão, nas pessoas grandes expectativas quanto à criação de uma Europa pacífica e próspera, sem quaisquer linhas divisórias. Infelizmente, suas esperanças não chegaram a se realizar. Assim como, naquela época, caiu o Muro de Berlim, assim também se arruinam hoje suas esperanças. É importante termos presente essa oportunidade perdida e evitarmos que novas barreiras se fixem no continente para beneficiar interesses geopolíticos e de bloco. A paz e a segurança na Europa devem ser universais e indivisíveis.

Como é de seu conhecimento, a Rússia seguiu e continuará seguindo esses princípios em sua política externa. Esperamos que, nesse sentido,  nossos parceiros dêem passos a nosso encontro.

Recebemos perguntas sobre se a parte russa havia recebido convites para as atividades comemorativas e quem a representaria. Sim, a Rússia foi convidada e será representada pelo seu embaixador na Alemanha, Sergey Nechaev.


Das declarações anti-iranianas de representantes dos EUA


Muitas perguntas se referem ao Irã. Estamos preocupados ao ver como os EUA, desejosos de justificar suas sanções e pressão militar sobre o governo de Teerã, se empenham em lançar uma nova campanha de informação e em demonizar a República Islâmica do Irã. Altos funcionários da administração norte-americana começaram novamente a acusar o Irã de atividades terroristas, declarando-o como "principal patrocinador do terrorismo do mundo". 

Com isso, não consideram necessário provar as acusações apresentadas com fatos concretos. Mais do que isso, ignoram a opinião de seus próprios especialistas. Gostaria de lembrar que, em dezembro de 2017, um grupo de veteranos dos serviços secretos dos EUA, que havia se manifestado  contrário ao aprofundamento da crise nas relações com o Irã, enviou, através da mídia, uma carta aberta ao presidente norte-americano dizendo que a maioria esmagadora dos grupos do Oriente Médio que ameaçam os EUA, nomeadamente, 13 em 14, são anti-iranianos.

A conclusão parece óbvia: é estranho e ilógico acusar o Irã de patrocínio de seus inimigos figadais. Mas essas nuanças não interessam, por razões desconhecidas, ao establishment político de Washington.

De modo geral, tem-se a impressão, cada vez mais forte, aliás, de que os EUA encaram o combate ao terrorismo através do prisma de seus objetivos geopolíticos. Daí duplos padrões e a divisão das organizações terroristas internacionais em "más", ou seja, contrárias aos EUA, e "toleráveis", que, de fato, se dedicam à mesma coisa sem chamar às claras os EUA de inimigo. Essas últimas agem contra países e governos inconvenientes a Washington, quer se trate do Irã ou do governo legítimo da Síria, usando táticas terroristas. Temos falado muito sobre isso e temos observado essa tendência nos últimos dez anos, garanto. 

É por isso que os EUA estão empenhados em inocentar o grupo Heyat Tahrir al-Sham. Permitam-me recordar que esse grupo se encontra aquartelado na província síria de Idlib de onde pratica suas incursões bandidescas, embora os próprios EUA tenham incluído, em 2018, esse grupo em sua lista nacional de organizações terroristas, considerando-o como sucessor da Al-Qaeda, e tenham se declarado favoráveis a uma decisão semelhante da ONU.

Recebemos muitas perguntas que contêm o pedido para comentarmos essas declarações, expormos a visão da Rússia e a posição de nosso ministério dos negócios estrangeiros sobre essas acusações. Para respondê-las, gostaria de dizer o seguinte. A Rússia nunca viu uma ameaça terrorista no Irã. Mais do que isso, os próprios iranianos têm sido repetidamente alvo de ataques por parte de grupos extremistas. Gostaria de recordar que os atentados mais graves dos últimos tempos tiveram lugar em Teerã, em 2017, e em Ahvaz, em 2018.

O Irã tem repetidamente reafirmado sua fidelidade aos objetivos do combate ao terrorismo internacional e sua disponibilidade para tomar, para o efeito, medidas necessárias, inclusive em cooperação com outros países. Tem ajudado efetivamente a enfrentar os desafios do combate ao terrorismo na Síria, onde suas tropas se encontram, a convite do governo de Damasco.

Gostaríamos de enfatizar mais uma vez que a política americana de confrontação com o Irã é absolutamente destrutiva, até porque é imprevidente. É impossível criar uma estrutura de segurança regional firme no Oriente Médio ou estabilizar a situação na Síria, Iraque e Afeganistão sem a participação do governo de Teerã. Quanto a nós, continuamos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros iranianos nesse sentido. 


Da situação decorrente da decisão do Irã de interromper o cumprimento  de alguns compromissos ao abrigo do Plano de Ação Conjunto Abrangente para o programa nuclear iraniano


A campanha anti-iraniana está crescendo, apresentando vários aspectos. Gostaria de me referir a um deles, em resposta a um grande número de perguntas a esse respeito recebidas. Trata-se da decisão do Irã de interromper o cumprimento de seus compromissos voluntários no âmbito do Plano de Ação Conjunto Abrangente para o programa nuclear iraniano (JCPoA, na sigla em inglês). O apego exagerado de alguns representantes no Ocidente e de uma série de veículos de comunicação social à ideia de desencadear um novo incêndio em torno do programa nuclear do Irã não pode deixar de nos preocupar por uma série de razões. Parece que eles estão dispostos a usar qualquer oportunidade e metodologia para pôr em dúvida o cumprimento pelo Irã de seus compromissos relativos à não-proliferação nuclear.

Há dois meses já se sabia que, no início de novembro, Teerã poderia interromper o cumprimento de seus compromissos no âmbito do JCPoA. Como resultado, iniciou o fornecimento de gás às cascatas nas instalações de Fordow. Devo notar que isso não teria acontecido se os EUA tivessem encontrado forças para deixar de torpedear o JCPoA e a resolução 2231 e os participantes europeus dos acordos alcançados tivessem cumprido suas promessas (de fato, não se trata de promessas, mas de compromissos, porque, permito-me recordar, o JCPoA foi aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Portanto, trata-se dos compromissos de todos os países que compõem a comunidade internacional), isto é, tivessem cumprido seus compromissos de criar condições para que o Irã recebesse os benefícios econômicos e comerciais prometidos no "acordo nuclear". 

Trata-se somente dos compromissos iranianos no âmbito do JCPoA não relacionados à não-proliferação nuclear nem às obrigações do Irã nos termos do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e do Acordo de Salvaguardas Abrangentes. O programa nuclear do Irã está sendo constantemente supervisionado de perto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A decisão do Irã de suspender alguns de seus   compromissos não representa nenhum risco de proliferação, o que foi várias vezes confirmado pela própria AIEA. A suspensão é tecnicamente reversível. Isso é de conhecimento geral, mas, por alguma razão, essa informação, não é que está sendo escondida, mas não está recebendo a devida cobertura. Não a encontramos em materiais dos veículos de comunicação que escrevem sobre o assunto. O governo iraniano reafirmou várias vezes sua disponibilidade para retomar os parâmetros acordados logo que suas preocupações absolutamente legítimas tenham sido tiradas. 

O fato de o governo iraniano ser forçado a seguir o caminho de suspensão de seus compromissos significa apenas uma coisa: os problemas que serviram de uma espécie de "gatilho" para esse evoluir dos acontecimentos continuam por resolver. A Rússia tem apelado, durante longo tempo, a seus parceiros do JCPoA para que se mobilizem para enfrentar conjuntamente os desafios que complicam a aplicação desse acordo. Esperamos muito que isso venha a acontecer.


Da organização pseudo-humanitária Capacetes Brancos


Outro tema ao qual sempre voltamos. Prestei atenção à declaração do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido para os Assuntos do Oriente Médio, E. Marrison, segundo a qual a organização não governamental Defesa Civil Síria, mais conhecida como Capacetes Brancos, havia sido alvo de uma campanha de desinformação por parte das autoridades sírias e russas. Segundo o comunicado da diplomacia britânica, o anúncio foi feito pelo governante britânico na terça-feira durante uma reunião com o líder da organização, R. Saleh, dedicada à situação na cidade síria de Idlib. 

"Os voluntários dos Capacetes Brancos continuam a ser alvo de uma  campanha maciça de desinformação por parte do regime sírio e do governo russo", disse Marrison. "Essas técnicas enganosas são uma descarada tentativa de desviar a atenção da enxurrada de ataques chocantes contra o povo sírio, inclusive o uso de armas químicas", adiantou. Ele também "reiterou o apoio inabalável do Reino Unido a essa organização". Hoje não valeria a pena, talvez, mencionar os Capacetes Brancos, uma vez que já abordamos em pormenor esse assunto anteriormente, se não tivesse sido esse comunicado "maravilhoso" das autoridades britânicas dedicado à Rússia. Já que esse comunicado saiu, vamos certamente comentá-lo. 

Bem, no briefing mais recente, dissemos que os EUA haviam disponibilizado mais uma parcela de dinheiro aos Capacetes Brancos. Assim, essa gente, que se autodenomina " trabalhadores humanitários", recebeu 4,5 milhões de dólares. Vejamos quem está na origem dessa estrutura. Contarei com os materiais de peritos que estão livremente disponíveis na Internet. Talvez possam ser desmentidos, mas ninguém o fez até agora.

Graças às investigações, principalmente de jornalistas estrangeiros, é sabido que um dos fundadores dos Capacetes Brancos é James Le Mesurier, antigo oficial do serviço de inteligência britânico MI-6. Coincidência? Acho que não. Ele se fez notar em muitos conflitos em todo o mundo, inclusive os Balcãs e o Oriente Médio. Dado o papel do Ocidente na quebra da estabilidade nessa regiões, não é difícil imaginar o que esse agente do serviços secretos britânicos ali fazia. 

Além disso, vários pesquisadores (repito, trata-se de materiais jornalísticos estrangeiros e não de artigos analíticos russos) suspeitam James Le Mesurier de ligação com organizações terroristas durante sua missão no Kosovo, onde, segundo algumas fontes, sua equipe incluía membros da "Al-Qaeda". Gostaríamos muito que a parte britânica nos explicasse esses fatos. James Le Mesurier é também fundador de uma organização não governamental dinamarquesa, a Mayday Rescue, patrocinada pelo Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Canadá, Qatar, Holanda e Estados Unidos. Formalmente, essa organização se dedica à "proteção de civis durante conflitos e desastres naturais". Na realidade, participou da preparação e financiamento dos Capacetes Brancos, sendo atualmente seu parceiro de mídia no Ocidente. 

Além de se envolver no conflito sírio, a Mayday Rescue teve projetos na Somália e no Líbano (já falei da situação no Líbano) onde, sob o pretexto de criar uma rede de socorristas voluntários, apoiou forças e organizações antigovernamentais locais. Os Capacetes Brancos também foram usados em alguns países da América Latina para ataques informacionais contra os governos legítimos. 

Essas tentativas falharam, mas não há garantias de que isso não volte a acontecer em qualquer outro lugar. De fato, os Capacetes Brancos testados na Síria viraram uma das ferramentas do Ocidente para a promoção de "revoluções de cores", desestabilização da situação e criação de conflitos artificiais em países "inconvenientes".

A Rússia disse várias vezes que os Capacetes Brancos são provocadores e cúmplices dos grupos terroristas mais perigosos. Como prova disso, foram citados exemplos e fatos convincentes em diferentes níveis, tanto na Rússia quanto no Ocidente. Todavia, as coisas não foram além de uma  retórica que já se tronou comum em casos como este: "não é assim, não acreditem neles". Isso quando relatórios inteiros, apresentações, filmes, vídeos, fotos e outros materiais dedicados ao assunto foram apresentados à comunidade internacional. Consideramos que os Capacetes Brancos são contrários aos esforços antiterroristas do governo sírio e dos países que lhe prestam assistência. Eles foram os autores e executores de toda uma série de "falsificações" cínicas, não só notícias falas como também imagens encenadas destinadas a dar motivos para a desinformação de uma ampla audiência internacional e a impedir a estabilização da situação na Síria e a solução de problemas humanitários prioritários.

Acho que a história e as fontes de financiamento dos Capacetes Brancos,  assim como os mecanismos associados explicam os motivos por que a diplomacia britânica presta apoio a essa entidade.


Da retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre o Clima


Outro tema que despertou grande interesse e pedidos de comentários, inclusive o pedido para expormos a posição da Rússia a esse respeito, é  a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre o Clima.

A decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de abandonar o referido acordo é de lamentar. A retirada de um país responsável por cerca de 15% das emissões globais de gases de efeito estufa de um acordo jurídico internacional universal pode vir a limitar significativamente o potencial dos esforços coletivos internacionais para a redução da carga antropogênica sobre o sistema climático de nosso planeta. Ao mesmo tempo, gostaríamos de esperar que a retirada dos EUA do Acordo de Paris não faça com que a administração norte-americana se recuse a tomar medidas para combater as mudanças climáticas a nível nacional, embora tenhamos visto recentemente muitas notícias a esse respeito.

Essa situação mostra, uma vez mais, quão complicada e multidimensional é a problemática das alterações climáticas globais que afeta os interesses básicos de cada país em matéria ambiental, da economia e da política social. Vêm surgindo novos estudos científicos sobre esse tema que completam as posições oficiais dos países. 

É evidente ser impossível resolver o problema da mudança do clima com base em apenas slogans políticos. Em todas as fases do processo de negociação, a Rússia exortou a assumir uma posição o mais pragmática possível em relação à elaboração de um regime climático a longo prazo. Continuamos acreditando que a chave para manter o processo internacional de combate à mudança do clima em desenvolvimento progressivo é deixar de politizar o problema da mudança do clima global. Também é necessário ter em conta dados científicos objetivos e características socioeconômicas, geográficas e naturais de todos os países do mundo, sem exceção.


Da proposta de congressistas norte-americanos para incluir a força-tarefa especial ucraniana Azov na lista de organizações terroristas


No final de outubro, um grupo de legisladores norte-americanos sugeriu incluir a unidade ucraniana de ações de comandos Azov na lista de organizações terroristas onde fará companhia à Al Qaeda e ao Estado Islâmico, caso haja uma decisão positiva do Departamento de Estado dos EUA. Um grupo de deputados da Câmara de Representantes dos EUA pediu ao Departamento de Estado dos EUA que explique a razão por que essa "organização paramilitar ultra-nacionalista ucraniana, amplamente conhecida e que admite abertamente em suas fileiras neonazistas" e é denunciada por violações dos direitos humanos e uso da tortura, ainda não está incluída na lista. Ainda de acordo com os deputados, isso daria ao governo federal ferramentas adicionais para neutralizar ameaça por ela representada. 

Os deputados assinalaram que a unidade Azov "recruta, radicaliza e treina cidadãos americanos" e associam sua influência aos ataques sangrentos em vários estados norte-americanos e na Nova Zelândia. Para os deputados, a "ligação entre a unidade Azov e os ataques terroristas nos EUA é óbvia. Anteriormente, os serviços secretos dos EUA haviam afirmado que existia uma relação entre a unidade Azov e os participantes dos distúrbios no estado de Virgínia em 2018.

Gostaria de recordar que o Ocidente, inclusive a administração norte-americana anterior, apoiou e financiou ativamente um projeto político chamado "Ucrânia pós-Maidan", cujo traço marcante foi e continua a ser o patrocínio aberto às ideias neonazistas. A ideologia do neonazismo, do que falámos muito, foi cultivada na Ucrânia, em grande medida, com o dinheiro ocidental.

Não foi do zero que surgiu a iniciativa, há muito na ordem do dia, de resolver essa questão. Nos finais de setembro, nos EUA, foi divulgado um curioso relatório sobre o extremismo transnacional. O documento, de autoria da organização não governamental norte-americana "Center Sufan", refere, entre outras coisas, a unidade Azov, qualificando a Ucrânia como "um dos centros da rede internacional de apoiantes da tese de supremacia branca que atrai recrutas estrangeiros de todo o mundo". Segundo dados do "Center Sufan", o conflito ucraniano envolveu cerca de 17.000 pessoas de 50 países, entre os quais os EUA. Os ultranacionalistas transformaram a Ucrânia em um "campo de provas"  para o treino de competências de combate. "O Batalhão Azov recrutou cidadãos estrangeiros seguidores da ideologia nazista, submetendo-os a testes ideológicos e treinando-os para operações de combate episódicas", assinalam os autores do relatório. Aparentemente, a perspectiva do regresso aos EUA de pessoas experientes em operações de combate no solo ucraniano não causa euforia na Colina do Capitólio. 

Além disso, segundo o relatório, a unidade Azov estabeleceu contatos com a Divisão Atomwaffen (AWD sigla alemã para a Divisão Alemã de Armas Nucleares) aquartelada nos EUA e o grupo extremista R.A.M. (Rise Above Movement - Levante-se acima do Movimento). Sua união vai muito além do trabalho em rede. Além de treinar o pessoal adulto, o batalhão Azov "cria presumivelmente acampamentos de jovens e desenvolve programas para ensinar a ciência militar e a ideologia da supremacia branca a crianças de nove anos ".

De acordo com os autores do relatório, os "seguidores da ideologia da supremacia branca representam uma evidente ameaça terrorista para os EUA no espaço de Pittsburgh a Powey, de Charleston a El Paso", onde   houve recentemente casos de terrorismo doméstico. E essa ameaça é bem real: "na última década, nos EUA, morreram nas suas mãos três vezes mais pessoas do que nas mãos dos islamistas", realça o relatório. 

Congratulamo-nos com o fato de os Estados Unidos da América terem começado a prestar atenção aos neonazistas e ultranacionalistas na Ucrânia. Os materiais disponíveis não faltam. Ao longo dos anos, já se acumularam toneladas de documentos, vídeos, fotografias, declarações, programas, brochuras, etc., que devem não só ser estudados mas também servir de base para as respectivas conclusões. Infelizmente, as ações ilegais e desumanas da unidade Azov na Ucrânia, seus crimes e seus esforços objetivos para torpedear os acordos de Minsk (como vimos recentemente em um vídeo) ainda não foram devidamente qualificados a nível oficial.

Nesse contexto, é ilustrativa a reação das autoridades ucranianas. Elas se apressaram a defender a unidade Azov. O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Pavel Klymkin, chamou a iniciativa dos congressistas norte-americanos, que, em sua opinião, ameaça a segurança nacional do país, de "golpe violento na Ucrânia". O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Vassili  Bodnar, prometeu dar aos norte-americanos "explicações" necessárias a esse respeito. No entanto, também podemos fornecer aos norte-americanos provas necessárias, as quais publicamos regularmente e transmitimos à OSCE, distribuímos na OSCE. Jornalistas independentes, russos e estrangeiros, entre os quais ucranianos, produzem muitos filmes com essa temática. O mundo inteiro já está falando disso. Finalmente, os EUA também começaram a falar disso. A reação da Ucrânia no sentido de bloquear os debates sobre esse assunto não se fez esperar. O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, viu nisso uma "tentativa de desacreditar a unidade Azov nas mentes dos parceiros internacionais da Ucrânia, provocar uma crise nas relações com seus aliados e debilitar a posição da Ucrânia no mundo". Os próprios representantes da unidade Azov chegaram a dizer terem encarado a proposta dos congressistas como "propaganda pró-russa". Os deputados do parlamento ucraniano enviaram uma mensagem à Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos em que tentaram reabilitar a unidade Azov e se manifestaram dispostos a "ajudar a encontrar informações objectivas e imparciais sobre essa unidade de ações de comandos, embora, segundo tudo leva a crer, os congressistas norte-americanos não careçam desse tipo de informação. Repito, nos últimos anos, acumulou-se um grande acervo de materiais. É tempo de tirar as devidas conclusões.


Da investigação do assassinato de Pavel Sheremet


No contesto da situação na Ucrânia, gostaria de lembrar que dezenas de crimes relacionados aos assassinatos de opositores, jornalistas e figuras públicas que expressaram um ponto de vista diferente daquele que deveria ter sido expresso naquela época na Ucrânia continuam por esclarecer.   Destacamos a recente notícia de que a investigação do assassinato do jornalista Pavel Sheremet saiu do ponto morto: os suspeitos foram alegadamente detidos. Gostaria de recordar que a investigação desse crime estrondoso que agitou a opinião pública ucraniana, russa e internacional, está em andamento há mais de três anos. Apesar da pressão por parte de entidades internacionais de direitos humanos, a investigação praticamente não avançou ao longo desse período. Objectivamente falando, de acordo com nossos dados, a investigação ficou simplesmente bloqueada. O governo ucraniano não mostrava vontade política para intimar os autores do crime. Algumas altas personalidades ucranianas, inclusive o próprio ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, se puseram a buscar uma "pista russa" no crime, fazendo declarações alusivas à alegada implicação de entidades oficiais russas. 

Esperamos que o avanço patenteado venha a resultar não só na punição dos autores do crime como também nos progressos na investigação dos outros crimes sangrentos cometidos na Ucrânia nos últimos anos. Gostaria de lembrar que continuam por esclarecer os assassínios de  Andrey Stenin, Anton Voloshin, Igor Kornelyuk e Anatoly Klyan, cometidos em 2014. 

Esperamos que a administração do atual presidente ucraniano, Vladimir Zelenskyi, leve essas investigações até o fim e dê finalmente fim à política sistemática de repressão contra os veículos de comunicação inconvenientes. 

Continuaremos acompanhando de perto a situação.


Da terceira edição do Fórum Global de Jovens Diplomatas


Entre os dias 13 e 15 de novembro, Moscou sediará a terceira edição do Fórum Global de Jovens Diplomatas, o principal evento do Conselho de Jovens Diplomatas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Em 2017 e 2018, o evento ocorreu em Sochi. A terceira edição contará com a participação de um número recorde de delegados: mais de 130 representantes de 70 países do mundo. 

O tema central da próxima discussão é "Mudança da ordem mundial global". Pela primeira vez, o Fórum acolherá uma cerimônia oficial de assinatura do Memorando de Cooperação entre as organizações de jovens diplomatas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia e do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

O Fórum Global de Jovens Diplomatas é o resultado de seis anos de trabalho do Conselho de Jovens Diplomatas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia na organização e realização de eventos semelhantes, tradicionalmente presenciados por jovens funcionários de corpos diplomáticos. O formato de portas fechadas permite uma análise franca e imparcial da agenda atual e uma troca de opiniões sobre as questões prementes das relações internacionais.

A divulgação regular de informações, relatórios extensos, comunicados de imprensa e entrevistas coletivas tornam o Fórum interessante e atrativo para um vasto público. O Fórum será realizado em três locais: o ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia (está prevista uma reunião com a cúpula do ministério), a Academia Diplomática (uma sessão plenária com a participação de Aleksandr Yakovenko) e o Hotel Azimut.

Entre os convidados especiais do Fórum estarão os destacados diplomatas e deputados federais: K.I.Kosachev, L.E.Slutskiy, E.A.Primakov, S.Sigal.

As informações sobre o credenciamento podem ser obtidas no serviço de divulgação do Conselho de Jovens Diplomatas pelo telefone: 

+7 (977) 749-64-70. 

Pessoa de contato: Sergey Vladimirovich Spitsyn.


Das respostas a perguntas: 

Pergunta: Em 22-23 de novembro, terá lugar em Moscou o Fórum Interregional Russo-Azeri. Como o Ministério das Relações Exteriores da Rússia avalia o papel desta plataforma permanente para o desenvolvimento e fortalecimento da cooperação entre os dois países?

Resposta: O Décimo Fórum Interregional Russo-Azeri é planejado em Moscou para os dias 22 e 23 de novembro. O evento é organizado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia e Ministério da Economia do Azerbaijão.

O Fórum já tem o renome de uma plataforma de discussão de referência. Reúne representantes de órgãos do poder estatal, chefes de unidades administrativas das regiões russas, comunidades de negócios e profissionais para discutirem assuntos correntes de cooperação entre os nossos países, busca de novas direções perspectivas de cooperação em diferentes áreas.

As relações interregionais têm uma grande importância nas relações bilaterais da Rússia e Azerbaijão, que continuam se ampliando. Participam delas mais de 70 regiões do nosso país. 17 unidades administrativas da Federação da Rússia possuem acordos vigentes de cooperação com o Azerbaijão nas áreas comercial, econômica, técnico-científica e cultural. Mais de um terço de todo o volume do comércio com este país é ligado a Moscou e região de Moscou. Os dez parceiros comerciais principais da parte russa incluem também a regiões de Stavropol e Krasnodar, as regiões de Chelyabinsk, Sverdlovsk, Saratov e Oremburgo, a cidade de São Petersburgo e a República de Tartaristão.

Pergunta: Em dezembro, terá lugar em Bratislava um encontro de Ministros das Relações Exteriores da Armênia e do Azerbaijão. Porém, existe a opinião que este tipo de encontros não favorece a dinâmica e a ampliação do processo pacífico, pelo menos, na etapa atual. Será que a Rússia pretende juntamente com outros co-presidentes do Grupo de Minsk da OSCE, durante a visita do Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, a Erevan ou no âmbito do encontro em Bratislava, empurrar as partes para organizarem uma cúpula bilateral?

Resposta: Não posso dizer “empurrar”, mas vai ter negociações, sim, o que eu já disse. Vamos usar uma palavra mais agradável: “encorajar”.

Pergunta: O chefe da Liga de Defesa dos Interesses dos Veteranos de Conflitos Militares Locais, Andrei Troshev, enviou uma carta ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia, exigindo punir a agência de notícias Reuters e uma jornalista desta agência, Maria Tsvetkova, pela invasão ilegal do centro médico SOGAZ. Lá, ela, disfarçada de visitante, importunava os pacientes e tentava acessar uma câmara. Devemos esperar algumas sanções aplicadas a esta agência?

Resposta: O Ministério das Relações Exteriores da Rússia não é um órgão de proteção da ordem pública, senão uma instituição do poder executivo. A tarefa do Ministério é trabalhar com os correspondentes estrangeiros de acordo com as leis sobre a mídia e sobre a acreditação de correspondentes estrangeiros da Federação da Rússia.

Eu não vi a carta mencionada. Vou pesquisar e ver o que é exatamente escrito lá. Temos vários meios para comunicar as nossas preocupações, por exemplo, em relação à conduta indigna de correspondentes estrangeiros no país onde eles e elas estão. A propósito, posso dizer que há muitas violações, ligadas ao regime de vistos, de migração, de visita a locais de regulação especial, por exemplo, as instalações militares no território do nosso país, onde estão deslocadas as Forças Armadas da Federação da Rússia, e todo um leque de outras situações em que os jornalistas estrangeiros desrespeitam ou premeditadamente violam a legislação russa. Quando tais situações acontecem, transmitimos a informação correspondente aos jornalistas estrangeiros e às suas agências. Tratamos também com as Embaixadas dos países cujas publicações midiáticas tiverem tais problemas. Mas o Ministério das Relações Exteriores não é um órgão de proteção da ordem pública. Só decisões dos tribunais russos servem-nos de instrução. Por exemplo, se um tribunal tomar uma decisão em relação a uma violação da lei por uma pessoa estrangeira, seja um correspondente internacional ou pessoal técnico de um escritório da agência, tal decisão é comunicada inclusive ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia. E nós agimos então conforme a lei. Mas punir não é tarefa nossa. Eu não vi a carta, por isso respondo à sua pergunta em termos gerais.

Outra situação bastante frequente é essa: há jornalustas estrangeiros que vêm aqui para trabalhar, mas não têm nem visto de jornalista, nem acreditação. Não se trata de eventos internacionais de grande escala, quando já durante a preparação institucional o trabalho dos jornalistas é simplificado, mas de simples desrespeito às normas russas de migração e regras de acreditação. Transmitimos estas informações aos secretários de imprensa das Embaixadas dos países implicados, conversamos. Há Embaixadas que desconhecem a necessidade de obter acreditação, então transmitimo-lhes documentos correspondentes. Não posso chamar isso de punição. É função da instituição que representa o poder executivo.

Pergunta: Hoje de manhã, o maior portal de notícias da Lituânia, Delfi, publicou uma nota para os lituanos que pretendem visitar São Petersburgo com visto electrônico. Tem de tudo: começando da possibilidade de os policiais tirarem seu celular na hora de sair do avião e exigirem a eliminação de todas as fotografias e terminando pela afirmação de que, se você dizer que vem da Lituânia, vão rir de você. Durante a Copa do Mundo de futebol em 2018, levaram todos os marginais fora da cidade, e agora São Petersburgo mostra a sua cara de verdade.

Resposta: Se tal nota é realmente publicada, não posso negar. É lógico: se os órgãos oficiais divulgam tais notas, os outros vão rir desse país. Fato. Não sei qual é o público receptor destas mensagens, talvez as pessoas que não têm acesso à Internet. Não posso excluir que tal situação pode existir no país mencionado na pergunta, mas o mundo é aberto, globalizado e acessível do ponto de vista de informação. Por isso é só mais uma ocasião de rir-se daqueles que o divulgaram. E não é a primeira vez.

Nós vimos – eu li também – as notas que já passaram para os anais históricos da Internet, divulgadas antes da Copa do Mundo de futebol no ano passado. Até falamos disso no briefing, citamos, mostrávamos trechos nos slides. No resultado, só atitude irônica para com este fenômeno indigno, para com as pessoas que compunham aquelas notas. Todos aqueles que chegaram para a Copa do Mundo 2018, passaram dois meses no território da Federação da Rússia, estiveram em várias cidades; e os participantes, jornalistas, torcedores, membros de delegações oficiais não visitavam somente as cidades que eram as sedes oficiais dos jogos, senão também muitas outras. Tinnham a oportunidade de deslocar-se livremente. Saíam do país, entravam de novo, perdiam documentos e os faziam de novo, tinham contatos com a polícia, usavam táxis e transporte público, vinham do estrangeiro em aviões das linhas aéreas russas, voaram pelo território da Federação da Rússia, usavam as ferrovias, dirigiam-se a insituições médicas, ligavam por telefones e celulares. Não menciono os hotéis e o setor privado. A conclusão é única: tudo o que tinham contado sobre a Rússia foi falso.

Eu acho que isso tudo tem que ser comprovado: obter um visto eletrônico, chegar cá, ver e escrever um comentário sobre esta nota no site mencionado na pergunta. Não há outra possibilidade de saber quem tem razão e quem não tem.

Já viu que esta nota aparece justamente no momento quando visto eletrônico foi introduzido? Claro, do ponto de vista deste recurso eletrônico que agora não sei por quem é gestionado, mas antes era gestionado por pessoas e estruturas ligadas ao governo, a situação é tão perigosa que era necessário tratar disso antes também, e não só quando o nosso país simplifica tanto o regime de turismo. Obviamente, tem que semear medo, fazer com que as pessoas não cheguem e não vejam tudo com os próprios olhos.

Pergunta: De acordo com especialistas, durante o Fórum Rússia-África, a Rússia colocou de uma maneira bastante clara as prioridades do desenvolvimento das suas relações com a África: é a cooperação militar, representada pelo acesso dos nossos bombardeiros à África do Sul, e a direção econômica, representada pela prospeção geológica e construção de centrais elétricas. É muito importante também o intercâmbio cultural. Recentemente, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, trocou presentes com o seu homólogo do Burundi, Ezéchiel Nibigira: nossa harmonia (espécie de acordeão) e um antigo tambor africano. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia avalia que todos os objetivos deste Fórum foram alcançados?

Resposta: Foi atingido todo um leque de objetivos colocados: encontros multilaterais e bilaterais, trabaljo global feito para inventarizar o estado das relações da Rússia com todos os países dessa parte do mundo. Para preparar uma cúpula, todos os ministérios trabalham juntos, levantam-se todos os problemas, pede-se e elabora-se um grande número de documentos, um trabalho analítico é realizado. Imagine aqui, com tantos Estados! Foi realizada toda uma inspeção de todos os assuntos da cooperação da Rússia com os Estados e uniões regionais da África, que também estavam representadas. É um trabalho muito sério.

E os nossos parceiros africanos também realizaram trabalho análogo, por isso todas as discussões eram muito construtivas. As delegações eram muito representativas.

Foram resolvidos assuntos práticos, dos quais falou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e os líderes dos países africanos nas numerosas entrevistas. Foram elaboradas as rotas de resolução dos problemas existentes e também vários planos estratégicos dos quais se falava em Sochi.

É impossível resolver todas as tarefas, porque muitas delas são de longo termo. Mas foram indicadas e as soluções começaram a ser pensadas.

Pergunta: Como a senhora estima o nível da parceria estratégica da Rússia com o Azerbaijão?

Resposta: Eu já em parte respondi falando sobre o Fórum Interregional Russo-Azeri. É a visão prática da nossa cooperação.

As relações estão avançando, têm dinâmica. Somos unidas pela história comum, pela contemporaneidade e, claro, pelo futuro. Por isso a nossa cooperação visa o futuro, tem enorme perspectiva.

Pergunta: Será que Moscou acha que a conduta dos EUA no Leste da Síria, especialmente em relação aos curdos e às jazidas de petróleo, ameaça em algum sentido o Acordo de Sochi, alcançado entre o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o da Turquia, Recep Tayyip Erdogan?

Resposta: Comentamos isso em regime cotidiano. É quase impossível responder a esta pergunta. A situação “em terra” muda a cada dia. Falando globalmente, vocês sabem a nossa atitude: é incompreensível por que os estadunidendes estão naquela região e naquele país concreto, qual é a base legal da sua presença lá, qual é a sua estratégia e política. Tudo muda a cada dia e não tem estratégia a longo prazo, que os próprios estadunidendes poderiam compreender. Durante anos, autoridades se alteram, os “dirigentes” dos processos neste sentido se alteram, mas sempre não há nenhuma estratégia.

Falando concretamente, eu tenho que fazer lembrar os nossos comentários anteriores e perguntar, por meu turno, a que concretamente se refere a sua pergunta. É um acontecimento concreto que eu poderia comentar?

No que toca à ameaça aos nossos acordos, eu não acho que só tem que falar em planos e ações dos Estados Unidos. Fazemos acordos, inclusive aqueles mencionados, para nos opor às tendências destrutivas “em terra”. Ao serem realizados, previnem as ações destrutivas mencionadas na pergunta.

Esperamos do maior jogador no palco internacional, que são os EUA, uma espécie de contribuição construtiva para a normalização da situação na região. Esperamos que não somente defendam as instalações petrolíferas para interesses próprios, mas além de tudo, uma contribuição concreta para a normalização da situação que eles mesmos tinham conduzido à crise onde está. Não tem que fazer algo para agravar a situação, senão passar a ações construtivas: o campo é imenso. Antes de tudo, é o sentido humanitário: é necessário recuperar a Síria, que caiu vítima das intrigas políticas de todo um número de jogadores ocidentais e regionais. É o que está na superfície, aquilo que estão falando em Genebra, aquilo que estão falando os representantes do formato de Astana, na ONU. É um dos sentidos do caminho. Mas há um grandíssimo número de tais sentidos e direções. Falando concretamente, as direções mais necessárias são a medicina, a educação, a restauração da infraestrutura, a ajuda financeira não a uns “humanitários” sírios e seus “colegas” ocidentais, não o financiamento de “Capacetes Brancos” e outras estruturas que iriam tratar da “restauração da Síria” em teoria, senão restauração imediata da infraestrutura civil, necessária para a vida de pessoas simples, cuja existência ficou um inferno.

Pergunta: No diálogo entre os curdos e Damasco, que as autoridades da Rússia têm mencionado muitas vezes, parece que tem uma transição para os passos práticos, o que foi afirmado pelo Vice-Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Vershinin. Ele disse que a Rússia estava pronta para ajudar nas negociações entre os curdos e Damasco sobre a adesão das Forças Democráticas Sírias (FDS) ao exército sírio. Já há detalhes? Como isso vai ser? Existem planos de ajudar o diálogo político na Síria?

Resposta: Quem decidirá sobre a forma e o formato serão Damasco e as uniões mencionadas na pergunta. A nossa tarefa é favorecer este diálogo, talvez garanti-lo e garantir a realização futura de acordos, se vai ter acordos. Mas quem decide do formato é Damasco e as uniões.

No que toca à normalização do diálogo político na Síria, este trabalho continuava sempre. Sempre nos manifestamos a favor dele e acreditamos que sem ele, o futuro político da Síria será difícil. É uma das pedras fundamentais da nossa posição em relação à regulação política na Síria.

Pergunta: Ontem, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, culpou, entre outros, a Rússia de desrespeito dos Acordos de Sochi, ou seja, de incumprimento das suas obrigações, mesmo se o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, afirmou que o nosso país cumpriu as obrigações assumidas. Será que os Acordos de Sochi estão ameaçados?

Resposta: Eu só posso voltar a citar o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que disse que a Rússia cumpriu as suas obrigações. Partimos da suposição que a Rússia fará a sua parte do trabalho assumido no âmbito destes acordos. Esperamos que os nossos parceiros também cumpram a sua palavra. Trabalhamos nisso ativamente.

Pergunta: Anteontem, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, teve um encontro com o Ministro das Relações Exteriores da Grécia, Nikos Dendias. A parte grega chamou este encontro de “novo capítulo nas relações russo-gregas”. Algum comentário?

Resposta: A atitude das partes para com a cooperação bilateral foi comentada detalhadamente durante a coletiva de imprensa depois das negociações, com fatos e números.

Se a pergunta visa a expressão “novo capítulo”, então respondo que houve capítulos anteriores. Alguns deles eram bons, alguns não, e seria melhor terminá-los. O senhor lembra, já discutimos isso antes: aqueles capítulos incluíam páginas estranhas. Mas nós partimos da ideia de que já viramos aquelas páginas. Vamos continuar construindo as relações tradicionalmente amigáveis, mutuamene construtivas, de mútuo respeito com Atenas.

Pergunta: Recentemente, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, criticou severamente a redução do âmbito do uso da língua russa nas repúblicas pós-soviéticas. A senhora acredita que a aproximação do Azerbaijão à língua russa pode ser chamada de modelo correto, que deve ser usado como referência?

Resposta: A nossa atitude para com o trabalho de Baku na área do desenvolvimento e proteção do nível da língua russa no território do Azerbaijão é de respeito e gratidão.

Pergunta: Um deputado do Sejm lituano declarou recentemente que dentro de uma ou duas semanas pode ter lugar entre a Rússia e a Lituânia a troca de pessoas acusadas de espionagem. Esta informação é correta?

A mídia da Noruega informa que entre as pessoas sujeitas à troca estará Frode Berg.

Resposta: Eu não sei nada disso. Já comentamos isso, e aquele comentário segue atual. Se aparecerem novas informações, atualizaremos, como sempre, a nossa posição.

Pergunta: Que propostas e que posição sobre o problema da regulação em Nagorno-Karabakh o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, vai trazer para o seu encontro com o Ministro das Relações Exteriores da Armênia, Zograb Mnatsakanyan? Hoje em dia, estão na agenda entre a Armênia e o Azerbaijão as medidas humanitárias. Sergei Lavrov tem afirmado recentemente que a Rússia saúda a troca de todos por todos.

Resposta: Eu só posso voltar a citar a declaração de Sergei Lavrov.

Vamos ter material mais detalhado dedicado a esta visita, que publicaremos no site em breve. Além disso, vai ser publicada a entrevista do Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, à mídia armênia. Concordamos que seja publicada amanhã. Publicaremos também no site do Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Estes assuntos são comentadas lá em detalhe.

Pergunta: O Vice-Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqci, declarou que o Irã sairá do acordo se os participantes europeus desrespeitem o acordo nuclear. Quais serão as consequências?

Resposta: Pouco agradáveis. A elaboração deste acordo levou vários anos. Antes disso, a situação era de crise: eu lembro bem as dificuldades para começar o diálogo. O “sexteto” esforçava-se, sempre havia agravações. Depois, logrou-se começar um processo de negociações de verdade. Levou uns anos. A União Europeia tomou esfoçros colossais (a propósito, é um exemplo de esforços mais ativas desta estrutura e da sua eficiência neste sentido), os EUA também fizeram-se notar com a sua aproximação abrangente na solução deste problema. A posição que tivemos nós é bem conhecida também.

Quebrar o acordo é uma má opção. Lamentavelmente, observamos a saída unilateral dos EUA, que é ilegítima, já que este acordo foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. Já falamos sobre a impotência dos parceiros europeus de garantir as condições oferecidas ao Irã. Vemos para onde conduz tal política irresponsável, ineficiente dos participantes deste acordo. Claro que isso só gera preocupações. Não estou certa se alguém possa repetir todo este caminho, pois somente as negociações levaram quatro anos. E há o problema de confiança. Se algo que foi alcançado e aprovado graças a negociações, quem vai consentir mais um jogo com as mesmas regras se elas são violadas tão simplesmente?


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